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Quarta, 14 de Julho de 2021 - 14:15

Medicina de precisão (ou personalizada): Do que se trata?

por Nathale Prates

Medicina de precisão (ou personalizada): Do que se trata?
Foto: Divulgação

Na era da Medicina Baseada em Evidências, tem-se cuidado dos pacientes a partir de recomendações que surgem (desejavelmente) de grandes estudos clínicos randomizados e controlados, a partir de grandes grupos de indivíduos estudados (heterogêneos, ainda que não a olho nu, certamente). O termo "Precision Medicine" ou "Medicina de precisão" vem na contramão da generalização de condutas, e começou a ser utilizado de forma ampla a partir de janeiro de 2015, com o lançamento da "Precision Medicine Initiative" pelo então presidente norte-americano Barack Obama. 

 

A Medicina de Precisão é uma modalidade de medicina mais personalizada e assertiva. Exemplificando: sabemos que um mesmo medicamento pode deflagrar efeitos completamente distintos (ou ausência de efeito) em diferentes pacientes; importante então se faz saber que medicamento se aplica melhor ao paciente em questão na consulta médica. Para isso, utiliza-se de análise do perfil genético do paciente, associada a informações sobre o estilo de vida e comorbidades do indivíduo em questão. Neste contexto, a soma dessas informações permite que o médico indique um tratamento mais personalizado e eficaz para cada paciente. 

 

No Brasil, a medicina de precisão está engatinhando desde a criação da Rede Nacional de Farmacogenética em 2013, responsável por gerar dados acerca deste tema sobre e para a população brasileira. Em 2015 a Fapesp aprovou a criação da Brasilian Initiative on Precision Medicine (BIPMed), que reúne instituições de pesquisa e ensino público do estado de São Paulo, para criar uma plataforma de estoque de dados genéticos provenientes de 5 centros sediados nas instituições. 2017 foi criada a Associação Brasileira de Medicina Personalizada e de Precisão.

 

A Medicina de Precisão se utiliza das ditas ômicas (genômica, transcriptômica, proteômica e mirnômica), através de testes genéticos ainda não amplamente disponíveis. Portanto, ainda não estamos falando de uma realidade clínica amplamente acessível nos dias atuais, mas certamente trata-se de um vislumbre do que há por vir. 

 

Em Endocrinologia, os testes moleculares já são realidade para melhor seguimento dos pacientes com nódulos tireoidianos de citologia indeterminada (categorias Bethesda III e IV), embora ainda para um seleto grupo de pacientes que tem poder aquisitivo para custeá-lo, infelizmente. O mir-THYpe  (um dos testes moleculares mais utilizados, desenvolvido em parceria que envolveu o Hospital do Câncer de Barretos), por exemplo, analisa a expressão de 11 microRNAs por PCR em tempo real e pode evitar cirurgias desnecessárias em até 84% nos nódulos indeterminados de tireoide. Um resultado negativo neste teste funciona como um resultado benigno (categoria Bethesda II) na citologia (exame microscópico que se segue à punção de tireoide com agulha fina), e indica que o paciente não precisará se submeter à cirurgia de retirada da tireoide (sem o teste, estes pacientes seriam operados e descobririam na biopsia que seu nódulo que levou à cirurgia é, na verdade, benigno (o que significa exposição a um risco desnecessário de complicações cirúrgicas).

 

*Nathale Prates é médica endocrinologista graduada pela UESC, com Residência em Clínica Médica pelo Hospital Santo Antônio e em Endocrinologia pelo HGRS. Já atuou como professora concursada efetiva do curso de Medicina da Universidade Federal de Sergipe (UFS).

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

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