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Segunda, 13 de Dezembro de 2021 - 17:50

Luis Ganem: A Banda Eva merecia mais, e o público do Carnatal também

por Luis Ganem

Luis Ganem: A Banda Eva merecia mais, e o público do Carnatal também
Foto: Divulgação

Errado quem pensa que no texto dessa semana vou falar sobre se vai ter ou não carnaval. Se o que foi resolvido foi certo ou errado. Agora, meu amigo, vai todo mundo querer ficar insistindo no mesmo assunto, com dezenas de teses de mestrado de mesa de bar, manifestando os porquês, discursos acalorados e aloprados midiáticos manifestando achismo pra tudo quanto é lado.

 

Pois a história gira e, com sua roda, chegamos agora ao Carnatal. Chamado de carnaval fora de época, por acontecer em um período que antecede o Carnaval de Salvador (se alguns pensam em outro carnaval, eu penso no de Salvador como marco zero). Igual a todos os similares, que surgiram na esteira das bandas baianas que inundaram o Brasil afora, o Carnatal acabou se notabilizando pelo país. Festa grande. Se intitulam “o maior carnaval fora de época do mundo”. Vendem todos seus abadás – ou seria camisas? – de forma antecipada sempre de um ano para o outro.

 

Pois bem, cortemos a cena para o Carnatal de 2021, acontecido entre os dias 09 e 12 deste mês. Neste evento, vários artistas de vários gêneros se apresentaram – não somente os artistas ou bandas baianas. Pelo fato dos carnavais fora de época terem se tornado algo mais que apenas um carnaval – e pelo fato de Salvador permitir que em seu carnaval muitas outras atrações que não apenas seus artistas toquem –, e muito mais, a folia potiguar se tornou plural a esse ponto também. 

 

E entre esses artistas, também se apresentou a Banda Eva, que num contexto normal teria feito seu show ou sua apresentação feliz da vida, e teria ido embora para outro show sem nada demais acontecer. Eu disse: teria, se não fosse o infeliz momento vivido pelo cantor Felipe Pezzoni e músicos no evento. 

 

Lógico que esse pano de fundo todo chegando na Banda Eva é primeiro para mostrar o que alguns chamam de erro de produção e eu, de falta de consideração. No mais, aponta para o momento sofrível da música baiana no seu segmento axé – em outro momento isso nunca teria acontecido. Mesmo representado por um produto, uma marca consolidada no mercado e em franca nova ascensão, o grupo teve seu espaço ao sol minorado pelos responsáveis pelo evento. 

 

Por isso, tudo teria sido comum e normal se – e sempre tem um “se” – a requisição para o fim da apresentação não estivesse sendo feita em favor de uma dupla sertaneja – assim foi dito –, que iria começar a se apresentar em um espaço físico que fica no meio do circuito e a passagem da banda atrapalharia a apresentação da dupla.

 

É preciso abrir aspas aqui para reiterar que nisso tudo, e em se tratando de um “carnaval fora de época”, o óbvio seria que se fizesse a parte principal da festa com os shows em trio elétrico e que palcos fixos preenchessem a grade ao fim dos desfiles dos mesmos.

 

Teria sido comum se – e sempre tem um “se” – não tivessem esses anos todos, talvez não a banda Eva, mas com certeza diversas outras bandas baianas de sucesso no Brasil, tocado no evento, que foi criado a partir da explosão do carnaval de Salvador, consolidando-se, enquanto cenário de pré-carnaval ou carnaval fora de época – como queiram – em muito pela força do carnaval baiano, que sempre foi parceiro.

 

É justificável agora alegar que tudo se trata de um mal-entendido, ou que a culpa foi da demora de tocar da Banda Eva ou, ainda, que no contrato está previsto que a produção é soberana nas decisões e na flutuação de tempo de show. Enfim, desculpa tem um bocado pra dar.

 

Ao final de tudo, recebi de um amigo uma explicação que me parece cabível, de que a não percepção de que o bloco via de regra é também um camarote, só que andante, dá margem à ideia de que se pode parar um show. Disse ainda o mesmo que esse expediente de parar bandas, quando é feito – normalmente em festas bancadas pelo poder público como prefeituras –, só ocorre com bandas novas, desconhecidas, que ali estão para suprimir o hiato entre uma grande atração no trio e outra grande atração no palco.

 

Sendo assim, os expectadores do bloco “camarote andante”, além de terem perdido também o show da Banda Eva, perderam enquanto consumidores com a finalização do circuito antes do esperado e podem inclusive entrar com pedido de ressarcimento junto à organização do evento. Isso independentemente do momento axé estar em baixa ou não.

 

Narrativas e justificativas agora funcionam igual a cuspir de cima pra baixo, quando o mínimo a ser dito e feito – se for – é pedir desculpas. No mais, não existe nada a se colocar.

 

Um fato como esse mostra de maneira indiscutível que ninguém nem nada está fora da mira de passar por este tipo de dissabor, nem uma grande marca como o grupo Eva.

 

Minha solidariedade à Banda Eva e seu cantor Felipe Pezzoni, que pagaram um preço injusto – mesmo sem ter culpa por nada – das atitudes de um mercado criado pela Bahia e exportado para todo o Brasil, junto também com seus vícios e malfeitos.

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