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Terça, 16 de Novembro de 2021 - 17:30

Luís Ganem: Você disse que não sabe se não, mas também não tem certeza que sim

por Luis Ganem

Luís Ganem: Você disse que não sabe se não, mas também não tem certeza que sim
Foto: Divulgação

“Mas e você, acha que vai ter carnaval?” Ultimamente, de dez entre dez perguntas, nove têm sido a respeito deste fato. A tal da (in)certeza que é preciso ter carnaval e de que a vida precisa continuar se tornou algo prioritário no cenário musical baiano, que não fala sobre outro assunto. 

 

Do vigário ao delegado, do juiz ao promotor de Justiça (cenário lúdico de uma pequena cidade do interior, onde os aludidos representam a ordem e os costumes), todo mundo se pergunta o que deve ser feito pelas autoridades nesse quesito. 

 

Quesito que inclusive traz a reboque um leque de festas – grandes ou pequenas – que darão o tom da cidade no verão que se aproxima.

 

Mas e aí, como isso vai ficar? Como defender algo e que opinião se ter a respeito do assunto? Vou colocar aqui alguns argumentos da turma que está a favor e da turma que está contra a realização do carnaval.

 

Para entendimento, a frente que defende o SIM pelo carnaval é composta por empresários da música e demais áreas que envolvem a folia: lojistas em geral, empresários dos mais diversos segmentos a exemplo da rede hoteleira, e diversos outros, vociferam de forma clara e uníssona a perda de renda da cidade do Salvador como fator primário para o acontecimento. Os defensores da tese entendem que a cidade não suportará mais um ano sem a entrada extra de divisas e que o desemprego aumentará ainda mais, visto que os serviços temporários de verão oriundos de eventos terão sua carga diminuída pela falta do seu principal atrativo – o carnaval. Para eles, as festas que circundam e antecedem a folia de Momo, sozinhas, não terão força para alavancar a economia de uma cidade eminentemente de serviços. 

 

Inclusive o argumento perpassa por apontamentos plausíveis principalmente quando falam de geração de emprego e renda e desassistência a mais de 65 mil famílias que dependem dos eventos de verão e do já dito carnaval.

 

Alguns números foram expostos também como argumento para a defesa da realização da festa, a exemplo da circulação diária do metrô que para efeito comparativo tem em vinte dias de circulação mês um úmero bem maior do que pessoas circulantes no carnaval – apontam os defensores.

 

Para alicerçar o que propõem, os defensores do “SIM” enumeram várias ideias para fiscalizar quem tomou a vacina. Da fiscalização efetiva do passaporte da vacina na população que fosse para a rua – proposta por um vereador de Salvador –, que seria feita nos pórticos de acesso à folia, ao fechamento de todas as entradas da cidade – terrestre, aérea e portuária, com obrigatória apresentação do passaporte da vacina como forma de entrar no período da folia. Na visão de quem defende a festa e baseado nesses parâmetros – esses são apenas alguns deles –, está tudo planejado e nos conformes.

 

E do outro lado dessa história está o pessoal do NÃO, que não quer nem ouvir falar em festa de carnaval. Acham temerário o acontecimento e defendem a contenção das aglomerações maciças como forma inconteste de barramento da volta do pior dos períodos da pandemia: o lockdown.

 

O pessoal do NÃO está tão absoluto na certeza do que defende, que tem começado a se manifestar de forma mais contundente. De encartes em postagens de Instagram e Facebook aos envios de mensagens enumerando os porquês, a corrente está firme e forte no entendimento do pior. 

 

Dizem que o carnaval de rua não traz espaço para o distanciamento social e que, a partir da terceira lata de cerveja ou do terceiro copo de bebida, ninguém iria se preocupar mais com máscara, já que a predominância da festa é justamente o convívio e o contato social. Apregoam também que, em virtude do som alto, fatalmente ninguém conseguiria conversar em um distanciamento aceitável e quiçá usando mascará, que abafa mais ainda o som da voz envolvida ali pela altura. 

 

Também como forma de liquidar o seu entendimento, apontam o chorume - mistura de urina, cerveja e outros líquidos - que se acumulam na rua nos dias de folia, e que são causadores das mais diversas doenças respiratórias. Logo, é um agravante em meio ao risco de uma volta mais agressiva do vírus. Enquanto solução paleativa os defensores da ideia de não ter carnaval ponderam a proposta de festas em ambiente fechados e eventos menores em bairros populares

 

Bem, está quase tudo aí. Preferi desta vez tentar mostrar o argumento de cada lado, que neste caso aqui não tem cara, mas sim personagens anônimos com seus “achismos”, mas que representam a visão de uma sociedade em um percentual bem diminuto. 

 

Preferi fazer assim, pois suscita margem para uma opinião sobre o assunto.

 

Dito isso, não queria nem quero estar na pele dos gestores públicos que terão essa “batata quente” para descascar num prazo de tempo curto. Até para conseguirem, caso resolvam pelo “sim”, organizar a festa.

 

Daí do título desse texto parafraseando Djavan, com a licença de uma pequena mudança na letra da música: “você(s) dizem que não sabe(m) se não / mas também não têm certeza que sim...”.

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