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Quarta, 12 de Maio de 2021 - 11:45

Ildazio Jr.: Que Será, Será?

por Ildazio Jr.

Ildazio Jr.: Que Será, Será?
Foto: Henriqueta Alvarez / Divulgação

Que será, será?
Whatever will be, will be!
The future's not ours to see
Que será, será?
Whatever will be, will be!

 

Olá meus queridos de toda cadeia produtiva do entretenimento. Como estão sobrevivendo no meio deste pandemônio letárgico e incessante que há mais de ano impera e pelo visto muita água ainda vai rolar nessa ponte!? Muitos, sei eu, trocaram de profissão, venderam os instrumentos, voltaram para o interior, viraram uber, economia criativa. Enfim, o que se passa? 

 

Uma dúvida me incomoda: se da noite para o dia voltar, estarão aptos a fazer acontecer o baile? Existe um claro desmonte amplo e irrestrito em toda a cadeia e indústria do entretenimento baiano desde a desistência da profissão, desmonte de bandas, a defasagem e ferrugem do parque técnico, até a falência ou fechamento de produtoras! 

 

Penso que o modelo de negocio axé como um todo fechou o ciclo, e já passou da hora das novas propostas de produtos não só musicais, mas também de eventos, carnavais e que os players possam ler os novos conceitos, tendências, o que pensam os criativos. E assim, com parcerias ganha-ganha, reconstruírem esta potente indústria, com a força da rede social, do big entretenimento, e trazer à baila uma cena de crescimento, em um novo mercado e cadeia produtiva menos agressiva, sem mandatários e valorizando o eminente potencial criativo dos novos tempos, do coletivo, que pedem passagem, espaço e oportunidade!

 

Urge à Prefeitura rever o conceito deste Frankstein que se transformou o Carnaval baiano e mudar para algo muito mais descentralizado  com quase todos os bairros funcionando a cada ano como locais de festa, formatando um novo e racional carnaval turístico onde cada bairro que resguarda sua peculiaridade artística carnavalesca maravilhosa se enfeite, faça acontecer. Como no Rio de Janeiro que, além das ruas, se tem um ponto turístico fantástico, que é o Sambódromo, que tal  um “axezódromo” que some-se a um novo carnaval potente e rentável das ruas que tanto vemos aumentar a cada anos com milhões de foliões em todo os país? Olha São Paulo e o paulista, que deixaram de ser nossos clientes para serem nossos concorrentes e mostram, a cada ano, um maior carnaval de rua sem amarras?! A Prefeitura tem que encarar o Carnaval não só como business e sim como CULTURA que vende muito e, assim, desconstruir urgentemente essa remendada festa para algo mais amplo no quesito inclusão. Pois além de ser o lógico, hoje as grandes empresas patrocinadoras nessa pandemia se tocaram que o que vale é o lucro por propósitos, ações inclusivas e que abranjam a diversidade da sociedade contemporânea como um todo! O modelo de negócio banda, bloco, camarote do axé como chamariz - e cada um por si e Deus por todos - já não vinha se sustentando há tempos antes da pandemia. Imagina agora. A não ser que se repense um local novo com toda a infraestrutura (de hotel perto a camarote) para que os turistas e produtores sejam felizes!

 

Enfim, posto isto, queria avisar que o carnaval de RUA, dos Blocos, Afoxés, Camarotes, em todos os circuitos e palcos onde centenas de artistas ganham grana e salvam o ano todo, NÃO vai rolar em 2022! E de nada adianta chorar e me maldizer pois o que vai rolar no máximo serão festas clandestinas ou permitidas fechadas com 200, 300 ou 500 pessoas e sabe-se lá qual vai ser a capacidade permitida. Pocket camarotes, mini feijoadas, pocket shows com tudo quanto é protocolo exigido, charangas em bairros, paredões (polícia, confusão e explosão) em tudo quanto é bairro, isso sim, mas festa de rua com grana pública? Esqueçam! Ah, e claro, tome mais infestação, e depois fechamento de comércio, mortes, pedidos de oração no Insta para a mãe que foi infectada pela filha que foi para o banho de mar a fantasia na ladeira da Preguiça e por aí vai! 

 

 Mas enfim, vamos de indicadores do cenário e assim tentar justificar a minha tese:

 

•    falta de vacinas hoje e vacinação lenta;
•    governo negacionista e leniente para decisões sanitárias importantes;
•    Inglaterra e Israel indo para 3ª dose e Alemanha cancela Oktoberfest;
•    Vacinas produzidas em tempo recorde para entrega com percentual de 50% a 60% gerando dúvidas e insegurança;
•    reinfecção por novas cepas e pelo ritmo mais de 500 mil mortos até dezembro,
•    Governo e prefeitura alegarão uma diminuta ou falta de verba;
•    Eleições majoritárias em 2022 e medo dos políticos em perder voto (eles mais uma vez darão o João sem braço, fecharão os olhos para aglomeração da campanha e depois decretarão pseudo lockdowns, porque piorou de novo, quinta onda e tem que fechar tudo) ;
•    Mais de 350 mil eventos deixaram de ser realizados em 2020 (o número inclui shows, festas, congressos, rodeios, eventos esportivos e sociais, teatro, entre outros. Ou seja, mercado quebrado para investimentos, o que fez com que o setor deixasse de faturar ao menos R$ 90 bilhões (zerou o capital de giro);
•    Hoje, 97 em cada 100 empresas não estão trabalhando;
•    Cerca de um terço das empresas fechou suas portas, e um terço das empresas vai ter muita dificuldade pra reabrir.
•    Que turistas e quantos virão com essa insegurança sanitária toda?
•    E tudo dando certo, vocês acham que o trade vai receber sinal verde das autoridades para começar a se movimentar, produzir um carnaval normal em 2022 quando!?
•    A relação com os músicos, roadies e técnicos tá de boa ou vai ter conversa?

 

E aí, quando pensam que teremos um evento aberto ou fechado para 50 mil pessoas? Difícil de imaginar, né?  Agora imagina para 800 mil e todas as suas peculiaridades como o Carnaval baiano?! Ou seja: um problema de saúde pública, uma mega aglomeração, pegação solta sem uso de máscara, blá blá blá! 

 

Que novas ideias surjam, que a vacina vença e que a Cultura permaneça para ajudar a todos! 

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