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Segunda, 18 de Outubro de 2021 - 11:10

João Carlos Oliveira

por Gabriel Lopes

João Carlos Oliveira
João Carlos Oliveira, titular da Seagri | Foto: Divulgação

No comando da Secretaria estadual da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura há quatro meses, João Carlos Oliveira destaca que a Bahia reúne condições favoráveis para o desenvolvimento da agricultura. Segundo o titular da Seagri, a presença de luminosidade ao longo do ano e áreas que permitem a expansão do setor são pontos para o crescimento da agricultura no estado.

 

"A Bahia é um estado que tem todas as condições favoráveis para a agricultura, luminosidade o ano todo, temos área ainda para expandir a agricultura, e percentual grande no solo que pode ser mecanizado", afirmou o secretário em entrevista ao Bahia Notícias.

 

João Carlos também ressalta os números de geração de empregos e o impacto da agricultura na economia da Bahia. "A agricultura da Bahia representa hoje 1/4 da economia do estado, gerando mais de 1/3 dos empregos, eu diria que é na agricultura que você gera o emprego com menor exigência. É um segmento da economia que está ultrapassando esse cenário de pandemia em crescimento", disse.

 

Ao longo da entrevista, o secretário também falou sobre os incêndios que atingem o interior do estado, projetos da secretaria e planos para 2022. Confira abaixo a entrevista completa:

 

Secretário, temos acompanhado essa situação das queimadas por todo o estado, a Bahia chegou a concentrar 25% das queimadas da região Nordeste, muitos pontos de vegetação foram atingidos. Qual o impacto desses incêndios no setor de agricultura e pecuária aqui no estado?

A Bahia, especialmente a região do Oeste e a Chapada, está vivendo uma situação crítica de incêndio. Isso em função de elevadas temperaturas, muitos focos de calor, e o que é um foco de calor: a temperatura acima de 45 graus e muita matéria seca, portanto o ambiente muito propício ao desenvolvimento de incêndio. É claro que isso prejudica a agricultura principalmente nos biomas cerrado e caatinga e também prejudica muito o solo para futuros plantios, mas nós temos na Bahia o programa Bahia sem Fogo que é coordenado pela Secretaria de Meio Ambiente, com participação efetiva do Inema, do Corpo de Bombeiro, Polícia Militar, brigadistas e os municípios. Eu tenho estado em contato direto com a Secretaria de Meio Ambiente, todas as providências cabíveis estão sendo tomadas e tenho certeza que no menor espaço de tempo esses incêndios serão debelados. E nós da Secretaria de Agricultura estamos dialogando com todos os secretários de Agricultura, principalmente desses dois biomas para que trabalhe muito a questão da educação ambiental para evitar que isso aconteça. Eu diria que o Estado da Bahia com o programa Bahia sem Fogo está tomando todas as medidas necessárias para controlar esses incêndios.

 

E quais os principais projetos estão na pauta da secretaria no momento?

O projeto de assistência técnica é um projeto muito importante para nós, a gente sabe que dificilmente o estado terá condições de contratar 200 agrônomos, veterinários ou técnico agrícola e aí estamos aproveitando um lado positivo que aconteceu no cenário de pandemia onde desenvolvemos muito diálogo através de redes sociais. Há dois anos ninguém estaria imaginando de estar realizando videoconferência, é outra coisa que a internet também já chega a zona rural com certa frequência. Vamos desenvolver essa assistência técnica para que possa levar as informações técnicas ao homem do campo, todos os 417 municípios. E para isso, nós criamos o fórum de gestores da agricultura onde na última semana de novembro realizaremos uma reunião com todos os secretários da Agricultura e gestores aqui em Salvador. Já em uma parceria com a Faeb [Federação da Agricultura e Pecuária do Estado da Bahia], para estimular esses projetos, trocar experiências sobre a agricultura de cada município e mostrar aos prefeitos a importância da agricultura no município. Agricultura é onde você gera a maior quantidade de emprego no menor espaço de tempo, onde gera maior quantidade de emprego com menos exigência de escolaridade. Um outro projeto que é a orientação do governador Rui Costa de a gente trabalhar os convênios em parceria com os consórcios. Eu diria que os consórcios passam a ser parceiros bastante efetivos. Por exemplo, para a gente ter uma agricultura de elevada produção a gente precisa colocar esses produtos no mercado, e aí a gente precisa ter infraestrutura, o sistema viário que possa favorecer o escoamento. Só em 2021 já entregamos 20 máquinas pesadas aos consórcios: trator de esteira, retroescavadeira, patrol, caminhão pipa, no valor de R$ 21 milhões. Portanto, essa é uma parceria efetiva e nós queremos trabalhar muito a questão do município. Um outro é a parceria com municípios, associações rurais e já entregamos esse ano quase 100 tratores agrícolas com implementos de arado, grade, carroça para que seja utilizado pelos agricultores familiares aumentando a sua produtividade. São projetos de extrema importância.

 

Quais os maiores desafios enfrentados pelo senhor desde a sua chegada à secretaria?

Na verdade nós temos quatro meses à frente da secretaria e liderar a agricultura no estado da Bahia, com 417 municípios, como eu disse com os três biomas muito caracterizados, com uma área costeira muito grande é um grande desafio. Mas na minha condição de engenheiro agrônomo, com a experiência que passamos aí 19 anos na Ceplac mais um bom período na Universidade de Santa Cruz nos dá uma certa tranquilidade. Embora sabemos que é um desafio muito grande.

 

Como está a relação com o governador Rui Costa, tem dialogado com ele?

Sempre foi muito boa desde o Meio Ambiente e agora consolidando na Agricultura. O governador que é o nosso líder maior tem um estilo de gestão muito forte, até consolidado já como o Rui Correria e ele demanda muito a secretaria e com a Secretaria da Agricultura nós temos um diálogo efetivo. Tenho participado com muita frequência das agendas do governador no interior, portanto eu diria que estamos vivendo um momento bom da agricultura baiana e é óbvio com o apoio incondicional do governador Rui Costa.

 

Quais são os seus planos para 2022, com o final do mandato do governador Rui Costa? Sabemos que o senhor é um quadro indicado pelo PSB, já há um diálogo sobre o futuro?

Eu sou um homem de partido, eu tenho 44 anos de serviço público e 20 anos de PSB. Agradeço a confiança da direção do meu partido, por ter me indicado para vários cargos no estado, especialmente as secretarias de Meio Ambiente e agora de Agricultura. Sou técnico, passei por diversos órgãos: Ceplac, universidade, academia e desde o primeiro o governo Jaques Wagner que eu faço parte dessa construção coletiva do governo do PT. É óbvio indicado pelo partido, o PSB, e eu diria que hoje meus planos é concluir o nosso projeto na Secretaria de Agricultura, até o final do mandato do governador e a partir daí é uma nova discussão com o partido, uma ampliação de discussão. É óbvio que o partido tem quadros excelentes com experiência e quadros novos chegando que poderão dar sua contribuição em qualquer área. Eu sou homem de partido e estarei junto ao meu partido para qualquer decisão de futuro.

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