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Segunda, 21 de Junho de 2021 - 11:10

Arthur Maia

por Mari Leal

Arthur Maia
Foto: Priscila Melo / Bahia Notícias

Deputado federal pelo DEM, Arthur Maia defende que, caso a legenda não tenha candidatura própria à presidência da República, adote na Bahia o chamado “palanque aberto”. A ideia é garantir espaço para receber os mais diversos apoios, inclusive da ala bolsonarista. “Apoio não se discute", diz em entrevista ao Bahia Notícias. 

 

O parlamentar também destaca o “sonho” de uma aliança entre DEM e PP na Bahia.  Neste caso, o posicionamento político da legenda no âmbito nacional, que tem o presidente da Câmara, Arthur Lira, seria o mecanismo de influência para romper a aliança duradoura de pelo menos 16 anos do PP com a esquerda na Bahia. 

 

“A chapa que eu gostaria de ver aqui montada seria ACM Neto no governo e Cacá Leão [PP] como senador. Essa é a chapa dos meus sonhos”.

 

Arthur Maia também comenta os trabalho desenvolvidos pelo colegiado responsável pela análise do texto da reforma administrativa, da qual ele foi escolhido relator. 

 

Começando pela política, como que o senhor está se planejando para 2022, mantém a disputa para a reeleição como deputado federal? 

Sem dúvida permanecerei no DEM. Sou candidato a deputado federal e estou no projeto para que a gente tenha ACM Neto como governador da Bahia. Essa é a minha meta para 2022. 

 

O DEM tem buscado protagonismo nessas discussões, sobretudo do ponto de vista das possíveis alianças, tanto aqui na Bahia quanto no cenário nacional. A saída de Rodrigo Maia, na sua avaliação, demarca a postura do partido, agrega força ao presidente nacional, ACM Neto? 

Rodrigo Maia não faz mais parte do partido, é uma coisa de já passou.O DEM tá tirando dos seus quadros alguém que não contribuiu em nada com o partido como presidente da Casa e que, ultimamente, depois que perdeu a condição de ser reeleito perdeu o rumo e prumo na política. Claro que não há o fortalecimento de alguém ou do partido em expulsar alguém, mas foi salutar para o partido. 

 

Semana passada divulgamos aqui no BN de que não é descartada a possibilidade de um apoio do presidente Bolsonaro ao presidente nacional, ACM Neto, na disputa pelo comando do Estado. Como o DEM poderia fechar essa conta, já que nos últimos meses as críticas de Neto contra o governo se intensificaram. É possível alinhar? 

Eu penso que apoio não se discute. Se Bolsonaro quer apoiar ou qualquer outro, apoios são sempre bem-vindos. Eu pessoalmente defendo, sei que não é uma equação fácil, mas que o partido Democratas na Bahia tenha um palanque aberto para que a gente possa dialogar com as diversas forças que nos apoiam e que não tenham uma coincidência de posições nacionais. Então, o meu desejo é que de fato tenhamos um palanque aberto com todos os candidatos, a não ser que o DEM tenha uma candidatura própria. Eu continuo na linha de que não quero ver o Brasil voltar a ser governado pelo PT. É uma narrativa muito ruim essa de que é ou Bolsonaro ou o PT, mas eu já antecipo que para mim o pior dos mundos é ver o PT voltar a governar o Brasil. 


Foto:Arquivo BN

 

Qual a probabilidade de o DEM conseguir arregimentar essa candidatura própria?

Isso é muito cedo. Isso depende de quanto a candidatura que já está aí colocada, que é a do Mandetta [Henrique Mandetta] vai crescer. Está aí, colocado como pré-candidato. Eu acho que ele está fazendo um bom trabalho, caminhando pelo Brasil, falando, se posicionando. Ele é um quadro muito qualificado. Eu pessoalmente desejo muito vê-lo como candidato, mas isso não depende só dele. Uma candidatura para presidente envolve vários fatores, mas eu gostaria muito de vê-lo como candidato a presidente da República. 

 

A Folha, inclusive, soltou uma matéria de que o Mandetta é o próximo nome a deixar o DEM. Isso procede? 

De maneira nenhuma. Garanto que não existe essa possibilidade. Converso sempre com ele, está engajadíssimo nesse processo de consolidar sua candidatura com todo apoio do partido. 

 

E a relação DEM-PDT?

Na Bahia está consolidada a nível de que nós estaremos juntos. A composição da chapa não foi discutida ainda. 

 

E nacionalmente, como faz essa conta para incluir o PDT e um possível apoio de Bolsonaro?

Nacionalmente nós teremos possivelmente várias candidaturas. A minha posição é de que o partido ou tenha uma candidatura própria ou, então, eu trabalharei para que a gente tenha um palanque aberto. Se nós vamos conseguir ou não, é outra história. Mas é o que eu desejo para que a gente possa se contrapor a essas forças do atraso que governam a Bahia há tanto tempo. 

 

No cenário local Bahia, vê a possibilidade de algum dos grandes partidos, como PSD e PP, hoje na base do governador Rui Costa, migrar para essa proposta que a oposição está trazendo?

Eu tenho muita esperança de que a gente possa trazer algum dos partidos que estão do lado de lá para uma candidatura local. Isso de certa forma tem uma influência nacional. Eu espero, tenho conversado com muita gente. A chapa que eu gostaria de ver aqui montada seria ACM Neto no governo e Cacá Leão [PP] como senador. Essa é a chapa dos meus sonhos. 

 

O diálogo com o PP já está acontecendo?

Não. Ainda não temos diálogo nesse sentido. Também o jogo não começou a ser jogado ainda. O momento agora é de fazer o que estamos fazendo, o que ACM Neto está fazendo. Caminhar pela Bahia. É importante destacar como está sendo muito positiva a recepção a ACM Neto no interior na Bahia.


Foto:Arquivo BN

 

O senhor foi escolhido para fazer a relatoria da proposta de reforma administrativa que está na Câmara dos Deputados, e para a gente iniciar gostaria de uma avaliação sua sobre o texto atual encaminhado pelo governo. 

O texto atual tem pontos dos quais eu divirjo, outros que eu concordo, mas como qualquer reforma, qualquer proposta de emenda constitucional, ainda mais com uma amplitude como essa, que mexe com vários artigos da Constituição, ele sempre precisa ser reparado, consertado. A direção é basicamente essa, entretanto, tem alguns pontos que a gente vai mudar e outros que a gente vai ouvir na comissão para poder formar o juízo de valor.

 

Consegue citar alguns desses pontos?

Um ponto é essa ideia que está no texto é transformar os cargos diretivos, que são cargos que só podem ser ocupados por funcionários de carreira, transformar em cargos em comissão, de livre nomeação. Eu acho que isso favorecerá as indicações políticas e não é propósito, ao meu ver, da reforma administrativa fazer com que haja abertura maior para as indicações políticas. 

 

Uma das críticas apontadas contra a reforma é a possibilidade de ‘institucionalizar’ o privilégio de algumas categorias, que ficariam fora das novas normas. O senhor concorda com essa leitura? 

Quem está de fora são as Forças Armadas. Eu pessoalmente já manifestei a minha posição de querer incluir, e não digo as Forças Armadas porque acho que é objeto para a discussão mais profunda na comissão, mas os membros dos demais poderes. Têm que ser incluídos, sim. Eu não vejo como é que isso possa criar privilégios. Eu não me sinto nenhum pouco à vontade para fazer a reforma atingindo, criando exigências para as pessoas que ganham pouco e deixando aqueles que ganham mais de fora. Se depender de mim, essas excepcionalidades não acontecerão.  E eu espero que o relatório esteja votado na primeira quinzena de agosto. 

 

O plenário da Casa se mostra favorável a uma aprovação rápida ou as divergências entre bancadas, a oposição propriamente dita, pode lançar mão de manobras que consigam postergar essa votação? 

O governo tem força para votar e de sobra, tanto na comissão quanto no plenário.

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