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Segunda, 19 de Abril de 2021 - 11:10

Ana Paula Matos

por Matheus Caldas

Ana Paula Matos
Registros de antes da pandemia | Foto: Paulo Victor Nadal / Bahia Notícias

Ex-ocupante de quadros técnicos na prefeitura de Salvador, a vice-prefeita Ana Paula Matos (PDT) estreia neste ano num cargo eletivo, após ter sido eleita para comandar o Executivo junto do prefeito Bruno Reis (DEM). Contudo, ela admite que não tem o intuito de seguir na carreira política.

 

“Eu não tenho pretensão, como eu não tinha. Sou uma pessoa do trabalho e que acredita muito em Deus. Entendi que nesse momento da pandemia a gente precisava dar o nosso melhor, nossa capacidade de trabalho e nossa escuta. Fui convidada a ser candidata, aceitei, agradeci a Deus pela oportunidade, porque é uma honra servir à minha cidade. Se outras oportunidades surgirem, se a cidade me convocar, estarei à disposição, mas te confesso que não está nos meus planos disputar nenhum outro cargo, até porque a gente acabou de ser eleito e tenho quatro meses em uma gestão que será, com fé em Deus, de quatro anos”, afirmou, em entrevista ao Bahia Notícias.

 

Dentre outros assuntos, ela comparou o trabalho de Bruno Reis com o do ex-prefeito ACM Neto (DEM) e falou sobre o trabalho na Secretaria de Governo (Segov).

 

Qual o balanço que a senhora faz desses quatro primeiros meses da sua gestão com o prefeito Bruno Reis?

São quatro meses de muito trabalho. O coronavírus traz para a gente mais desafios do que os que são naturais do cotidiano da gestão pública, mas que a gente está se esforçando ao máximo, dando todo o conhecimento adquirido durante a vida pública, especialmente a questão do diálogo para envolver os trabalhadores, contar com a ajuda da sociedade civil, fazendo essa articulação e a gente tem conseguido enfrentar e vencer esse desafio.

 

Na semana passada, durante as fortes chuvas que atingiram a capital, a senhora esteve presente em ações de vistoria e acompanhamento. Qual tipo de auxílio a senhora dá nesse tipo de ação?

Eu tenho participado dessa questão das chuvas desde a primeira gestão, quando fui subsecretaria de Promoção Social a gente enfrentou uma quantidade de chuvas muito grande, eu ajudei a construir um sistema de dados e implementar toda essa defesa civil. Quando vim a ser secretária das Prefeituras-Bairro, o então prefeito ACM Neto me colocou como responsável nas ações de integração com os outros órgãos. Nesse contexto, por exemplo, quando identificamos que pagávamos auxílio-aluguel e as pessoas voltavam, eu fiquei responsável por, junto com os órgãos, fazer o cadastro e eventualmente coordenar as demolições, melhorias dos locais e a requalificação. Agora, ainda mais porque sou responsável pelos novos projetos do Bairro Novo, Vida Nova - agora mesmo, fizemos o lançamento do Mané Dendé, que é uma obra de requalificação de área -, eu ajudo a coordenar o apoio social e por conhecer a realidade dos bairros, eu auxilio a pleitear junto com o prefeito Bruno Reis a melhoria para essas comunidades. Começamos no Mané Dendê, vamos dar início também em outras localidades. Para mim, estar diretamente envolvida é a presença da gestão pública do prefeito e da vice-prefeita e, ao mesmo tempo, conhecimento de todo o processo. Eu sei ajudar quando acontece uma situação dessa, tenho o respeito da equipe e consigo liderar esse processo. A minha participação é muito pelo conhecimento e pela história, mas, ao mesmo tempo, por ser liderança desse programa que é o Bairro Novo. Nossa ideia é não só dar o enfrentamento a esse momento, mas identificar os problemas e construir soluções para que isso não volte a acontecer.

 

Por que, apesar das aparições, a senhora tem mais esse papel de gerenciar esses projetos, a exemplo do que citou? Esse tipo de função é o que lhe deixa mais confortável dentro da gestão?

Tive a oportunidade de participar de uma série de obras. Trabalhei na educação, nas Prefeituras-Bairro, na previdência, na ação social. Na época das Prefeituras eu participei da coordenação de projetos estratégicos, por exemplo, a construção do posto de saúde do Arraial do Retiro, que exigia uma coordenação para reassentamento destas famílias, e eu sempre tive que desempenhar esse papel. Então, esse apoio às pessoas, o olhar humano, a presença da gestão nos bairros, essa proximidade, me deixa com o coração muito tranquilo e aquecido porque eu posso, de fato, ajudar as pessoas. Mas eu sou administradora, advogada, tenho pós-graduação, tenho mestrado, na área de Gestão ocupei meu primeiro cargo aos 20 anos de idade, tenho uma experiência vasta que me permite ter uma leitura ampla do cenário. Então, ao mesmo tempo que eu gosto de ajudar diretamente as pessoas, tenho uma condição, pela história e pela formação, de pensar os projetos estratégicos da cidade. É muito bom quando você consegue fazer com que o recurso consiga chegar em obras, em benefícios para as pessoas, casado com o que elas precisam e esperam.

 

A senhora compunha o quadro técnico da prefeitura e acabou se filiando ao PDT no ano passado para compor a chapa e concorrer à vice de Bruno Reis. Para os próximos anos, há algum intuito de se articular para se candidatar a outros cargos eletivos?

Eu não tenho pretensão, como eu não tinha. Sou uma pessoa do trabalho e que acredita muito em Deus. Entendi que nesse momento da pandemia a gente precisava dar o nosso melhor, nossa capacidade de trabalho e nossa escuta. Fui convidada a ser candidata, aceitei, agradeci a Deus pela oportunidade, porque é uma honra servir à minha cidade. Se outras oportunidades surgirem, se a cidade me convocar, estarei à disposição, mas te confesso que não está nos meus planos disputar nenhum outro cargo, até porque a gente acabou de ser eleito e tenho quatro meses em uma gestão que será, com fé em Deus, de quatro anos.

 

Já que a senhora não tem esse intuito, quais seriam os seus projetos futuros enquanto política e gestora?

Sou servidora de carreira da Petrobras. Estava emprestada à prefeitura de Salvador, onde fiquei por oito anos, nesse momento eu precisei me licenciar - não é mais uma cessão - para o mandato eletivo, tenho a perspectiva de um dia voltar para a minha empresa e contribuir com meu país, mas hoje o meu sonho, minha meta, é poder ajudar Salvador a ser um lugar com menos desigualdade social, um lugar melhor para morar, ajudar a construir uma cidade de emprego para as pessoas. Que ao final de quatro anos, quando a gente olhar para essa história que tá construindo e compreender que as pessoas moram em bairros melhores, casas com saneamento, tenham a oportunidade de educação, emprego, que elas não sejam tão vítimas dessa história que a cidade tem.

 

A senhora tem algum tipo de contato ou vínculo com a direção do PDT aqui em Salvador? Temos o secretário de Saúde Leo Prates, que é o presidente municipal, mas queria saber se a senhora tem um vínculo com o diretório como um todo, já que a senhora foi alocada aí aos 45 do segundo tempo como um nome para assumir a candidatura de vice-prefeita.

O PDT é um partido ideológico, que tem história e trabalha muito com o diálogo. Tenho conversado, por exemplo, com o presidente nacional do partido Carlos Lupi, com o presidente nacional do movimento comunitário trabalhista, o presidente local, vou receber a presidente da juventude do PDT esta semana, tenho conversado sempre com o presidente estadual Félix Mendonça. Então eu tenho uma proximidade muito grande com as pessoas, não só os presidentes. Ser candidata e ter dialogado muito com as mulheres me deu essa condição. Fui muito bem recebida no PDT. É óbvio que quando meu nome circulou, num primeiro momento houve uma reação, mas quando as pessoas conheceram minha história e outras pessoas que já tinham trabalhado comigo foram contando quem eu era, o PDT me abraçou e eu abraço toda essa causa trabalhista e social, eu tenho a identidade com o partido.

 

A senhora poderia divulgar o teor dessa conversa com o presidente Carlos Lupi?

Liguei para ele para conversar porque os movimentos comunitários e trabalhistas estão fazendo uma assembleia aqui, um encontro. Contatei ele para dizer que estava muito feliz por terem escolhido Salvador. Converso com ele desde que ele veio aqui, sempre me deu esse espaço. O PDT tem essa característica: toda a pessoa que tem sua filiação, tem o seu trabalho, ele tem a escuta. Existe essa ligação. Você manda um "zap" para o presidente do partido, ele te atende. Eu não tenho a militância, outro dia na live com o Lupi comentei que é a minha primeira filiação, não sei bem como é ser membro de um partido, mas sei o que é ser uma pessoa das causas sociais, uma pessoa que escuta, participa. Eles me receberam bem por isso. Sabem que eu talvez não saiba usar os termos, alguma forma tradicional de se comunicar no partido, mas entendem que eu busco o melhor para as pessoas.

 

Queria saber, vice-prefeita, quais as diferenças entre o perfil de Bruno Reis e ACM Neto, tanto na gestão quanto na personalidade à frente da prefeitura.

Os dois têm muitas coisas em comum, tanto é porque a formação de Bruno, na gestão pública, se dá através de 20 anos como assessor de Neto. Os dois exigem muito, cobram muito, têm boa memória. A gente faz uma reunião e dão números, dão informação e se dá uma diferença na reunião seguinte temos que explicar. Os dois são pessoas muito trabalhadoras, muito dedicadas e que nos dão muito espaço. Com Bruno tenho uma história que somos colegas há mais de 20 anos, fui assessora dele a vida inteira e a gente se conhece muito. Pelo olhar eu já sei como é que tenho que explicar, qual a hora. Até disse no meu discurso da convenção, que Neto foi alguém que me escolheu pelo meu currículo e de repente considerou que eu me tornasse alguém da sua confiança. A minha relação com Neto começou apenas profissional, depois de admiração e hoje é de amizade e confiança. Eu o considero como um líder, todos nós que fomos gestores que ele revelou consideram como um amigo, um líder político. Com Bruno eu posso dizer que ele é um irmão que a vida me deu. Bruno, nos últimos quatro anos, foi vice-prefeito de Neto, participando de todas as reuniões, todas as decisões. Então, muitos dos projetos que estão em curso em nossa cidade foram construídos pelos dois, com a participação dos nossos secretários. Então, como Bruno dizia na campanha, a gente não ia parar um único dia. Isso é o que eu tenho tido hoje com Bruno, a oportunidade de participar das decisões. A decisão final é dele, mas se sua opinião for tecnicamente fundamentada e ele entender que você tá certa, ele vai seguir sua sugestão. Tem outra coisa que é importante lembrar. Trabalhei com Neto antes de trabalhar com Bruno. Quem me trouxe para a prefeitura, em 2013, foi ACM Neto, eu vim ser diretora da Secretaria de Educação. Não tinha um contato direto com ele, inicialmente, mas a gente tinha uma secretaria que tinha muitos problemas. Tínhamos mil salas de aula sem professores e tive a oportunidade, como diretora-geral da Secretaria, de conduzir a convocação de mais de mil profissionais concursados e, sobretudo, a organização de um trabalho precário de terceirizados. Por último, ainda conduzi um plano de carreira. A partir daí, comecei a ir para as reuniões com Neto, que começou a conhecer o meu trabalho, passei a ser da confiança dele e ele me convidou para ser sub-secretária da Promoção Social, ele convidou Bruno para ser secretário. Porque ele compreendeu que eu já tinha um conhecimento de dois anos, praticamente, de prefeitura, já tinha conseguido dar resultados e Bruno estava concluindo um mestrado em Gestão Social. Bruno tinha um conhecimento naquela área e eu tinha um conhecimento técnico na prefeitura. Foi a intuição de Neto, junto com a capacidade de gestão, porque não deu nem 60 dias e tivemos aquelas chuvas absurdas de 2015. Enfrentamos aquela dificuldade e só tivemos uma resposta rápida porque, além da dedicação, a gente tinha um conhecimento da causa e de como a prefeitura funcionava. Para mim, é difícil falar da diferença porque fui crescendo no meu trabalho a partir dessa gestão de Neto e Bruno.

 

Quando o prefeito Bruno Reis anunciou o secretariado, houve alguns questionamentos sobre a diferença entre as secretarias de Governo, que a senhora está à frente, e a de Gabinete, ocupada pelo secretário Alberto Pimentel. Quais as principais diferenças entre as duas? A criação dessas pastas significa algum desmembramento para alocar Pimentel na gestão, já que ele é um aliado de Bruno e Neto que não foi eleito para vereador?

Essa secretaria já existia, ela não foi criada. Acho que as pessoas não compreenderam. Tanto a secretaria de Governo quanto a de Gabinete já eram cargos que existiam na estrutura. Inclusive, foi dentro da estrutura da Segov, porque aqui eu tenho cinco secretários, porque são cargos com status de secretaria. A única coisa que mudou foi a Secretaria de Governo, que saiu do espaço de chefia de gabinete, que era algo burocrático, de organização interna. Passamos a ter outro status porque temos projetos novos como este que eu tô tocando, com a coordenação social, o Bairro Novo, Vida Nova - que a gente ainda não pôde falar um pouco dele, ir para as ruas por conta da pandemia. Secretaria de Gabinete é para projetos mais estratégicos que o prefeito coloque, no caso dele, pela sua formação, inclusive na área internacional, porque ele já fez algum curso neste âmbito e fala muito bem outros idiomas, ele responde nesses projetos por conta da articulação internacional, assim como o Igor Domingues faz articulação com a Câmara na questão das emendas. Se você olhar a reforma administrativa você vai ver que não foram cargos criados, eram cargos que já existiam.

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