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Sábado, 09 de Outubro de 2021 - 05:09

O dia em que A. continuou donzelo

por Chico Ribeiro Neto

O dia em que A. continuou donzelo
Foto: acervo pessoal

Um amigo foi a primeira vez ao brega, orientado por um tio, que lhe disse: “Olhe, antes de ir pro quarto pergunte pra mulher qual é a ficha, pra ver se o dinheiro dá”. Na afobação de estreante, convidou logo para a mesa a primeira que passou e ela pediu um Cuba Libre. Chegando a hora do “vamo ver”, ele perguntou: “Qual é a ficha?” “O volume da mulher quem dá é o homem”, respondeu ela. Depois da transada (tipo de coelho, “vai ser bom, não foi?”), ele deu toda a grana que tinha no bolso: 90 reais, a preços atualizados. “E se tivesse 200 eu tinha dado 200, porque saí de lá na maior felicidade do mundo”.

 

Tem ainda a história daquele que, com uns 14 anos, foi fazer sua estreia no brega da Ladeira da Misericórdia, em Salvador. Sentou na cama, empurrado pela mulher, que lhe mostrou um “catecismo” onde desenhos mostravam todas as posições possíveis e imagináveis de uma trepada. “Qual é a posição que você quer?”, perguntou a profissional do sexo. “Qualquer uma serve, dona”, respondeu trêmulo, já com o pinto quase batendo no queixo. Consumado o ato, ele perguntou: "Por que foi que você entrou nessa vida?” “Vixe, por que é que todo homem adora fazer essa pergunta?”

 

Quando estudante, tive um colega de pensão, um comerciário, que tinha uma namorada no brega. Era assim: ela podia “fazer vida” a semana toda, com uma exceção: a quarta-feira era dele. Nesse dia, às 20 horas, ela tinha que estar na mesa à sua espera. Se estivesse com algum cliente o couro comia. Ele, que era muito forte, promovia um quebra-quebra no puteiro.

 

Outro amigo estava na cama com uma profissional do sexo quando ouviu fortes batidas na porta do quarto: “Dalva, abra logo essa porra dessa porta, e se tiver homem aí dentro vai morrer”. Foi no brega da Gameleira, transversal da Ladeira da Montanha, em Salvador, e meu amigo, magrinho, não teve outra saída senão fugir pela janela do velho casarão pisando em telhas de outras casas cujos donos gritavam “seu filho da puta, você vai ter que pagar minhas telhas”. Só de cueca e segurando o resto da roupa, ele correu até a Ladeira da Preguiça, onde conseguiu pegar um táxi salvador.

 

Foi numa cidade do sul da Bahia, na década de 70. Era a primeira vez que A. ia conhecer mulher, levado por uma caravana de amigos que queriam celebrar a data especial. Os quartos do brega eram divididos por tabiques de madeira, em meia parede, de modo que o que você falasse no corredor era ouvido dentro do quarto. Os seis amigos de A. sabiam disso e ficaram no corredor torcendo. “Vai que ele precisa de alguma coisa”. E ele precisou. De repente, os amigos ouviram a voz meio desesperada de A.:

 

- Pessoal, não tô conseguindo - e os amigos começaram a lembrar das gostosas da cidade, para ver se ajudavam:

 

- Pense em Ritinha - tentou ajudar um amigo. Após alguns minutos de silêncio, a resposta aflita de A.:

 

- Tô pensando, mas não consigo.

 

- Pensa em Maria de Seu Zé - gritou outro amigo. Mais alguns minutos de torcida e de espera.

 

- Tô pensando, mas não consigo.

 

Após um desfile de nomes de belas mulheres, inclusive de algumas atrizes famosas, pronunciados do corredor, e de novas tentativas mal sucedidas, A. conseguiu resolver seu problema da maneira à qual estava bem acostumado e que era infalível: manualmente.

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