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Sábado, 24 de Julho de 2021 - 05:04

O dia em que o aro do capitão travou

por Janio Ferreira Soares

O dia em que o aro do capitão travou
Foto: Acervo pessoal

Confesso que me surpreendi com os intermináveis debates sobre o motivo dos soluços de Bolsonaro, pois desde o início seu caso foi imediatamente diagnosticado por uns bebinhos que chegaram aqui com uns favos de mel recém-tirados pra fazer um caldeirão de meladinha.

 

E aí, conversa vai, cachaça vem e Severino Namorador puxou o assunto. “Você viu o danado engulhando? Parecia até que ia vomitar. Será que ele também toma umas?” “Toma nada, compadre, aquilo é ruindade!”, respondeu Bucho de Tripa tangendo umas abelhas rondando seu bigode. “Pois pra mim é engulho de bosta presa, que nem na piada. Será ‘impossível’ que ninguém vê isso?”, prognosticou Vandro Corninho Manso, bem antes de os doutores tirarem quase 2 litros de fezes das tripas do capitão. “Ô seu véio metido a escritor, conte aí essa piada de novo que você sabe florear o tom”, ordenou Severino, enquanto passava gelo nos beiços pra aliviar as ferroadas das italianas (“Tem nada não, dizem que é bom pros chifres!”, provocou olhando pra Vandro, que fazendo jus à mansidão apenas riu e resmungou um “Ói quem fala!” quase inaudível).

 

Antes de contá-la, lembrei-me da analogia que o cardiologista e músico mineiro Marcus Vinícius Bolívar costuma fazer em suas aulas na Faculdade Ciências Médicas Minas Gerais, quando diz que a grandeza de nossa orquestra, com seus 7 octilhões de átomos tocando com precisão as notas codificadas do DNA, tem tudo a ver com os instrumentos musicais que executam as partituras das mais de 160 milhões de músicas que existem por aí.

 

Como a lista é longa, citarei apenas os órgãos que fazem parte da anedota, começando pelo cérebro, que com seus 100 bilhões de neurônios irrigados por 160 mil km de vasos sanguíneos, seria uma espécie de maestro. Depois vem o coração batendo numa cadência de 100 mil vezes por dia bombeando sangue para o nosso corpo, lembrando violinos e demais instrumentos de cordas. Já os rins, filtrando os resíduos tóxicos do sangue, seriam os fagotes, ao passo que lá na rabeira, desaguando no velho indisciplinado, os intestinos fariam o papel dos metais responsáveis pela emissão dos sons menos nobres da sinfonia corporal, que são os flatos.

 

Pois bem, voltando à velha piada (adaptada ao momento e acrescida do característico linguajar do presidente), certa vez houve uma discussão entre os órgãos do capitão pra ver qual deles era o mais importante. Aí o cérebro berrou: “É claro que sou eu, pois foi pela minha astúcia que engabelamos milhares de babacas que achavam que meu modo de pensar mudaria depois da eleição”. Nisso o coração bateu mais forte e disse: “Ah, é? Pois saiba que sem o sangue que eu bombeio aí pra cima você logo fraquejaria e aí essa turma da CPI nos enrabaria sem cuspe nem piedade”. Ao ouvir isso, os rins disseram: “Ô seu coraçãozinho de merda, se a gente não filtrasse o sangue pra lhe entregar limpinho das porcarias que o chefe bota pra dentro, tanto você quanto esse cérebro metido à bosta tavam fodidos, tá ok?”. “Opa, é impressão minha ou ouvi merda e bosta por aí? Vocês sabem que disso eu entendo. Aliás, se eu não eliminasse o que não presta pra esse corpinho do ex-atleta funcionar, a coitada da Michele teria que andar de máscara o tempo todo”, provocou os intestinos.

 

E aí, à medida que a discussão comia no centro, ouviu-se uma espécie de assovio parecendo um oboé vindo lá do fundo, dizendo: “Posssssssso me manifesssssstar? “Ah, vai se foder, seu brioco fedorento!”, disse o cérebro. “Você só faz merda, rapaz, vai procurar um pau pra se limpar!”, emendou o coração. “Fica quieto aí, ô seu Sujismundo, que a conversa ainda não chegou no esgoto”, arrematou os intestinos.

 

Humilhado, o velho bufante voltou para a escuridão de seu úmido cafofo emitindo sons de uma tuba triste e aí ouviu uma carinhosa voz, dizendo: “Ligue não, meu tobinha lindo, que nós vamos mostrar a esses milicianos filhos da puta quem é que manda na caralha dessa porra. A partir de hoje, eu, como prega rainha, declaro que vamos travar tudo aqui embaixo e mesmo que as Forças Armadas sejam convocadas pra nos arrombar, não abriremos nossa rosca nem pra um urutu com o cano cheio de Viagra. Em guarda, companheiras!”.

 

No começo ninguém sentiu nada muito sério. Mas a partir do quinto dia, o cérebro começou a ficar da cor do terno do velho da Havan; o coração, descompassado, batia mais que os bongôs e as maracas de Dois Pra Lá, Dois Pra Cá; os rins, completamente desorientados, já não sabiam mais o que era sangue e o que era urina; e os intestinos, coitados, choravam copiosamente sem aguentar o engarrafamento de merda a comprimir a pobre da tripa gaiteira, àquela altura mais esticada que a camiseta de Pazuello.

 

Dizem que durante o voo, a elevada altitude dobrou a pressão sobre os órgãos e, já vencedor e sendo tratado por todos como excelentíssimo Dr. Tóba Fedegoso, nosso glorioso enrugado ainda pensou em fazer um biquinho pra aliviar seus súditos, porém, alertado pela rainha de que aquilo poderia explodir o avião e provocar a posse de uma famosa prega 4 estrelas que posa de liberal, mas é doida pra reviver as merdas do passado, o velho oreba manteve a prensa e só em São Paulo, depois de sedado e relaxado, assoviou Saudosa Maloca e cagou-se todo. 

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