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Sábado, 19 de Dezembro de 2020 - 10:02

Ciao bambino!

por Elieser Cesar

Ciao bambino!
Foto: Correio24Horas

 

Peguei o gringo no aeroporto.

Porte atlético. Não muito alto. Cinquentão grisalho. Simpático. Cara de empresário, de pessoa importante.

- Alemão? ? perguntei.

- Italiano ? respondeu ele.

- Italiano? Não me fale em italiano.

Ele quis saber o motivo.

- Tomei ódio de italiano.

- Por quê? ? perguntou num português macarrônico, espaguete.

- 82 ? respondi.

- Entendo. ? disse o passageiro.

- Entende nada. Você tá aí é muito orgulhoso, trinta anos depois, da vitória da Itália, na Copa de 1982, na Espanha, diante da melhor Seleção Brasileira desde a de 1970. O time de Zico, Sócrates, Falcão e companhia, derrotado pela Itália, na maior zebra numa Copa do Mundo. Batido por um homem só, Paolo Rossi.

- E foi zebra?

-Foi. Claro que foi. Quem esperava aquela derrota do time de Telê Santana? Quem?

- Eu, disse o homem, tranquilo diante da minha agitação, pois não posso falar de futebol sem ficar agitado e fico ainda mais agitado quando lembro aquela derrota que ainda dói e como dói...

- Esperava uma pinoia. Tá dizendo isso porque ganhou e é italiano, carcamano ? desabafei, mas ele não ligou para a ofensa e, se deu importância, não demonstrou no rosto o menor sinal de contrariedade; ao contrário, mantinha nos lábios finos o sorriso, sereno e tranquilo, dos vencedores.

Dirigi mais uma quadra e soltei o verbo. Ele me ouvindo, calado e atento como um papagaio a que se ensina a falar:

- O Bambino de Ouro destroçou o Brasil. David derrubando Golias, não com uma funda, mas com uma bola de futebol, um objeto que nada tem de inofensivo, ao contrário; uma bola de futebol provoca muitos estragos, como se a partida fosse disputada num campo minado.

O estrangeiro sorriu, discreto.

- Foi pior do que 50, quando perdemos a final em casa, de virada, para o Uruguai. Eu tinha apenas cinco anos e não entendia nada. Só estranhei o choro disfarçado de meu pai, que eu nunca vira chorando, nem mesmo no enterro de meu irmão caçula que morreu de meningite; e o acesso de raiva que o fez espatifar o rádio no chão da varanda, depois do gol de Ghiggia.

O italiano me escutava com mediterrânea paciência.

- Aquela derrota não me disse nada. Mas a de 1982 é uma batata quente entalada na garganta. Vejo dois culpados: Toninho Cerezo, com aquele presente, no início do jogo, para Paolo Rossi, e Telê Santana. Mestre Telê também errou. Estava com o jogo nas mãos. Precisávamos apenas de um empate. O Brasil já começou o jogo classificado, pois o 0 a 0 levava o time para a outra fase. Ninguém dava nada pela Itália, que não ganhou de nenhuma seleção na primeira fase. Presa fácil para os canarinhos. Ainda me lembro do samba de Júnior: Voa, canarinho, voa! Paolo Rossi cortou as asas do canarinho...

O homem não conteve o riso, como quem diz: concordo.

- Pode sorrir. Pode debochar. Não vou ficar nervoso, não vou ficar nervoso, carcamano. Italianos? Todos mafiosos, como é que se diz? Tutti mafioso, entendeu?

Era água gelada o que corria nas veias do gringo impassível.

- Tivemos o jogo e a classificação nas mãos três vezes: no 0 a 0, no 1 a 1 e no 2 a 2. Foi como diz o velho ditado: quem morre de véspera é peru. E de peru, a Itália não tinha nada. O miserável do Paolo Rossi abriu o placar, numa cabeçada fulminante, após cruzamento de Cabrini. 1 a 0, Itália. Meu coração tremeu. Aquele gol inesperado balançou as redes como um mau presságio. Depois do Maracanaço de 50, só faltava mesmo um Sarriaço, em Barcelona. Não meu Deus, não era possível! Mas, se o futebol é Deus, a bola é do Diabo e o capeta era Paolo Rossi, endiabrado como nunca.

Três décadas depois, profanando o meu táxi, o italiano parecia reviver, com o mesmo enlevo de quem recorda um amor antigo, a incrível vitória da Azzurra. Azzurra! Só uma surra! Porém era um bom ouvinte, e eu, inquilino de ouvidos, ia despejando:

- Quase ninguém se preocupou com o primeiro gol dos italianos. Os brasileiros sabiam que o empate era questão de tempo e a virada, inevitável. O empate veio com Sócrates, o Doutor Sócrates, que morreu de cachaça. E por falar em Sócrates, gringo, sabe qual foi o maior trio de atacantes brasileiros de todos os tempos? Não sabe? Pois, eu lhe digo: Zico na frente, Soca-te atrás e Careca no meio, indo e vindo.

O abestalhado pareceu não entender, e eu repeti, reforçando a posição de Careca:

- Zico na frente, Soca-te atrás e Careca no meio, bem no meio, enfiado no meio, indo e vindo, entendeu?

- Ah, sim! ? limitou a responder o passageiro impassível.

- Mas, falando sério, Seu....

- Gentile.

Tomei um susto. Com tantos nomes de italiano, Pietro, Vittorio, Giovanni, Zanetti e muitos outros, aquele passageiro era xará justamente de Claudio Gentile, o xerife da zaga italiana que não deu mole para nenhum jogador brasileiro. Aí, já era demais!

- Não me fale nesse nome, pedi. Gentile rasgou a camisa de Zico, dentro da área num pênalti escandaloso que o juiz não marcou. Deu porrada em todo mundo, fungou no pescoço dos nossos atacantes, demarcando terreno como se dissesse “essa área aqui é minha, ninguém encosta”. Raçudo, reconheço. Aliás, todo o time da Itália jogou com raça, disciplina tática e aplicação guerreira. Infelizmente! O Brasil vinha de uma campanha espetacular. Na primeira fase, 2 a 1 na União Soviética, 4 a 1 na Escócia e 4 a 0 na Nova Zelândia. A Itália tinha um retrospecto de três empates mixurucas, 0 a 0 com a Polônia, 1 a 1 frente ao Peru e 1 a 1 diante de Camarões. Só se classificou porque o Peru tomou 5 a 1 dos poloneses. Então veio a segunda fase. No mesmo grupo, Brasil, Itália e Argentina. Os italianos deram 2 a 1 nos argentinos. O Brasil deu 3 a 1 na Argentina de Maradona; aliás, Mara, a dona, que não gosto de argentinos! Com toda raiva, até prefiro os italianos. Dos males, o menor. Melhor perder para os italianos do que para los hermanos, irmãos dos outros, não meu! A Argentina é pertinho. A Itália é longe, e a distância dilui a dor. Além dos mais, os italianos não são arrogantes como os argentinos, que se acham europeus.

O gringo me ouvia como um colegial escuta seu mestre, sem me interromper.

- Então, veio a partida decisiva, Brasil e Itália. Qual era a lógica? Goleada do Brasil, mas futebol teima em contrariar a razão e subverter a lógica. Quer saber por que não ganhamos a Copa, Seu Gentil, que não vou dar a ousadia de lhe chamar de Gentile?

O italiano sorriu. Era até boa gente. Balançou a cabeça afirmativamente. Também fui afirmativo:

- Primeiro por causa do espetáculo. Fomos dar um show para o mundo todo reverenciar o nosso futebol arte, não para obter a classificação. Depois, o campo tinha dimensões menores, o que dificultou o toque de bola de um time mais técnico e facilitou a tenaz marcação dos italianos. O Brasil tocando a bola. A Itália se defendendo como podia, dando chutões, balões para frente, rifando a bola, na esperança de um contra-ataque mortífero que, de fato, veio. Foi assim o tempo todo; noventa minutos de eternidade.

O passageiro caladão. Eu, acelerando a língua, como acelerava o veículo para o taxímetro contar mais rápido.

- Se Telê Santana queria artistas, por que não levou Tarcísio Meira, Tony Ramos e Antônio Fagundes, no lugar de Zico, Falcão e Sócrates? O empate veio, como viria, mais cedo ou mais tarde. Enfiada de bola magistral de Zico e gol de Sócrates, que colocou a bola no canto em que Dino Zoff fechava, enganando o goleiro, 1 a 1. Porém, não bastava. Precisávamos virar o marcador, golear, se possível, humilhar o adversário, exibir a nossa máquina azeitada de fazer gols, demolir oponentes, triturar seleções. Tivéssemos recuado, contentes com o empate, nos fechando em copas, ganharíamos a Copa. Seríamos tetra antes de 1994, com aquele empate sem sal e a vitória nos pênaltis, Baggio isolando a bola por cima do travessão de Taffarel (oh, nome de remédio!), diante da mesma Itália, vingança miúda!

O taxímetro marcando; os prédios passando; o gringo escutando a lengalenga que deveria saber de cor.

- Paolo Rossi, novamente. 2 a 1, num vacilo de Toninho Cerezo, esse que, agora, tem um filho que virou mulher. Jogada displicente; a bola deslizando, traiçoeira, na intermediária, para os pés do matador; passe para o ladinho; de bandinha, sem prestar atenção no adversário. Paolo Rossi agradeceu, avançou um pouco e mandou para as redes. Valdir Peres, que já havia tomado um frangaço contra a União Soviética, aceitou. Jogo para cardíaco. Não aguentei e fui ao banheiro, urinar, aliviar a tensão. Quem sabe, quando voltasse, veria o empate já desenhado pelas leis, para muitos previsíveis, do futebol, que não respeita regras, nem adversários, como não respeitou naquela tarde de 5 de julho, no Sarriá?

Fiz uma pausa para olhar o gringo, compenetrado como um bispo.

- E o empate veio. Golaço de Falcão, que recebe a bola de Júnior, próximo da meia-lua da grande área, corta para o meio e chuta, um tirambaço indefensável. Depois, corre para a comemoração, as veias dos braços dilatadas, como dilatados os corações de milhões de brasileiros. Grande Falcão, precisão e elegância em campo. Depois da Copa foi para a Itália, comprado pelo Roma e virou o Rei de Roma. Aliás, o futebol italiano levou nossos melhores jogadores. Zico para a Udinese, Sócrates para a Fiorentina, o entregão do Cerezo para o Roma e depois Sampdoria, Júnior no Torino e, em seguida, no Pescara. Todo mundo arrumado na vida, e a Seleção Brasileira desarrumada na derrota imprevista.

O estrangeiro resolveu falar:

- Os brasileiros jogaram muito bem, na Itália. Todos nós aprendemos com eles.

-Ainda bem que você reconhece, Giuliano Gemma!

Depois, enigmático, emendou:

-Eles também aprenderam comigo.

- Como? Você foi jogador? Por acaso é técnico?

- Dei uma aula para eles. Aprenderam comigo.

- Então, você é professor?

- Ensinei a Zico, Sócrates, Falcão, Cerezo, Júnior e todos eles, inclusive Telê Santana, uma lição inesquecível.

- Inesquecível? Como inesquecível?

- Ensinei italiano.

- Ah, bom! E o senhor jogou bola?

- Um pouco. Dei para o gasto, como vocês dizem por aqui. Nem craque, nem perna-de-pau. O suficiente para não fazer feio em campo.

-Mediano, né? Não parece. Tem cara de cabeça de bagre.

- Cabeça de bagre?

- Arranca-toco...

- Arranca-toco?

- Jogador chinfrim, ruína, chupa-sangue, sem nenhuma qualidade, que entra em campo e sai levando tudo pelo caminho, até um resto de árvore, se encontrar pela frente, na carreira.

- Ah, entendi. Também não fui tão ruim assim... Fiz muitos gols.

- Contra, de canela. Desculpa a franqueza, Franco Nero, mas parece que você nunca pegou numa bola; se pegou, maltratou a redonda e tratou bem a quadrada...

-É, só parece... assentiu misterioso.

Quis saber se ele assistiu ao jogo.

- Eu estava lá.

- Em Barcelona?

- É, no Sarriá.

- Turista?

- Visitante, como os brasileiros.

- Então, você viu tudo. O terceiro gol da Itália; a bola sobrando na área para Paolo Rossi. Júnior observando o lance, negligente na marcação, como toda a defesa brasileira; depois, pedindo um impedimento inexistente. Três gols no Brasil e de um cara só, Paolo Rossi, mafioso, envolvido com a máfia do futebol, ganhando dinheiro para manipular resultados...

- Sim, mas herói...

- Pras negas dele, as italianas brancas e peitudas, as Sophia Loren!

- Para o Brasil, também.

- Não vou negar: ninguém jamais esquecerá esse nome.

Ele resolveu soltar a língua, como soltava a bomba com a bola nos pés:

- No futebol, o Brasil vai sempre se lembrar de Pelé, Garrincha, Zico e Ronaldo e, do lado que deseja esquecer, Ghiggia e Paolo Rossi.

-Pior que é a pura verdade ? concordei e tratei logo de mudar de assunto.  O time do Brasil era todo bom. Ou melhor, quase todo, pois tinha o Valdir Peres, que não era de confiança, e o Serginho Chulapa, raçudo, mas grosso e presepeiro.

- Presepeiro?

- Que procura confusão à toa.

O passageiro concordou com um aceno e eu continuei a arenga:

- Um empate, um simples empate diante da desacreditada Itália. O senhor, que é italiano e parece entender de futebol...

- Entendo.

- O senhor que também entende futebol, me diga uma coisa: é verdade que a Itália só tinha uniforme para enfrentar o Brasil, pois achava que depois daquele jogo voltaria para casa?

- Invenção da imprensa.

- Deve ser mesmo; jornalistas, um bando de mentirosos. Quando não inventa, exagera.

- Na Itália também é assim ? concedeu o italiano e depois se calou.

Eu não me calo. Converso mesmo. Quem não quiser me ouvir, faça ouvidos de mercador.

- O que enterrou de vez as pretensões do Brasil foi aquela defesa miraculosa de Dino Zoff, no final da partida. Éder bate a falta, num cruzamento para a grande área, Oscar chega de surpresa e cabeceia para baixo; o goleiro se atirando, rente à marca do gol e espalmando a bola, quase impossível de ser alcançada, como Gordon Banks, da Inglaterra, defendendo a cabeçada de Pelé, na Copa de 1970. Como todos os brasileiros, cheguei a me levantar do sofá, comemorando o empate, aos 43 do segundo tempo. O Brasil salvo, pelo gongo. Mas que nada! Zoff defendera a bola em cima da linha. Não era possível! Foi aí que bateu a desilusão. O gol estava fechado por algum sortilégio do demônio da bola. A bola não entraria nem em cobrança de pênalti para o gol vazio. Só podia ser feitiço, castigo pela soberba do futebol canarinho.

O passageiro escutava e olhava os grandes edifícios ao redor. Eu soltava o verbo, os advérbios, as preposições, os substantivos, os adjetivos, a gramática toda:

- Mas, como o ânimo de torcedor se move mais do que a bola em campo, logo espantei a “paura”, como vocês dizem, me apegando ao velho chavão: o jogo só acaba com o apito final. Quem sabe, até o fim, uma bola traiçoeira, em trajetória mansa para o gol de Zoff, ou uma bomba de fora da área, como a de Falcão, afugentando a zebra, espanando o desastre, decretando o que já parecia impossível? Porém, o empate não veio. Brasil fora da Copa. Itália classificada. Se eu vivesse duzentos anos, jamais esqueceria aquele jogo...

Impiedoso, o gringo quebrou o silêncio:

- Muito menos eu!

- Claro, é italiano.

- Porque estava lá.

- Você já disse.

Frio como um goleador nato, ele revelou:

- Dentro de campo.

Estudei a fisionomia dele.

- Ah, sim! Agora me lembro. Era o juiz...

Veio, então, a piada de mau gosto:

- Sou Paolo Rossi.

Também resolvi debochar:

- Prazer, Zico, o Galinho de Quintino!

Ele insistiu, desta vez perverso:

- Sou Paolo Rossi, o carrasco do Brasil!

- Pra cima de muá, pra cima de muá, italiano?!

- Quer ver? ? perguntou o passageiro e, em seguida, me estendeu o passaporte.

O documento queimou minha mão, como fogo. Puta que pariu! Mamma mia! Era ele mesmo, Paolo Rossi, nascido na província de Prato, na região da Toscana, em 23 de setembro de 1956, que eu levava em meu táxi, em carne e osso, quisera só osso! O Bambino de Ouro, o camisa 20 da Itália de 1982, o nome que mais evocava tristeza para o futebol brasileiro da minha geração. Soube, depois, que viera participar de um congresso internacional sobre futebol, patrocinado por uma multinacional de materiais esportivos e, claro, pela FIAT!

Freei o carro. Desliguei o veículo. Abri o porta-luvas e peguei o apito e o cartão vermelho, desci para a calçada, abri a porta do passageiro, apitei e mostrei o cartão vermelho a Paolo Rossi, que me olhava atônito, pela primeira vez exprimindo uma reação nervosa, de susto.

- Fora! Fora de campo! Quer dizer, do meu carro. Está expulso! Fora!

O campeão do mundo de 1982 ainda tentou argumentar:

- Mas, como é que pode?

Cada vez mais zangado, prestes a espumar de raiva, indignação e vergonha por haver conduzido pelas ruas do Rio justamente aquele passageiro indesejado, não quis conversa, como um juiz que não admite reclamação:

- Posso! O carro é meu. Fora! Está expulso! Expulso!

Digno e civilizado, o jogador ainda quis pagar a corrida abortada.

Peremptório, reagi, brandindo o cartão vermelho na venta dele:

- Não precisa pagar. O senhor não me deve nada. A mim, não deve nada.

Persistente, como há 30 anos, quando corria atrás da bola e infernizava a defesa brasileira, ele procurava compreender:

- Como não lhe devo nada?

Eu expliquei, com rima e tudo:

- O senhor deve a uma nação inteira. Deve à Pátria de Chuteiras!

Deixei o italiano no meio da rua, intrigado com a minha patriótica vingança; arrastei o veículo, os pneus cantando no asfalto. Deveria ter passado o carro por cima dele. Bambino de ouro! Gladiador implacável! Teria que carregar aquele nome pelo resto da vida, como uma cicatriz no corpo e uma chaga na alma. Sem contar o peso da derrota, bola que balança as próprias redes, gol contra repetido em câmera lenta na arena do tempo. Paolo Rossi!

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