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Terça, 28 de Setembro de 2021 - 11:10

Pego de surpresa, sócio do Glauber Rocha lista expectativas para a reabertura

por Matheus Lens

Pego de surpresa, sócio do Glauber Rocha lista expectativas para a reabertura
Foto: Nara Gentil/ Correio*

No dia 16 de setembro foi anunciado pelo Banco Itaú o encerramento da parceria da instituição financeira com o Cine Glauber Rocha, pegando de surpresa todos os apaixonados pela cultura e arte cinematográfica de Salvador. O espaço tem mais de 100 anos e leva o nome de um dos principais cineastas da Bahia, responsável por obras como “Deus e o Diabo na Terra do Sol” (1963), “Terra em Transe” (1967) e “O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro” (1969).

 

Parte da encruzilhada cultural do centro de Salvador, que abriga a Praça Castro Alves, o Teatro Gregório de Matos e o Espaço Cultural da Barroquinha ao seu redor, o cinema tem hoje como sócios administrativos os empresários Adhemar Oliveira e Cláudio Marques.

 

Foto: Divulgação


Em entrevista ao Bahia Notícias, Cláudio conta o impacto que a notícia do encerramento da parceria do espaço com banco causou e as expectativas para a nova reabertura.

 

A repercussão sobre o fechamento do espaço foi muito grande. Enquanto gestor, você esperava tamanha mobilização com o anúncio?

Eu sabia que teria uma grande repercussão, mas confesso que me impressionou. Foi uma comoção nacional muito forte e eu fiquei muito feliz com todo acontecido.

 

Como se deu o acordo com o Itaú para manter o espaço funcionando durante os últimos anos? Em algum momento houve sinalização de que poderia haver o rompimento com o grupo?

Em alguns momentos eles sempre falavam em retirar o apoio, mas era uma conversa que nunca ia à frente. Esse ano durante a pandemia ouvimos novamente os boatos e para mim foi muito complicado, por estar em uma pandemia e ter a responsabilidade social no meio de tudo isso, com os funcionários, com a cidade e tudo mais. Eu realmente não esperava que fosse acontecer, mas ainda não esperava que seria tão rápido, então me pegou de surpresa porque não deu nem tempo de discutirmos como iríamos dar conta de manter o espaço. Mas o Itaú percebeu que esse lugar é um espaço muito importante para nossa cidade e depois da repercussão eles sentaram para conversar e discutir como poderíamos dar continuidade, tanto comigo quanto com o meu sócio Adhemar Oliveira.

 

Alguns artistas e figuras públicas se manifestaram sobre o fechamento do espaço e até ofereceram serviços para ajudar a mantê-lo. A gestão do espaço pretende entrar em contato com esses artistas ou algum deles entrou em contato para oferecer apoio?

Várias pessoas entraram em contato, muita gente preocupada e eu agradeço muito a demonstração de carinho. Tudo está acontecendo muito rápido, então ao mesmo tempo que a gente está negociando a manutenção dos equipamentos e do cinema, estamos também em busca de novos patrocinadores e parceiros para reabrir o espaço o quanto antes. Então eu ainda não entrei em contato com esses artistas, mas com certeza irei dar um retorno assim que possível, até mesmo para agradecer.

 

O Glauber Rocha é também um símbolo do renascimento do centro antigo de Salvador, que segue com uma vitalidade muito maior do que antes da reinauguração do espaço. Qual a importância desse simbolismo nesse processo de adaptação para sobreviver após o encerramento da parceria com o Itaú?

Esse cinema já tem mais de 100 anos, talvez ele seja uma das mais importantes salas de cinema e sem dúvidas um lugar muito importante para a memória e história da cidade. Estamos falando de Glauber Rocha, um dos cineastas mais importantes do Brasil, estamos falando de Castro Alves, Gregório de Matos, é a encruzilhada cultural de Salvador. Então tenho certeza que isso vai continuar vivo, nós vamos dar um jeito de dar sequência a esse processo, eu estou me esforçando ao máximo para que tudo saia da melhor forma possível.

 

Quais os principais desafios que o espaço enfrentava antes da pandemia?

A praça Castro Alves que é um lugar tão importante para a cidade estava renegada, e quando chegamos nesse espaço não tinha nenhum equipamento. Conseguimos construir o cinema, ficamos seis anos sozinhos na região e depois chegou o Espaço Gregório de Matos, o Espaço Cultural da Barroquinha, o Fera Palace Hotel e o Fasano. Depois teve uma requalificação de toda região pelo governo do Estado, então o cinema foi capaz de atrair e transformar toda área do centro da cidade. Estávamos em uma área onde a sociedade tinha dado as costas e não frequentava, então foram muitos anos para fazer com que toda sociedade baiana voltasse a olhar com carinho e atenção para esse trecho de Salvador.

 

Qual a previsão para a nova reabertura do espaço e quais as expectativas?

Ainda não temos previsão, estamos trabalhando para que o centro volte a funcionar o mais rápido possível, seria muito bom se retornasse no próximo mês, mas ainda precisamos fechar parcerias, novos apoiadores, para conseguirmos iniciar os trabalhos com uma expectativa que venha se manter por longos anos. Meu desejo para reabertura é uma imensa festa, ver as quatro salas lotadas, mas lembro que ainda estamos em uma pandemia, então não pode ser tanta gente como eu queria. Mas vamos trabalhar dentro das limitações que o momento nos coloca e sem dúvidas será uma grande alegria e que a sociedade sinta-se vitoriosa por esse espaço e ocupe esse equipamento que é de todo mundo.

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