Usamos cookies para personalizar e melhorar sua experiência em nosso site e aprimorar a oferta de anúncios para você. Visite nossa Política de Cookies para saber mais. Ao clicar em "aceitar" você concorda com o uso que fazemos dos cookies

Sábado, 02 de Outubro de 2021 - 15:56

O 16 em Lágrimas

por André Curvello

O 16 em Lágrimas
Foto: Divulgação

Bem em frente à praça do Campo Grande, próximo da esquina da Rua Araújo Pinho, tem uma casa, número 16. Casa daquelas bem antigas de fachada estreita. Quando lá entrei pela primeira vez, fiquei assustado porque a fachada estreita escondia a profundidade do imóvel.

 

Meu pai sempre pedia e insistia para que eu fosse prestigiar o aniversário da matriarca do 16, Tia Leide,apelido de Cordelia Angelica Tourinho Curvello, viúva de Francisco Xavier Martins Curvello. Era como se fosse uma segunda mãe para ele. Ela e dona Lucila Portela. Meu pai era filho único e o 16 era uma família para ele. Foi assim a vida toda.

 

Hoje, o 16 está triste. Chora a partida de Luiz Curvello, ser humano gentil, carinho e família. Tinha 80 anos e nasceu no dia 2 de fevereiro. Bem perto do 16, dá para comtemplar a Baia de Todos os Santos, abençoada por Yemanjá.

 

Luiz, na verdade, foi se encontrar com meu pai, com Tia Leide, com Maria Laura, com Fernando, Com Licia e tantos outros que passaram e semearam o bem e o mais autêntico sentimento de família. Sofrido, o 16 se mantém firme, como um vigilante da praça, companheiro de um dos principais símbolos da nossa Independência.

 

Festa no céu sim. Ao som do piano e da alegria de Tia Leide. Lá, Luiz já comemora sua vitoriosa passagem. Querer bem e ser querido é a mais bela das vitórias. Luiz deixa um exemplo de simplicidade, gentileza, amizade e carinho. Aliás, mais do que tudo isso, Luiz era família. 

 

Na pandemia, mais do que nunca esteve unido á família. E o 16, então, se mudou para o Litoral Norte. Foi lá, na casa azul dos queridos Luciano e Cris que estive com Luiz pela última vez. Momento leve, em que ele mais uma vez externou o seu carinho por meu pai e minha mãe. Fica então para mim a última e maravilhosa impressão de ternura e família. Vida que segue. 

 

*André Curvello é Jornalista e Secretário de Comunicação do Governo da Bahia

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

Histórico de Conteúdo