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Meninas estão entrando na puberdade mais cedo; entenda por que
Foto: Monika Kozub/Unsplash

Se comparadas com as gerações de mulheres das últimas décadas, as meninas de hoje estão entrando na puberdade mais cedo. Caracterizada por transformações físicas e biológicas no corpo antes do tempo habitual, a puberdade precoce pode gerar efeitos negativos tanto na saúde física, quanto mental das adolescentes.

 

“Ao longo do tempo vemos estudos mostrando que essa idade está sendo cada vez mais precoce. As gerações das mães e avós tinham o início por volta dos 15 anos. Já as meninas de hoje estão apresentando esses sinais mais cedo, com 11 e 12 anos”, aponta a endocrinologista pediatra Andrea Rivelo.

 

Segundo a ginecologista obstetra Kheylla Gonzales, do Instituto de Ginecologia e Obstetrícia de Brasília, essa mudança fez com que os critérios para o limite de normalidade da puberdade se alterassem. O início puberal baixou para a faixa etária de 8 anos para as meninas.

 

A puberdade corresponde ao período de modificações fisiológicas e biológicas que marca a transição da infância para a adolescência. No caso das meninas, antes mesmo da primeira menstruação (menarca) – quando há a maturação dos órgãos reprodutores – os pelos pubianos começam a aparecer, os quadris ficam mais largos e a cintura se afina.

 

Os motivos para as diferenças do início da puberdade entre as mulheres se relacionam com aspectos físicos, psíquicos, sociais e genéticos. A especialista em saúde pública da Universidade da Carolina do Norte, Marcia Herman-Giddens, foi a primeira a observar, ainda nos anos 90, que a idade média da puberdade estava caindo nos Estados Unidos.

 

As descobertas dela estimularam outras pesquisas sobre as possíveis causas e efeitos desse fenômeno e, atualmente, está estabelecido que a idade de puberdade nas meninas diminuiu em três meses a cada década desde os anos 1970.

 

Contato com substâncias químicas, hábitos alimentares prejudiciais e sexualização precoce são as causas mais comuns para explicar o fenômeno.

 

Os chamados disruptores endócrinos (substâncias químicas presentes no ambiente que podem alterar o funcionamento do sistema hormonal) são apontados como os principais estimuladores da puberdade precoce.

 

“Eles agem no organismo da criança como se fossem estimuladores da puberdade e estão presentes no dia a dia. Plásticos, maquiagens, produtos com materiais pesados, perfumes e shampoos são alguns exemplos”, aponta a endocrinologista Andrea Rivelo em entrevista ao portal Metrópoles.

 

A ginecologista Karla Amaral, especializada em infância, acrescenta que determinados alimentos, como frangos criados com hormônios, ou alimentação com vários produtos à base de soja também estão relacionados.

 

Uma alimentação desequilibrada, que leve a obesidade, é outro fator que contribui para a puberdade precoce, uma vez que o ganho de peso favorece a desregulação hormonal.

 

“Às vezes, a criança que é mais obesa tem uma conversão de estrogênio na parte do tecido adiposo que acontece de forma mais rápida. Tanto é que essas crianças têm mais risco na idade adulta a desenvolver síndrome do ovário policístico e a resistência à insulina. Então sim, a obesidade é um dos fatores que pode contribuir bastante para a puberdade precoce”, afirma Karla.

 

Meninas que sofrem abuso sexual ou que são expostas a conteúdos sexuais desde cedo também podem chegar precocemente à puberdade. “Quando você expõe uma criança a esse tipo de conteúdo, você vai estimular as vias de neurotransmissores centrais que serão gatilhos para a formação, por exemplo, de hormônios da puberdade”, explica a ginecologista.

 

Para Andrea Rivelo, o maior problema da puberdade precoce é que a parte psicológica da mulher pode não acompanhar o desenvolvimento do corpo. “Quando a menina se desenvolve cedo e ainda não tem a capacidade de entender o motivo disso estar acontecendo, ela pode ficar exposta a uma maior vulnerabilidade psíquica”, destaca.

 

Problemas emocionais, como depressão e ansiedade, por exemplo, podem ser desencadeados pela falta de preparo psicológico das jovens para perceber e aceitar as transformações.
 

Segundo Andrea, outro problema é que a menstruação precoce deixará a mulher mais tempo exposta ao hormônio estrogênio, o que pode favorecer o surgimento de doenças. “Em excesso, esse hormônio pode levar as adolescentes a terem alguns riscos de saúde no futuro, como tumores de endométrio e ovário, doenças cardiovasculares, e até diabetes tipo II”, elenca.

 

ASSOCIAÇÃO NEGA USO DE HORMÔNIOS
Desde 2004, por força de uma instrução normativa do Ministério da Agricultura, é vetada o uso de hormônios na criação de frangos usados para o abate, sejam eles orgânicos ou sintéticos.

 

Segundo a Associação Baiana de Avicultura (ABA), a produção de frango no Brasil segue rígidos padrões de segurança alimentar nos estabelecimentos que possuem fiscalização seja ela municipal, estadual ou federal.

 

Em 2014, o Ministério liberou que liberou que as empresas usasem a inscrição "sem uso de hormônio, como estabelece a legislação brasileira", nas embalagens dos produtos.

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