Alunos do IF criam tratamento para diabetes, mas ficam sem verba para apresentar projeto
Foto: Arquivo Pessoal

Jovens cientistas do interior da Bahia conquistaram a oportunidade de participar de um congresso internacional de ciências em Abu Dhabi, mas a chance única poderá não se concretizar devido ao contingenciamento das instituições de ensino federais por parte do Ministério da Educação (MEC).

 

Estudantes do curso técnico em Química, do Instituto Federal Baiano de Catu (IF Baiano), no agreste baiano, Daniela Silva, Enrick Melo e Iago Lage estudaram o mangostão, fruta típica da região Sul da Bahia, e descobriram que a casca dele detém grande quantidade de uma substância chamada pectina, que forma um gel no organismo e consegue eliminar colesterol e açúcar. A partir da casca do mangostão, os jovens pesquisadores processaram uma farinha que auxilia no controle da diabetes.

 

“A farinha do magostão pode ser incluída em receitas, por reduzir o uso da farinha de trigo, e isso consequentemente faz com que haja redução de açúcar de alimentos”, destacou o professor Saulo Capim, doutor em Química, que junto com a professora doutora em engenharia de alimentos Cassiane Oliveira, orientou o projeto. “No mangostão 80% do peso está na casca, as pessoas costumam comer só a polpa e descartar. Além dos benefícios para a saúde, contribuiu para questões ambientais, pois há redução de resíduos do ambiente”, explicou o educador.

Processo de produção da farinha | Foto: Arquivo pessoal

 

Os alunos e o orientador contaram com o auxílio da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), que realizou testes da farinha. “Agora estão sendo feitas as últimas análises em camundongos, para comprovar a efetividade do produto”, disse o professor.

 

Em 2018, o projeto da farinha do mangostão ficou em segundo lugar em uma feira de ciências nacional, e eles ganharam a oportunidade de apresentar a pesquisa na ESI 2019, uma feira internacional de ciências que neste ano acontece em Abu Dabhi, nos Emirados Árabes, nos dias 24 a 26 setembro.

 

Entretanto, o contingenciamento de verba para as instituições de ensino colocou obstáculos no sonhos dos três jovens pesquisadores de Catu. Sem verba, sem viagem. Para que eles tenham a experiência de apresentar o trabalho na ESI 2019 o jeito encontrado foi vender trufas e realizar uma vaquinha na internet (veja aqui) para tentar arrecadar os R$ 30 mil reais necessários para a viagem de Daniela, Enrick e Iago. Até o momento, eles arrecadaram pouco mais de 3% do valor.

 

“Fiquei muito contente em ter a oportunidade de apresentar o projeto, quando conquistamos a credencial pra Abu Dhabi foi felicidade extrema, mas essas dificuldade pra apresentar o projeto foi quebra de um sonho”, disse Iago.

 

Daniela destacou o apoio e estímulo do professor para que os alunos realizem pesquisas. “Sempre via projetos sendo expostos, e Saulo professor orientador nos estimulava. A gente procurou ele e entramos no grupo de pesquisa”, lembrou a estudante do 4º ano.

 

Saulo Capim é professor há 15 anos, o paraibano trabalha na Bahia deste 2013 e se sentiu contemplado com o sucesso dos alunos. "Lisonjeado, porque na minha formação foram investidos recursos e uma das formas que eu tenho como retribuir é dar suporte para que pesquisas possam ser desenvolvidas e possam ajudar as pessoas", confessou o educador.

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