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Enfermeira vira alvo de investigação após dizer que só tomou vacina para poder viajar
Foto: Reprodução / Instagram

Atuando na linha de frente contra a Covid-19 no Hospital da Santa Casa da Misericórdia de Vitória, no Espírito Santo, a enfermeira Nathanna Faria Ceschim virou alvo de investigação após receber a dose da vacina Coronavac. Isso porque ela debochou do imunizante, dizendo que não acredita na eficácia e que só a tomou para poder viajar.

 

Ela também publicou vídeos em que aparece sem máscara no hospital e foi denunciada ao conselho regional de enfermagem. "Tomei por conta que quero viajar, e não para me sentir mais segura. Uma vacina que dá 50% de segurança para mim não é uma vacina. Tomei foi água", disse.

 

Em nota, o Hospital da Santa Casa de Misericórdia de Vitoria afirma que "em hipótese alguma compactua com este tipo de pensamento e que em toda a sua história sempre defendeu e esteve ao lado da ciência, e não seria agora que mudaria sua postura, em um momento tão difícil".

 

A Coronavac não tem 50% de segurança, mas 50,38% de eficácia geral, para todos os casos. Além disso, ela tem 77,96% de eficácia contra manifestação de sintomas e 100% contra casos graves da doença —ainda que nesses casos o Butantan não considere os números ainda significativos para fins estatísticos.

 

"O hospital abriu uma investigação para apurar a conduta da funcionária e irá tomar as medidas que forem necessárias para garantir a segurança de seus pacientes e a manutenção das normas e condutas fundamentais para o bom atendimento assistencial". As informações são da Folha.

Sábado, 23 de Janeiro de 2021 - 00:00

Vulnerabilidade justifica prioridade de indígenas: 'Vacina ajuda a não dizimá-los'

por Jade Coelho

Vulnerabilidade justifica prioridade de indígenas: 'Vacina ajuda a não dizimá-los'
Deisiane Tuxá foi a primeira indígena vacinada na BA | Foto: Camila Souza/GOVBA

Além dos profissionais da linha de frente de enfrentamento à pandemia e os idosos institucionalizados, os indígenas também são considerados grupos prioritários na vacinação contra a Covid-19. A definição é feita pelo próprio Ministério da Saúde (MS) e está prevista no Plano Nacional de Operacionalização da Vacina. Com isso, os imunizantes chegam para as secretarias estaduais de Saúde, responsáveis pela distribuição aos municípios, já com a determinação de separação de doses para esse grupo.

 

Acontece que essa população está mais exposta à vulnerabilidade social e o fato se agrava e potencializa em uma situação de crise sanitária. “É muito difícil de superar nesse momento de pandemia, então a vacina vai ajudar a não dizimá-los. Assim como no passado a gripe, febre amarela, cólera dizimaram várias populações, nesse momento a Covid-19 é realmente um grande risco à vida dessas populações”, analisou a professora da Universidade Federal da Bahia (Ufba) e integrante da coordenação executiva da Rede Covida, Maria Yury Ichiharo.

 

O entendimento da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), vinculada ao MS, é de que no Brasil os povos indígenas estão mais expostos à infecção pelo coronavírus, “uma vez que doenças infecciosas em grupos tendem a se espalhar rapidamente e atingir grande parte da população devido ao modo de vida coletivo". Além disso, a pasta ainda cita "as dificuldades de implementação das medidas não farmacológicas”.

 

A professora da Ufba destaca que essa população normalmente já tem mais dificuldade de acesso à saúde. Na pandemia a situação se tornou ainda mais grave, já que eles acabam não tendo o mesmo acesso a testagem e atendimento médico. “Principalmente a população aldeada, isolada, já que ela tem que vir para uma assistência na cidade, e isso gera uma série de problemas”, disse.

 

Além da vacina, que ainda não está disponível em grande escala, as garantias que se tem para evitar o desenvolvimento da Covid-19 são medidas de prevenção, como o uso de máscara, higiene das mãos e principalmente o distanciamento social. Mas a cultura e as organizações sociais dos indígenas os tornam vulneráveis nesse sentido, explica Ichiharo.

Organização social dos povos indígenas os torna mais vulneráveis | Foto: Rodrigo Nunes/Ministério da Saúde

 

“As condições de moradia, as organizações sociais diferentes, em que todos compartilham o mesmo espaço, não há divisão de moradia... isso também favorece aglomeração e a falta de controle de distanciamento. Isso faz parte da cultura indígena, essa forma de organização social”, explicou a professora, ao destacar também o contexto histórico e o preconceito ainda sofrido pelos povos indígenas.

 

Para a Sesai, outro fator levado em consideração é de que os povos aldeados ficam vulneráveis também do ponto de vista geográfico. “Necessário percorrer longas distâncias para acessar cuidados de saúde, podendo levar mais de um dia para chegar a um serviço de atenção especializada à saúde, a depender de sua localização”, destacou a pasta.

 

Na Bahia, a vacinação contra a Covid-19 foi iniciada na terça-feira (19). Na cerimônia simbólica que deu início à imunização no estado, na basílica das Obras Sociais Irmã Dulce, Deisiane Tuxá foi vacinada enquanto representante dos povos indígenas. Natural de Rodelas, no interior do estado, ela trabalha em Salvador no Distrito Especial Indígena da Bahia, local responsável pela Atenção à Saúde Básica das populações aldeadas indígenas do estado. O distrito em que Deisiane atua é responsável por 135 aldeias.

 

De acordo com o boletim mais recente da Seretaria da Saúde da Bahia (Sesab), desta sexta-feira (22), 1.849 indígenas testaram positivo para a Covid-19 no estado. No universo dos mais de 550 mil casos da infecção contabilizados pela pasta, o percentual entre esses povos é de 0,33%. Em relação aos profissionais da saúde de etnia indígena o número de casos de Covid é até o momento de 102. 

Ministério da Saúde se recusa a passar dados sobre testes de Covid-19, diz Folha
Foto: divulgação / Sesab

O Ministério da Saúde teria se recusado a passar informações sobre a quantidade de testes de Covid-19 e informações sobre o estoque. O caso foi publicado nesta sexta-feira (22) pela coluna Painel, da Folha de São Paulo.

 

“Informações referentes ao estoque de medicamentos sob guarda deste ministério se encontram em status de reservado”, diz um trecho publicado que teria sido dado em resposta ao jornal após pedido via Lei de Acesso de Informações.

 

Na resposta ao pedido, feito pelo deputado Ivan Valente (PSOL-SP), o ministério argumenta que essas informações podem “pôr em risco a vida, a segurança ou a saúde da população” ou “oferecer elevado risco à estabilidade financeira, econômica ou monetária do país”.

 

O deputado solicitou informações sobre o estoque atual de testes e insumos para a realização de testes para a Covid-19 em poder do ministério, com a descrição do produto, da empresa fornecedora, a data de validade, a localização, a data de aquisição e os valores despendidos.

 

Em resposta, o parlamentar recebeu o documento sobre o sigilo e um link de acesso para site que supostamente mostraria os contratos de compra de insumos. Mas o link não funciona (veja aqui).

 

Ainda segundo a coluna Painel, o posicionamento do Ministério se baseia em um documento de 2018. A pasta diz que as informações devem ter acesso restrito até 2023, mas as razões para a classificação foram ocultadas no documento enviado.

 

O Ministério da Saúde foi procurado pela Folha mas não houve resposta até o momento desta publicação.

Sexta, 22 de Janeiro de 2021 - 21:00

Covid-19: 17 cidades tiveram denúncias ao MP-BA de 'fura-filas' de vacina

por Matheus Caldas

Covid-19: 17 cidades tiveram denúncias ao MP-BA de 'fura-filas' de vacina
Foto: Betto Jr. / Secom

O Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA) recebeu denúncias em 17 cidades baianas de supostas  tentativas de burlar a fila prioritária da vacinação contra a Covid-19. A informação foi confirmada nesta sexta-feira (22) ao Bahia Notícias pelo parquet.

 

De acordo com as informações, as denúncias foram enviadas via e-mail por cidadãos dos municípios. Contudo, o MP-BA reforça que não necessariamente são casos de pessoas que realmente burlaram a lista de imunização, uma vez que cada acusação precisa ser investigada.

 

Segundo a assessoria de imprensa do parquet, os possíveis casos aconteceram nas seguintes cidades: São Domingos, Itapetinga, Santa Barbara, Arataca, Mata de São João, Uauá, Canavieiras, Santo Antônio de Jesus, Feira de Santana, Caetité, Antas, Sítio do Mato, Lauro de Freitas, Palmeiras, Malhada, Salvador e Canarana.

 

Destas cidades, apenas em Santa Bárbara (3), Mata de São João (2), Salvador (2) e Canavieiras (3) houve mais de uma denúncia.

 

Na última quinta-feira (21), o secretário de Saúde (SMS) da capital baiana, Leo Prates (PDT), assinou uma portaria que obriga o cumprimento integral do estabelecido pelo governo federal para esse momento da campanha no Brasil. A Ouvidoria em Saúde também disponibilizou canais para receber denúncias de possíveis desvios éticos de servidores vacinados fora da lista aconselhada pelo Ministério da Saúde (leia mais aqui).

 

Nesta semana, dois casos eclodiram na imprensa baiana e ligaram o sinal de alerta para possíveis tentativas de passar à frente de pessoas do grupo prioritário da vacina contra o novo coronavírus. Em Candiba, o prefeito Reginaldo (PSD) foi alvo de ações dos Ministérios Público Federal (MPF) e do Estado por “furar” a fila da vacinação e ter sido o primeiro a ser imunizado contra a Covid-19 no município, situado no sertão produtivo (leia mais aqui)

 

Os parquets requerem a condenação do gestor por ato de improbidade administrativa “que atenta contra os princípios da administração pública – princípios da impessoalidade e da moralidade – e a indisponibilidade de seus bens para pagamento de multa no valor de R$ 145mil.”
 

 

De acordo com a ação, o prefeito se valeu da sua posição do chefe do Executivo de Candiba “para se colocar à frente dos pouco mais de 14 mil habitantes do município, em desrespeito aos princípios da moralidade e da impessoalidade, previstos na Constituição Federal.” (leia mais aqui).

 

O ato, divulgado pela própria prefeitura, rendeu uma série de críticas a Reginaldo, que se defendeu dizendo que se vacinou para incentivar a população.

 

"Tomei a vacina não preocupado com meu bem-estar, preocupado em encorajar, e incentivar as pessoas que pudessem tomar a vacina", justificou o gestor (leia mais aqui).

 

Outro caso aconteceu em Prado, no extremo sul. Chefe de gabinete do município, Nailton Batista de Oliva, foi um dos primeiros a ser vacinado com a Coronavac e participou até do vídeo de divulgação da administração municipal. A escolha, no entanto, repercutiu mal, já que as poucas doses disponíveis — exatas 1.360, de acordo com a prefeitura —, são destinadas aos profissionais na linha de frente do combate ao coronavírus e a idosos em instituições de longa permanência (leia mais aqui).

 

ALERTA CRIMINOSO

O prefeito "furou fila" com divulgação às claras e tem uma justificativa para isso, mas, diante do atual cenário, com doses insuficientes de vacina para a população, passar na frente dos grupos prioritários pode ser considerado crime. O advogado Luiz Gabriel Neves, especialista em Direito Penal, concedeu uma entrevista ao Bahia Notícias em que explica que, a depender do caso, infrações do tipo podem ser configuradas como prevaricação, corrupção ativa ou passiva. Ele destaca que é necessário avaliar caso a caso, mas deixa o alerta para a população (saiba mais aqui).

 

Para denunciar eventuais irregularidades na vacinação, o MP-BA dispõe do telefone 0800 642 4577 e do e-mail gtcoronavirus@mpba.mp.br. (Atualizada às 18h18 do dia 23/01/2021 para inclusão do número de casos nas cidades de Salvador, Canavieiras, Mata de São João e Santa Bárbara).

Com 34 novas mortes, Sesab registra maior número de óbitos por Covid-19 desde outubro
Foto: Paula Fróes / GOVBA

A Bahia notificou 34 mortes em decorrência da Covid-19 nas últimas 24 horas, o maior número desde o dia 7 de outubro, quando o estado registrou 36 óbitos. Com isso, pelo menos 9.794 baianos se tornaram vítimas da doença, conforme dados divulgados pela Secretaria Estadual da Saúde (Sesab), no boletim epidemiológico desta sexta-feira (22).

 

A Sesab registrou ainda 4.130 novas contaminações pelo novo coronavírus, alcançando o acumulado de 557.900 casos confirmados desde o início da pandemia, que teve sua primeira notificação no dia 6 de março, em Feira de Santana.

 

No momento, a Bahia tem 10.385 casos ativos da Covid-19, sendo grande parte deles em Salvador (2.083). Vitória da Conquista (484), Itabuna (311), Ilhéus (209), Paulo Afonso (176), Porto Seguro (163), Santo Antônio de Jesus (153), Jequié (145), Lauro de Freitas (120) e Alagoinhas (119) completam a lista dos 10 municípios baianos com mais contaminados.

 

OCUPAÇÃO DAS UTIS

A taxa de ocupação das UTIs reservadas para o tratamento de pacientes com Covid-19 manteve-se estável em 73%, com situação mais grave nas regiões sul (91%), sudoeste (87%), centro-leste (82%), extremo-sul (78%) e norte (78%) do estado.

Ultrassonografia pulmonar ajuda a prever evolução de pacientes com Covid-19
Foto: Reprodução / Agência Brasil

Considerado um método simples para diagnosticar doenças pulmonares, a ultrassonografia de pulmão também pode ajudar a prever a evolução clínica de pacientes com COVID-19 em estado grave, aponta estudo conduzido na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM-USP).

 

Sob a coordenação do médico Heraldo Possolo de Souza, pesquisadores aplicaram um protocolo de exame baseado na análise de 12 regiões do pulmão em 180 pacientes com COVID-19 internados no Hospital das Clínicas (HC) da FM-USP. O grupo constatou que, quanto maior é o escore obtido na avaliação, mais elevado é o risco de internação em UTI, intubação e morte, de acordo com a Fapesp.

 

Os dados da pesquisa, apoiada pela instituição, foram divulgados em artigo publicado no periódico Annals of Intensive Care.

 

“Vimos que a ultrassonografia pulmonar é um bom preditor da necessidade de internação em UTI, intubação endotraqueal e de morte de pacientes com COVID-19 admitidos no serviço de emergência. Pode ser um método simples  e barato para fazer prognóstico de infectados pelo vírus”, diz Souza à Agência Fapesp.

 

No início da pandemia no Brasil, Souza e outros médicos do pronto-socorro de clínica médica do HC, assim como de outros hospitais no país e no mundo, tiveram que lidar com a sobrecarga de pacientes e recursos escassos para atendê-los. Para lidar com esse desafio, que agora se repete devido ao aumento de casos da doença, os profissionais de saúde constataram que é essencial o uso de ferramentas para avaliar a gravidade de pacientes com COVID-19, de modo a fazer a alocação correta de recursos, como leitos de UTI e respiradores, e estabelecer prioridades de atendimento.

 

Uma vez que exames de imagem são fundamentais para o diagnóstico de problemas pulmonares apresentados por pacientes com COVID-19 em estado grave, os pesquisadores da FM-USP levantaram a hipótese de que poderiam ser úteis também para avaliar o prognóstico dos infectados pelo SARS-CoV-2. Escolheram a ultrassonografia pulmonar para testar a hipótese por ser um exame amplamente feito nos serviços de emergência. É rápido, fácil de ser realizado – o equipamento é portátil – e tem baixo custo.

 

“A ultrassonografia pulmonar é um exame que chamamos de point of care, ou seja, é realizado à beira do leito do paciente, e exige treinamento muito menor dos médicos do serviço de emergência para interpretar os resultados do que a tomografia, por exemplo”, compara Julio Cesar Garcia de Alencar, médico do pronto-socorro de clínica médica do HC e primeiro autor do estudo.

'Kit Covid' do Ministério da Saúde pode causar efeitos adversos, avaliam cientistas
Foto: Divulgação

Recomendados pelo Ministério da Saúde e pelo presidente Jair Bolsonaro no tratamento da Covid-19, mesmo sem comprovação científica, hidroxicloroquina, ivermectina, azitromicina e nitazoxanida podem causar reações adversas a longo prazo, afirmam cientistas. De acordo com reportagem do jornal Estado de S. Paulo, estudiosos acreditam que doenças como supergonorreia, causada por resistência bacteriana, podem aparecer.

 

Quando utilizados para tratar doenças para as quais são indicados, esses medicamentos têm ocorrências raras. Entretanto, tomá-los sem indicação médica e ignorando as funções previstas na bula pode causar tontura, dor de cabeça, aumento da pressão arterial, taquicardia, alterações gastrointestinais e outros efeitos.

 

O Ministério da Saúde, por meio do aplicativo TrateCov, estimula médicos a prescreverem os produtos - cloroquina e antibiótico para bebês, também, apesar do o ministro Eduardo Pazuello negar o fato.

 

De acordo com a consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia, Ana Cristina Gales, "a combinação de hidroxicloroquina e azitromicina foi um tratamento suspenso por causar arritmia, efeito colateral que é um risco para pacientes com doença cardiológica e estava sendo dado justamente para uma população com fator de risco. A gente não sabe dos impactos do uso estendido por semanas e até meses, porque os estudos foram feitos para uso por período curto. Da ivermectina, por exemplo, sabemos que ela se acumula no pulmão, mas a gente não sabe o efeito em longo prazo".

 

O risco para quem trata outras doenças também pode ser mais elevado, alerta Ekaterini Simões Goudouris, diretora da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia.

 

“Tem de desconstruir a ideia de que se não fizer bem, mal não faz. Se os benefícios não estão estabelecidos, não justifica submeter a um risco, mas, infelizmente, vários médicos estão fazendo prescrição e há pessoas se automedicando. Tem gente usando esses remédios toda semana para prevenir covid. Usam durante dois, três meses e não se dão conta da interação medicamentosa", afirma.

 

Em 2020, a procura pelos medicamentos citados aumentou consideravelmente. Ao todo, foram registradas 9,2 milhões de buscas por ivermectina, 3,5 milhões por azitromicina e 2,7 milhões por hidroxicloroquina. A alta foi de 1.201,49%, 53,58% e 2.826,82% para cada um dos respectivos remédios. Os amebicidas, que englobam a notazoxanida, tiveram aumento de 100,3% no faturamento no ano passado.

 

Infectologista do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), Maria Cláudia Stockler reforça quais tratamentos são eficazes contra a Covid-19. "O que a gente sabe de tratamento para covid? Dexametasona para quem precisa de oxigênio suplementar. O remdesivir tem impacto para pacientes graves, mas é muito caro. Todo o resto não é nada. Em sites americanos e europeus, não há recomedação para usar azitromicina, hidroxicloroquina e ivermectina", diz.

 

Em testes realizados pela Coalizão Covid-19 no Brasil, reunindo hospitais e institutos de pesquisa, ivermectina, azitromicina e hidroxicloroquina não apresentaram eficácia.

 

“No primeiro deles, em pacientes hospitalizados com covid-19 de gravidade moderada, verificamos que hidroxicloroquina ou azitromicina são incapazes de melhorar a evolução clínica dos pacientes. Nos grupos que receberam hidroxicloroquina, com ou sem azitromicina, houve aumento no risco de alterações de exames laboratoriais refletindo lesão do fígado e alterações do eletrocardiograma que podem predispor a arritmias cardíacas”, revela o superintendente de pesquisa do HCor e membro do grupo, Alexandre Biasi.

 

“O segundo estudo avaliou o efeito da azitromicina em pacientes hospitalizados com formas mais graves de covid-19. Verificamos que não havia efeito algum da azitromicina para estes pacientes” completa. Os estudos com ivermectina e nitazoxanida não foram realizados, mas Biasi diz que o que se tem até agora não é base para sustentar indicação desses medicamentos.

 

“Alguns dados disponíveis de estudos no Irã, no Egito e na Índia sugerem potencial benefício, mas não há como avaliar conclusivamente os resultados, porque ainda não estão publicados. A nitazoxanida também tem sido estudada por ter efeito in vitro. Mas ainda se desconhece o real benefício nas infecções pelo Sars-CoV-2. Estudo brasileiro sugere redução modesta da carga viral nos pacientes que receberam a medicação, porém não houve efeito nos sintomas”, diz ele.

 

O uso em larga escala de antibióticos pode causar resistência bacteriana. Pesquisadores das universidades Complutense de Madrid (UCM) e de Barcelona (UB), divulgaram em julho do ano passado estudo que mostrou bactérias capazes de apresentar resistência até 10 mil vezes maior do que se conhece até agora. Segundo Blasi, a azitromicina pode sofrer com esse processo.

 

Entre essas doenças, está inclusa a "supergonorreia", variante da gonorreia resistente a antibióticos que vem preocupando autoridades de saúde e servindo de lembrete para a prática de sexo seguro. 

Covid-19: Instável, sistema do Ministério da Saúde só registrou 2 mil vacinados no Brasil
Foto: Divulgação

Lançado na última quarta-feira (20) pelo Ministério da Saúde, o novo sistema para que municípios registrem doses aplicadas de vacinas contra o novo coronavírus já está com problemas de acesso. Nesta quinta-feira (21), a plataforma "Brasil Imunizado", da pasta federal, mostrava que 2.535 doses tinham sido aplicadas no país.

 

De acordo com reportagem da Folha de S. Paulo, técnicos que acompanham o sistema afirmaram que 30 mil registros já catalogados ainda precisam ser incluídos. O "vacinômetro" criado pelo governo de SP já aponta 52.470 pessoas imunizadas. 

 

De acordo com reportagem da Folha de S. Paulo, municípios informaram que estão com dificuldade para enviar os dados e, por isso, têm utilizado anotações em papel ou em planilha Excel até que o problema seja solucionada. Na hora de fazer o login no sistema, prefeituras também encontram falha.

 

"A conexão com a internet nos pontos de vacinação é rápida, mas o sistema está instável e travando", relatou a Secretaria de Saúde do Distrito Federal, por meio de comunicado.

 

Em nota, o ministério assumiu a instabilidade e afirmou que isso ocorre por causa da "grande demanda de novos cadastros". O atraso faz com que o número de doses aplicadas não possa ser contabilizado.

 

A utilização de uma nova versão do programa aderido pelo Programa Nacional de Imunizações, o SI-PNI, era prevista. Porém, a vacinação começou antes que a plataforma comessasse a funcionar.

 

Para se adequar à situação, a prefeitura de Salvador criou uma plataforma dentro do sistema Vida+, desenvolvido pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS), que contabiliza os imunizados contra a Covid em tempo real.

 

O aplicador da vacina identifica o CPF ou Cartão do SUS do paciente e, após a imunização, registra na ferramenta. Dados do fabricante da vacina e lote também são informados.

 

A ideia da prefeitura é transferir os dados para a plataforma do Ministério da Saúde até este domingo (24).

 

Em João Pessoa, os dados estão sendo registrados de forma manual. A Secretaria de Saúde da capital paraibana elaborou uma planilha com as variáveis do sistema, e pretende colocar as informações na ferramenta do Ministério da Saúde assim que ela estiver funcionando corretamente.

 

O Ministério da Saúde também afirmou, em nota, que a "equipe técnica vem atuando para corrigir o problema, a previsão é que nas próximas 24 horas o sistema retorne à estabilidade". Segundo a pasta, estados e municípios que optaram por não usar a plataforma "Brasil Imunizado" devem enviar os registros por meio da plataforma de integração acordada entre governos e prefeituras. 

Sexta, 22 de Janeiro de 2021 - 11:00

Salvador vai ampliar vacinação contra Covid-19 após falha gerar retenção de 50% das doses

por Jade Coelho / Bruno Luiz

Salvador vai ampliar vacinação contra Covid-19 após falha gerar retenção de 50% das doses
Anúncio foi feito pelo prefeito Bruno Reis | Foto: Jade Coelho / BN

O prefeito de Salvador, Bruno Reis (DEM), revelou nesta sexta-feira (22) que a capital baiana possui 90 mil doses de vacina contra a Covid-19, e não 45 mil, como havia sido divulgado na terça (19), início da campanha de imunização na cidade. 

 

Bruno explicou que houve um "problema de interpretação" do governo estadual ao comunicar a quantidade disponível para o município. Com o dobro de doses do imaginado, o prefeito vai expandir o público que receberá o imunizante. 

 

“Quando repassou para o município, ele já reteve 50% das doses. Ao invés de termos 45 mil doses, nós temos 90 mil doses. Hoje temos em Salvador o dobro de doses que imaginávamos que teríamos. Num momento como esse em que a vacina se tornou o bem mais desejado, é uma boa notícia”, justificou Bruno em entrevista coletiva durante agenda oficial nesta manhã. 

 

A partir da descoberta da quantidade maior de doses, a prefeitura vai passar a vacinar os profissionais que fazem a testagem para Covid-19 nas 67 unidades de saúde da rede municipal. 

 

“Vocês lembram que tivemos que estabelecer prioridade dentro do público prioritário. Foram os profissionais de estado, hospitais de campanha, Samu, idosos que estavam em instituições de longa permanência. Essas doses vão permitir que a gente possa imunizar os trabalhadores da saúde que estão nos postos e fazem testagem para Covid, estão na linha de frente de combate à doença.  Vamos iniciar a vacinação em 67 unidades de saúde nossas”, afirmou.

 

A informação de que Salvador teria 45 mil doses circula na imprensa desde segunda (18), divulgada tanto pela prefeitura quanto pelo governo do estado. O Bahia Notícias chegou a consultar a Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab) na terça, para saber como seria a distribuição do imunizante. A pasta informou que a capital baiana seria a única a receber as 45 mil doses integralmente, sem nenhum tipo de retenção (relembre aqui). 

Sexta, 22 de Janeiro de 2021 - 09:51

Leo Prates diz estar frustrado com primeira semana de vacinação: ‘É muito pouco’

por Jade Coelho / Bruno Luiz

Leo Prates diz estar frustrado com primeira semana de vacinação: ‘É muito pouco’
Leo Prates, secretário de Saúde de Salvador | Foto: Jade Coelho / Bahia Notícias

O secretário de Saúde de Salvador, Leo Prates, revelou frustração com a primeira semana da campanha de vacinação contra Covid-19 na capital baiana. Segundo ele, as 45 mil doses do imunizante recebidas pela cidade são “muito poucas”, o que causa subaproveitamento da estrutura montada pela prefeitura para a campanha. De acordo com o “Vacinômetro”, plataforma lançada pela gestão municipal para acompanhar o andamento da imunização em Salvador, de terça, quando a campanha começou, até as 8h45 da manhã desta sexta (22), 9.033 pessoas receberam a primeira dose da Coronavac.

 

“A gente está recebendo a vacina a conta-gotas. Isso dificulta muito o trabalho da gente. Se eu pudesse pegar e mobilizar toda a minha estrutura, 150 salas de vacina, os 9 drive-thrus que eu queria mobilizar, seria muito mais fácil. Isso faz com que as pessoas venham até a mim. Eu tô tendo que ir até as pessoas para garantir uma vacinação com segurança. Isso está dificultando bastante. O Estado de São Paulo, até ontem, tinha vacinado 54 mil pessoas. É muito pouco também. E olha que a rede hospitalar dele é bem maior, bem mais pujante, com muito mais profissionais que aqui. Então nós estamos muito bem do ponto de vista comparativo, mas se você me perguntar: ‘você está frustrado?’ Estou. Termino a semana frustrado”, lamentou Prates.

 

Ainda conforme o secretário, das duas milhões de doses da vacina de Oxford que serão exportadas da Índia para o Brasil, menos de 30 mil devem ser encaminhadas para Salvador. “Se você pegar a proporção com o que foi a Coronavac, em relação ao número de doses e o que foi repassado na ponta para nós, a gente deve receber em torno de 25 mil, 29 mil doses. Vai dar para imunizar entre 13 mil e 15 mil pessoas”, afirmou, frisando que a quantidade é pouca. 

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