Terça, 29 de Outubro de 2019 - 11:30

Será que a Fisioterapia está preparada para melhorar seu desempenho no trabalho?

por Claudio Cotter

Será que a Fisioterapia está preparada para melhorar seu desempenho no trabalho?
Foto: Divulgação

A forma como pensamos e lidamos com a dor e a doença é importantíssima e define em muitos casos qual a gravidade dos sintomas e o quanto estes processos podem atrapalhar nossa vida pessoal e desempenho no trabalho. Na prática diária em consultório fica claro que pacientes com atitudes positivas costumam ter sintomas mais amenos do que pacientes com atitudes negativas em relação à patologia ou mesmo em relação à vida.


É fato que aprender a lidar com situações de dor e de diagnósticos complexos não é diferente de lidar com situações difíceis no trabalho ou na vida pessoal. Os mecanismos mentais que temos que desenvolver são os mesmos, olhando para o problema como um desafio a ser vencido e não uma barreira intransponível.


Apesar de enxergarmos estas situações de nossas vidas como se fossem muito diferentes, nosso sistema nervoso entende como processos de soluções de problemas muito parecidos, e o que realmente difere é o nível de ansiedade e expectativas que alimentamos. Isto faz com que algumas situações sejam muito piores do que outras.


A depressão também é um fator que leva à piora dos sintomas de qualquer quadro ortopédico pela baixa taxa de liberação de serotonina e outros neurotransmissores, o que diminui o limiar de dor, fazendo com que sintomas leves se intensifiquem. Um exemplo disso é o que ocorre na fibromialgia, patologia na qual três fatores são importantes para seu diagnóstico: dores itinerantes, sedentarismo e depressão.


Se levarmos em conta que a atividade física de baixa intensidade, como fazer 30 minutos de bicicleta ergométrica, já demonstra resultados equivalentes hoje à medicação antidepressiva, e que com esta simples solução já estaremos atuando sobre os três fatores.  Desta forma, podemos concluir que o maior obstáculo deste tipo de patologia é a inércia a ser vencida. Em alguns casos a medicação com controle de prescrição médica é importante para este impulso inicial, mas com o tempo, é imprescindível que a medicação seja gradativamente sendo diminuída e as atividades físicas sirvam como potencializadoras da psicoterapia, fisioterapia e outras terapias que possam ser indicadas dependendo de cada caso.


Movimentar seu corpo três a quatro vezes por semana traz benefícios sobre os Sistemas Circulatório, Endócrino, Respiratório, Urinário, Digestório, ou seja, praticamente todos, mas não se engane, seu Sistema Musculoesquelético precisa de movimentação diária. A cartilagem articular necessita de movimento para se nutrir e lubrificar, os músculos requerem movimento para manterem todo o seu potencial de mobilidade, flexibilidade e a drenagem dos tecidos a sua volta e com tudo isso seus ossos recebem mais cálcio, evitando assim a osteoporose.


O Burnout é uma outra síndrome que vem sendo diagnosticada com frequência e se traduz no esgotamento do indivíduo em relação ao trabalho. Em muitos aspectos pode se confundir com um quadro depressivo ou de fibromialgia, mas neste caso, o sintoma se apresenta principalmente em relação às questões do trabalho, um sentimento de exaustão contínua.


Pensando dessa forma, diagnósticos extremamente complicados num primeiro momento, podem se tornar problemas simples. É só entendermos todos os aspectos da doença, fragmentarmos em pedaços como pequenos problemas, os quais terão uma solução mais simples do que se olharmos para o todo.


Neste caso, a avaliação por uma equipe multidisciplinar pode ser a melhor saída. Olhar para cada parte do problema é complexo para um único profissional, mas quando o médico avalia, diagnostica e medica; o psicólogo analisa e trata questões que podem vir de outras áreas da vida ou até da infância; o fisioterapeuta analisa questões biomecânicas-posturais que podem gerar sobrecarga em articulações e músculos; o acupunturista analisa e trata desequilíbrios energéticos, ajudando na regulação de hormônios e neurotransmissores; o quiropraxista ajusta as articulações e, por fim, a nutricionista reequilibra a dieta, o resultado do tratamento é sempre mais eficiente.


Hoje contamos ainda com a visão da psicossomática, que é uma abordagem aplicável em qualquer área da saúde. Na Fisioterapia tratamos principalmente de questões emocionais ligadas a memórias de eventos que estejam gerando dores físicas. Na avaliação é possível o fisioterapeuta verificar se existe alguma associação que o cérebro esteja gerando entre a memória de um evento e alguma sensação física. Este processo não é consciente, portanto, o paciente não escolhe ter a dor ou doença. O trabalho do fisioterapeuta é dissociar a memória da sensação física, a partir deste momento, e caso ainda haja incômodo psíquico, é indicado o acompanhamento do psicólogo. Nesta situação, a continuidade do trabalho do fisioterapeuta é voltada novamente para questões ortopédico-posturais.
 

*Claudio Cotter é graduado em Fisioterapia,  pós-graduado em Medicina Psicossomática e  idealizador da CM2 Clínica Multidisciplinar em São Paulo - SP

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

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