Terça, 18 de Junho de 2019 - 11:30

O que é ceratocone?

por Marco Pollo

O que é ceratocone?

Ceratocone é uma enfermidade não inflamatória, que afeta a estrutura da córnea, camada fina e transparente que recobre toda a frente do globo ocular. A córnea funciona como uma lente fixa sobre a íris, a área colorida dos olhos, e, através da pupila, projeta a luz sobre a retina.  Alterações na transparência e curvatura da córnea podem comprometer a visão. A principal característica do ceratocone é a redução progressiva na espessura da parte central da córnea, que é empurrada para fora, formando uma saliência com o formato aproximado de um cone. Esse defeito impede a projeção de imagens nítidas na retina e pode promover o desenvolvimento de grau elevado de astigmatismo irregular e miopia.


Quais as causas, sintomas e fatores de risco?

Ceratocone é uma doença genética, de caráter hereditário e evolução lenta, que se manifesta mais entre 10 e 25 anos, mas pode progredir até a quarta década de vida ou estabilizar-se com o tempo. O ato de coçar os olhos desenvolve um papel importante no surgimento e evolução do Ceratocone. O sintoma do ceratocone é a baixa de acuidade visual.

 

Quais as principais consequências?

A evolução do Ceratocone leva a uma deformação da córnea que impede a pessoa de ver as coisas com nitidez mesmo com o uso de óculos. Isso atrapalha o portador a desenvolver suas atividades habituais como assistir um filme, dirigir um automóvel, assistir uma aula com detalhes etc.


Como pode ser feito o diagnóstico?

O diagnóstico do ceratocone pode ser feito pelo exame clínico apenas nas fases mais tardias. Nas fases mais precoces da doença, a realização da topografia computadorizada de córnea (estuda a curvatura da córnea) e da paquimetria (estuda a espessura da córnea) permitem o diagnóstico.

 

Quais os tratamentos?
•    Prescrição de óculos para melhorar a visão do paciente é o tratamento inicial
•    Uso de lentes de contato rígida quando o paciente não consegue uma visão adequada com óculos
•    Implante de anel intracorneano ( Ferrara) em pacientes intolerantes ao uso de lentes de contato. O objetivo do anel é regularizar mais a córnea do paciente para reabilitar o uso de óculos
•    Existe a possibilidade de realizar transplante de córnea nos casos mais avançados em que óculos, lentes e anéis não são suficientes para dar uma visão adequada ao paciente.
•    O Cross-linking é uma modalidade de tratamento em que se aumenta a rigidez da córnea através de aplicação de um determinado tipo de luz ultravioleta em combinação com a aplicação de riboflavina. Esse tratamento é bastante eficaz em estabilizar e impedir a progressão do ceratocone principalmente nas fases precoces da doença.
•    A cirurgia a laser topoguiada pode ser usada em conjunção com o Cross-linking em casos selecionados para moldar a córnea do paciente e melhorar a regularidade da mesma.


Como prevenir?
•    Evitar coçar os olhos tratando as alergias oculares.
•    Realizar o cross-linking, em fases precoces do ceratocone para evitar a deterioração da visão

 

Quais as recomendações e curiosidades sobre o problema?
•    Tratar a alergia ocular é o primordial nos pacientes.
•    Miopia e astigmatismo progressivo devem ser avaliados através de uma topografia e paquimetria para avaliar se isso pode ser um ceratocone em evolução.
•    Pessoas com sobrepeso e olhos que apresentam uma exposição palpebral aumentada, com queixa de irritação constante nos olhos podem apresentar  uma Floppy Eyelid Syndrome ( sindrome da pálpebra frouxa) . Essas pessoas podem ter uma maior chance de desenvolverem Ceratocone.
•    Pacientes jovens com histórico familiar de Ceratocone devem ser avaliados com mais atenção na sua puberdade.
•    Algumas medidas simples podem ajudar a diminuir a vontade de coçar os olhos. São elas: usar colírios lubrificantes (lágrimas artficiais) se os olhos estiverem ressecados, aplicar compressas frias ou geladas nos olhos, lavar pálpebras e cílios com xampu de Ph neutro.
•    Ninguém perde a visão, se o ceratocone for convenientemente tratado. A doença, em geral, surge na puberdade e evolui até os 30, 40 anos no máximo. Depois, estabiliza. Daí a importância de controlar a progressão da doença (evitar coçar e Cross-linking)  com a finalidade  de preservar a qualidade da visão.

 

* Marco Pollo é oftalmologista do DayHORC

 

* Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

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