Terça, 28 de Maio de 2019 - 11:30

Glaucoma afeta mais afrodescendentes e pode levar à cegueira

por Máximo Manfredi

Glaucoma afeta mais afrodescendentes e pode levar à cegueira
Foto: Divulgação

O dia 26 de maio é dedicado ao Combate Nacional ao Glaucoma, doença que é a maior causa de cegueira irreversível no mundo, conforme dados da Organização Mundial de Saúde (OMS). A doença é silenciosa e em 80% dos casos os pacientes não sofrem qualquer dor ou incômodo na fase inicial. No Brasil, cerca de 3% da população acima de 40 anos são afetados pelo glaucoma, segundo a Sociedade Brasileira de Glaucoma (SBG).  A doença é mais frequente em afrodescendentes bem como sua gravidade também aumenta nessa parte da população. Isso faz com que na Bahia, em especial Salvador, haja muitos casos não diagnosticados, inclusive pelos sintomas do glaucoma. No estado são mais de 67 mil pessoas diagnosticadas. A perda da visão progressiva demora a ser notada e, ao contrário da catarata, a cegueira causada pelo glaucoma é irreversível.

 

Existem dois tipos de glaucoma: o crônico de ângulo aberto e o de ângulo fechado. O primeiro tipo é mais recorrente em pessoas idosas, prejudicando a visão de maneira gradual e indolor. O paciente só percebe os sinais quando o nervo óptico já está em estado avançado de lesão. O glaucoma de ângulo fechado ocorre quando a pressão do olho aumenta rapidamente, apresentando sintomas no paciente como náusea, perda súbita de visão, vômitos, dor forte no olho, dor de cabeça e halos coloridos ao redor das luzes. Esse tipo acomete mais pessoas de origem africana ou asiática.

 

A prevenção consiste em manter em dia a visita ao oftalmologista que realizará exames para medir a pressão intraocular, além do exame do fundo de olho e, quando necessário, o de campo visual e tomografia do nervo óptico. Devem-se considerar alguns fatores de risco que favorecem o aparecimento do glaucoma como a idade avançada, hipertensão arterial, miopia elevada, raça negra e hereditariedade. Por isso é importante que seja feita periodicamente a revisão oftalmológica, seguindo a periodicidade sugerida pelo médico. Como o glaucoma é uma doença crônica, na maioria dos casos, é possível controlá-la com tratamento adequado e contínuo, no caso dos colírios, ou em casos mais graves, a cirurgia pode ser necessária. Cerca de 15% dos pacientes ficam cegos por não fazerem corretamente o tratamento e algumas pessoas acreditam que existem exercícios oculares que curam o glaucoma, informação que é completamente falsa e pode acarretar em problemas maiores, já que interromper o tratamento medicamentoso pode acelerar o comprometimento da visão. Quanto mais rápido for o diagnóstico e o tratamento correto, maiores serão as chances de se evitar a perda da visão.

 

* Máximo Manfredi é médico oftalmologista especializado em Oftalmologia Clínica e Cirúrgica

 

* Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

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