Covid-19: Nº de mortos neste sábado é o menor registrado nos últimos três finais de semana
Foto: Tumisu / Pixabay

O Brasil segue em queda pelo quarto sábado seguido de outubro no número de óbitos por Covid-19 registrados em 24 horas. Segundo dados divulgados na noite deste sábado (24), pelo Ministério da Saúde, 432 pessoas perderam a vida pela doença. 

 

Em comparativo com o terceiro sábado do mês, o número atual registrou 29 óbitos a menos, quando em 17 de outubro o país teve 461 óbitos em 24 horas. A diferença fica ainda maior quando analisado os números dos dias 10 de outubro, com 559 óbitos e do dia 3 de outubro, com 599 mortes pelo novo coronavírus. 

 

Até o momento, o Brasil registra 156.903 óbitos causados por complicações da Covid-19 desde o início da pandemia. O país segue em segundo lugar no mundo com maior número de mortes pelo novo coronavírus.

 

No boletim deste sábado (24), também foi divulgado que nas últimas 24 horas 26.979 pessoas testaram positivo para a doença. O Brasil registrou em números acumulados, até agora, 5.380.635 milhões de casos de infecção. 

Sábado, 24 de Outubro de 2020 - 18:00

Número de casos ativos de Covid-19 na Bahia registra nova alta

por Matheus Caldas

Número de casos ativos de Covid-19 na Bahia registra nova alta
Foto: Paula Fróes / GOVBA

Após chegar na última sexta-feira (23) ao patamar de sete mil casos ativos de coronavírus pela primeira vez em 21 dias, a Bahia manteve a alta no índice neste sábado (24) (leia mais aqui). 

 

De acordo com o boletim epidemiológico da Secretaria da Saúde do Estado (Sesab), o montante subiu dos 7.081 registrados na última sexta para 7.178 neste sábado.

 

Desta forma, o estado chegou a 344.014 casos confirmados da Covid-19 no total, sendo 1.488 registrados somente nas últimas 24 horas. No total, a Bahia teve 7.453 óbitos em decorrência do vírus até o momento. 

Candidata a vice-prefeita em Ilhéus é voluntária em teste da vacina de Oxford
Foto: reprodução/Blog Políticos do Sul da Bahia

A candidata a vice-prefeita de Ilhéus pelo PSOL, Jack Meira, integra o grupo de voluntários da terceira fase de teste da vacina de Oxford/AstraZeneca na Bahia. 


Jack recebeu a primeira dose na última quinta-feira (22) no Hospital São Rafael, em Salvador.  A segunda deve ser aplicada após 30 dias. As inscrições para o voluntariado aconteceram em julho.  

 

Pesquisadora da UFBA, Jack acredita que o voluntariado resulta na crença da seriedade dessa e das outras pesquisas.  “Temos que dar a nossa contribuição para ajudar a população brasileira nesse momento difícil”, disse ao blog Políticos do Sul da Bahia. 

Sábado, 24 de Outubro de 2020 - 12:20

Jussari zera casos ativos de Covid-19

Jussari zera casos ativos de Covid-19
Foto: Divulgação/Prefeitura de Jussari

A Secretaria de Saúde de Jussari anunciou, nesta sexta-feira (24) que zerou o número de pacientes ativos da Covid-19. No acumulado, a cidade registra 230 casos. Os óbitos registrados são cinco no total acumulado. 
    

Para conter a propagação da doença, a gestão municipal adotou uma série de medidas, a exemplo do toque de recolher, que permaneceu em vigor por 60 dias. 


Jussari, no território de identidade Litoral Sul, tem população atual estimada 5.768 habitantes, de acordo com o IBGE.

 

Foto: Divulgação/Prefeitura de Jussari

Sábado, 24 de Outubro de 2020 - 09:00

Mortes pela Covid superam 156 mil no Brasil, mas média diária cai abaixo de 500

por Folhapress

Mortes pela Covid superam 156 mil no Brasil, mas média diária cai abaixo de 500
Foto: Reprodução

O número de mortes causadas pela Covid-19 superou 156 mil nesta sexta-feira (23), após 566 novos registros de óbitos. Desde março, 156.528 pessoas morreram no Brasil por causa do novo coronavírus, e ao menos 5.355.650 contraíram a doença, somados 29.968 novos registros nas últimas 24 horas.

Os dados são fruto de colaboração inédita entre Folha de S.Paulo, UOL, O Estado de S. Paulo, Extra, O Globo e G1 para reunir e divulgar os números relativos à pandemia do novo coronavírus. As informações são coletadas diretamente com as Secretarias de Saúde estaduais.

Os dados coletados pelo consórcio mostram ainda que a média diária de mortes nos últimos sete dias causadas pelo novo coronavírus foi de 471, mantendo a trajetória de queda. Há duas semanas, essa média foi de 505, e há quatro semanas, de 675.

O recurso estatístico permite enxergar melhor da evolução da doença, pois atenua números isolados que fujam do padrão.

O país está atualmente em estágio de desaceleração da doença, segundo monitor mantido pela Folha de S.Paulo, embora os números continuem altos. A taxa de mortos por 100 mil habitantes do Brasil é de 74,2, acima da taxa dos Estados Unidos, país com o maior número absoluto de mortos (223.813), com 68 mortos pela Covid para cada 100 mil habitantes.

Já os dados divulgados pelo Ministério da Saúde nesta sexta-feira apontam 30.026 novos casos confirmados de Covid-19 nas últimas 24h, com 571 mortes.

Com isso, o total registrado no balanço federal já chega a 5.353.656 casos da doença desde fevereiro, com 156.471 óbitos. Há, ainda, 2.374 mortes em investigação.

Sábado, 24 de Outubro de 2020 - 00:00

Mães e doulas querem derrubar medida que impede acompanhante no parto; Sesab resiste

por Jade Coelho

Mães e doulas querem derrubar medida que impede acompanhante no parto; Sesab resiste
Foto: Reprodução/Pixabay

A Secretaria da Saúde do Estado (Sesab) ainda não considera flexibilizar a suspensão de acompanhantes durante a evolução do trabalho de parto, parto e no alojamento de gestantes e puérperas nas maternidades da Bahia. A recomendação está em vigor desde a publicação de uma nota técnica em 2 de junho, e terá vigência durante a pandemia, como medida de controle da disseminação da Covid-19 no estado.

 

A medida desagrada grávidas, as famílias e até doulas - já que também proíbe a presença dessas profissionais nas salas de parto. Unidas pela função e pelo descontentamento, um grupo de doulas baianas se articulou e deu início a um abaixo-assinado em que solicitam a revogação da norma. Até o momento 2.592 pessoas já assinaram o documento online (disponível aqui).

 

As profissionais argumentam que a ausência de acompanhantes, que é prevista em lei, submete as gestantes e puérperas à violência obstétrica e vulnerabilidade nas unidades de saúde do estado. “No momento tão singular de dar a luz, estar sozinha é um desamparo violento para uma experiência que merece respeito e segurança emocional. Queremos e precisamos do nosso acompanhante de escolha durante esta vivência”, diz trecho de uma carta elaborada pelo grupo, que conta com mais de 100 profissionais de todo o estado.

 

As doulas auxiliam mulheres durante a preparação, no momento do parto e durante o puerpério. As profissionais são reconhecidas pelo Código Brasileiro de Ocupações. Durante o parto as doulas dão suporte físico e emocional à gestante. Essas profissionais ajudam a mulher a encontrar as posições mais favoráveis durante as contrações, faz massagens e compressas para aliviar a dor, ajuda o parceiro a se envolver e participar ativamente do parto e informa o casal sobre todos os procedimentos que estão sendo realizados.

 

Chenia d'Anunciação, que é doula, enfermeira, fundadora e membra do Coletivo Doulas Pretas, foi quem sugeriu o abaixo-assinado. Ela explica que o momento do parto é enviesado pelo poder dos médicos e pelas tecnologias, e que são comuns as violações e violências obstétricas. “São muitos os casos em que a mulher é convencida a fazer uma cesariana, porque o corpo dela não vai funcionar, não vai ter passagem. E quando não tem direito ao acompanhante já e uma violência, porque é previsto em lei”, iniciou.

 

O BN questionou a Sesab sobre a reclamação das gestantes, familiares e doulas de que a determinação da pasta aumentaria a vulnerabilidade e deixaria gestantes e puérperas suscetíveis a violência obstétrica. A pasta respondeu que elaborou notas técnicas “voltadas para o atendimento correto que deve ser seguido pelos profissionais de saúde, quanto ao atendimento dos pacientes” e que “quando for possível, o atendimento voltará aos padrões normais”.

 

A nota técnica da Secretaria da Saúde reconhece a importância da presença do acompanhante de escolha da mulher e afirma respeitar a legislação vigente sobre o tema. Em seguida argumenta que diante da pandemia, “se faz necessária a redução do fluxo de pessoas circulando nos diversos ambientes e em especial nas unidades de saúde”. A nota apresenta a determinação como medida que deve ser reconhecida como uma ação de humanização da assistência. Em outro ponto, o COE estabelece que “excepcionalmente deve-se garantir que a mulher possa escolher um acompanhante para conhecer o recém-nascido no pós-parto imediato”, desde que a pessoa não seja do grupo de risco para complicações da Covid-19 e não apresente sintomas respiratórios.

 

A possibilidade de um acompanhante visitar a criança é um dos argumentos centrais das doulas, que a consideram uma controvérsia.  “O acompanhante vai entrar, ver a criança e sair. Isso já não é um tipo de exposição?”, questiona Chenia. Ela ainda ressalta que normalmente o acompanhante é do convívio da parturiente, e a acompanhou até a unidade de saúde. “Em muitos casos essa pessoa fica no estacionamento da unidade de saúde, vagando”, lamenta.

 

O QUE A NORMA PREVÊ

O texto da norma considera que a gravidez é um estado fisiológico que predispõe as mulheres a complicações respiratórias da infecção viral devido às alterações fisiológicas em seu sistema imunológico e cardiopulmonar e que as mulheres grávidas são mais propensas a desenvolver doenças graves após infecção por vírus respiratórios.

 

Além da suspensão de visitas, a norma determina que haja uma equipe mínima nos atendimentos.

 

A presença do acompanhante é permitida apenas às gestantes menores de 16 anos incompletos ou com deficiências ou patologias que dificultem o seu deslocamento ou entendimento das orientações.

Outubro Rosa: TJBA oferece exames e consultas gratuitas a mulheres
Foto: divulgação / INTS

O Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) ainda está com vagas para atendimentos gratuitos a mulheres no segundo dia da ação de Outubro Rosa, na terça-feira (27). Na data, serão oferecidas mamografia e consulta ginecológica, em parceria com a Fundação José Silveira (FJS). A ação acontece no estacionamento em frente ao prédio principal do TJBA, localizado no Centro Administrativo da Bahia (CAB), das 8h às 17h.

 

O primeiro dia de atendimento será na segunda-feira (26), das 8h às 17h, com oferta de mamografia e consulta com nutricionista. Para participar da ação, é preciso agendar o procedimento pelo e-mail segespsaude@tjba.jus.br. Na mensagem, a interessada deve informar o nome completo, telefone para contato, RG, CPF, setor (somente para o público do PGBA), idade e preferência de data e turno do atendimento.

 

As vagas são limitadas e e só serão reservadas por telefone e/ou e-mail. Mulheres abaixo dos 40 anos devem ter em mãos a requisição médica solicitando o exame de mamografia. É preciso chegar com 20 minutos de antecedência, com máscara, para fazer o protocolo de atendimento inicial. Quem estiver com sintomas da Covid-19 não será atendida.

 

O resultado dos exames serão entregues no próprio Tribunal, no dia 24 de novembro, das 8h às 11h e das 14h às 16h30.

Madri proíbe bares e reuniões na madrugada para conter nova onda de coronavírus
Foto: Reprodução / R7

Autoridades de Madri anunciaram nesta sexta-feira (23) novas regras para conter o repique de casos de coronavírus na capital. A partir de sábado (24), bares e restaurantes só poderão aceitar clientes até as 23h, e reuniões entre pessoas que não morem juntas estarão proibidas entre 0h e 6h.

Com as medidas, a cidade busca conter as atividades sociais, principalmente as noturnas e envolvendo jovens —focos de novos contágios pela Covid-19, de acordo com autoridades de saúde regionais.

O anúncio foi feito poucas horas antes do fim de uma outra medida decretada duas semanas atrás pelo governo central, que impunha o fechamento do perímetro da capital espanhola e dos seus arredores. O decreto se encerra neste sábado.

A Espanha, que foi um dos países mais atingidos pela primeira fase de infecções pelo novo coronavírus na Europa, enfrenta agora uma segunda alta nos casos. Na quinta (22), bateu recorde de registro de casos diários, com 20.986 novas infecções.

O país é o sexto colocado no ranking de nações com mais casos da doença, registrando, até esta sexta (23), pouco mais de 1 milhão de infectados, com 34.500 mortes confirmadas.

O premiê, Pedro Sánchez, porém, disse que o número verdadeiro de infecções pode ser muito maior, em torno de 3 milhões, já que o país não consegue testar todos os casos suspeitos.

Ele reafirmou que, por ora, prefere evitar o retorno ao "lockdown" completo.

EUA autorizam uso do antiviral remdesivir em pacientes com Covid-19
Foto: Paula Fróes/GOVBA

O uso do antiviral remdesivir no tratamento de pacientes hospitalizados com Covid-19 foi autorizado pela agência reguladora de medicamentos dos Estados Unidos (FDA) nesta quinta-feira (22). O anúncio foi feito pela empresa Gilead, que tinha autorização condicional da entidade desde maio.

A autorização ocorre, no entanto, em meio a conclusão da Organização Mundial de Saúde (OMS), após meses de pesquisa, de que o medicamento não é eficaz contra a Covid. As informações são de reportagem da agência France Press.

 

Testes realizados com o remdesivir mostraram que o medicamento apresentou resultados satisfatórios em testes preliminares. O fato levou países europeus a adotarem o medicamento na condição de "uso emergencial". 

 

Apesar da conclusão da OMS, o laboratório Gilead anunciou que recebeu autorização nos EUA para o medicamento e ressaltou que, por enquanto, é o único tratamento específico contra Covid-19 aprovado após um processo de verificação mais rigoroso e definitivo.

 

Durante a pandemia outros medicamentos e tratamentos receberam autorizações de uso emergencial. Esse tipo de autorização pode ser revogadas ao final do estado de urgência sanitária.

 

Conforme a reportagem, a decisão da agência americana sobre o remdesivir, permite que o medicamento seja usaod no tratamento de adultos e crianças a partir de 12 anos e pesando mais de 40 quilos, caso precisem de hospitalização, e só poderá ser administrado por via injetável em um centro médico ou meio equivalente.

Menino de 2 anos engole crucifixo e objeto só é retirado após intervenção médica
Foto: Divulgação

Um garoto de 2 anos segue internado depois de fazer uma intervenção médica para retirar um crucifixo que ele engoliu no último sábado (17), em Divinópolis (MG). O objeto obstruiu o sistema digestório do garoto, que foi inicialmente hospitalizado na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) em Divinópolis. 

 

No local, ele aguardou por uma transferência para uma unidade de alta complexidade no município de Passos, o que ocorreu na segunda-feira (19), de acordo com o G1.

 

A família contou que viveu momentos de angústia enquanto esperava pela transferência do garoto. A Prefeitura informou ao G1 nesta quinta-feira (22) que a demora para a realização da transferência ocorreu pela falta de disponibilidade de leitos no estado.

 

Assim que a vaga foi disponibilizada, o menino foi levado para uma unidade hospitalar no município de Passos, no Sul de Minas, onde o objeto foi retirado.

 

Por conta do tempo de permanência do objeto no organismo da criança, ele apresentou febre em decorrência de uma infecção após a retirada do crucifixo. O garoto segue recebendo tratamento medicamentoso até ter alta; ainda não há previsão de liberação da criança.

Sexta, 23 de Outubro de 2020 - 20:40

Sobem para 33 os casos da síndrome pediátrica ligada à Covid-19 na Bahia

por Jade Coelho

Sobem para 33 os casos da síndrome pediátrica ligada à Covid-19 na Bahia
Foto: Camila Souza/GOVBA

A Bahia já registra 33 casos e uma morte causada pela a síndrome inflamatória multissistêmica pediátrica temporalmente associada à Covid-19. Em todo o país, de acordo com dados do Ministério da Saúde, são 437 casos da doença e 29 mortos até a primeira semana de outubro. 

 

A síndrome é identificada em crianças e adolescentes, e aqueles com histórico de infecção pelo novo coronavírus têm apresentado mais tendência a desenvolvê-la.

 

A doença é caracterizada por uma lista com variados sintomas, que incluem febre persistente, problemas gastrointestinais, dor abdominal, conjuntivite, erupções cutâneas, edema de extremidades, hipotensão, dentre outros. Os sintomas respiratórios não estão presentes em todos os casos. O Ministério destaca que em alguns casos há elevação dos marcadores inflamatórios e o quadro clínico pode evoluir para choque e coagulopatia. Em setembro a Secretaria da Saúde da Bahia (Sesab) divulgou pesquisa com dados sobre a doença, que já fez mais vítimas desde então (leia aqui).

 

Os dados do Ministério da Saúde mostram que há predominância da síndrome em crianças e adolescentes do sexo masculino (53,8%), e crianças menores, nas faixas etárias de zero a quatro anos (38,4%) e de cinco a nove anos (32,0%). Dentre os óbitos, 55,2% foram em crianças de zero a quatro anos.

 

Na Bahia, 21 casos foram em meninos e 12 em meninas. A maior parte (14) foi registrado em crianças com idade entre cinco e nove anos. 

Fonte: Ministério da Saúde

 

Em agosto o Brasil começou a monitorar, a possível relação entre casos de Síndrome Inflamatória Miltissistêmica Pediátrica (SIM-P) em crianças e adolescentes que possuem entre 7 e 16 anos com a Covid-19. De acordo com o Ministério da Saúde, trata-se de uma medida de vigilância em saúde, que está sendo aplicada em vários países, como Espanha, França, Itália, Canadá e Estados Unidos (EUA) (leia aqui).

Vermífugo nitazoxanida reduz carga viral, mas não risco de morte por Covid
Foto: Reprodução/Canaltech

O medicamento nitazoxanida, vermífugo alvo de estudo anunciado pelo Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação nesta semana, reduz carga viral, mas não o risco de morte nem sintomas graves da infecção pela Covid-19. A conclusão foi feita por especialistas que analisaram a pesquisa e concederam entrevista ao portal G1.  

 

O estudo foi publicado nesta sexta-feira (23). A análise feita por especialistas identificou que o medicamento não atende aos objetivos principais do tratamento, como redução dos casos graves e do risco de morte pela doença.

 

"O objetivo principal do estudo, reduzir mortes e sintomas graves da Covid-19, não foi alcançado. Foi apresentado apenas um objetivo secundário, de que o medicamento é capaz de reduzir a carga viral. Isso, na prática, não resolve o problema do coronavírus", afirmou o epidemiologista Paulo Lotufo.

 

O estudo traz dados que mostram que o vermífugo nitazoxanida reduziu a carga viral em pacientes com sintomas leves e diminuiu a febre em pacientes no início do tratamento.

 

"A nível de tratamento da Covid, o benefício do uso da droga parece ser muito baixo. Como são indivíduos com casos leves, essa redução na carga viral não traria grandes reflexos a nível de transmissão da doença", conclui o virologista Anderson Brito, do departamento de epidemiologia da Escola de Saúde Pública da Universidade de Yale, nos Estados Unidos.

 

Ao observar o artigo, o infectologista Alberto Chebabo afirmou em entrevista ao G1 que o medicamento não foi capaz de reduzir hospitalizações nem sintomas graves.

 

Anderson Brito ainda explica que a carga viral é uma medida aproximada da quantidade de vírus em uma amostra extraída do paciente, traz a reportagem. "Essa medida é feita medindo-se a quantidade de material genético do vírus por mL", disse. Diante disso, o especialista destacou que em casos graves, há estudos que mostram uma associação entre carga viral e risco de morte. "Não é esse o caso desse estudo, que focou em casos leves da Covid", afirmou Brito.

Especialistas apostam em consórcio para vacina mas apontam problema político
Foto: Tânia Rêgo / Agência Brasil

Especialistas de saúde consultados pelo Estadão veem com "bons olhos" a formação de um consórcio com governadores e secretários de saúde para compra e distribuição da vacina Coronavac. Iniciativas como essa existem desde 2015, para tentar reduzir a dependência de recursos da União. Mas nesse caso, a novidade é a iniciativa acontecer a partir de uma ação descoordenada do governo federal.

 

"Essa história de consórcio não é nada de excepcional. Excepcional é ter os Estados fazendo isso em decorrência de uma atitude destrambelhada do presidente. Nem com o ministro general ele conseguiu se entender", dispara Walter Cintra, professor da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (EAESP/FGV). Para ele, é legítimo que governadores e secretários se organizem, mas avalia que as discussões, mais no campo político, são precipitadas, pois não se sabe quando uma vacina segura e eficaz estará disponível.

 

O médico sanitarista Gonzalo Vecina afirma que se o consórcio for promissor, seria a primeira vez que um imunizante é adquirido diretamente pelos estados. "Acho que os governadores estão plenos de certeza". Ele afirma que a vacina produzida pela Sinovac BioTech em parceria com o Instituto Butantan deve estar disponível em janeiro. Já a imunização da AstraZeneca em parceria com a Universidade de Oxford deve ser liberada em abril. 

 

O sanitarista considera importante que as vacinas já estejam à disposição da população quando ficarem disponíveis. Mas para ele, a entrega terá um desafio político, caso o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) pressione a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para adiar o fornecimento do Instituto Butantan. "Isso poderia acontecer, mas espero que a agência use da sua autonomia, porque ela não é subordinada ao Ministério da Saúde nem ao presidente”, diz o médico, fundador e ex-presidente do órgão.

 

“Se tiver orientação nesse aspecto, aí de fato é barbárie. Se isso acontecer, é o pior dos mundos, é desestruturar as instituições. Interferência na Anvisa seria impensável, mas não duvido que possa acontecer”, critica Cintra. O professor concorda que a desvantagem desse modelo de aquisição é não haver uma ação integrada entre governo federal e estadual. “É uma coisa grave Estados terem de se organizar porque o governo federal tomou uma posição prejudicial ao país.”

 

Para os governadores e secretários, a barreira é conseguir recursos para viabilizar o plano do consórcio sem apoio da União. “Uma coisa é o dinheiro estar disponível para compra e, pelo jeito, não virá do governo federal, o que é complicado. A outra coisa é o processo de compra, que vai seguir as normas da lei 8.666, que regula a compra de qualquer ente público no Brasil. Talvez não seja licitação, mas certamente será dentro do que está previso na lei”, explica o professor da FGV.

 

Cintra avalia que o preço a se pagar por isso não sofrerá impacto se a aquisição for feita pelo consórcio, mas teria de ver a possibilidade de negociação. Vecina faz a mesma consideração e não vê perda em relação ao preço do imunizante. Ele também considera que os recursos necessários não são tão grandes. “O preço já está definido e adequado, em torno de US$ 3 ou US$ 4. Não vejo problema.”

Saúde quer programa financeiro de incentivo a alimentação saudável
Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

O Ministério da Saúde planeja disponibilizar, ainda em 2020,  em caráter excepcional e temporário, um incentivo financeiro para qualificação das ações de promoção de alimentação saudável e da atividade física no país. A proposta é reforçar a atenção a pessoas com doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs). Os valores a serem empregados no incentivo, no entanto, ainda estão em estudo.

 
Divulgada nesta quarta-feira (21), a Pesquisa Nacional de Saúde apontou que o excesso de peso e a obesidade se tornaram mais frequentes na população brasileira entre 2003 e 2019. A pesquisa foi realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em parceria com o Ministério da Saúde.


A proporção de obesos na população brasileira aumentou de 12,2% para 26,8% entre 2003 e 2019. Em 2019,  30,2% das mulheres e 22,8% dos homens com 20 anos de vida ou mais tinham índice de massa corpórea (IMC) maior que 30 kg/m2, o que configura obesidade.


O excesso de peso, que se dá a partir do IMC 25 kg/m2, também se tornou mais frequente na sociedade brasileira, passando de 43,3% em 2003 para 61,7% em 2019, conclui o estudo.


Também está em fase de preparação, de acordo com a pasta da Saúde, o lançamento de ações de qualificação para profissionais de saúde, como o "Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas de sobrepeso e obesidade" e a publicação do “Instrutivo de Cuidado da Obesidade em Crianças e Adolescentes”.

Sexta, 23 de Outubro de 2020 - 19:00

Dória anuncia mais centros de testes da Coronavac e se diz aberto para diálogo

por Aline Mazzo | Folhapress

Dória anuncia mais centros de testes da Coronavac e se diz aberto para diálogo
Foto: Governo de São Paulo

O governo estadual de São Paulo anunciou nesta sexta-feira (23) que criará mais seis centros de pesquisa para testes da Coronavac, vacina desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac e que será produzida no país pelo Instituto Butantan.

Os centros, sob a supervisão do Instituto Emílio Ribas, funcionarão nos hospitais estaduais de Guaianases (zona leste de SP), Regional Sul (zona sul), Mandaqui (zona norte), Osasco (Grande São Paulo) e duas unidades na Universidade Municipal de São Caetano do Sul (ABC). Os novos locais de pesquisa se juntam aos 16 que já estão em funcionamento no país.

As regiões escolhidas ficam em áreas periféricas da capital paulista e da Grande São Paulo porque são áreas em que a taxa de contaminação se mostrou maior, segundo afirmou o governador João Doria (PSDB) em entrevista à imprensa no Palácio dos Bandeirantes.

A ampliação dos locais de testes busca aumentar o número de voluntários e, assim, alcançar mais rápido a marca de 61 participantes da pesquisa contaminados pelo novo coronavírus. Só com essa quantidade de infectados é possível concluir a fase de comprovação da eficácia da Coronavac e enviar o dossiê da vacina para aprovação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

Os voluntários para os testes precisam ser profissionais da área da saúde que estejam em contato com pacientes com Covid-19. Até o momento, segundo Doria, 9.039 pessoas participam da pesquisa.

A coletiva ainda contou com a presença do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que fez questão de dizer que é amigo do governador de SP e que não o recebeu na última quarta-feira (21), em Brasília, porque estava indisposto e não por outro motivo.

Maia cancelou o encontro com o tucano logo após o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ter respondido a uma internauta nas redes sociais que não compraria a Coronavac, desautorizando, assim, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, que, no dia anterior, havia anunciado acordo com o estado de São Paulo para a compra de 46 milhões de doses da imunizante.

O presidente da Câmara disse ainda que, quando a vacina estiver autorizada pela Anvisa, vai iniciar o diálogo com o presidente Bolsonaro e o ministro da Saúde para que a imunização seja disponível para todos os brasileiros. Segundo Maia, escolhendo "bons interlocutores, a solução sempre aparece".

O tucano afirmou mais uma vez que atenderá prontamente um eventual convite para conversar com Bolsonaro.

"Estou aberto ao diálogo, a dialogar e construir um programa que permita que brasileiros sejam salvos pela vacina, pela orientação correta, pela compaixão e pelo distanciamento de posições ideológicos, colocando o povo brasileiro como prioridade. Basta o presidente me convidar e estarei em Brasília para o diálogo. Na mesma hora. Estou disposto ao diálogo e quero convidar você, presidente, a fazer o mesmo", afirmou Doria, em entrevista coletiva na tarde de hoje, olhando diretamente para a câmera ao proferir a frase.

Sexta, 23 de Outubro de 2020 - 18:30

Maia diz que com 'diálogo', vacinas avaliadas devem ter distribuição aprovada

por Mauricio Leiro

Maia diz que com 'diálogo', vacinas avaliadas devem ter distribuição aprovada
Foto: Reprodução / CNN Brasil

O presidente da câmara dos deputados Rodrigo Maia (DEM) comentou que com diálogo, as vacinas aprovadas pelos órgãos de analise brasileiros devem ter a distribuição autorizada. Nesta sexta-feira (23), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) liberou a importação de 6 milhões de doses da CoronaVac, desenvolvida pela empresa chinesa Sinovac e que será produzida no Brasil pelo Instituto Butantan, em São Paulo (reveja aqui).  

 

"Espero que o 'entreveiro' desta semana construa uma solução para as próximas semanas. Tenho certeza nos testes do Butantan, sei que não foi criado [o instituto] ontem e tem admiração dos brasileiros. Que consigamos com diálogo com o presidente [Jair Bolsonaro], com o ministro da saúde, que já existe, com o congresso nacional, que consigamos autorizar não só essa, mas todas as vacinas que forem aprovadas" pontuou Maia. 

Casos ativos da Covid-19 na Bahia voltam a marca dos 7 mil após 21 dias
Foto: Camila Souza/GOVBA

Depois de 21 dias com o número de casos ativos da Covid-19 no estado na casa dos 6 mil, nesta sexta-feira (23) o número cresceu e chegou 7.081 pessoas ainda doentes. Em Salvador são 1.013 casos ativos, de acordo com o boletim atualizado da Secretaria da Saúde (Sesab).

 

A região Leste do estado é a que concentra o maior número de casos ativos, são 1.830. 

 

Nas últimas 24 horas a pasta registrou 1.861 casos de Covid-19 e 25 novas mortes causadas pela doença. 

 

Os números totais da pandemia no estado agora são de 342.526 casos confirmados e 7.432 mortes. 

 

A Sesab informa que 328.013 pessoas já são considerados sem sintomas.

 

A taxa de ocupação de UTIs adulto é de 53%. São 460 pessoas internadas nesse tipo de leito, destinado aos pacientes com quadros mais graves da doença. Em relação a UTIs pediátricas a ocupação está em 61%.

Anvisa libera importação de 6 milhões de doses da vacina chinesa CoronaVac
Foto: Divulgação

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) liberou nesta sexta-feira (23) a importação de 6 milhões de doses da CoronaVac, desenvolvida pela empresa chinesa Sinovac e que será produzida no Brasil pelo Instituto Butantan, em São Paulo. 

 

Na quinta-feira (22) a entidade foi acusada por Dimas Covas, diretor-geral do Butantan, de retardar a autorização para a importação da matéria-prima que possibilitará a fabricação da vacina chinesa no país (lembre aqui).

 

Nesta sexta, Dimas Covas declarou que o cronograma estipulado pelo governo de São Paulo para a produção da CoronaVac estaria mantido, independentemente do suposto atraso da Anvisa em liberar a importação de matéria-prima da China, traz reportagem do portal G1.

 

"O procedimento habitual da Anvisa diante de um pedido de excepcionalidade é a liberação em 10 dias. Nós entramos com a documentação há um mês. Foram feitos alguns questionamentos técnicos e foram todos respondidos e agora, diante da urgência, nós solicitamos então as medidas para que ela pudesse ser liberada o mais rapidamente possível e houve o compromisso de liberação em até 5 dias", disse Dimas Covas. 

 

A estimativa do Instituto Butantan é receber ainda neste mês seis milhões de doses da vacina Coronavac já prontos. Além disso, o plano é de fabricar no Brasil, até o mês de dezembro, outras 40 milhões de doses a partir da matéria-prima vinda da China.

 

A intenção é de que a vacina já estivesse em estoque e poderia começar a ser aplicada assim que a eficácia em testes clínicos fosse comprovada.

Presidente do STF diz ser necessária decisão do judiciário sobre vacina para Covid-19
Foto: José Cruz / Agência Brasil

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, afirmou nesta sexta-feira (23) que acha necessária uma intervenção da Justiça sobre a vacina da Covid-19. A declaração foi dada durante um evento online sobre o papel do Judiciário no atual cenário de crise, organizado pela Aliança de Advocacia Empresarial. 

 

"Podem escrever, haverá uma judicialização, que eu acho que é necessária, que é essa questão da vacinação. Não só a liberdade individual, como também os pré-requisitos para se adotar uma vacina", analisou o ministro. Apesar da afirmação, Fux não detalhou de qual forma o STF poderia lidar com a questão.

 

Na última quinta-feira (22), o partido Rede Sustentabilidade acionou o STF para que o governo federal seja obrigado a comprar 46 milhões de doses da Coronavac, produzida pela farmacêutica chinesa Sinovac em parceria com o Instituto Butantan.

 

O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, chegou a anunciar um acordo de compra das vacinas, mas no dia seguinte, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) descartou a compra pelo até que haja comprovação de eficácia. O assunto virou motivo de desentendimento entre Bolsonaro e o governador de São Paulo, João Dória (PSDB). 

 

Fux afirmou que é comum assuntos diversos pararem no órgão e ser exigida uma resposta da corte. “O Supremo teve que decidir Código Florestal. Quem entende de Código Florestal no Supremo? Ninguém foi formado nisso. Idade escolar, quem entende de pedagogia ali? Questões médicas”, provocou o ministro.

 

Ao discursar, Fux ressaltou que tem o desejo de recuperar o “respeito” do Supremo: "Meu sonho é fazer com que o Supremo volte ao respeito da época de Victor Nunes Leal, dos grandes juristas, Sepúlveda Pertence. Quero o STF respeitado e, para isso, nós criamos várias frentes de atuação no STF e no CNJ".

 

O ministro ainda defendeu a importância de se respeitar a divisão entre os poderes e disse que não quer o “protagonismo judicial para o STF interferindo nas teses que não são da sua competência”.

Outubro Rosa: Todas as 10 mil mamografias oferecidas pela Sesab foram agendadas
Foto: Divulgação

Todas as 10 mil mamografias disponibilizadas pela Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) para as mulheres de 40 a 69 anos, residentes em Salvador, até 13 de novembro, já foram agendadas. 

 

A ação faz parte da programação do órgão para o Outubro Rosa, que enfatiza a importância do rastramento do Câncer de mama, por meio da detecção precoce. “A principal causa de morte por câncer entre mulheres se dá pelo câncer de mama e o diagnóstico precoce pode levar à cura. Além disso, quando precocemente descoberto pode-se evitar o procedimento cirúrgico de retirar a mama por completo, o que, para algumas mulheres, é como uma mutilação, ou ainda evitar procedimentos complementares como quimioterapia ou radioterapia, aumentando a sobrevida dessas pacientes e reduzindo a morbidade”, afirma o secretário de Saúde do Estado, Fábio Vilas-Boas.

 

Para as mulheres que ainda pretendem fazer a mamografia e não agendaram o exame nas unidades móveis disponibilizadas pela Sesab, a recomendação é que busquem a secretaria municipal de saúde, que tem o dever de ofertar o serviço em diversas unidades durante o ano inteiro.

 

Estimativas do Instituto Nacional do Câncer (Inca) apontam que, em 2020, serão 3.460 novos casos de câncer de mama na Bahia. Destes, 1.180 em Salvador. O Inca explica que o câncer de mama é uma doença causada pela multiplicação desordenada de células da mama. Esse processo gera células anormais que se multiplicam, formando um tumor. Há vários tipos de câncer de mama. Por isso, a doença pode evoluir de diferentes formas. Alguns tipos têm desenvolvimento rápido, enquanto outros crescem mais lentamente.

 

Especialistas do Inca explicam que diversos fatores estão envolvidos na etiologia do câncer de mama: idade da primeira menstruação (menor do que 12 anos); menopausa após os 55 anos; mulheres que nunca engravidaram ou nunca tiveram filhos (nuliparidade); primeira gravidez após os 30 anos; uso de alguns anticoncepcionais e terapia de reposição hormonal (TRH) na menopausa, especialmente se por tempo prolongado; exposição à radiação ionizante; consumo de bebidas alcoólicas; dietas hipercalóricas; sedentarismo e predisposição genética.

 

A mamografia bienal para as mulheres na faixa etária estabelecida é a estratégia de rastreio indicada, enquanto o diagnóstico precoce é formado pelo tripé: população alerta para os sinais e sintomas suspeitos; profissionais de saúde capacitados para avaliar os casos suspeitos; e sistemas e serviços de saúde preparados para garantir a confirmação diagnóstica oportuna e com qualidade.

 

Quando a doença é diagnosticada no início, o tratamento tem maior potencial curativo. No caso de a doença já possuir metástases (quando o câncer se espalhou para outros órgãos), o tratamento busca prolongar a sobrevida e melhorar a qualidade de vida.

Brasil importou 16 das 31 vacinas oferecidas de graça pelo SUS; Índia é principal fornecedora
Foto: Ministério da Saúde / Divulgação

O Sistema Único de Saúde (SUS) importou 16 das 31 vacinas que atualmente estão disponíveis de graça no programa. De acordo com informações da CNN, oito delas são de laboratórios da Índia, como a Tríplice Viral (contra sarampo, caxumba e rubéola). 

 

O Brasil ainda importou quatro imunizantes da França, três da Indonésia, e uma de Estados Unidos, Coreia do Sul e Reino Unido - o modelo da vacina, nesse caso, foram adquiridos dos três países.

 

Em solo brasileiro, oito vacinas são da Fiocruz, seis do Instituto Butantan e uma da Funed, totalizando as 15 restantes.

 

Para entrar no calendário nacional, as vacinas no Brasil passam por diversas etapas antes de serem aprovadas. O processo é monitorado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pelo Ministério da Saúde.  
 

'Continuismo' de Moema disputa com propostas de 'esperança' e 'renovação' em Lauro
Foto: Divulgação

Seis candidatos integram a corrida eleitoral pela gestão do município de Lauro de Freitas nas eleições deste ano. Destes, três tem aportado mais destaque: a atual prefeita Moema Gramacho (PT), que disputa a reeleição pelo PT e conseguiu agregar a maior quantidade de partidos na coligação; Mirela Macedo (PSD), deputada estadual e ex-vice prefeita do município, que deixou o cargo após romper com Moema e assumir o mandato na Assembleia, e o empresário Teobaldo Costa (DEM), ex-esposo de Mirela, que se aventura pela primeira vez na disputa partidária como a figura a ser votada.  

 

Na tentativa de conter o aparente favoritismo da atual prefeita, os opositores diretos oscilam entre os discursos de “uma nova esperança” e “renovação”. Já Moema, tenta surfa na relação “gerenciamento da pandemia”, no discurso de continuidade e no capital simbólico acumulado de outras figuras da política baiana, como os correligionários Rui Costa e Jaques Wagner. Soma-se ainda o vice-governador João Leão, adversário histórico e cuja garantia de apoio do PP evitou a possibilidade de mais um adversário à petista na corrida. 

 

A pandemia, inclusive, dá nome ao programa de governo da petista: “Vencer a pandemia e avançar por uma Lauro ainda melhor”. Apesar do alarde da chamada, ações relacionadas à Covid-19 são inespecíficas na proposta. De maneira geral, o programa assume tem um tom generalista, amparada em comandos como promover, melhorar, adotar, assegurar, etc. Evidencia no entanto, um dos grandes gargalos da atual Lauro de Freitas e uma dos impasses não resolvidos pela atual gestão que é a dificuldade de transporte nos bairros mais afastados do centro.

 

Entre 2010 e 2020, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), a população local saltou de 163.449 para 201.635, um acréscimo de mais de 38 mil habitantes. Um dos elementos que explicam o fenômeno são as milhares de unidades habitacionais instaladas ali, sobretudo no período de boom do extinto Minha Casa Minha Vida. Com o programa, novas áreas da cidade passaram a ser habitadas, gerando ao poder público novas demandas.  

 

De acordo com o IBGE, Lauro de Freitas concentra um dos melhores indicadores de PIB per capita da Bahia, consolidado em 2017 – R$ 31.809,81. 

 

Nas redes sociais, Mirela tenta “mostrar” o que a ex-aliada deixou de fazer. No plano de governo, apresenta propostas mais elaboradas, dialogando a partir de uma ideia de projetos. Projeto Escola Digital, Meu Caminho, Acolher, Academia da Saúde até o chamado Cadetes Mirins - que é parte do eixo educação e uma espécie de formação educacional que alia “fornecimento de recursos para acesso ao mercado de trabalho” com “valores éticos e morais, disciplinados e organizados”. 

 

Já Teobaldo Costa, que se aliou a um dos vereadores mais combativos à atual gestão, Mateus Reis, tenta convencer o eleitor a partir da construção de imagem de um homem simples, do povo, contrastando com a face de empresário, dono de um dos maiores patrimônios registrados junto ao Tribunal Superior Eleitoral entre os nomes em disputa pelo Executivo no estado da Bahia: R$ 341.286.567,60. 

 

Para além, tem abusado da imagem do gestor da capital, presidente nacional do Democratas e uma das principais lideranças da direita moderada no Brasil, ACM Neto. Pelo menos nas redes sociais, ainda não convenceu muito. No Facebook, por exemplo, ainda não alcançou quatro mil curtidas. 

 

No plano de governo, onde destaca proposta para o que chama de renovação de Lauro de Freitas, Teobaldo deu de ombros à pandemia. Sem considerar que, caso seja elevado ao posto de prefeito, precisará conviver com os impactos e, até que seja concreta a possibilidade de vacina, com a própria circulação e riscos da doença, sequer cita termos como Covid-19, pandemia ou coronavírus nas 28 páginas em que descreve como pretende renovar a cidade. 

 

A disputa em Lauro ainda tem como candidatos Felipe Manassés (PROS), herdeiro do ex-deputado Manassés, Marcello Santana (MDB) e Mauro Cardim (PTB), que chegou a integrar o primeiro escalão da gestão de Moema antes de romper com a prefeita. 

Da Revolta da Vacina a 2020: Movimento contra imunização já causou rebelião no Brasil
Foto: Leonidas/ Acervo Fiocruz

No dia 10 de novembro de 1904, a população do Rio de Janeiro, até então capital do Brasil, se revoltou contra uma medida do presidente à época, Rodrigues Alves, que impunha a vacinação obrigatória no país contra a varíola. O movimento ficou conhecido como "Revolta da Vacina". No ano em questão, o acesso à informação era precário e os benefícios da imunização desconhecidos. Quase 116 anos depois, após diversos experimentos que comprovam a eficácia do procedimento para controlar doenças, o movimento anti-vacinação cresce no país, em meio à maior pandemia da história. 

 

Com comportamento de quem simpatiza com essa ideologia, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) já praticamente decretou que a vacinação não será obrigatória, mesmo tendo assinado um documento que prevê justamente o contrário. Trata-se da Lei 13.979, sancionada em 6 de fevereiro deste ano, que estabelece a medida em seu artigo 3º, inciso III.  

 

Nesta quinta-feira (22), Bolsonaro afirmou que não comprará a vacina contra a Covid-19 produzida pela farmacêutica chinesa Sinovac em parceria com o Instituto Butantan (SP), a Coronavac, porque "não acredito que ela transmita segurança suficiente pela sua origem" (veja aqui). 

 

Vale lembrar que, segundo o Consórcio dos Veículos de Imprensa, o Brasil registrou, até esta quinta-feira (22), 5.300.896 casos e 155.460 mortes pelo novo coronavírus. É o terceiro país no ranking de infecções até agora, atrás de dois países com uma população maior: EUA e Índia. O Ministério da Saúde tinha firmado, na última terça-feira (20), um acordo com a Sinovac para comprar 46 milhões de doses do imunizante chinês (lembre aqui). Isso porque resultados de análises e testes realizados na vacina, divulgados pelo Instituto Butantan na segunda-feira (19), indicaram que, entre as candidatas a imunizante contra a Covid-19, ela se mostrou a mais segura (veja aqui).

 

Segundo o historiador Carlos Zacarias, doutor em História e pesquisador do Centro de Estudos e Pesquisas em Humanidades (CRH) da Universidade Federal da Bahia (UFBA), os estudiosos entendem o motivo da desconfiança que originou a Revolta de 1904.

 

"Estamos falando de um país que tinha sido conturbado por uma década com convulsões da implantação da República. Um país que viveu uma mudança brusca de regime [Império para República, em 1889] e tinha uma população absolutamente desassistida, sem informação nenhuma. Não era burrice, não era ignorância. As pessoas em 1904 não sabiam o que era Estado, não sabiam o que era governo, vacina, saúde. E foram convidados a conhecer isso de forma dramática, com pessoas invadindo suas privacidades", afirma.

 

De acordo com informações do portal Fiocruz, parte da população do Rio de Janeiro não aceitava ter suas casas invadidas para tomar uma vacina que não queria, e por isso organizou um motim contra o presidente, Rodrigues Alves, e o médico Oswaldo Cruz, que comandava a Diretoria Geral de Saúde Pública.

 

Motivados também por interesses políticos, monarquistas, militares, republicanos mais radicais e operários se organizavam para protestar nas ruas contra a medida, e quase implantaram um Golpe de Estado. Uma das personalidades que era adepta de grupos anti-vacinação era o jurista baiano Ruy Barbosa. A Revolta só acabou com intervenção do exército. Ao todo, 945 pessoas foram presas, 461 deportadas, 110 feridas e 30 mortas. No dia 16 de novembro, Rodrigues Alves desistiu de implementar a vacinação obrigatória. 

 

Para Zacarias, o contexto é justamente o oposto do que é visto hoje. "A falta de informação hoje é fruto do excesso de informação, da infodemia. É uma confusão de informações e os militantes anti-vacina operam com muita competência e sucesso. O que está colocado no Brasil hoje é um negacionismo, fruto de um conspiracionismo, que não tem nenhum respeito na academia, e investe permanentemente contra a ciência, contra a inteligência. E esse discurso é comprado pelo próprio presidente da República", analisa.

 

Na visão do infectologista Antônio Bandeira, a vacina é uma das "maravilhas do mundo" e, do ponto de vista médico, a situação atual é muito melhor do que em 1904. "Hoje a gente não tem só conhecimento, mas a evidência na prática. Inúmeros trabalhos no mundo inteiro que mostram que a erradicação da varíola, em 1979, só foi possível porque as pessoas tomaram a vacina. Com o sarampo, estávamos chegando muito perto disso. Quando comparamos o que foi o sarampo na década de 1950 e o que é o sarampo hoje, é uma coisa maravilhosa. Quando você pensa em todas as doenças que foram evitadas, isso tudo é graças à vacina", diz. 

 

O historiador Carlos Zacarias ainda pondera que as afirmações do presidente Jair Bolsonaro têm influência direta no pensamento da população em relação à vacina, e que isso já afeta campanhas de vacinação para outras doenças, como o sarampo. Antes da pandemia, em 2018, a média de imunização brasileira caiu de 99%, entre 2010 e 2017, para 84% em 2018. Os dados são da Organização das Nações Unidas (ONU). 

 

"O efeito disso é desastroso, do ponto de vista que estudos já demonstram. A cada dia que Bolsonaro dizia que o isolamento era uma bobagem, as taxas de distanciamento caíam. E cada vez que Bolsonaro fala contra a vacina, as taxas de vacinação caem. É o presidente da República falando. Ele continua tendo influência, incidindo sobre suas bases, bordas protofascistas que são muito perigosas", pondera. 

Mulher passou cerca de 40 mil trotes para o Samu em três anos, diz equipe
Foto: Bruno Esaki / SES

Uma mulher é apontada como responsável por ter feito cerca de 40 mil trotes ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgencia (Samu) ao longo de três anos. O médico e coordenador de Urgência e Emergência de Salvador, Ivan Paiva, conta em entrevista ao jornal Correio que vinte mil deles foram somente em um período de três meses, em 2019.

 

Durante a entrevista com a atendente Luciana Maragão, o portal afirma que a mulher, identificada somente como Darci, ligou novamente para o Samu. “É insuportável, faz a gente perder a paciência com as pessoas", desabafa. A atendente diz que prefere atender um dia cheio de ocorrências do que receber um trote. “Isso estressa muito”, completa. “Ela utiliza o pseudônimo de ‘Yéssica’ e, às vezes, mais de um número telefônico. Nós suspeitamos que seja um problema mental dela, mas que acaba afetando a saúde mental dos nossos profissionais".

 

O coordenador do Samu conta que Darci aparenta ter cerca de 40 anos, é cuidadora de idosa e vive na região de Sete de Abril. “A gente descobriu, pois ela já ligou do telefone fixo da casa da idosa onde trabalhava. A advogada que a representa é filha dessa idosa”, disse.

 

“Ela se comprometeu a não ligar mas voltou a fazer, principalmente, agora, na pandemia”, conta o coordenador, que na época participou de uma reunião com Darci e a advogada dela. Ele diz que pretende encaminhar um documento sobre a situação para o Ministério Público da Bahia (MP-BA), para analisar a possibilidade de bloquear o número.

 

Mesmo com os trotes recorrentes, a ligação não pode ser recusada. “O problema é que a gente tem que atender, não tem jeito. Nunca sabemos o que pode ser, até porque houve uma situação real em que ela precisou mesmo ser atendida. Então, a saída é registrar. Nosso sistema não tem uma forma automática de notificação”, explica o coordenador. De acordo com o Correio, o Samu de Salvador recebe mil chamadas por dia. No total, são 16 atendentes divididos em dois turnos de 12 horas para fazer a triagem das ligações, transferir para um médico e enviar uma equipe de atendimento se for o caso.

 

“Ela diz que somos os amigos dela. Não é um trote dizendo que está morrendo, algo convencional. É como se fizéssemos parte da vida dela. Ela liga pra nos dizer que vai tomar café, por exemplo. Se desligarmos, logo aparece outra chamada”, relata a atendente Elenice Ramos.

 

Os atendentes contam que por conta da pandemia, a quantidade de ligações recebidas pelo Samu aumentou. De março a setembro desse ano, foram 200 mil chamadas. Entre elas, as de Darci. A equipe desenvolveu estratégias para lidar com a situação. “Quando a gente tem uma mesa livre, às vezes, a gente prende com a chamada dela. Ela passa horas no telefone e fica ouvindo nosso trabalho, quieta. Então, ela dorme e a gente escuta o ronco. Só nessa hora que a gente desliga e libera a mesa”, conta Luciana.

Após morte de voluntário, Oxford assegura que 'estudo deve continuar'
Foto: Ilustrativa/Camila Souza/GOVBA

A universidade de Oxford divulgou nota nesta quinta-feira (22), em que comenta sobre a morte de um voluntário brasileiro participante dos testes da vacina contra a Covid-19 desenvolvida plea instituição. De acordo com o texto,  a universidade afirma que “a análise cuidadosa deste caso não trouxe dúvida quanto à segurança do estudo clínico em curso. Uma revisão do comitê independente e as agências regulatórias brasileiras recomendam que o estudo deve continuar”.

 

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou, na quarta-feira (21), que recebeu no início da semana a notícia da morte do médico João Pedro R. Feitosa, de 28 anos, que participava como voluntário dos testes da vacina de Oxford no Brasil. O óbito decorreu de complicações da Covid-19 (lembre aqui). 

 

O comunicado encaminhado a revista Veja pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), responsável pela coordenação dos estudos da vacina no país. “Todos os eventos clínicos relevantes observados entre os participantes do grupo controle ou no grupo que recebe a vacina contra Covid-19 são revisados ??por um comitê de segurança independente”, afirmou. A Unifesp ainda ressaltou que as decisões do desenvolvimento do imunizante estão balizadas em critérios científicos.

 

De acordo com a reportagem da Veja, o consórcio tem aval para recrutar 10 mil voluntários brasileiros. Cerca de oito mil já receberam uma ou duas doses do medicamento ou de uma solução placebo. “Tudo avança como o esperado, sem ter havido qualquer registro de intercorrências graves relacionadas à vacina envolvendo qualquer um dos participantes participantes”, informou a Unifesp.

Santa Cruz Cabrália: Asilo tem 22 casos confirmados de Covid-19; um idoso morreu
Foto: Reprodução / Radar 64

O abrigo Fundação Terceira Idade Meu Lar, no município de Santa Cruz Cabrália, extremo-sul baiano, registrou 22 casos confirmados de contaminação pelo novo coronavírus, entre abrigados e funcionários, conforme informações da secretária municipal de Saúde, Renata Pinheiro, nesta quinta-feira (22). As informações são do portal Radar 64.

 

Um idoso, de Eunápolis, tinha menos de um mês no asilo e acabou contraindo o vírus. Ele foi internado na UTI do Hospital Luís Eduardo Magalhães, em Porto Seguro, mas não resistiu aos sintomas da Covid-19 e faleceu na última terça-feira (20). 

 

Todas as 58 pessoas que têm acesso ao asilo, entre abrigados e funcionários, foram testadas na última quinta-feira (15). Um dos casos confirmados foi de uma idosa de 102 anos, que apresentou complicações e foi transferida para a UTI do Hospital da Covid-19, em Eunápolis.

 

Desde a testagem em massa, funcionários e abrigados cumprem a quarentena dentro do asilo. “Um médico está avaliando os pacientes diariamente e todos estão assintomáticos”, garante a secretária de Saúde. 

Quinta, 22 de Outubro de 2020 - 20:40

Brasil se une a países em declaração contra o aborto

Brasil se une a países em declaração contra o aborto
Foto: Agência Brasil

O governo federal se aliou ao Estados Unidos e ao Egito, Hungria, Indonésia e Uganda, considerados alguns dos governos mais conservadores do mundo, para copatrocinar uma declaração política contra o aborto e em defesa da família baseada em casais heterossexuais.

 

O posicionamento, batizado de Declaração de Consenso de Genebra, foi apresentado na tarde desta quinta-feira (22) pelo secretário de Saúde dos EUA, Alex Azar e pelo secretário de Estado, Mike Pompeo. O Brasil foi representado pelos ministros Ernesto Araújo (Relações Internacionais) e Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos).

 

Segundo o jornal Folha de São Paulo, o texto ressalta que "as mulheres desempenham um papel fundamental na família" e que "uma parceria harmoniosa entre homem e mulher é fundamental para o bem-estar próprio e das famílias". Em vídeo, Damares e Ernesto defenderam a família como "núcleo natural e fundamental da sociedade", além de condenar o direito ao aborto.

 

O acordo não possui força de tratado nem é vinculante e, com isso, países não ficam obrigados a seguir as orientações. Mas defensores de direitos humanos e das mulheres que são críticos aos termos, avaliam que é mais um passo para tentar quebrar consensos internacionais sobre o tema. "É como se fosse um cimento. Os países preparam essa argamassa agora, colocam o peso do secretário de Estado dos EUA, de ministros de Estado, e depois tentam mudar o consenso sobre o tema", afirma o advogado Paulo Lugon Arantes, em entrevista a Folha.

Quinta, 22 de Outubro de 2020 - 20:20

Transferência de tecnologia de vacinas ao Brasil pode demorar até dez anos

por Ana Bottallo | Folhapress

Transferência de tecnologia de vacinas ao Brasil pode demorar até dez anos
Foto: Rodrigo Nunes/MS

Enquanto países buscaram desenvolver suas próprias vacinas contra a Covid-19, o Brasil firmou acordos para obter vacinas desenvolvidas em outros países, com transferência de tecnologia entre a Universidade de Oxford/AstraZeneca e a Fiocruz e entre a empresa Sinovac e o Instituto Butantan.

Na última terça-feira, o Ministério da Saúde firmou um acordo com o governo de SP para a compra de 46 milhões de doses da Coronavac, a vacina da Sinovac, a serem produzidas até dezembro, o que gerou um conflito entre o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o ministro da saúde, Eduardo Pazuello.

Embora o Butantan afirme que vai entregar as doses até o início de 2021, esse primeiro lote deve ser apenas envasado e rotulado no país, a partir das vacinas prontas vindas da China. A absorção completa da tecnologia pode demorar até dez anos.

Seguindo o modelo de produção de PDPs (parcerias de desenvolvimento produtivo), nenhuma transferência de tecnologia de vacina incluída no PNI (Programa Nacional de Imunização), à exceção da vacina da gripe, foi concluída.

Mesmo a transferência de tecnologia da vacina da gripe foi um processo demorado, que durou 14 anos. "Quando entrei [na diretoria], minha primeira ação foi finalizar a fábrica da vacina. Os projetos das outras fábricas estavam em andamento quando saí do instituto, mas nunca foram terminados", afirma Jorge Kalil, ex-diretor do Instituto Butantan e pesquisador do Incor.

Até 2012, o Ministério da Saúde firmava convênios para compra de vacinas e financiava equipamentos nos laboratórios nacionais, sendo os principais deles responsáveis por cerca de 75% das vacinas para o PNI, o Butantan e Bio-Manguinhos (Fiocruz).

A partir de 2012, esses convênios passaram a se chamar PDPs e, além da compra das doses, foram incluídos também recursos para construção -ou readequação- das fábricas, incorporação da tecnologia e treinamento.

A farmacêutica se compromete a treinar e a capacitar a equipe nacional. Em contrapartida, os laboratórios mantêm um acordo de, no mínimo, quatro anos de compra de doses, sendo que no primeiro ano fazem apenas envase e rotulagem -o que deve acontecer com a vacina da Sinovac no Butantan.

Outro ganho para a empresa estrangeira é a escala, uma vez que as fábricas têm capacidade para produzir e exportar. Para a vacina da Covid-19, essa será uma vantagem, uma vez que a primeira vacina que tiver sucesso nos ensaios clínicos poderá ser vendida no mercado global.

"É um acordo muito favorável para as farmacêuticas. Se a transferência de tecnologia demora muito para concluir, elas têm a vantagem quase total do mercado", afirma Kalil.

Para o pesquisador, o país poderia ganhar com a tecnologia adquirida nas últimas duas décadas e investir em pesquisa e desenvolvimento, mas isso não ocorreu. "Havia um plano de fazer uma fábrica de hemoderivados no Butantan, com acordo de transferência de tecnologia, antes da minha gestão. Mesmo hoje, três anos depois, a fábrica ainda não foi completada."

Alguns centros fabris já são habilitados para envase e rotulagem, mas a produção em si, que inclui culturas em células de vírus ou bactérias, necessita instalações especiais. Para a Coronavac, o Butantan deve usar o espaço preexistente da fábrica de hemoderivados.

Além de uma nova tecnologia, outra vantagem das PDPs é ampliar a demanda e diminuir os custos, uma vez que prevê a renegociação dos preços unitários das doses. Em poucos anos, o governo pode passar a comprar apenas do laboratório nacional, sem precisar importar.

Na prática, porém, isso não acontece. Mesmo após a incorporação da vacina da gripe, o preço unitário da dose passou de R$ 8,44, em 2014, para R$ 15,12 em 2020. Em 2018, o MS contratou 60 milhões de doses da vacina, sendo 55 milhões produzidas no instituto e outras 5 milhões importadas, ao custo adicional de R$ 47,6 milhões.

Essa e outras questões levaram o Tribunal de Contas da União (TCU) a realizar, em 2014, uma auditoria em três fábricas de vacinas: Butantan, Bio-Manguinhos e Fundação Ezequiel Dias (Fiocruz de MG).

Segundo o TCU, o MS não realiza uma pesquisa das vacinas em desenvolvimento no país antes de firmar as PDPs e os reajustes de preços não ocorrem.

A assessoria de imprensa do Instituto Butantan informou que os valores dos contratos firmados com o MS são definidos em comum acordo e que "as definições, tanto de volumes quanto valores de doses, são renegociados anualmente, de acordo com as necessidades do próprio MS".

Dessa forma, muitas PDPs (incluindo para medicamentos) não são aceitas. Os projetos são apresentados primeiro à Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS), para avaliar se a incorporação da tecnologia é válida, e aos órgãos de controle, que verificam a transparência no valor investido.

"Seguindo as leis de compra com verba pública no país, investir em tecnologia que não existe é extremamente arriscado. Por isso, o governo apresenta à Corregedoria Geral da União e ao TCU quais serão os ganhos do Brasil com aquela tecnologia. É um investimento em algo que não existe ainda", explica Elize Massard da Fonseca, pesquisadora da Escola de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas que analisa transferências de tecnologia no país.

Originalmente, as PDPs foram criadas para absorver as tecnologias desenvolvidas fora do país e têm o mérito de diminuir os gastos com políticas de saúde pública. "Sem as PDPs, não compraríamos as vacinas e medicamentos ao preço que compramos. O Brasil é o único país da América Latina com capacidade de absorver essa produção em larga escala."

Em relação aos prazos para transferência de tecnologia, o instituto informou que as PDPs das vacinas do HPV, dTPA (difteria, tétano e pertussis acelular) e hepatite A, mantidas pela pasta, tiveram prazo de vigência, inicialmente de 5 anos, ampliados para 10 anos para finalização dos processos pelos laboratórios envolvidos.

No caso da vacina da Oxford, o acordo de transferência de tecnologia tem três pilares: "a adequação da fábrica, o controle de qualidade e a incorporação da tecnologia de vetor viral não replicante, algo inédito no país", diz Fonseca. A vacina é feita a partir de um adenovírus de chimpanzé, o ChAdOx1, modificado e inativado.

O Instituto Butantan não divulga o acordo feito com a Sinovac; apenas diz se tratar de uma vacina de vírus inativado, uma tecnologia que o instituto já domina há anos.

Em nota, o ministério da Saúde negou compromisso para compra de vacinas da Coronavac e reafirmou ter um protocolo de intenções para compra de uma possível vacina brasileira com o Instituto Butantan.

Recentemente, o governo da Rússia anunciou aguardar registro da Sputnik V no Brasil em dezembro. O país russo tem acordos com o governo da Bahia e do Paraná para produção da vacina no país. A vacina russa não está, até agora, no cronograma divulgado pelo Ministério da Saúde na última quarta-feira (14).

Contra 2ª onda, toque de recolher é cogitado pela Espanha e ampliado na França
Foto: Ilustrativa/Paula Fróes/GOVBA

Países da Europa seguem adotando medidas para tentar frear a segunda onda de infecção da Covid-19. A França implementou um toque de recolher noturno nas principais cidades do país e a medida será ampliada no sábado (26). De acordo com o G1, 46 milhões de pessoas serão afetadas. O número representa dois terços da população francesa. O anúncio foi feito pelo primeiro-ministro, Jean Castex, nesta quinta-feira (22).

 

O toque de recolher obriga os franceses a ficarem em casa entre 21h às 6h. O anúncio da ampliação aconteceu depois que o país se tornou o sétimo a ultrapassar um milhão de casos da Covid.

 

Durante o discurso do primeiro-ministro, ele reconheceu que "as semanas que virão serão duras".

 

O continente enfrenta o medo pelo crescimento de casos da doença. Alemanha e Itália bateram recordes diários de novos casos da Covid-19, e a Espanha também superou a marca de um milhão de casos.

 

O ministro da Saúde espanhol, Salvador Illa, também fez uma declaração nesta quinta. Ele reconheceu que o país precisa de medidas drásticas para combater a pandemia e cogita novas restrições, inclusive toques de recolher, traz reportagem do G1.

 

"A segunda onda é uma realidade. Em muitas áreas do nosso país, a epidemia está fora de controle", disse Illa a uma rádio. "Insisto que temos que adotar medidas drásticas".

Covid-19: Suspeita de irregularidade em contrato para testes é apontada pelo TCU
Foto: Agência Gazeta / Agência Brasil

Um contrato firmado pelo Ministério da Saúde em mais de R$ 133 milhões para compra de 10 milhões de kits de insumos para testes de Covid-19 está sob suspeita de irregularidades. Segundo informações da Diretoria de Integridade (Dinteg) do ministério, passadas ao Tribunal de Contas da União (TCU).

 

"Chamou a atenção, ao longo do processo de aquisição, as diversas alterações na especificação do objeto a ser contratado, o que provocou diversas idas e vindas do projeto básico", explica um relatório do TCU enviado ao portal UOL. "[Isso] evidencia a falta de planejamento e coordenação por parte do Ministério da Saúde para a aquisição". 

 

O documento é resultado da fiscalização periódica das medidas governamentais para a pandemia da Covid-19. Os kits da negociação contém conjuntos para análise e extração de RNA viral de fluidos corporais, colunas de centrifugação, tubos de coleta e outros insumos. Ainda segundo o UOL, os itens foram vendidos pela Thermo Fisher, representada no Brasil pela Life Technologies, por R$ 31,32 a unidade, totalizando R$ 133,32 milhões.

 

O contrato foi assinado em 21 de agosto e tem vigência de seis meses, com possibilidade de prorrogação. O TCU aponta que a irregularidade seria que a ACTMED, empresa que ficou em segundo lugar com uma proposta de R$ 25,95 por kit, apresentou pedido de reconsideração da escolha pela Thermo Fisher, mas não foi escolhida. A ACTMED alega que as mudanças no projeto básico favoreceram a Thermo Fisher e pediu que o processo fosse revisto. A solicitação foi inserida no sistema do ministério para tramitação de processos, mas não no SIN, onde o contrato com a empresa vencedora estava sendo executado normalmente.

 

"Conforme explanado por um dos integrantes da Dinteg, a partir da documentação relacionada à contratação, é possível verificar a existência de indícios de irregularidades na contratação", aponta o TCU. Além disso, o órgão afirma que não há evidências no processo de compra que demonstrem qualquer articulação entre o Ministério da Saúde e os demais entes da federação, tanto para levantamento da necessidade de testagem quanto para verificação de contratações semelhantes feitas pelos estados e municípios.

 

"A dúvida quanto ao quantitativo necessário de insumos para testes a ser adquirido pelo Ministério confirma o que a equipe do acompanhamento vem relatando sobre a falta de planejamento nas ações de enfrentamento à covid-19, a ausência de articulação com os gestores estaduais e municipais e, mais recentemente, sobre a indefinição em relação à política de testagem", conclui.

 

O TCU não descarta entrar com representação contra a pasta, "se assim os desdobramentos exigirem". Por enquanto, cabe ao Ministério da Saúde tomar providências. De acordo com o TCU, o órgão já avalia receber apenas a primeira parte dos kits, com 3 milhões de unidades, e anular o contrato depois.

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