Terça, 27 de Junho de 2017 - 10:53

Temer está a descer a ladeira

por Samuel Celestino

Temer está a descer a ladeira
Foto: Lula Marques/ Agência PT

A cada dia e a cada momento a situação do presidente Michel Temer está a se deteriorar. A tendência, a partir da denúncia do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, é que outras virão, e em sequência. O presidente está sem saída. Logo, logo ficará aprisionado no Palácio do Planalto, com os seus ministros em reuniões consecutivas, sem saber para que lado tomar. É uma situação de extrema dificuldade e já passa a ser considerado como o pior mandatário que se tem conhecimento na República, pelo menos nos últimos 30, 40 anos. Ademais, Temer passou à condição de corrupto a partir das denúncias de Janot, o que já era esperado, diante dos acordos por ele feitos com Joesley Batista que, praticamente, o deixou sem saída, embora agora ele pretenda dar o troco ao procurador-geral. Poderá ocorrer, mas as possibilidades de o presidente ganhar a sua guerra é muito improvável. Janot sabia exatamente o que estava a fazer. E era da sua obrigação fazê-lo, até porque é uma das suas muitas obrigações que o colocam no comando da Procuradoria. O fato é que Temer despenca em popularidade, praticamente, já inexistente, ou se tornou um fiasco. O certo é que o país está a despencar enquanto o segmento político é um desastre, tanto em relação à Câmara como ao Senado. O que melhor há na República, pelo menos até aqui, é o Supremo Tribunal Federal, embora alguns dos seus ministros – um ou dois – não parecem ser bem visto.

Quarta, 31 de Maio de 2017 - 10:32

A ponte Salvador-Itaparica

por Samuel Celestino

A ponte Salvador-Itaparica
Foto: Reprodução/ Flavio Luiz

Partiu da cabeça do então secretário de Planejamento do governo Jaques Wagner, Walter Pinheiro, mas adotada pelo vice-governador João Leão, a história da ponte Salvador-Itaparica que, até agora, continua na cabeça dos governantes e provavelmente não sairá dela. Trata-se de um sonho com o envolvimento dos chineses que aportaram em Salvador a pretexto de realizar negócios com o governo do Estado, o que poderá vir a acontecer mas, até o momento, eles, os chineses, continuam sem qualquer perspectiva. É muito provável que o governador Rui Costa não esteja a imaginar os tais negócios que estão exclusivamente, nos sonhos do vice João Leão, único baiano que, pelo que se sabe, sonha com a tal ponte Salvador-Itaparica. Até porque ele, por natureza, é um sonhador. Na verdade trata-se de um personagem curioso, que a todos chama de “Bonitão”, seja lá quem for. Na semana retrasada uma comitiva de chineses chegou Salvador e pediu pauta para serem recebidos pelo governador do Estado, o que ocorreu. Seus interesses estavam vinculados na compra de hospitais, não mais do que isso, dentre os quais baianos. Em Portugal eles adquiriram diversos, e acompanhados também pelos portugueses estavam interessados em hospitais brasileiros de diversos estados federativos. Com o país atravessando sérios problemas econômicos e políticos, certamente os chineses retornaram ao seu país de origem, pois não é momento de aportar recursos no Brasil. É do conhecimento que a China está em plena ascensão e provavelmente ultrapassará os Estados Unidos, embora seja um país pobre com um bilhão e 200 milhões de habitantes, pelo que se sabe. Retornando ao sonho de João Leão sugere-se que ele aborte a tal ponte Salvador –Itaparica porque custará cerca de R$ 8 bilhões, senão muito mais. O sonho de “Bonitão” poderá se transformar num pesadelo. Nem o País tem dinheiro para bancar e muito menos o governo da Bahia.

Terça, 30 de Maio de 2017 - 12:02

Para Temer, é 'plano B' ou nenhum

por Samuel Celestino

Para Temer, é 'plano B' ou nenhum
Foto: Lula Marques/ Agência PT

Com o PSDB fechado em São Paulo para favorecer Michel Temer e o PMDB também o acompanhado, com exceção de Renan Calheiros que anda as turras com o presidente, é possível que as dificuldades que o empurram para a sarjeta estariam no momento  em visível processo de melhora. Seja como for, isso não significa, porém, que Temer esteja a salvo. Ainda está longe desta possibilidade. Terá que esperar o que virá pela frente no dia 6 de junho, quando Dilma Rousseff e o presidente estarão no aguardo do que acontecerá em relação a ambos. Diante da crise política que o País atravessa e as reformas que, por ora, foram deixadas de lado, ameaçadas que são pelo Congresso. Na reunião de ontem com empresários em SP, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, deu um sinal para Temer, ao discursar, e afirmou que retomará a análise das reformas, principalmente a da Previdência. É sem dúvida nenhuma uma luz para o presidente. Maia está à frente com o principal nome que o sustenta e, ao lado dele está o presidente do Senado, Eunício Oliveira. Como há diversos processos de impeachment que atordoam Temer, dentre os quais o principal deles foi encaminhado pela OAB. Assim, o que virá acontecer passa a ser uma incógnita. Ademais, há muitas manifestações populares nas ruas do País, inclusive aqui em Salvador, além de em diversos estados federativos, o que demonstra a imagem impopular do presidente.  Volto a usar a palavra incógnita. O que poderá vir pela frente é inimaginável, embora Temer tenha dito em São Paulo que o Brasil não tem  “plano b”. Assim sendo, é “plano b” ou nenhum.

Quarta, 24 de Maio de 2017 - 10:55

Aguarda-se decisão da chapa Dilma-Temer

por Samuel Celestino

Aguarda-se decisão da chapa Dilma-Temer
Foto: Lula Marques/ Agência PT

Como o presidente Michel Temer parece estar sem saída diante da crise gerada que envolve o país de ponta a ponta - uma das piores que se tem notícia - a mídia sulista passa a entender as dificuldades do peemedebista e aguarda o que poderá ocorrer no próximo dia 6 de junho, a partir da decisão do TSE. Nesta data imagina-se que haverá a cassação da chapa Dilma-Temer. Se assim for, poderá ser “ofertada” uma saída para o presidente. Como Temer por duas vezes, em discurso, afirmou que não renunciaria, passa a ter aberta uma perspectiva para que possa deixar o cargo, lançando sobre Dilma a responsabilidade da sua possível queda. Está claro que o presidente tem culpa no cartório. Foi ele quem indicou o deputado, ora afastado, Rodrigo Rocha Loures, integrante do PMDB-PR, para ser um receptor de propinas até onde se sabe. Informa-se também que Temer teria pedido algo em torno de R$ 15 milhões em caixa 2 e, desse total, teria ficado com R$ 1 milhão, embora negue. O presidente jamais foi santo. Nos últimos tempos surgiram informações de negociações por ele feitas, inclusive com a presença de Eduardo Cunha, antes de assumir a presidência da Câmara, da qual desmoronou e está a cumprir pena. O fato é que a base aliada não acredita que o presidente possa manter-se no cargo. A solução, ainda de acordo com a mídia nacional, considera que para sanar a crise institucional, a saída está justamente na cassação da chapa. Se esta decisão ocorrer, Temer poderia ficar a salvo e responsabilizaria Dilma, como foi dito a acima. O presidente, já fora do cargo, certamente passaria a ficar aliviado e teria cumprido a sua decisão de não renunciar. Pelo menos isso. 

Terça, 23 de Maio de 2017 - 11:12

Temer procura saídas difíceis

por Samuel Celestino

Temer procura saídas difíceis
Foto: Lula Marques/ Agência PT

Há uma indefinição do que poderá vir acontecer com o presidente Michel Temer. Se cairá ou não do cargo que ocupa, ou se permanecerá nesta semana decisiva para ele como se estivesse numa corda bamba, o que é mais provável. Temer perde aliados e tenta recuperá-los para manter a sua base de apoio. Não se sabe, é difícil presumir qual será o caminho que tomará. Como, nos seus dois últimos discursos ele afirmou e reafirmou que não renunciaria, agora procura saídas para se manter na presidência da República. Ficará a cargo do tempo. Está na dependência do que ocorrerá nos próximos dias. São muitas as suas preocupações. Tem feito constantemente reuniões com a base que ainda mantém, o que dependerá de decisões importantíssimas, inclusive e principalmente do impeachment que a OAB está à frente. Durante toda esta semana o governo pretende encaminhar projetos para a Câmara, que já estavam previstos, esperando que venham ser aprovadas. Será a primeira provação para o presidente. Se os projetos passarem, para ele será um alívio. Se não acontecer o que espera, dificilmente terá condições de permanecer no cargo. Portanto, trata-se de uma semana decisiva. As dúvidas são muitas. O fato é que o País está engolfado na pior crise que se tem notícia e não se sabe como terminará. O presidente encaminhava o seu governo aguardando o segundo semestre na esperança de haver melhoras. Entramos, portanto, num vazio inesperado e já não se sabe como o Brasil retomará o seu caminho. Se ultrapassar esta complicada crise será uma vitória. De quem, ninguém sabe.

Quinta, 18 de Maio de 2017 - 10:56

Temer, Aécio e os dois irmãos

por Samuel Celestino

Temer, Aécio e os dois irmãos
Foto: Istoé Dinheiro

Quando se imaginava que, afinal, o país estava no caminho certo, a partir dos resultados da economia, de repente estamos novamente a descer a ladeira e voltamos a ser notícia internacional. O que irá ocorrer nos próximos dias será uma incógnita, dessas absolutamente imprevisíveis. A República passa a estar de ponta-cabeça; e à frente dela, o presidente Michel Temer, responsável pelos acontecimentos que inundaram o país no início da noite desta quarta-feira (17). Como admitir que, de repente, voltamos à estaca zero? Pensávamos que o Brasil afinal tinha achado o seu caminho e iríamos, já no segundo semestre, encontrar o que se perdeu a partir de 2014, talvez três meses antes. O que aconteceu na noite de ontem, em torno das 19 horas, foi um baque monumental para a República, jogando por terra tudo o que se tinha prometido para a recuperação da economia e, principalmente, para os trabalhadores de modo geral, carentes de emprego. Tramava-se no breu das tocas corrupções desenfreadas para massacrar a República, à frente da qual estava o presidente Michel Temer: Aécio Neves a pedir dinheiro – R$ 2 milhões de reais – ao dono da JBS, Joesley Batista, que denunciou não somente a ele, mas também a Temer e, por incrível que possa parecer, também a Eduardo Cunha, que recebeu dinheiro mesmo estando na prisão. E muita gente mais. Os dois irmãos, Joesley e Wesley, estão se preparando para pedir permanência nos Estados Unidos na condição de asilados políticos. Pelo que se acredita, estão preocupados. Foram eles que fizeram as delações e, certamente, têm medo de encontrarem dificuldades ao retornarem ao Brasil, além de problemas sérios, inclusive serem assassinados. Foram eles que entregaram o senador Aécio e, principalmente, Temer, que já não tem como permanecer no cargo que ocupa. Não tem mais crédito. A sua reforma da Previdência desandou. Se já era difícil, não há para onde ir. Enfim, Temer vivencia – é uma presunção – que já não tem mais onde ficar. Sua Presidência é incerta e se já era impopular, provavelmente terá que entregar o cargo. 

Terça, 09 de Maio de 2017 - 11:18

Quarta-feira aguardada entre Lula e Moro

por Samuel Celestino

Quarta-feira aguardada entre Lula e Moro
Foto: Charge do Paixão/ Gazeta do Povo

Nesta quarta-feira (10) haverá o esperado confronto entre Lula e o juiz Sérgio Moro, se é que acontecerá porque os advogados do ex-presidente pretendem adiar o processo no entendimento de que não houve tempo para apreciar a farta documentação constituída de 100 mil páginas. Trata-se, na verdade, de um jogo de cena que não deverá, supõe-se, ser acatado pela Justiça, pelo menos é o que se espera. Lula atravessa no momento uma fase de intensa intranquilidade que poderá leva-lo à prisão, mais tempo, menos tempo. Há, em torno dele, uma enxurrada de denúncias oriundas da Odebrecht e do ex-presidente da OAS, Leo Pinheiro, que nos últimos dias passou a dar informações ao comandante da Lava-Jato, Sérgio Moro. Entre as denúncias de Pinheiro está a delação segundo a qual Lula é o real proprietário do tríplex de Guarujá, além de outras denúncias muito mais fortes, que colocam o ex-presidente na berlinda, como o maior responsável pelos delitos cometidos à frente do seu partido, o PT. Dessa forma, ficarão frente a frente nesta quarta-feira Moro e o ex-presidente, com o País voltado para o que irá acontecer em Curitiba. É possível que possam ocorrer conflitos, mas não é esperado, diante dos pedidos feitos pelo juiz Sérgio Moro, através da televisão, por não haver a menor necessidade de deslocamento para o Paraná. Como Lula é um líder, os seus seguidores já avisaram que irão, a partir de vários Estados, na direção a Curitiba. Bem, o fato é que esta quarta-feira é aguardada com expectativa. É a primeira vez que Lula e Moro se encontrarão.

Quarta, 03 de Maio de 2017 - 11:16

Dirceu tem liberdade mas pode voltar

por Samuel Celestino

Dirceu tem liberdade mas pode voltar
Foto: Ed Ferreira/ EBC

Um dos fundadores do PT, José Dirceu passou a ser, no primeiro governo de Lula, um dos homens mais requisitados pelo então presidente, participando do seu governo como uma espécie de homem forte como ministro Chefe da Casa Civil. Diante do esquema do mensalão, sem outra alternativa se afastou do governo, mas nem por isso ficou à deriva. Ele continuou mandando no governo Lula. Permaneceu como o homem forte que sempre foi, e passou a ganhar muito dinheiro com tramoias na qual se especializou a partir de negociatas. Pouco a pouco se tornou rico até acontecer a Lava Jato, em 2014, que o levou à prisão em 2015 e lá ficou até que ontem quando no início da noite foi libertado pelos votos dos ministros do Supremo, Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski e Gilmar Mendes. Com votos contrários dos ministros Edson Fachin e Celso de Mello. Verifica-se - pelo menos tem acontecido nas duas últimas semanas - que o Supremo tem mudado as suas posições, agora favoráveis à libertação dos que estão presos. O principal deles foi justamente José Dirceu o que não era esperado e sequer se imaginava. Observa-se que existem posições dentro do Supremo e é natural que isso aconteça porque os ministros têm a sua forma de pensar e cada um vota acompanhando a sua decisão e a sua consciência. A Segunda Turma do STF foi a que determinou a soltura de Dirceu, mas poderá acontecer que a liberdade do réu poderá determinar uma nova condenação. Além do mais, ainda compete a um tribunal de segunda instância manter ou não a sua liberdade. Dirceu tem no momento duas sentenças que, no conjunto, representam 32 anos de prisão que poderão se tornar maior ou menor, a depender do que vier pela frente.

Terça, 25 de Abril de 2017 - 11:06

O sistema político virou bagaço

por Samuel Celestino

O sistema político virou bagaço
Foto: Agência Brasil

Numa sequência de frases nesta terça-feira (25), Lula, que atravessa uma fase de muitas dificuldades, disse que não se preocupa com uma eventual delação do ex-ministro Antônio Palocci e rebateu: “Se ele cometeu algum erro, só ele sabe. Se ele cometeu delitos, só ele sabe. Se ele vai fazer delação contra mim, não me preocupa”. O ex-presidente deveria se preocupar, mas faz de conta que não. Isso porque o seu momento atual é visto como o pior da sua carreira política. Palocci, na sua última delação diante do juiz Sérgio Moro, pediu um adendo ao magistrado para afirmar que estava à disposição para relatar o que é do seu conhecimento, senão a ele, mas a quem determinasse. Enfim, estava à sua disposição em qualquer momento que Moro assim desejasse. Palocci transformou-se numa espécie de “homem bomba” que poderá vir a sacudir a República. Na sua situação nada tem a perder e faz questão de falar para diminuir a sua condenação. Já Lula – até os petistas assim entendem – poderá vir a ser preso dentro, supõe-se, de quatro meses. O PT não tem nomes que possam substituí-lo e, se acontecer o que parece previsível, a tendência do partido é entrar em processo de decadência, o que possivelmente será também o caminho do PSDB e do PMDB. Os três principais partidos do país foram marcados por delatores da Odebrecht e foi a partir destas denúncias que o ambiente partidário ganhou uma dimensão inesperada com corrupção desenfreada em todos os sentidos. O sistema político está em processo de decomposição, incluindo os principais nomes da República.

Quinta, 20 de Abril de 2017 - 10:31

Odebrecht mandava na República

por Samuel Celestino

Odebrecht mandava na República
Foto: Ricardo Stuckert / Instituto Lula

Chega a ser um absurdo o que agora se revela através da Uol. As propinas oriundas da Odebrecht teriam ultrapassado o Produto Interno Bruto (PIB) de nada menos do que 33 países. Naturalmente países menores, mas, por aí se vê a força da empreiteira entre os anos 2006 a 2014 quando teria derramado R$ 10,6 bilhões, exclusivamente para os políticos corruptos. A estrutura da Odebrecht vai muito além do que se imaginava. Todos esses valores que os políticos deles se locupletaram estavam distantes do conhecimento público e seguramente somente os partidos políticos, principalmente seus líderes, tinham informações concretas do que acontecia na calada da noite, ou do dia. Por aí se tem uma diminuta noção de como os inúmeros partidos políticos da República se enriqueciam a larga por baixo do pano. As empreiteiras, principalmente a Odebrecht, mandavam no país com conhecimento (supõe-se) de Lula, que recebia da empreiteira nada menos do que 200 milhões de dólares para fazer conferências nos países latino-americanos, do Caribe e da África, onde a empresa realizava negócios. Os 33 países listados acima estão de acordo com os dados do FMI. São países pequenos, muitos deles sem que haja conhecimento da maioria da população do planeta. De volta a Uol, o valor em dólar, excetuando os R$ 10,6 bilhões, ficou em torno de R$ 3,37 bilhões. Quem levou esses dados ao conhecimento foi o delator baiano Hilberto Mascarenhas, encarregado de realizar os pagamentos da empreiteira.

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