Projeto oferece assistência gratuita a vítimas de violência doméstica de baixa renda
Arte: Instagram / Projeto Por todas nós

Ao tomar conhecimento do aumento dos casos de violência doméstica em meio à pandemia do novo coronavírus, um grupo de profissionais desenvolveu uma rede de assistência gratuita às vítimas de baixa renda na Bahia. Se trata do projeto multidisciplinar “Por todas nós”, criado pela advogada Naiaringred Helena Ribas, de Cruz das Almas.

 

"Eu já trabalhava no meu escritório de forma gratuita para mulheres vítimas de agressão que não tinham como pagar pelo serviço. Então, com o aumento no número de casos de agressão contra a mulher, me senti na obrigação de ajudar", afirma Nairingred, em entrevista ao Bahia Notícias, na manhã desta sexta-feira (10).

 

No segundo mês da quarentena, por exemplo, um período de 16 de março a 16 de abril, a Secretaria de Segurança Pública do Estado (SSP-BA) registrou queda nos registros de crimes de ameaça, estupros, injúrias e lesões corporais contra mulheres. No entanto, com o funcionamento das delegacias alterado, muitas vítimas vinham enfrentando dificuldades para realizar as denúncias, o que levanta suspeita de subnotificação. Ao mesmo tempo, de janeiro a maio, a SSP-BA observou um aumento nos casos de feminicídio em relação com o mesmo período do ano passado (saiba mais aqui). 

 

Foi com base em informações como essa que Naiaringred decidiu convidar algumas colegas para tocar o projeto. Em seguida, com a divulgação da página no Instagram, profissionais de outras áreas se voluntariaram para colaborar e, atualmente, 30 mulheres apoiam a causa, entre psicólogas, assistentes sociais e bacharéis em Direito.

 

Com pouco mais de um mês em atividade, elas atenderam 19 vítimas de violência doméstica, a maioria em Vitória da Conquista e em Salvador.

 

"Quando a vítima entra em contato com a gente, verificamos o tipo de violência sofrida e se já foi feito a denúncia. Caso tenha sido feita, continuamos no processo com os advogados. Caso não tenha sido, nós acompanhamos a vítima até a delegacia, fazemos o boletim e cuidamos do resto do processo. Em todos os casos, perguntamos se elas querem o acompanhamento psicológico e social", explica a idealizadora.

 

Se a vítima aceitar a oferta, psicóloga e assistentes sociais a atenderão juntas, a fim de evitar que ela precise repetir os relatos de agressão várias vezes. Na sequência, são marcadas as consultas individuais.

 

Como forma de atender as recomendações de distanciamento social, no momento, esses encontros têm acontecido virtualmente. Mas o plano é de que o projeto continue mesmo no pós-pandemia, com atividades presenciais. As mulheres interessadas no serviço, podem contactar o projeto através da página no Instagram (@projeto_portodasnos) ou do WhatsApp (75 98246-9406).

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