Estudante é agredido por segurança na Rodoviária de Salvador; fiscais são afastados
Foto: Reprodução / Instagram @marcolinopoeta

O estudante Vinícius Vieira, também conhecido como Marcolino Poeta, foi agredido por pelo menos um segurança do Terminal Rodoviário de Salvador, na madrugada dessa quarta-feira (17). O momento foi registrado em vídeo por ele e publicado em suas redes sociais.

 

Pelas imagens, inclusive, é possível ver um fiscal tentando impedir sua gravação enquanto ele diz que está aguardando o horário de seu ônibus — o jovem relata que pretendia viajar para São Francisco do Conde, onde fica o campus da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab) na Bahia.

 

Ao longo do vídeo, Marcolino repete que é estudante universitário e anuncia que vai chamar a polícia. Enquanto isso, é possível ouvir o fiscal dizer no rádio que o rapaz "rodou três vezes o local", a fim de explicar a motivação de sua abordagem. Depois disso, as imagens (conteúdo sensível abaixo) mostram que outros dois homens se juntaram ao segurança para tentar expulsar Marcolino da rodoviária. 

 

"Começaram a me agredir do nada", ressalta a vítima. "Estou aqui aguardando o horário do meu ônibus como qualquer cidadão baiano que paga seus impostos e compra sua passagem", acrescenta. 

 

Posteriormente, em uma postagem no Facebook, Marcolino deu outros detalhes sobre a situação. Ele conta que os fiscais alegaram tê-lo agredido por desconfiarem que ele seria "um infrator". "Um dos fiscais com o sobrenome Santos me puxou violentamente da cadeira que eu pacificamente estava sentado, aguardando meu ônibus. Liguei para a Polícia Militar, que se negou à condução dos envolvidos para a delegacia sob a alegação de que não havia plantão e que o fato não seria flagrante delito", explica. 

 

Ainda assim, ele ressalta que seguiu para realizar um exame de corpo de delito, já que ficou com os braços machucados após os puxões e apertos.

 

O Bahia Notícias tentou contato direto com Marcolino para ouvir mais detalhes sobre o caso, mas não obteve retorno até a publicação desta nota. Na mesma rede social, ele escreveu que precisa de um tempo para se recuperar, com o apoio de amigos da Unilab e de seu coletivo. "Isso vai me fazer parar de chorar todas as vezes que eu lembrar da causa da vermelhidão, o ardor e as dores que estou sentindo em meus braços", desabafa.

 

Ao analisar o caso, Marcolino afirma que a agressão "não é da natureza" dos seguranças. "Há uma explicação lógica, social que eu e quem mais estuda as relações humanas sabe que a empresa que administra a rodoviária de Salvador, por orientar esse tipo de ação, tem também responsabilidade jurídica tanto quanto também esses vários fiscais que avançaram sobre mim. Terceiro, se eu disser que estou bem após ser violentado gratuitamente, passar horas na delegacia, outras horas no IML [Instituto Médico Legal] fazendo corpo de delito com a solidariedade de meu irmão Marcos Musse e entrar com medo na rodoviária agora à noite, precisando que dois outros homens, irmãos meus de Salvador, fossem comigo em escolta até eu entrar no ônibus onde escrevo agora em segurança, eu estaria mentindo", detalha.

 

Procurada pelo BN, a Sinart, concessionária responsável por administrar a rodoviária, disse que "todos os colaboradores encontram-se afastados enquanto são apurados os detalhes da ocorrência". Enquanto isso, "outros colaboradores da área de fiscalização" assumiram a função. A empresa afirma que, no Diálogo Diário de Serviço (DDS), eles abordam temas como presteza, atenção, cortesia e equilíbrio no atendimento aos usuários.

 

"A empresa preza pela humanização do atendimento e respeito a todos usuários, não compactua e repudia quaisquer atitudes de violência e/ou preconceito, seja verbal ou físico", defende em nota.

 

A resposta segue a linha do posicionamento divulgado pela Agerba, responsável por fiscalizar o gerenciamento do espaço. Também em nota, o órgão informou que sua Diretoria de Fiscalização está apurando o caso e já determinou o afastamento e punição cabível dos funcionários envolvidos. "A Agerba repudia atos de abuso, violência e mau atendimento por parte dos funcionários de empresas concessionadas em todos os serviços públicos de transportes prestados no Estado", ressalta.

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