Wagner questiona se Moro vê sensacionalismo em divulgação de grampo de Dilma e Lula
Foto: Reprodução / TV Senado

O senador Jaques Wagner questionou nesta quarta-feira (19) se o ministro Sergio Moro (Justiça e Segurança Pública) considera sensacionalismo a divulgação das conversas entre os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rouseff, quando ele ainda era juiz na Lava Jato, em Curitiba. O parlamentar pegou o gancho das críticas que Moro fez ao site The Intercept Brasil ao divulgar suas conversas com o coordenador da força-tarefa da operação, Deltan Dallagnol, cuja veiculação foi tachada pelo ministro como “sensacionalista”.

“Eu quero insistir, porque já que vossa excelência fala tanto em sensacionalismo: foi uma medida sensacionalista divulgar as conversas grampeadas da presidente da República Dilma Rouseff? É sensacionalismo, praticamente, colocar no pelourinho a dignidade de pessoas que deveria ser mantido o sigilo, que, muitas vezes, acabam sendo praticamente julgadas a público?”, afirmou Wagner.

Moro se esquivou sobre as indagações do senador baiano, e colocou em xeque os propósitos do site em divulgar as conversas com Dallagnol. “Não vou criticar pessoalmente o site ou o jornalista. Ele acredita estar fazendo o trabalho dele. Sou contra essas ameaças que foram veiculadas aparentemente ao companheiro dele. Mas que há uma divulgação sensacionalista e, muitas vezes, dissociada do texto das supostas mensagens, isso me parece para lá de evidente, o que coloca em questionamento quais são os propósitos deste tipo de divulgação”, rebateu, dizendo que a veiculação gerou “uma repercussão indevida, e os fatos e o tempo estão colocando as coisas no devido lugar”.

Para Wagner, ainda, há uma tentativa de Moro no caso de desqualificar o jornalismo investigativo feito pelo site. “O ministro insiste o tempo todo em desqualificar o site e chama-lo de sensacionalista. Só queria lembrar que o site e os jornalistas já ganharam aquilo que se chama o Oscar do Jornalismo com a revelação dos Wikileaks”, relembrou. "O Watergate aconteceu com base em jornalismo investigativo. Então, não me parece que combater é desqualificar. A melhor forma é responder aquilo que até agora está revelado. Não sei se até agora é o total”, acrescentou.

Por fim, o senador perguntou se, por conta de possíveis investigações, Moro renunciaria ao cargo no ministério. Para Wagner, não seria razoável um ministro ser investigado por policiais hierarquicamente inferiores. “Vossa excelência pensa na hipótese de pedir renúncia do cargo ou afastamento para não interferir no julgamento? Porque, se for aberta uma investigação pelo CNJ ou STF, será a PF que terá que fazê-la, e não vai me parecer razoável que aquele que passará a ser investigado continue comandado a Polícia Judiciária Federal”, declarou.  

Em resposta, Moro afirmou “não ter apego pelo cargo”. “Que se apresente tudo. Vamos submeter isso ao escrutínio público e, se houver irregularidade de minha parte, eu saio. Mas não houve. Por quê? Porque sempre agi com base na lei e de maneira imparcial”, garantiu.

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