Quinta, 11 de Outubro de 2018 - 11:00

Lore Improta diz que se incomodava em dançar músicas 'pesadas' na frente de crianças

por Júnior Moreira Bordalo / Ian Meneses

Lore Improta diz que se incomodava em dançar músicas 'pesadas' na frente de crianças
Lore Improta. Percebendo que em seus trabalhos o público infantil se faz presente e compreendendo que elas precisam de um entretenimento compatível com as suas idades, Lore fez o seguinte questionamento: “O que eu posso levar de novo para elas?”.Criar o espetáculo “O Fantástico Mundo da Lore”, o qual conta a sua história por meio de sua descoberta no mundo da dança, fez com o que a loira resolvesse um problema que lhe deixava desconfortável enquanto se apresentava em projetos anteriores: “Eu não conseguia nem dançar direito porque tinha muitas criancinhas na minha frente, às vezes a letra da música é muito pesada, então para ter crianças assistindo aquilo ali me incomodava”. Foi então que há cerca de 8 ou 9 meses um novo projeto surgiu, mas Lore deixa claro de que não se trata de “um musical onde eu estou cantando”, apesar de ter gravado três músicas inéditas. Inspirada na dançarina e cantora Carla Perez, artista que ela sempre conviveu através do bloco infantil “Algodão Doce”, Improta tem o desejo de preencher “uma lacuna que as pessoas não estão conseguindo trazer novidades”.Apesar de estar feliz com “O Fantástico Mundo da Lore”, a dançarina sabe que críticas estão surgindo justamente “porque as pessoas não tem noção do que estamos preparando”. No entanto, ela garante que “pegará essas críticas como uma coisa construtiva para melhorar sempre”.

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Sexta, 14 de Setembro de 2018 - 11:00

Josenel Barreto 'diminuiu ritmo' após ficar doente por causa de rotina de trabalho

por Júnior Moreira / Ian Meneses

Josenel Barreto 'diminuiu ritmo' após ficar doente por causa de rotina de trabalho
No ar na Rádio Excelsior com o “Alô Excelsior”, o feirense Josenel Barreto começou o seu trabalho com a música através de apresentações como DJ nas boates. Além de ter construído a carreira como locutor, mesmo considerando a sua voz "diferenciada dos demais locutores”, Barreto trabalhou como empresário de cantores e grupos do Axé como Ricardo Chaves, Gera Samba e Terra Samba. O contato com esse ambiente, no qual “todo mundo se conhecia e era um mercado de amizade”, fez com que ele tornasse uma espécie de "palpiteiro" das carreiras de diversos artistas do segmento. O dono do bordão "Mocinhas? Pirraça que eu gosto, vai!” criou em parceria e geriu alguns blocos da Folia de Momo como “Eu Vou” e “Gula Gula”. Hoje, no entanto, vê com preocupação o estado em que está o Carnaval de Salvador, com a diminuição dos blocos e o desgaste dos camarotes. Josenel acredita que “o Carnaval de 2019 vai depender muito da criatividade das pessoas”. Josenel conta que costumava viajar pelas rádios do sudeste para conhecer o novo que se fazia por lá e que “dormia e acordava respirando rádio”. Agora, prefere “não se preocupar de todo dia estar correndo atrás do sucesso que está aí”. Esse aprendizado surgiu depois de passar por “uma vida muito intensa”, ao ponto de ficar doente e ter que se afastar da rádio por quase 1 ano. Somado ao fato de ter sido DJ, empresário e ser locutor, Josenel teve uma experiência como vereador em Salvador. “Na época sentia que o mercado artístico precisava da política”. A convivência no meio, no entanto, lhe trouxe outro aprendizado que lhe fez interromper a sua carreira como parlamentar. Para ele, “política é para quem é político para quem sabe fazer político”.

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Quinta, 09 de Agosto de 2018 - 11:00

Ex-TV Bahia, Jefferson Beltrão fala dos telejornais locais: 'Sinto falta de notícias'

por Júnior Moreira

Ex-TV Bahia, Jefferson Beltrão fala dos telejornais locais: 'Sinto falta de notícias'
“Fiquei meio sem chão, já que estava na Rede Bahia há 27 anos. Porém, depois que aconteceu [a demissão] e eu pude me reencontrar posso dizer que foi a melhor coisa, pois expandi minha área de atuação. Hoje, tenho uma qualidade de vida melhor e dependo mais de mim”. Assim pensa Jefferson Beltrão, apesar de confessar que aceitaria trabalhar lá novamente. Há três anos, o jornalista passou por um momento delicado de sua vida – o desligamento da afiliada da Globo – e se reinventou. Para se ter uma ideia, atualmente ele é gestor, locutor e apresentador da rádio A Tarde FM, comanda um programa de entrevistas na TV Assembleia, promove e ministra cursos de oratórias e até virou empresário do ramo da papelaria. Atividades inviáveis, caso seguisse como editor-chefe e âncora do “BATV”. Jefferson começou a trabalhar com comunicação em 1978. Aos 16 anos, integrou o time da rádio Vanguarda de Varginha, em Minas Gerais. Na época, sua vontade era concluir o antigo segundo grau e fazer Odontologia. Perseguindo o desejo, mudou-se para o Rio de Janeiro em 1980, foi reprovado no vestibular para Odonto e acabou novamente em outra rádio. “No meio do ano, por influência, resolvi fazer Comunicação Social com Jornalismo e não saí mais. Estou até hoje. No Rio, passei por alguns sistemas de rádios, como a Eldorado, do sistema Globo, Ipanema, Capital e Fluminense”. Quatro anos depois, recebeu o convite da extinta Manchete para trabalhar em Salvador. Por aqui, passou pelo Correio da Bahia, TV Aratu, Itapoan, Globo FM e Salvador FM. “Já são 33 anos aqui e acabei fortalecendo um pouco mais a minha relação com a Bahia”. Na entrevista, Jefferson ainda avaliou os programas jornalísticos das emissoras locais e admitiu que "sente falta de notícias" em alguns deles.

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Sexta, 20 de Julho de 2018 - 12:00

‘Seduzida’ por novo formato, Smetak diz que ‘não queria ser peça de marketing' na Record

por Ian Meneses / Gabriel Rios

‘Seduzida’ por novo formato, Smetak diz que ‘não queria ser peça de marketing' na Record
Atual líder de audiência no programa Bahia no Ar, na Record TV Itapoan, Jéssica Smetak decidiu fazer Jornalismo "sem saber o que iria encontrar pela frente". Ela enfrentou os pais, que queriam que ela fizesse Direito ou Medicina, se formou e chegou à TVE, onde passou por um "susto" em uma das primeiras participações ao vivo que teve. Mas nem o imprevisto fez com que tivesse medo. Por isso, quando surgiu a oportunidade de trabalhar com produção na TV Bahia, não pensou duas vezes. Dedicada a aprender, Smetak ouviu quem já estava lá há mais tempo, observou os colegas e, quase por acaso, se tronou parte da equipe de reportagem. "Acabou surgindo uma pauta no dia que precisava de uma repórter. Eu tinha uma bagagem da TVE, que é um laboratório, pois você faz tudo. Então a pessoa que estava nesse dia para fazer essa pauta era Jéssica", lembrou. Foi com essa mesma vontade de aprender que Jéssica decidiu ir para a Record, após quase 5 anos na filiada da TV Globo: "Uma linguagem diferente, um projeto diferente, um jornalismo cidadão, tudo isso que a Record já faz e é reconhecida, além do fato de fazer um jornal sozinha. Foi bacana. Não teve como pensar duas vezes". A única coisa da qual Smetak fez questão foi garantir que não era apenas moeda de troca. O convite para assumir o Bahia no Ar veio após a antiga âncora do programa, Jéssica Senra, ser contratada pela TV Bahia. "Quando eu falei com Fábio Tucilho, eu disse: 'Fábio, por quê Jéssica? Eu não quero ser peça de jogo de marketing'. Mas ele disse: 'não. Eu escolhi você por ser jovem, por estar em ascensão, e porque eu sei que você tem potencial para abraçar esse formato diante de todos os outros profissionais de mercado que eu olhei'. Ele foi bem franco".

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Terça, 12 de Junho de 2018 - 11:00

Radialista e ex-vereador, Guerrilha lembra 'pior momento' no rádio e promessa após demissão

por Júnior Moreira / Pascoal de Oliveira

Radialista e ex-vereador, Guerrilha lembra 'pior momento' no rádio e promessa após demissão
Ouvir de um radialista a frase “eu não dispenso o meu radinho” não causa surpresa em ninguém. Principalmente se ela for dita por um comunicador apaixonado pela profissão como Leandro Guerrilha. Palestrante, cantor, batuqueiro, compositor de bloco, e até mesmo político, o radialista conversou com o Bahia Notícias sobre sua longa trajetória no rádio e apontou o que é preciso para atuar nesse meio de comunicação. “Eu descobri que não é só o talento, é estudo. É acompanhar pesquisa, conhecer o ouvinte que está do outro lado, quais são as palavras que ele está buscando e o que ele quer do rádio. Hoje é muito mais conteúdo do que somente música”. Com passagens por emissoras como “Nova Salvador”, “Tudo FM” e “Itapuã FM”, Guerrilha leva consigo o entendimento de que o papel do rádio não é ser sensacionalista ou tendencioso, mas sim objetivo e ajudar seus ouvintes. “Desde quando o rádio surgiu, ele tem duas funções: informar e fazer as pessoas sonharem”, explicou. Trabalhando também na Câmara Municipal de Salvador, o ex-vereador defendeu que seu "fazer político" não terminou com o fim do seu cargo. “Me sinto um agente político no rádio [...] Com ou sem mandato, você continua fazendo política”. Confira a entrevista completa: 

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Terça, 22 de Maio de 2018 - 11:00

'Locutora Mais Amada da Bahia', Adriana fala do futuro do rádio: ‘Não perde a majestade’

por Júnior Moreira / Pascoal de Oliveira

'Locutora Mais Amada da Bahia', Adriana fala do futuro do rádio: ‘Não perde a majestade’
Se a carreira da radialista Adriana Silva fosse resumida, provavelmente o documento não teria poucas páginas. Ao longo dos 22 anos de profissão, a apresentadora começou sua trajetória aos 16 anos e se tornou um dos principais nomes das rádios baianas. “Meu objetivo maior é chegar naquele ouvinte e conquistá-lo através da minha voz”, explicou a comunicadora, que se considera “uma verdadeira cigana” quando o assunto é rádio. Ao Bahia Notícias, a “Locutora Mais Amada da Bahia” – apelido dado pelo público e pelos colegas de trabalho – relembrou períodos marcantes da sua história, como quando perdeu a voz, e avaliou o futuro do seu campo de atuação: “Eu acho que o rádio nunca vai acabar. Ele é um veículo importantíssimo e, mesmo com todo avanço da tecnologia e das redes sociais, acho que o rádio ainda encanta”.

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Quinta, 05 de Abril de 2018 - 11:00

Jeffinho fala de amor pelo rádio e lembra terror ao levar tiro: 'Não posso ir agora'

por Júnior Moreira

Jeffinho fala de amor pelo rádio e lembra terror ao levar tiro: 'Não posso ir agora'
Com mais de 30 anos dedicados ao rádio, Jeferson Silva Oliveira, conhecido como Jeffinho Simpatia, é um dos comunicadores mais queridos do meio. Nascido e criado em Itabuna, iniciou na profissão em 1985 na Musical FM, ainda na cidade de origem. Dois anos depois, mudou-se para Salvador e conseguiu uma oportunidade na Piatã FM. De lá para cá, trabalhou na Morena FM, Bahia FM e, entre idas e vindas, está na Itapoan FM há 16 anos. O apelido, que é uma das suas grandes marcas, veio, como o nome sugere, da forma carinhosa com que interage com seus ouvintes, muitas vezes atribuída às mensagens do dia. “Gosto de ler uma frase de autoestima ou motivação, porque a gente já tem tanta notícia ruim no dia a dia que de manhã eu gosto de passar uma coisa positiva. As pessoas ligam o rádio para dar risada”, lembra em entrevista ao Bahia Notícias. Durante o papo, além da carreira, Jeffinho detalhou um dos momentos mais difíceis de sua vida. Em maio de 2017, ele foi baleado no peito durante um assalto dentro do seu carro, no bairro Caminho das Árvores. “Na ida para o carona, pulei, bati a perna em um aparelho celular e o outro caiu no chão. No que eu fui pegar, ele achou que era uma arma e disparou. Tomei aquele tiro e na hora pensei em minha mãe e minha filha. ‘Não posso ir agora, tem essas duas pessoas que dependem de mim’. Veio o medo de pensar que 'de repente chegou a hora de ir', mas eu lutava muito contra isso”, lembrou. Durante o longo processo de recuperação, recebeu apoio de muitas pessoas, inclusive de artistas baianos como Ivete, Claudia e Xanddy. “Em nenhum momento eu me desesperei. Vim me emocionar quando soube que o tiro tinha atingido o diafragma, porque minha preocupação era não voltar ao rádio. Minha voz estava pausada, baixinha...”, explicou. Por fim, ainda falou sobre o sentimento que nutre pelo assaltante e a lição que tirou disso tudo.

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Jéssica Senra critica busca da TV por 'rosto bonito': 'Acham que mulher está ali pra ilustrar'
Acordar às 2h da madrugada, fazer exercícios físicos, ler e se preparar para ir ao ar. Esse é o começo da rotina de Jéssica Senra, apresentadora líder de audiência entre os jornais locais no horário da manhã. Ela, que se diz apaixonada pela profissão, assegura que escolheu a área “para fazer diferença na vida das pessoas”. Seja no comando do Bahia no Ar, na Record, ou nos bastidores, Jéssica defende que se posicionar é necessário para causar reflexões: “Eu sempre fui de dizer o que eu penso, desde criança. [...] É assim que a gente provoca o outro”. Entre as opiniões da jornalista, que faz questão de ser lembrada pelo talento ao invés de pela beleza, o feminismo tem lugar garantido. “O que a gente precisa é que as pessoas entendam o que é o feminismo. Ele não é o oposto do machismo. O que o feminismo propõe é que homens e mulheres estejam no mesmo patamar de importância”, pontuou. Na sua área de atuação, a mídia, Jéssica afirma que os desafios de ser mulher ainda estão cercados pelo estereótipo do “rostinho bonito”. “Às vezes você não tem tanto respeito porque acham que você está ali apenas para ilustrar. [...] Nós precisamos mostrar conteúdo, e normalmente mais conteúdo do que os nossos colegas do sexo masculino”. Confira abaixo a entrevista que, entre risos e momentos sérios, passeou por temas que envolveram sua carreira, vida pessoal e a representatividade do Dia Internacional da Mulher. Leia mais!

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Márcio Victor sobre artistas que dizem não querer a Música do Carnaval: ‘Estão mentindo’
“É a música do Carnaval”. Só de ouvir essa frase, quem acompanha a música baiana, já associa a Márcio Victor e, por tabela, ao Psirico. É um bordão. Alguns aclamam, outros mostram indignação, mas o artista faz questão de enaltecer seus versos cantados. “A gente vai criar um prêmio daqui a pouco: ‘Márcio Victor – Música do Carnaval’, (risos). É o futuro projeto para 2018. Faço isso porque me disseram que eu não podia, que não teria condições de ganhar. Então, falei: ‘Perae! Vamos estudar esse negócio e aprender como é’. Aprendemos e acho que tem dado sorte”, inicia em entrevista concedida ao Bahia Notícias direto de sua residência, em Salvador. E tem dado certo. Só este ano, a banda chega com duas apostas: “Elas Gostam (Popa da Bunda)”, em parceria com Attooxxa e a recente “No Groove”, que vem com a responsabilidade de representar Ivete Sangalo, ausente por conta da gravidez. “Na verdade, não tem uma fórmula pronta para sair e o povo gostar. Acho que não tem essa coisa do gênio da lâmpada dizer: ‘Isso aqui não vai funcionar’. Porém, entendo que existem caminhos. Seja com a letra fácil, falar da Bahia, pois nessa época o país inteiro quer ouvir os elementos da Bahia, os tambores, as danças que estão ocorrendo aqui. Acho que esse é o ponto”.  Com isso, seu bordão deverá ser entoado mais uma vez nos circuitos. Quanto ao rótulo de ser um cantor que se preocupa com isso, questionou: “Qual o artista não quer chegar no Carnaval com uma música forte? Pelo amor de Deus... quero chegar todos os anos (risos). Quero fazer parceria com Os Filhos de Gandy, quero fazer o Ilê Aiyê eletrônico, mas convencer o Vovô é difícil”. Contudo, para 2018, o grupo quer ser lembrado em outras épocas também. Para isso, lançará após a folia momesca um feat com Ferrugem e depois outro com MC Guimê.  Além disso, no papo, Márcio explicou como ocorreu o encontro com Queen Latifah.

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Sexta, 02 de Fevereiro de 2018 - 11:00

'De 2010 para cá, o que se criou de novo na música baiana?', questiona Almir Santana

por Júnior Moreira / Pascoal de Oliveira

'De 2010 para cá, o que se criou de novo na música baiana?', questiona Almir Santana

Radialista experiente, Almir Santana começou sua carreira há mais de 20 anos na Salvador FM. Da emissora, migrou para a rádio Tudo FM, que em dois anos colocou no topo das mais ouvidas. Com a idealização do empresário e radialista Ricardo Luzbel, foi reunindo nomes de peso da rádio e da TV. Almir conta que somente 10 anos depois deixou a Tudo FM para ser consultor da Rede Excelsior. O comunicador se tornou coordenador geral e levou a Excelsior a ficar entre as cinco primeiras em apenas um ano. Ao Bahia Notícias, Almir comemorou a modernização da emissora e a superação das dificuldades enfrentadas: “Ano passado a gente trouxe muitas contratações, foi a emissora que mais renovou”. O coordenador também garante que pela rádio ser de uma emissora católica, ela também pretende evangelizar os ouvintes. “Ela continua com essa essência, só que trazendo um novo viés, mais jornalismo, um mundo mais atual, contemporâneo”, ressaltou. Com o Carnaval se aproximando, ele aproveitou o gancho para fazer uma análise sobre a festa e suas atrações: “Você não tem nova geração de axé na Bahia. [...] Da época de 2010 para cá, o que se criou de novo na música baiana? Se você pegar os artistas que estão no mercado, todos são veteranos”. Confira a entrevista:

 

Primeiro, acho que você poderia fazer um balanço da sua trajetória no rádio. Como começou? Conta um pouco dessa história para a gente.
Eu comecei no rádio há 20 anos, e uma das primeiras emissoras que eu passei foi a rádio Salvador FM. E nós tinhamos um programa que mudou um pouco a característica da música da Bahia, que foi o Salvador Mania de Pagode. A primeira emissora inclusive a lançar um CD nacional nessa linha. Depois da Salvador FM, teve o projeto Tudo FM, que gravamos por quase 10 anos. Um projeto também desafiador e vencedor, porque a rádio em dois anos chegou entre as cinco primeiras, com horários que circulavam entre 1° e 2° no Ibope, trazendo com idealização de Ricardo Luzbel grandes comunicadores da TV e do rádio. Nós fizemos um cast de apresentadores que na época até assustou o mercado, porque nós reunimos grandes nomes como Raimundo Varela, Daniela Prata, Samuel Celestino, Casemiro Neto, Anselmo Costa, Beto Fernandes e outros nomes da comunicação da Bahia, em uma só emissora. Então a gente tinha o melhor cast do mercado, e assim a rádio seguiu com bastante sucesso e credibilidade até o término do projeto. Foram 10 anos de Tudo FM. A gente tentou reeditar tudo no finalzinho do projeto, mas, após a saída de Ricardo Luzbel, ela chegou a ser arrendada pela Rádio Sociedade. A marca foi cedida para mim, eu continuei com o projeto, mas a gente não tinha uma frequência que pegasse bem na cidade. Esse era o nosso desafio: conseguir que [a rádio] pegasse bem com a nova frequência. Com isso a gente viu que não daria certo. Quando eu recebi o convite da Rádio Excelsior para fazer uns estudos, uma avaliação, eu fiz essa consultoria para eles, identifiquei o potencial da emissora, analisei o Ibope e vi que a emissora tinha uma boa audiência apesar de estar só no AM. Ela detinha quatro emissoras, uma TV e um jornal com 20 mil assinantes. Após esse estudo, que eu levei 1 ano fazendo, definimos a criação da rede Excelsior, e assim foi feito. A frequência 106.1 que era a Rede Vida passou a se chamar Excelsior FM. Integramos as duas programações do interior e viraram a Excelsior Recôncavo, e a gente teve uma programação alimentada pela rede, e claro com o suporte do jornal. Não mexemos na programação da Rede Vida, mas houve uma interferência minha de mudar ela de canal. Ela era canal 44.1 e mudou para o 12.1, que eu acho que ficou perto das demais emissoras, e passou a ser mais concorrente, mais visitada. E a Rádio Excelsior tem um case de sucesso porque em um ano de rede ela já está entre as cinco primeiras em muitos horários, principalmente nos da manhã. E para a gente foi uma surpresa, claro. Geralmente o Ibope não dá uma resposta tão rápida. Mas, com a vinda de grandes profissionais como Heloísa Braga, Anselmo Costa, Josenel Barreto, Dina Rachid, mantivemos alguns profissionais que já estavam na casa, trouxemos também Renato Lavigne para o esporte... E a gente tenta também reforçar um pouco mais para esse ano de 2018. Ano passado trouxemos muitas contratações, foi a emissora que mais renovou. Algumas não foram finalizadas, mas eu acho que a gente vai ter novidades para esse ano. Agora tentamos investir muito nas redes sociais, modernizando o site. Ela tem aplicativos para AM e FM, então as pessoas conseguem sintonizar na Excelsior em qualquer plataforma, que é o que o mercado necessita. Ela é uma das mais acessadas, se você pegar ferramentas de pesquisa você vai verificar que ela tem um potencial muito grande ainda para crescer. Esse é um resumo da história inicial da Excelsior, que tende a se fortalecer mais e se consolidar no seu segundo ano do projeto.
 

Então a sua função na Excelsior é de comando?
Eu sou o coordenador geral da rede. Eu fui responsável pela implantação e por essa gestão.

 

Qual o maior desafio que a rede enfrenta atualmente?
A Excelsior tem dois grandes desafios. Primeiro, ela tem um objetivo maior que é não ter características de evangelização porque ela é uma emissora da igreja católica. Então continua com essa essência, só que trazendo um novo viés, mais jornalismo, e um mundo mais contemporâneo. E o grande desafio é estar entre as três primeiras. Hoje a média de audiência dela está entre as cinco primeiras.

 

O público vem acompanhando essa transmissão?
Ele vem se renovando. Quando eu fiz o estudo da emissora ela tinha um público 50+ altíssimo, ou seja, um pouco mais conservadora, da terceira idade. E ela reinava nesses targets em primeiro lugar. Aí eu identifiquei que precisava renovar. Como é que eu renovo? Trazendo novos comunicadores, e programas para atingir um público infantil e jovem, a exemplo do Tio Paulinho, do Programa Conectados, e do programa de Pietro que é o sucesso da Excelsior nos sábados. Então a gente trouxe novos comunicadores e também comunicadores mais experientes para mesclar um pouco. Aproveitar o grande público dessa faixa etária elevada e também renovar com essa nova essência da comunicação.
 

Percebi que essa aposta em novos comunicadores está aliada às redes sociais, mas é uma empresa voltada para base familiar. Isso procede?
É uma mistura muito forte para família. Ela prega muito pela ética, então a gente evita tocar músicas de duplo sentido que ofende os valores familiares, sempre levando a verdade. A bandeira da rádio é muito imparcial com todos os assuntos, que são éticos, claro. 

 

Tem alguma coisa que não toca na rádio?
Duplo sentido. A gente evita tocar. Não que haja proibição, mas é questão de bom senso, de tentar melhorar um pouco a qualidade da música, tanto da Bahia, quanto da música popular brasileira. Se você tem bons artistas, bons produtos, por que não qualificar isso? Para que até as músicas que chegam como hits populares consigam chegar nessa ponta com um viés mais educativo, mais formador de opinião.

Como exerga o Carnaval de Salvador atualmente? 
Ele vive dois momentos. Um momento bom, de organização, de gestão, de mudanças, de paradigmas que foram quebrados, mas ele tem um problema hoje que é a sua música, a essência cultural do Carnaval. Nós não temos hoje um grande artista nacional que puxe as músicas da Bahia para o topo das mais executadas. Você tem apenas Ivete Sangalo, que consegue descolar um pouco dos demais artistas, mas que também não tem nenhum hit que hoje está entre as dez mais tocadas do Brasil. O que mais me preocupa é a ausência dessa estrela no Carnaval. A Bahia era considerada uma gravadora porque você tinha 10, 20 artistas nos mais executados. E hoje, a gente tem uma invasão da música sertaneja, da música do Rio de Janeiro, do funk, do pop. E a música da Bahia não consegue emplacar mais hits nacionais. Claro que quando chega no período do Carnaval, se reforça um pouco, você tem aí o Psirico e Léo Santana, que tem músicas entre alguns hits, que são executadas mais na Bahia, mas que não conseguem vender muitos shows nacionalmente.

 

Por que você acha que chegou nesse estado? 
A renovação. A Bahia não se renovou, principalmente os blocos. Tinham aquela questão tradicional de ter Camaleão mais Chiclete com Banana. Internacional tinha o InterAsa, na época. O Asa era do Inter. E as bandas e os empresários não se preocuparam com o que vem depois do envelhecimento desses artistas. O que vem depois? O que nós vamos ter depois dessa geração? Você tem nova geração? Você pode considerar Saulo? Acho que não. Você não tem nova geração de axé na Bahia. Geração dos anos 2000 pra cá. Da época de 2010 pra cá, o que se criou de novo na música da Bahia? Se você pegar todos os artistas que estão no mercado da Bahia, são artistas veteranos. O público vai envelhecendo e a nova geração vai chegando. E essa nova geração vai ouvir o que? Eu acho que esse é o grande problema da música da Bahia. A gente esqueceu que precisava haver uma renovação na base.


Existe algum remédio para isso?
O remédio é a valorização da cultura. Criação de festivais, a busca de músicas que o povo quer ouvir. Por que essa tendência de se ouvir música sertaneja? Porque existe uma mídia muito forte em relação a esses produtos nacionais. É necessário entender o quê a população da Bahia hoje quer ouvir e por que a gente perdeu um pouco da tradição da nossa música.

 

Alguns também apontam que pelo caminhar dessas transformações o Carnaval talvez chegue ao fim. Você acredita nisso?
Não, não. O Carnaval de Salvador é um movimento bastante popular, o povo ainda faz o Carnaval apesar das mudanças. Você tinha anteriormente clubes Carnavalescos tradicionais, e hoje você tem camarotes substituindo esse clubes. Clubes esses que às vezes não ficam no sentido do Carnaval, e agora você tem uma concentração dos camarotes no Carnaval. Os blocos perderam a sua força, mas por quê? Porque as pessoas avaliaram que com a criação dos camarotes estavam pagando um valor que pagavam no bloco, ou até um pouco menos, com mais conforto, mais segurança e mais serviços. Então ouve essa compensação. A atração que tocava nas ruas de Salvador hoje não é mais sucesso nacional. Ele não traz mais o turista como atrativo pra sair no bloco. Então isso foi pegando força. Para se colocar um bloco na rua é caro. Tanto de impostos como de despesas, como segurança, como o próprio trio elétrico. Então é muito caro isso. E às vezes não se compensa hoje, você não consegue vender o número de abadás para bancar o seu custo e pagar o número de atrações. Já teve atração no Carnaval de Salvador que custava R$ 1 milhão, R$ 500 mil. Então como é que o bloco paga isso? Ficou realmente inviável e a tendencia é que cada vez mais as atrações pipoca estejam desfilando no Carnaval de Salvador. Antigamente havia os blocos que não tinham cordas. As pessoas saíam em grupos de amigos pra se reunir e iam brincar o Carnaval. E aí começaram a sair esses grupos, depois foram se profissionalizando e foram se formando os blocos. E aí se teve a criação da indústria do Carnaval, com a profissionalização dos blocos que deu certo há muito tempo. Era um sucesso. Você tinha blocos que chegavam no dia seguinte do Carnaval e já não tinham mais nenhum abadá pro próximo Carnaval. 

 

Tem algum ponto que você também ache forte na festa?
Acho que um dos questionamentos do Carnaval é a questão da participação dos soteropolitanos e da vinda dos turistas. Eu acho que Salvador consegue alinhar isso muito bem. O turista e o soteropolitano conseguem viver num espaço democrático. Claro que com alguns problemas ainda, começando com a questão da segurança do Carnaval de Salvador. Você tem concentração de quase 1 milhão de pessoas em alguns pontos juntando os circuitos e você tem ocorrências baixas para um volume de pessoas como esse. Então mostra que o Carnaval é uma festa que, além da democracia, as pessoas têm o objetivo de brincar. Claro que tem fatos isolados, mas teremos o Carnaval por muitos e muitos anos com essa força do Carnaval de Salvador. E se transformando sempre. Exemplo é BaianaSystem, me esqueci de falar. BaianaSystem é um fenômeno no Carnaval.

 

E que tá carregando outros, como Àttooxxá, que vem aí.
Isso. Esse é caminho plural da música da Bahia. Ela não é só mais axé. Nós temos outros ritmos que vão acontecer no Carnaval de Salvador. Como surgiu a Timbalada na época, como surgiu o Olodum, os blocos de fanfarra, que fizeram muito sucesso no passado e hoje só são do Pelourinho. Então tem essas modificações, mas vale a pena. 

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