Usamos cookies para personalizar e melhorar sua experiência em nosso site e aprimorar a oferta de anúncios para você. Visite nossa Política de Cookies para saber mais. Ao clicar em "aceitar" você concorda com o uso que fazemos dos cookies

Terça, 08 de Março de 2022 - 16:10

Ator baiano interpretará Caetano em ‘Meu Nome é Gal’: 'É muito significativo pra mim'

por Alexandre Brochado

Ator baiano interpretará Caetano em ‘Meu Nome é Gal’: 'É muito significativo pra mim'
Fotos: Divulgação / Itala Martina

O ator baiano Rodrigo Lelis foi escolhido para interpretar o ícone da MPB Caetano Veloso no filme “Meu Nome é Gal”, que conta a história de Gal Costa, que será vivida por Sophie Chalotte. Com direção de Dandara Ferreira e Lô Politii, o elenco conta também com as interpretações de Dan Ferreira (Gilberto Gil), Camila Márdila (Dedé Gadelha), George Sauma (Waly Salomão), Luis Lobianco (Guilherme Araújo), entre outros. 

 

Em entrevista ao Bahia Notícias, Rodrigo contou que sua paixão pela arte de atuar surgiu desde os tempos de colégio, onde participava de peças criadas por sua professora. Nascido em Brumado, e baiano assim como Caetano, o ator acredita que o fato de uma pessoa da Bahia viver o cantor nas telonas é muito significativo. “Esse paralelo é bem interessante, que assim como eu, ele [Caetano] veio de um interior, e assim como eu, ele também veio do Vila Velha. Acredito que isso tem a ver com o destino”, ressaltou o artista. 

 

 

Nascido e criado no interior, Rodrigo se encontrou nas artes do teatro ao fazer o curso livre de atuação do Teatro Vila Velha, localizado no Passeio Público, em Salvador. Lelis revelou que foi nesse curso que ele teve experiências em diversos setores do teatro, como gestão, técnica, bastidores, além da interpretação. Nesse ambiente, Rodrigo se encontrou como ator e também se viu como comunicador, e agora está cursando seu último ano de graduação em publicidade e propaganda.

 

Como se deu esse seu contato com a arte?

Sempre me senti em um lugar muito sensível para esse tipo de coisa. Como qualquer pessoa do interior, nós crescemos muito em um lugar de assistir novela, às vezes é o que chega pra gente, e eu me sentia bem naquele lugar, vendo as pessoas fazendo aquele tipo de coisa. Além disso, também tinha uma pessoa chamada Zetinha, que era minha professora de artes, que me introduziu nesse lugar. Ela fazia umas peças no colégio e eu sempre me colocava no lugar de protagonista dessas peças, porque ninguém queria fazer, e as respostas que eu recebia dessas apresentações sempre foram muito boas. 

 

Existem essas cobranças de sempre desse sistema muito louco que nós vivemos, que para ser bem sucedido você precisa ser um médico ou um engenheiro... naquela tinha muito isso de ter que ser engenheiro, ou advogado. Existia essa cobrança, mas ao mesmo tempo não era tão significativa, meu pai e minha mãe não eram esses pais ‘chatos’. 

 

Nesse processo eu acabei fazendo engenharia civil, curso que acabei não concluindo, mas antes fiz um curso chamado ‘Todo Mundo faz Teatro em Salvador’, e foi muito significativo, pois me interessei ainda mais por teatro e foi minha primeira experiência em cima do palco. [...] Hoje, além de ator, eu sou designer, estou terminando publicidade e é algo que me ajuda dentro da minha própria arte.

 


 

 

Além de ser ator, você está prestes a se formar no curso de publicidade e propaganda, como consegue conciliar as profissões?

Essa ligação de profissões se dá devido ao teatro. No curso de teatro livre que eu fazia no Teatro Vila Velha tinha uma coisa que acho incrível, existiam três territórios em que aprendemos coisas dentro dessa universidade, como o território da gestão, comunicação e técnica, nos quais aprendemos como gerenciar um teatro, como é fazer a bilheteria, a portaria, e acabei me descobrindo muito no território da comunicação, como eu tinha me descoberto como ator dentro da Universidade do Teatro Vila Velha, não me fazia falta fazer uma universidade de teatro, mas meu pai sempre me cobrou o diploma. Dentro do Vila me descobri dentro da comunicação e comecei a fazer a faculdade de publicidade junto com a Universidade Livre e nesse processo acabou minha formação em teatro e falei com Márcio Meirelles que eu precisava falar com uma grana e ele me disse que eu poderia trabalhar no Vila como estagiário, gerenciado as redes sociais do Vila Velha e fazendo card. 


Como surgiu o convite para participar do filme?

Dandara que é a diretora me chamou para ver um debate de Juca Ferreira e nesse processo eu fiz uma pergunta para Juca e nesse paralelo Márcio também chamou Dandara para uma peça que nós estávamos fazendo e ela super topou. E é muito bonito ver o olhar de Dandara, porque naquela época eu fazia um personagem que era um funkeiro de cabelo loiro baixinho, que entrava na sala fazendo algazarra, usando um oculos juliete, que é algo completamente diferente do que eu estou fazendo agora, e é muito bonito ver que existe esse olhar. Apesar de eu ter feito uma série de testes para poder chegar até aqui, esse primeiro olhar veio dela. São coisas que parecem destino mesmo e é muito significativo pra mim. 

 

 

Quais são suas referências para o papel de Caetano?

Estamos fazendo personagens vivos, mas eu acredito que o Caetano que estou fazendo não é mais o Caetano de agora. Nos meus processos de entendimento de ator eu preciso de alguma forma trazer esses personagens para o meu dia, mas sempre dissociando também a personalidade dessas figuras da minha, sempre que possível, pois acho interessante manter a nossa personalidade. Não acredito nessa coisa de viver um personagem e permanecer nele. Os personagens sempre somos nós, eles estão dentro de nós, só ativamos esse lado ou trazemos estudos e referências para que esses personagens surjam. No caso de Caetano, no meu processo de ator sempre tive a intenção de chocar o público, ou o meu público, que por mais que não seja um público grande, mas é aquele que sabe que eu sempre estou mudando, por exemplo Hermes, o personagem que Dandara me viu, eu tinha cortado meu cabelo baixo, pintado de loiro, fiz dois cortes na minha sobrancelha… com Caetano eu tentei trazer para o meu dia a dia o gestual, o cabelo partido ao meio, trazer também a coisa do olhar e como se comportar.

 

 

Em algum momento, se deparando com o fato de que iria interpretar o Caetano, como ele é um cantor consagrado, você sentiu algum receio ou percebeu algum obstáculo que precisaria ser enfrentado?

Esse medo existe em todos os personagens que faço, porque acredito que nós atores somos movidos a medos, incertezas, corações acelerados, frio na barriga… mas acho que por essa figura, por ser uma figura viva, talvez tenha sido algo que me trouxe um pouco mais de medo, porém foi um medo que me movimentou, me fez aprender violão em três meses, foi o que me fez pesquisar ainda mais. Basicamente isso, um medo que fez transformar em verdade. Tem uma frase que é algo que Shakespeare introduz, e Márcio me ensinou, que é a coisa do pensamento em ação. Nossos pensamentos tem que vir em ação.

 

O que esperar do Caetano Veloso interpretado por Rodrigo Lelis e o que você espera de reação do cantor?

Eu espero que quando o público me assista que veja o Caetano em mim. O contato que tive com ele aconteceu quando ele foi assistir uma peça no Villa Velha em que eu estava atuando. O Caetano me disse que gostou muito da minha interpretação, mas acho que ele nem se lembra disso. O que eu espero que ele também veja um Caetano em mim, uma representação respeitosa, um trabalho de um ator que não quer imitá-lo, mas que quer retratá-lo de uma forma digna. 

 

 

Histórico de Conteúdo