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Quarta, 29 de Dezembro de 2021 - 11:10

'O mercado é autossabotador', diz Lincoln Senna sobre polêmicas e crises da cena musical

por Bianca Andrade

'O mercado é autossabotador', diz Lincoln Senna sobre polêmicas e crises da cena musical
Foto: Paulo Victor Nadal / Bahia Notícias

De uma plateia com cinco pessoas em um bar no bairro de Abaeté, em Salvador, para o palco do Música Boa Ao Vivo, com transmissão para o Brasil inteiro, ao lado de Ivete Sangalo, Wesley Safadão e Thiaguinho. 

 

Esta foi apenas uma das guinadas que a vida de Lincoln Senna deu nos últimos anos. Isso, sem contar a parte de ter virado amigo do seu maior ídolo e ser um dos atores da maior festa de rua do mundo. O cantor afirma que se alguém dissesse que este seria seu destino no futuro, provavelmente riria da história. 

 

"Se eu saísse de hoje e viajasse no tempo com alguém falando para mim daqui a dez anos eu estaria fazendo tudo eu não ia acreditar. Há dez anos eu estava carregando Ivete, fazendo uma ponta no show dela. Foi literalmente o início de um sonho e deu tudo certo", contou aos risos.

 

Em uma nova fase da carreira, agora apenas como Lincoln Senna, sem o acompanhamento do 'Duas Medidas', o artista teve a oportunidade de se dedicar inteiramente ao seu sonho: o de cantar pagode. Mas a mudança de ritmo não impede o artista de dar sua visão sobre o cenário atual da Axé Music, movimento do qual fez parte por mais de 8 anos: "o mercado é autossabotador".

 

Confira a entrevista completa de Lincoln Senna ao Bahia Notícias:

 

A aposta para 2022 é a música 'Hoje Vai Dar Praia', esse feat. com Léo Santana, que é você se jogando no pagode de cabeça. Como surgiu a ideia da parceria?

 

Dez, oito anos atrás, eu e Léo chegamos a gravar uma música juntos, mas na época os dois estavam nesse início de carreira, e nesse processo a gente foi construindo a carreira em paralelo. Há 5 anos eu mando música para Léo, e ele sempre 'ah vei, não bateu', e ele aceitou logo essa. Fico feliz, porque se ele aceitou agora é porque ele se identificou com a música.  Ele é muito criterioso, muito cuidadoso com a carreira dele.

 

Qual o diferencial dessa faixa para as que você costumava lançar pela Duas Medidas?


É uma música para o movimento do pagode mesmo, são alguns detalhes que dão gatilho daquilo que a gente chama de pagode raiz. É um pagodinho em lá maior, geralmente os grandes que aconteceram foram lá maior, sol maior, então, a gente tem uma violeira um swing que nos remete a o pagode que a gente conheceu lá no início do gênero. Tem uma linguagem moderna, uma linguagem que fala de um clima solar, de um verão que a gente está com saudade há muito tempo. Afinal de contas foram dois anos prejudicados, e a gente traz isso na música como se fosse um mantra, né? 

 

Por falar em Duas Medidas, você vem nesse momento de transição de ritmo. Quando você surgiu lá com a ‘Dança do Ventre’, a banda era mais puxada para o axé, e de uns tempos para cá você investiu pesado no pagode. O que te fez ir por esse lado?

 

Eu acredito que a vida é uma dádiva dada por algum ser supremo misterioso onde a gente tem que viver aquilo que realmente pulsa no nosso coração. Quando eu comecei, eu comecei por causa de um cantor e por causa de uma banda, comecei por causa de Xanddy, por causa do Harmonia do Samba. E nesse processo que você começa a cantar, você vai fazer barzinho, vai fazer aniversário sua carreira começa sem saber. Eu entrei na’ Duas Medidas’ quando ela já tinha seis meses de formação. Quando você entra numa banda você está entrando numa casa ou numa empresa que já tem até uma filosofia. A banda era de samba axé e virou axé. Nesse processo você se adapta e cada pessoa que está ali também vai tendo a sua transformação pessoal, individual e profissional.  Sempre foi latente em mim, aquilo que me fez começar, que era a inspiração em Xanddy. Me sinto muito feliz de estar cantando antes de mais nada uma música que é feita e originada na nossa cidade que é o pagode baiano.

 

Você sempre faz questão de citar suas inspirações, e nos últimos meses o público pôde te ver perto deles, como Xanddy, Ivete Sangalo e Bell Marques. Como você se sente sendo reconhecido por grandes nomes da música baiana?

 

É algo que me envaidecem ser reconhecido por pessoas da minha comunidade,  ser conhecido por pessoas ícones do meu movimento, da minha música. Eu poderia estar sendo reconhecido por pessoas de outros movimentos, mas não teria o mesmo sabor de ser reconhecido por essas pessoas que são vanguarda. Dez anos atrás eu estava no Abaeté fazendo um show pra meu pai, minha mãe, minha namorada que é minha esposa, e os dois garçons. Se você falasse pra mim que dez anos depois eu estaria no palco recebendo elogios de Bell Marques, que eu estaria trocando ideia com Xanddy no camarim, estaria no Multishow a convite de Ivete eu não ia acreditar.  Tem muita coisa boa por vir e eu me sinto orgulhoso principalmente de ser salvador de ser da e está sendo reconhecido por pessoas tão maravilhosas.

 

Nessa sua mudança do axé para o pagode, o público passa a questionar o que motivou sua "saída do gênero", e até citar a falta de união no ritmo. Como você enxerga essa história? Você percebe isso de 'desunião' na música ou acha que é papo de quem está de fora?

 

Eu acho que onde há fumaça há fogo, e o ser humano é dotado de inteligência. Quando você tem o povo percebendo algo é a hora de parar e analisar. É só perceber a quantidade de feat. que está acontecendo agora. Porque não aconteceram anos atrás? Tantas parcerias bacanas que poderiam proporcionar momentos inesquecíveis para o público e para carreira de cada um dos artistas. Os motivos eu não sei por que, eu acabei de chegar e não vou querer sentar na janelinha. Mas tem livros como de João da Cunha, ‘Por trás dos tambores’, tem documentários como o ‘Axé – Canto do Povo de um Lugar’ que tá na Netflix que dá alguns spoilers, contam algumas coisas do que a gente vive de verdade. Quando você tem um movimento onde os artistas e empresários eles conversam entre si, eles têm uma cumplicidade. Se você parar para ver, o ‘Encontro’, guardando as devidas proporções, Harmonia, Paragolé e Léo Santana. São esses eventos que deveriam acontecer. Isso é potente, quando você tem um movimento onde os artistas e empresários eles conversam entre si.  E quanto mais eu respeito o profissional que canta, o profissional que tá por trás das câmeras, o técnico de som. Eu crio no ambiente de união. Criando esse ambiente em união, eu estou fomentando o meu mercado. Quando eu fomento o meu mercado, eu estou gerando emprego. Mas muitas vezes o mercado é autossabotador. 

 

Com toda essa mudança na carreira, o que o público pode esperar de você para 2022?


A gente tem o projeto de estar fazendo o nosso DVD ano que vem. Já assumindo 100% o Lincoln Senna. Tenho certeza que o ano de 2022 promete muita coisa. Tem os nossos ensaios também, várias parcerias com o pessoal do pagode, vamos misturar tudo.

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