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Hitmaker Rafinha RSQ teme desgaste da música com viralização no Tiktok: 'Uma hora cansa'

Não ser baiano é apenas uma questão geográfica para Rafael Silva De Queiroz, ou melhor, Rafinha RSQ. Nascido Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro, a 1.416,7 km de Salvador, o produtor musical garante que após quase 15 anos morando na cidade e há 5 com seu estúdio próprio, o Sala 3, só não atende como soteropolitano por mera formalidade: não ter o título de cidadão soteropolitano concedido pela Câmara de Vereadores da capital.

 

"Eu me sinto baiano, vou até ver com ACM Neto, Bruno Reis, para me dar esse título (risos)", brincou o artista. 

 

Por nome, é possível que de cara você não consiga visualizar de quem estamos falando. Mas tenha certeza que você já ouviu, cantarolou e até mesmo dançou um dos sucessos dele, quer ver só? 'Loka', de Simone e Simara com Anitta, 'O Bebê' de Kevinho e MC Kekel, 'Tudo Nosso, Nada Deles' de Igor Kannário, 'Santinha' de Léo Santana, 'Modo Turbo' de Luísa Sonza, 'Apaixonadinha' de Marília Mendonça.

 

Todas as faixas citadas acima foram compostas e produzidas por ele, que nos últimos 10 anos aparece creditado em grande parte dos hits que alcançam o topo das paradas musicais. Nome quando se fala de produção musical no Brasil, Rafinha RSQ já atravessou fronteiras, literalmente, e neste ano produziu um CD da diva mexicana Thalia, além de já ter trabalhado com Ricky Martin e Karol G. E seu sonho é deixar a marca brasileira lá fora ainda mais forte. 

 

"São poucos brasileiros que estão lá fora fazendo música. De 100%, tem 10, uma delas é a Anitta. Como compositor e produtor, piorou. Acaba que eles não veem a gente lá como uma potência na produção e composição. A gente lá fora estoura quando sai um 'Ai Se Eu Te Pego', ou quando a música vira um meme. Mas não é uma realidade de falar que tem 20 músicas no TOP 100 dos Estados Unidos. Eu sei que um dia a gente pode mudar e além do futebol, a música vai estar forte lá".

 

O Bahia Notícias entrevistou o hitmaker para saber um pouco mais sobre os bastidores da canção e fez revelações sobre música que mais deu trabalho para produzir e seu sucesso mais rápido de compor, Tic Nervoso de Harmonia do Samba e Anitta. 

 

"Eu tava com a minha esposa no sofá da sala, peguei o violão, botei para gravar e a música veio toda, em menos de meia hora", revelou o produtor, que ainda elegeu a funkeira como sua maior conexão musical. "Todas as músicas que ela participou deram certo, ela é a TOP".  

 

O artista ainda falou sobre a interferência das mídias sociais no cenário musical atual e demonstrou medo com o possível desgaste dos hits. "É desesperador", desabafou. 

 

Confira a entrevista na integra:

 


A música sempre foi muito presente na sua vida, mas quando você decidiu que iria largar os palcos para trabalhar com a produção?

Eu comecei tocando com 12 anos e meu primeiro sonho era estar no palco com os artistas, só que quando eu comecei a compor e as primeiras músicas começaram a dar certo, eu passei a ter oportunidades de estar com os artistas em outros momentos. Por exemplo, Marília Mendonça me chamou para ir para Goiânia compor, só que quando eu ia ver, eu tinha um show com o Parangolé, na época com Léo Santana, em Barreiras e não podia ir. Isso começou a atrapalhar a minha caminhada como compositor. Eu esperei o momento certo para fazer mercado, depois que eu já tinha algumas composições que já tinham mudado a minha vida da água para o vinho. 

 

Qual foi a composição que te fez pensar 'é esse caminho que eu devo seguir'?

Desde novinho eu escrevia música. Eu vi que deveria investir nessa área quando as minhas músicas deram resultado. A primeira foi 'Tudo Nosso, Nada Deles' de Igor Kannário. Ali eu vi que o povo abraçou e as bandas tocaram. Teve uma música que eu fiz com Tierry e Flavinho, para o Neto LX, 'Vou Trair', a gente trouxe uma melodia diferente na época, e aí foi quando as coisas começaram a dar certo. Tem outras músicas como 'Puxa, Agarra e Beija' da Turma do Pagode com Aviões do Forró. Na época, eu vi que já estava em um outro mercado, outra indústria. 

 

Qual você considera o seu grande marco como compositor?

A "Loka" de Simone e Simaria com a Anitta transformou a minha vida. Eu era um cara antes dessa música e depois de "Loka" foi outra coisa. A gente ganhou prêmio Multishow, ficamos por vários meses em primeiro lugar nas principais rádios do Brasil, e aí foi onde os artistas me procuraram muito, do funk ao sertanejo e eu ficava maluco. Depois dela a porteira abriu, veio "Apaixonadinha" com Marília, "Ô Bebê" com Kevinho. Mas de fato, "Loka" foi a virada de chave.

 

 

 

Você não é de Salvador, e citar uma música que se tornou tão característica do povo soteropolitano como 'Tudo Nosso, Nada Deles' para falar de um marco na sua carreira aproxima você ainda mais da cidade. O que foi que te conquistou em Salvador?

Eu sou mais baiano que muita gente já (risos). Eu me sinto baiano, sou do interior do Rio de Janeiro, só que eu vim muito novinho para cá com uma banda aos 12 anos, depois voltei com quinze, então eu peguei toda essência. Eu morei praticamente em todas as periferias de Salvador, do Engenho Velho de Brotas, ao Pau Miúdo, no Garcia, Mata Escura... E a gente pega sotaque e costumes naturalmente, né?! Quando eu fui ver já estava baiano. Vou até ver com ACM Neto, Bruno Reis, para me dar esse título (risos).

 

Você tem música em praticamente todos os gêneros musicais. Tem algum ritmo que é mais fácil compor e produzir?

Para falar a verdade, não. A gente acaba criando uma zona de conforto naquilo que a gente trabalha com frequência, mas a facilidade não vem. A gente consegue ter mais agilidade. Por exemplo, eu fazendo pagodão é mais rápido, eu consigo fazer o reggaeton e o funk também, são ritmos mais tranquilos. Agora mesmo, eu estou produzindo um pop de Jorge Vercillo, é de outra vibe do que eu faço, então é mais difícil. Eu costumo dizer que eu não trabalho para gênero, eu trabalho para música. Eu faço pagodão ao pop, samba, reggaeton, funk, e isso me ajudou muito.

 

Foto: Reprodução / Instagram

 

Nessa ideia de facilidade e rapidez, qual música você demorou mais tempo trabalhando e qual surgiu mais rápido?

Eu nunca levei dias, tem gente que fica duas semanas, um mês, com uma música sofrendo. A que eu mais levei tempo foi a "Modo Turbo", com Luísa Sonza, Anitta e Pabllo Vittar, foram seis horas. Eu fiquei cinco dias na casa da Luísa Sonza, trancado, só trabalhando, produzindo e compondo. Ela dizia "não amigo, não é isso, vamos por esse caminho" e a minha cabeça parecendo uma panela de pressão (risos), mudamos melodia, até chegar o resultado final.

 

A mais rápida foi "Tic Nervoso", do Harmonia com Anitta. Xanddy falou que precisava gravar uma música com ela, eu tava com a minha esposa no sofá da sala, peguei o violão, botei para gravar e a música veio toda, em menos de meia hora. Mandei para Anitta, ela se apaixonou e deu certo.

 

Rafinha, nas suas redes sociais você compartilha vídeos de músicas tiradas de lugares diferenciados, como uma máquina grua. Qual foi o local mais inusitado que você já tirou uma canção?

Acho que foi dos batimentos cardíacos da minha filha. Eu postei um vídeo, eu peguei o batimento do coração dela e comecei a produzir um beat, acho que esse foi o lugar louco. E daquela máquina também! Vou continuar fazendo isso, acho que o pessoal gosta. O meu termômetro é isso, o feedback do público.

 

 

Por falar em redes sociais, de 2020 para cá a gente percebe que os artistas ganharam um aliado na viralização das músicas, que foi o TikTok, e é perceptível também que ele mudou a forma de fazer música. Como essas novas tecnologias interferem na sua produção, ajudam ou atrapalham?

Eu vou ser bem sincero, ela nos ajuda e acaba também nos prejudicando. A nova forma de fazer música da parte positiva é que muitas pessoas anônimas e muitos artistas alternativos e independentes, que não têm grandes produtores e empresários, conseguem ter a possibilidade de estourar. A parte negativa é que está tudo indo embora muito rápido, e eu estou ficando desesperado com isso.

 

Eu fico estudando música de outros países, da China, da Índia, e eu estava percebendo que a música uns três anos atrás lá estava muito passageira. E eu conversava com algumas pessoas e elas me falavam isso, de que eu teria que produzir e compor mais músicas. Porque quanto mais vídeo um blogueiro postar, quanto mais pessoas viralizarem as músicas, as pessoas vão enjoar. Então a fase negativa é, você fica uma semana vendo a mesma música, chega uma hora que sua cabeça já está cansada da mesma música. E aí o que acontece? As pessoas param de dar play, tomam o pavor da música. É muito desesperador.

 

A carreira internacional para você já não é mais um sonho, é realidade. Você imaginou que chegaria tão longe com sua arte?

É uma parada muito louca. Eu sempre sonhei e almejei isso, mas pessoas só falavam que ia dar errado. Só me falavam que era difícil e que eu não iria conseguir. E eu falava: "meu irmão, eu tenho fé, eu vou conseguir". Eu falo que fico feliz e triste, porque as pessoas sabiam que eu já tinha uma realidade no Brasil e mesmo assim tentavam bloquear o que eu sonhava. Eu usei isso como carga positiva e reverti a situação.

 

Trabalhei com Ricky Martin e outros artistas lá fora até o dia que Thalia me chamou no direct. A porta que Thalia abriu para mim lá fora é uma coisa surreal, eu tenho dois anos me comunicando com ela e eu não falava com ninguém, depois de quase 30 músicas, entrou tudo no disco dela. Ali virou realidade, outros nomes me procuraram e a minha intenção é levar o Brasil para fora.

 

 

Qual o seu maior sonho em colaboração musical, tanto brasileiro quanto internacional? 

Brasileiro, graças a Deus eu tenho um sonho realizado com todo mundo, e a única da Bahia que eu ainda não consegui foi Ivete. Ela é a artista que falta aqui no Brasil para eu trabalhar, que eu tenho sonho. A Anitta é uma artista que eu ainda não tinha músicas diretamente, e todas as músicas que ela participou deu certo. Fiz a "Contatinho", com Léo, a "Loka" deu certo, "Tic Nervoso", "Modo Turbo", sempre que ela tá no meio da parada, sempre dá certo. A gente agora está fazendo um outro trabalho incrível, pela visão e conexão que a gente consegue ter. Ela é a TOP.

 

E fora, por mais que seja quase impossível, meu sonho é trabalhar com Usher e Justin Bieber. 

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