Terça, 06 de Outubro de 2020 - 21:00

'O que será de SSA sem Carnaval?', questionam empresários ao pedirem volta dos eventos

por Júnior Moreira Bordalo

'O que será de SSA sem Carnaval?', questionam empresários ao pedirem volta dos eventos
Arte: Paulo Victor Nadal / Bahia Notícias

Como está o setor do entretenimento no meio da pandemia da Covid-19? Quais são os principais desafios de empresários e fornecedores, e quais alternativas são discutidas com a prefeitura de Salvador e com o governo da Bahia? Com esse debate, o projeto "Fora da Bolha" está de volta e convidou Wagner Miau, produtor de eventos; Marcelo Britto, empresário de Léo Santana; Guto Ulm, produtor de eventos; e Leo Ferreira, empresário de Bell Marques.  

 

Desde a paralisação das atividades por conta do novo coronavírus, a frase "o entretenimento foi o primeiro a parar e será o último a voltar" foi dita pelos quatro cantos. De acordo com uma pesquisa do SEBRAE, 98% da área foi parada no Brasil e estima-se que o prejuízo seja de mais de R$ 90 bilhões. Porém, após quase oito meses, os profissionais do setor estão cobrando um posicionamento do poder público. "O maior impacto para a gente é em relação ao emprego. Todos os componentes dessa cadeia produtiva estão prejudicados, alguns realmente passando fome. É desesperador. Já estamos zerando nossas economias e seguimos procurando ajudar todas essas pessoas. É hora de parar, pensar e criar um plano de retomada", pediu Britto.

 

"As pessoas falam de uma maneira muito natural: 'Vocês são os últimos a voltar'. Mas a gente entende que todo setor precisa voltar e nós não faremos isso sem segurança. Precisamos de um protocolo também. O fôlego está no final. Retomar um seguimento como o nosso no verão é uma coisa. Em março será completamente diferente. Precisamos pensar, mesmo que timidamente, em como voltar", explicou Guto. "Tem gente já perto de passar fome, sabe? Pessoas que o último cachê foi na terça de Carnaval. Então, assim: olhem por nós; por essa cadeia", atentou Wagner. 

 

Eles apontam que o controle da doença nas últimas semanas já demonstra uma segurança para volta de algumas atividades em Salvador. Revelam ainda que já possuem um plano firmado com a prefeitura desenhado em três fases. "A primeira é para até 500 pessoas, a segunda é para até 1.000 pessoas e a terceira até 2.000 pessoas. Temos esse canal de comunicação aberto com eles", admitiu. Na época de elaboração do documento, a ideia era ter início juntamente com a fase três de reabertura na Capital, que permitiu a volta dos clubes sociais. "A gente foi totalmente ignorado. É isso que estamos buscando hoje. Já temos total condições de fazer respeitando todos os protocolos de saúde. A ideia não é realizar eventos de forma aleatória", lembrou Ulm.

 

O prefeito ACM Neto (DEM) iniciou a fase 3 de reabertura na capital baiana no dia 31 de agosto. Entre os locais que retornaram ao funcionamento estão clubes sociais, recreativos e esportivos, além de repartições públicas de Salvador. Depois, houve ampliação do funcionamento dos shoppings, liberou self-service em restaurantes e o gestor autorizou a realização de voz e violão, mas shows com bandas seguem proibidos (veja aqui)

 

Para justificar o retorno progressivo de shows, os empresários usam como base outras cidades, como Rio de Janeiro, que autorizaram festas maiores. "Aqui a gente está muito atrasado. Não conseguimos ainda um resultado efetivo quanto a isso", lamentou Ferreira. Para os quatro entrevistados, a recuada da prefeitura se deu por "uma cautela maior" em estudar o cenário antes da decisão, mas eles entendem que a volta do shows é mais importante do que a reabertura das praias, por exemplo. "Além de tudo, geramos empregos e os 'riscos' são semelhantes", pontuaram.

 

"A gente não é tão respeitado quanto gostaria. Quando falamos em retomar o negócio, só para deixar claro, meu pai tem 74 anos, minha mãe 70. Ninguém aqui é irresponsável de querer criar algo que traga riscos para a sociedade, a gente está querendo trabalhar, como todo mundo está. Respeitamos todo o tempo, entendemos o que aconteceu", lembrou Guto e frisou para o público: "Sintam-se confiantes de voltar, pois vamos fazer de tudo para que fiquem confortáveis em ir para nossos eventos".

 

O empresário de Léo Santana reforçou ainda que a preocupação é com toda a cadeia do setor. "Não só envolve e beneficia os empresários. Ao contrário. Somos apenas as pessoas que colocam a cara, que se arriscam, que querem o bem para o contexto geral do seguimento. Muitas vezes, somos vistos como aqueles que só querem o dinheiro, mas estamos pensando em todos que são envolvidos", atentou.  

 

CARNAVAL 2021

Um dos grandes pontos em aberto é a realização ou não do Carnaval de Salvador em 2021. Eles dizem que seus artistas estão recebendo propostas de outros lugares, mas que ainda aguardam um posicionamento oficial. "Estamos na expectativa dessa decisão final. Foi dito tanto pelo prefeito quanto pelo governador que o Carnaval só vai existir se a vacina estiver pronta e imunizando toda a nossa população. [...] estamos aguardando. Parece que até 30 de outubro teremos uma definição exata em relação à chegada da vacina ao nosso País", destacou Britto.

 

Ao serem questionados se acham que as pessoas querem a volta dos eventos, foram práticos. "O baiano já está muito mais seguro do seu dia a dia. Não tenho dúvidas que a maioria está querendo ir para uma festa. Existe esse desejo nitidamente na cara das pessoas", defendeu Guto. "Cada um sabe a família que tem em casa, se tem um idoso, vai tomar mais cuidado. A gente está fazendo nossa parte. Temos que ter esse direito de querer escolher ir ou não", completou Miau.

 

"Que o Governo dê oportunidade porque a gente sabe o tamanho da responsabilidade, todo mundo vive disso aqui, tem um nome a zelar. Não estão falando com 'aventureiros'. A gente quer fazer da melhor forma possível e precisamos voltar. O Carnaval é um patrimônio nosso e o que será de Salvador sem Carnaval?", finalizou Leo.

 

Assista ao "Fora da Bolha" completo:

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