Quarta, 22 de Janeiro de 2020 - 10:30

Ildazio Jr.: Festas, Fé & Tradição

por Ildazio Jr.

Ildazio Jr.: Festas, Fé & Tradição
Foto: Henriqueta Alvarez / Divulgação

Uma das maiores emanações populares desta terra fantástica, para mim, são as festas de largo ou, se preferirem, as lavagens ou festas no meio da rua que rolam no nosso quente e agitado verão e desaguam na maior delas, que é o carnaval! 

 

A baianidade expressa no meio das ruas e avenidas a céu aberto para quem quiser entender quem somos! Uma mistura fantástica de gerações, classes sociais e de gente dos quatro cantos do mundo em um momento, aliás vários momentos, onde o povo soteropolitano recebe de braços mais que abertos os demais baianos e turistas que ao simples pisar nas rua se unem a essa imensa vibe e sintonia onde o que impera é a música, a dança, a alegria e os amigos!

 

Voltar a ter a experiência foi o que fiz retornando à estupenda festa do Senhor do Bomfim e, juntamente com amigos de mais de 40 anos, fomos a pé em um sol a pino, no meio da multidão que, segundo os números, passou de 1 milhão de pessoas! Estar presente e conseguir enxergar todos os aspectos ou a maioria deles é algo fascinante! 

 

Vendedores de bebidas das mais diversas (aconselho o cravinho no Mercado Modelo para iniciar os trabalhos), de pipoca, amendoim, baiana de acarajé, churrasquinho, chapéus, bolsas, fitas, velas, gelo, taboca, óculos escuros, em uma impressionante logística peculiar deste imenso mercado paralelo à festa que se desenvolve de maneira “bagunça organizada“, cunhada nos costumes desse povo que teria tudo para dar errado, mas funciona que é uma beleza e de forma magistral!

 

Sob o aspecto da segurança, não vi uma briga e apenas um apreensão de um jovem por furto. Daí temos que elogiar nossa nobre e centenária Polícia Militar, que tira de letra a operação nas ruas, e prova disso é o carnaval. Podemos até dizer que essas lavagens funcionam como treino, mas não confunda como amistoso, pois envolve uma operação muito bem preparada para o que der e vier! Ah, ainda tem os postos de saúde, juizado de menores, entre outras autarquias e secretarias de governo com suas ações socioeducativas que atingem em cheio o público!

 

Pelo que vi no Bomfim, arrisco a dizer que o dia 02 de fevereiro promete e muito pois, diferentemente do Senhor do Bomfim, onde o ponto alto é chegar na Igreja, no Rio Vermelho a festa já é de Iemanjá e tem o mar como destino da fé e seus balaios. Quem impera é a religião de matriz africana, levada com muita seriedade e devoção pela sua colônia de pescadores com seus belíssimos presentes, que já apontam para uma outra proposta de festa, mais negra, mais raiz, porém com a mesma intensidade e fervor do baiano para transformar tudo em festa e deixar extasiados um sem números de turistas e o mundo com as belas imagens compartilhadas pelos zaps e Instagrams da vida!

 

Em comum essas duas grandes festas têm o cunho religioso e a devoção do baiano, mas acima de tudo, como dito acima, elas servem para mostrar da melhor maneira possível e visível um traço forte de nossa personalidade criativa, acolhedora, festeira e que somos uma sociedade talhada na mistura de etnias que, mesmo em condições adversas, econômicas e sociais, em Pindorama conseguimos ter fé e respeitar as tradições mesmo que de maneira festeira! 

 

Viva a Bahia! 

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