Quarta, 16 de Outubro de 2019 - 11:30

Ildazio Jr.: Das Antigas!

por Ildazio Jr.

Ildazio Jr.: Das Antigas!
Foto: Henriqueta Alvarez / Divulgação
Sinceramente, se tem um termo que conceitua toda uma geração artística comercial de mediano poder de criação – salvo claro as exceções, e estas que nem sempre tiveram ou foram dadas as oportunidades devidas – é: “das antigas”. O Axé music com 15 anos de vida já fazia festa de não sei quem “das antigas”. O descarte era tão ávido que até o “das antigas” foi no bolo, virou a saída aos desvalidos!
 
Fico imaginando quando irão começar a vivenciar um segmento de entretenimento moderno, atual, em um mundo com tantas informações e sem contar as ferramentas que a internet propicia para que refloresça! Quando é que irão perceber que já avançamos o suficiente em formação de plateia e que a mesma de diversas faixas etárias está acostumada a pagar para ir a shows, eventos, festas e está órfã? Pois ninguém ainda se arvorou a tomar as rédeas e dar a eles o que tanto querem e está em nosso DNA, a mistura de sons e ritmos, e nos brindem com algo NOVO!
 
Se é no campo de casa de shows, será possível que ninguém ainda entendeu que é real a lacuna e que o mercado absorve tranquilamente até mais de duas casas em locais diferentes? Sabiam que o Teatro Castro Alves e a Concha Acústica possuem uma agenda lotada de eventos com filas e brigas por pauta? Sem falar na Casa de Lauro de Freitas/Vilas que no quintal de Salvador dita regras e traz shows direto!  Me digam aí como e onde foi formada a empresa de entretenimento que mais fatura, tem produtos  e faz sucesso hoje na terrinha? No falido parque aquático Wet’n Wild, pois os visionários empresários da Salvador Produções de maneira paulatina e inteligente foram transformando em um local de eventos populares e daí todos sabem a história que deságua na grandiosa Salvador Fest, Léo Santana, entre outros produtos que também os qualificaram a hoje serem os pretensos salvadores da pátria do combalido e atualmente mal conceituado Festival de Verão.
 
Vamos falar das festas e percebam que todos têm algo “das antigas” completamente envolvido na produção, sem pesquisa, conceito e chega a ser tragicômico! O local onde ocorreram festas é “das antigas”, ou invadem um novo ponto com uma festa “das antigas” na decoração, abadás, chapéus, mamãe sacode, guarda chuva pendurado “das antigas”, repertório “das antigas”, convidado “das antigas” que cantam músicas “das antigas” para, lógico, um pequeno e a cada vez menor público “das antigas”. Em alguns ainda rola confete e serpentina! É tão sinistro que até banda “das antigas” criaram e que ainda por cima insiste em se autoproclamar de novo movimento musical, mas não passa de mais um “das antigas” que nada de novo faz!
 
No campo musical por sinal, nem com o claro exemplo do sucesso da BaianaSystem, Attooxxa, Afrocidade, Baco Exú do Blues, Larissa Luz – que ganhou o troféu Bibi Ferreira (ah se o Akaretu não fosse míope!) – Luedji Luna, Xênia França – que no Rock in Rio com o cantor Seal brocou –, que demostram tacitamente mais uma vez que o som que sai do gueto, da mistura é nossa base rítmica de sucesso para o mundo como um dia foi o Olodum, o Ilê, Araketu, a Timbalada, Brown e cia, serve para ajudar a enxergar e, assim sendo, nada de novo no front do som comercial ou da nossa nova música para dançar na rua acontece! Só arranjos “das antigas” com aquele teclado que leva todos para o Baiano de Tênis em 1989 ou Espanhol, “das antigas”!
 
Desconheço um movimento musical/comercial tão bom e cruel quanto o Axé, que formou uma série de produtores e empresários porém sem visão, conteúdo e que não conseguem criar nada de novo, insistindo em olhar para fora do estado atrás de uma banda rentável ou que ainda se portam como cachorro que corre atrás do próprio rabo sem sair do lugar! Esses novos valores que citei acima estão bombando Brasil afora e só aqui que não querem enxergar!
 
Oxalá dias melhores virão!

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