Presidente da Fube comemora legado dos JUBs e quer massificar esporte universitário baiano
Foto: Priscila Melo / Bahia Notícias

Presidente da Federação Universitária Baiana de Esportes (Fube), Simon Vasconcelos ainda não sabe se deixará um legado após sua gestão, mas revela que ficaria satisfeito em deixar algo bom quando encerrar seu mandato. Fato é que o dirigente terá seu nome marcado no esporte universitário, já que participou do processo para a vinda dos Jogos Universitários Brasileiros (JUBs) para a Bahia 51 anos depois.

 

“Quando fizemos o 'Projeto JUBs 2019', não pensamos só no evento. Pensamos no legado. Pensamos na questão da discussão das políticas públicas do esporte universitário baiano, foi nosso primeiro ponto quando sentamos com o governo. O ápice disso são os JUBs, e o governo baiano entendeu isso”, comemorou.

 

Vale destacar que a etapa final dos JUBs é considerada a maior competição esportiva universitária da América Latina, e reuniu cerca de 2.500 estudantes atletas de todo o país entre os dias 21 e 27 de outubro deste ano. Ao Bahia Notícias, Simon falou sobre o diálogo entre federação e universidades, o aumento no número de medalhas para o estado, e que já trata com o governo para que a Bahia receba novas competições nacionais.  

Windson Pinório conquistou medalhas para a Bahia na natação | Foto: João Ubaldo / Divulgação

Os Jubs, como já dissemos, são a principal competição universitária. Qual o legado que fica para a Bahia após a realização dos jogos? 

Quando fizemos o 'Projeto JUBs 2019', não pensamos só no evento. Pensamos no legado. Pensamos na questão da discussão das políticas públicas do esporte universitário baiano, foi nosso primeiro ponto quando sentamos com o governo. O ápice disso são os JUBs, e o governo baiano entendeu isso. Visitamos mais de 300 instituições de ensino, debatemos, estamos fazendo um fórum permanente dessas instituições para discutir o esporte universitário. Esse é o legado. A primeira etapa acabou nos JUBs, estou indo agora para a segunda etapa, que é regionalizar os jogos, massificar o esporte universitário na Bahia. 

 

Para realizar os JUBs aqui na Bahia foi preciso contar com o apoio de todos. Como foi o diálogo com as universidades? Essa parceria irá continuar? 

Ficou mais fácil. Já existia esse diálogo com as principais instituições. A federação não é minha, sou apenas o atual gestor, então se a gente não dialogar com as instituições a gente não consegue deixar um legado, e nem eles conseguem construir esse legado junto conosco. 

 

A Bahia conquistou 15 medalhas, sendo um aumento de 400% em relação à edição anterior, que foram 3. Esse número foi satisfatório? Você acha que nas próximas edições a Bahia pode conquistar ainda mais medalhas? 

Foi um ponto positivo. O pessoal do individual vai ficar chateado, mas quero destacar dentro dessas 15 medalhas uma conquista. O esporte coletivo é muito difícil competir com o Sul, lá se tem muitas ligas, e a nossa expectativa de trazer ao menos uma medalha no esporte coletivo para mim foi o ápice, que foi o futsal feminino. Para se ter uma noção, o futsal feminino foi conosco no ano passado, participou de uma fase regional, classificou, fomos para a fase final e nem passamos da primeira fase. A dificuldade é grande. As meninas conseguiram ganhar todos os jogos, só perderam na semifinal, sendo uma partida muito dura. Esse crescimento do futsal feminino e do coletivo em si, para mim, foi perfeito. No individual eu já esperava no judô, na natação... E o outro ponto positivo, e até inesperado, foi o Fifa. A menina saiu do judô por contusão, não pôde participar da seletiva estadual, e não querendo ficar fora do JUBs pediu para participar no Fifa e acabou ganhando. Fiquei muito satisfeito por ela. 

Simon destacou a conquista do futsal feminino | Foto: Marcus Carneiro 

Em relação às universidades públicas, sabemos que não tem uma estrutura tão boa quanto as universidades privadas. Foram apenas três medalhas das 15 conquistadas. O atual governo extinguiu o Ministério do Esporte e o vinculou ao Ministério da Cidadania, sendo uma secretaria. Você acha que isso pode dificultar o desempenho dessas universidades nos próximos anos? A Fube tem pensado em algo para melhorar a estrutura desses locais?

Na particular, o atleta é bolsista e é mais fácil ser chamado. Já na pública tem que passar por todo o processo do Enem. Pensamos nisso sim. A Ufba é uma parceirona nossa. Atualmente tem acontecido os Jogos Internos da Ufba, e foi um processo que conversamos para descobrirmos novos valores. A Uneb também tem pensado em fazer uma competição só entre elas, o Ifba também faz há um tempo. Isso é importante sempre ser feito. São maneiras que a gente procura fomentar o esporte em instituições públicas. A Fube estará sempre com eles. A maneira de fomentar é trazer os representantes dessas instituições para mostrar a eles como podemos fazer essas competições. Quanto ao ministério, acho que é algo que vai dificultar para 2020. É uma preocupação que tenho, apesar da Fube não ir atrás de verba pública federal. Mas em relação ao contexto do esporte universitário brasileiro, é preocupante. Ela pode influenciar bastante em todo o calendário, e isso pode prejudicar. Discutimos isso dentro do JUBs, é meio complicado. Espero que não, mas não estou muito otimista. 

 

Nos Jogos Universitários da Bahia (Juba) em 2018, muitos atletas reclamaram da estrutura e da desorganização em muitas provas. Nesse ano, isso mudou. Conversei com alguns competidores e todos elogiaram. A vinda dos Jubs para cá fez mudar o olhar para as seletivas? Houve um cuidado maior para que essas competições fossem realizadas da maneira que tem que ser? 

Antigamente não tínhamos atletas de natação, atualmente eu preenchi as 24 vagas para os JUBs. Conversamos muito com a FBDA [Federação Baiana de Desportos Aquáticos], que nos orienta muito, e essa parceria serviu para construir esse processo que está evoluindo. Sempre falo com eles têm todo direito a criticar, mas é sempre bom vir com soluções. Esses diálogos que temos com atletas e instituições são importantes por isso. Sou apenas um gestor, eles que vão decidir o melhor para eles. Quanto aos problemas que tivemos em 2018, serviram como lição para nós. Independente dos JUBs virem ou não, isso iria acontecer. Vou citar o futsal feminino como exemplo. Antigamente, as meninas jogavam na pior quadra, agora jogam na mesma que o masculino joga. Isso aconteceu por conta da queixa e do diálogo. Temos que fazer as coisas para o atleta. Eu fui atleta e sei a dificuldade que é. Gosto muito de ouvir o atleta, ele que sente e que pode dar esse feedback. 

Taiane surpreendeu nos Jogos Eletrônicos | Foto: Dayse Faleta / Divulgação 

Passados os Jubs, quais as próximas grandes competições a Bahia espera sediar? Já tem um calendário montado?

Fizemos uma pré-discussão do calendário. Conversamos com o governo para saber se há a pretensão de trazer outro grande evento, já que entramos no cenário nacional. Claro que será um evento de pequeno porte, para que agregue ao atleta. Os JUBs realmente são cansativos (risos). Espero que não demore 51 anos novamente, mas na minha cabeça hoje... É como falei, temos que focar na segunda parte, que é pensar mais no estado, nos atletas baianos e nas instituições de ensino. Conseguimos nosso objetivo, trouxemos todos os olhares para o atleta baiano, era o que queríamos. Agora é manter, e isso acontecerá trazendo eventos esporádicos. Gostaria de ver os JUBs novamente aqui, mas comigo só como um apreciador (risos). 

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