Quarta, 21 de Outubro de 2020 - 11:00

Cézar Leite

por Fernando Duarte / Mauricio Leiro

Cézar Leite
Foto: Bahia Notícias

Único candidato representante da direita conservadora, filiado ao PRTB do vice-presidente Hamilton Mourão, César Leite é entusiasta do Aliança pelo Brasil, legenda do presidente Bolsonaro, e acredita que Salvador deve retomar alguns "valores". "Queremos direcionar nossas vidas pois estamos perdendo nossos valores. Sou alinhado com o presidente Jair Bolsonaro e queremos trazer vários projetos para Salvador".  

 

Crítico das condutas tomadas pela atual gestão municipal no combate e condução durante a pandemia da Covid, Leite teceu críticas a Organização Mundial de Saúde e questionou o "lockdown". O candidato também reforçou seu posicionamento sobre o tratamento precoce da infecção causada pelo novo coronavírus como forma eficaz de combate às mortes. "O lockdown acabou, pegou o vírus em casa. Já teríamos acabado a muito tempo com isso. Vários estudos mostrando que as máscaras que estão utilizando na rua não tem efetividade. Utilizam de forma indiscriminada. Já vi máscara de tricô. Pessoas assintomáticas e não têm tipos de comprovação. Temos que dar liberdade às pessoas", pontuou.

 

Entre seus ideias, Leite se descreve como um defensor da vida, dos valores de liberdade, cristãos e cívicos-patrióticos. Apoiador da causa dos deficientes, acredita que existe uma diferença entre outras minorias, entre elas os LGBT e os negros. "A pessoa com deficiência tem um limite real. Tem uma barreira. O cadeirante não consegue subir uma escada. Isso precisa ser combatido. Enquanto não houver inclusão total, defendo a quebra das barreiras e defendo as cotas para os deficientes. Os LGBTs e os negros são iguais a nós", diz o candidato. (Assista a entrevista completa aqui).

 

O que esperar do próximo gestor para lidar com as consequências da pandemia, tanto social quanto economicamente?

Ele tem que ter coragem. Quando falamos da pandemia, foi o pé no pescoço das pessoas em Salvador. Temos péssimos índices econômicos nos últimos 8 anos. Ficamos em último ou penúltimo na distribuição de emprego. É a capital do desemprego. Foi o modelo aplicado aumentar impostos, taxas, muito regulamentada. Sufoca os comerciantes e quem produz. Essa arrecadação faz com que a prefeitura enriquecesse e a população ficasse pobre. Salvador quase 1/4 estão abaixo da linha da pobreza. Temos que cortar a máquina pública, cargos comissionados e devolver isso em benefício da população. Temos que dar incentivos fiscais. Fazer o que Alemanha e Japão fizeram no pós 2ª guerra mundial. Temos que facilitar para quem produz.

 

Quais são os principais gargalos que o senhor considera na cidade de Salvador e que o futuro prefeito ou futura prefeita vai ter que enfrentar logo de cara?

Hoje, primeiro, para desenvolvimento são as altas taxas. O IPTU arrecada R$ 750 milhões. As taxas e multas chegam a R$ 350 milhões. Precisamos acabar com taxas de publicidade. O TFF [Taxa de Fiscalização de Funcionamento] começou a ser um imposto. Temos que fiscalizar de forma educativa e hoje nós só arrecadamos, e isso não estimula ninguém. Temos um orçamento entre 7 e 8 bilhões de reais. Dei para minha equipe [o desafio] de economia com 5% de corte. Isso equivale de 300 a 400 milhões de reais.Temos que cortar a máquina pública e devolver o incentivo. Outro é a segurança, quando falamos turismo em Salvador, vemos a segurança, a acessibilidade e o atrativo. A prefeitura tem sim participação no processo. O ambiente, como iluminação e limpeza e na segurança pública de forma direta. Na gestão do prefeito ACM Neto, qual a importância disso, temos muito dinheiro federal para as cidades e estados, mas não temos organização. Vamos fazer sim para investir na segurança, dos guardas civis municipais. Queremos uma área de segurança total do Centro Histórico e Comércio. Queremos videomonitoramento, drones. Vou provar que, em um ano, a sensação de segurança vai melhorar e vamos encaminhado para outros bairros. A acessibilidade é um ponto também. Muitas pessoas tem deficiência tem dificuldade e tenho filho com deficiência. O idoso para ir precisa ir para um posto precisa passar por uma escada. Saúde é uma das principais queixas, 70% das pessoas reclamam de saúde. Aumentaram UPas, mas e o serviço melhorou? Não conseguem marcar consulta. Precisamos informatizar o sistema pois não conseguem marcar consulta, sou médico. Temos que informatizar. Aumentar o número de ambulatórios de especialidades e ampliar os centros de atendimento. É dar segurança de saúde na Covid. Temos que identificar precocemente e tratar.

 

O que o senhor faria diferente da atual administração?

Após 7 meses de decretos, que foram identificados como autoritários e não tem embasamento. A OMS fala e desfala. Em 2009, com a H1N1, ela teve a mesma atitude e depois pediu desculpa. Existe até a perseguição pelo nome de uma medicação. O lockdown acabou pegou o vírus em casa. Já teríamos acabado há muito tempo com isso. Vários estudos mostrando que as máscaras que estão utilizando na rua não tem efetividade. Utilizam de forma indiscriminada. Já vi máscara de tricô. Pessoas assintomáticas, que não têm tipos de comprovação. Temos que dar liberdade às pessoas. Não acreditamos na obrigatoriedade das vacinas. Já tivemos a revolta da vacina no passado. Não temos o resultado efetivo das possíveis complicações. A vacina vai ser discutida com o Ministério da Saúde. Jamais será obrigatória.

 

O senhor é crítico das últimas gestões e mergulhada em um cenário de crise generalizada. Que tem uma falta de perspectiva por conta de adotarem políticas socialistas e responsáveis pelo atraso socioeconômico. Que políticas seriam essas?

Tem uma frase que diz que a melhor política social é a geração de emprego. Salvador não gerou emprego. O povo não quer somente assistência. Claro que a cesta básica foi importante, mas quando o prefeito travou tudo. Não deixou ninguém trabalhar e se sustentar. O problema é que utilizou isso politicamente. Quando você melhora o ambiente de negócio para o pequeno e médio empresário, que é quem emprega. É a lanchonete, é o consultório. Se você não facilita e dá incentivo para que os negócios crescem, você não consegue tirar as pessoas da miséria. Se você só pensa em arrecadar e fazer a política assistencial e deixar o povo na miséria. Quem fala isso são os números. Isso vem crescendo. Que gestão é essa que a população dependente do poder público e na miséria. Quero liberdade para que tenha capacidade de gerar seu emprego e seu negócio. Queremos que o jovem crie seus negócios, vamos isentar impostos. Uma pessoa que faça algo de lá da comunidade e monte seu negócio e tenha rendimento e faturamento. Queremos gerar emprego. Os vulneráveis temos programa de assistencialismo junto com o governo federal. 

 

O candidato tem uma fala muito forte do viés econômico. Temos um histórico de desigualdade e que não é resolvido por incentivo fiscal. Alguns serão exceção dentro de uma regra de desigualdade. A política muito em prol da economia e não tem um viés social não é prejudicial para uma cidade tão desigual como Salvador? E como combater a pobreza?

O socialismo só depende da pobreza para sobreviver. Os Estados Unidos que são capitalista tem uma das melhores escolas públicas. O estado investiu nesse jovem. Para que ele pudesse se desenvolver. A longo prazo é investir na educação, para que o jovem se desenvolva ou ser um técnico e ser bem formado. Temos que trabalhar com línguas, somos do turismo. A educação é muito importante, pois é valor agregado. Temos uma educação péssima. O jovem não é inserido no mercado e aí vem a desigualdade. Quando falamos na desigualdade, o grande problema está na pobreza, já que as pessoas não serão iguais. O que não podemos é ter pobreza. As pessoas têm que ter a dignidade da casa, comida. Temos que combater a pobreza. Temos que começar com os jovens e capacitação técnica. Incentivos fiscais e ter um ambiente de negócios. Se você faz esse leque com a educação, capacitação técnica você consegue resgatar o jovem. O que não podemos é colocar a escravização mental. Você não é possível e não consegue. Temos que ajudar os vulneráveis.

 

O senhor já mencionou a redução das secretarias aqui em Salvador. Chegou a citar que reduziria de 18 para 12. Já tem uma perspectiva de exclusão e junção caso seja eleito?

A ideia é formar uma Secretaria de Economia. Não será da Fazenda só arrecadatório. Teremos um trabalho para produção, com a direção da micro e pequena empresa, serviços. Vamos estruturar a produção. Para facilitar o empreendedor. Vamos montar a de Cidadania e Família. E então vamos englobar outras secretarias, como a de Reparação e levar para a Família. Vamos ter a da Cidade, que trabalha com manutenção e vamos englobar outras. É enxugar e retirar os cargos comissionados que são excessivos. 

 

O senhor tem uma postura crítica com relação a direitos de minorias. A comunidade LGBT e a comunidade negra, com as cotas, por exemplo. Mas o senhor lida com a minoria das pessoas com deficiência. Ela acaba de alguma forma prejudicada por falta de políticas públicas. Não é uma contradição conviver com a deficiência e dizer que outras minorias não devem ter direitos reservados?

São coisas completamente diferentes. A esquerda sequestrou e hoje utiliza o negro e o LGBT, que deixaram de ser pessoas e passaram a ser o coletivo negro com interesse politico. A pessoa com deficiencia tem um limite real. Tem uma barreira. O cadeirante não consegue subir uma escada. Isso precisa ser combatido. Enquanto não hover inclusão total, defento a quebra das barreiras e defendo as cotas para os deficientes. Os LGBTs e os negros são iguais a nós. Temos que acabar com a segregração, temos que andar unidas para o desenvolvimento humano. Olhar para frente e esquecer o passado. Independente da raça e cor, da orientação e opção sexual, independente disso. Temos que respeitar todos. O deficiente tem uma barreira real. Meu sonho é não ter mais barreira e não precisa de diferenciação. 

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