Segunda, 23 de Dezembro de 2019 - 11:10

Fausto Franco

por Mauricio Leiro / Gabriel Rios

Fausto Franco
Foto: Priscila Melo / Bahia Noticias

Com o martelo batido para a construção da ponte Salvador – Ilha de Itaparica (veja aqui), o secretário de Turismo da Bahia, Fausto Franco, afirmou que o projeto irá incentivar o turismo no estado, principalmente nas regiões Oeste e Sul, facilitando, inclusive, uma exploração maior na Costa do Dendê. “A ponte será um divisor de águas no encurtamento de distância do estado como um todo para com a capital, desde a região Oeste, até a região Sul e do Baixo Sul. E essa região, que é a Costa do Dendê, que é belíssima, com um potencial enorme a ser explorado, é uma região muito virgem. Com esse novo modelo da ponte, isso se tornará ainda mais viável”, analisou.

 

Entretanto, o titular da pasta salientou que os municípios dessa região deverão se preparar para o resultado que o projeto dará ao estado. “Entendo que turismo é uma das grandes fontes de renda do mundo. Precisamos de ordenamento, infraestrutura, então temos feito essas provocações com os municípios diretamente atingidos com a ponte para que a ocupação, evidentemente respeite as questões ambientais, mas que estejam preparados para o que a ponte poderá ser. Existem vários empresários, não vou me antecipar ainda, que já estão nos procurando para fazer grandes empreendimentos turísticos nesta região, que será, com certeza, desenvolvimento para o estado como um todo”, explicou Franco.

 

Em entrevista ao Bahia Notícias, o secretário fez um balanço do Turismo da Bahia, e também comentou a expectativa para o verão no estado, com o impacto causado pelas manchas de óleo nas praias, além das construções para o turismo náutico na Baía de Todos-os-Santos e do Centro de Convenções, que será construído no Comércio. 

Foto: Priscila Melo / Bahia Noticias

 

Queria que o senhor fizesse um balanço desse ano no Turismo da Bahia. E que saldo é analisado pelo governo no setor?

Foi muito positivo. Estou completando 10 meses à frente da secretaria. Muitos desafios, mas ao mesmo tempo, muitas potencialidades. É um estado muito diverso, temos 13 zonas turísticas, todas elas com seus potenciais, são 133 municípios com viés turístico, e eu tive a oportunidade de visitar todas as 13 zonas. Vi como a gente tem coisas virgens, totalmente a serem exploradas, temos muita potencialidade de sol e praia, mas a gente tem muita coisa no interior que ainda não explorou da forma como deveria, e isso é muito desafiante. Entendo que o turismo é a forma mais rápida de gerar emprego e renda, e somos muito privilegiados por ter tanta potencialidade. Pude perceber também a responsabilidade que é, e como a Bahia é muito respeitada dentro e fora do Brasil, e às vezes não temos noção do potencial que temos. 

 

Muito se falou da chegada do óleo nas praias do Nordeste. Qual foi de fato o impacto no turismo do estado e o que a Bahia tem feito para auxiliar na apuração do crime ambiental? O que tem sido feito para atrair os turistas para o verão baiano?

Ficamos muito aflitos, pois essas manchas surgiram de forma surpreendente, que ninguém sabe aonde chegou de fato e que dimensão teve. A Bahia, por ter o maior litoral do Brasil, acabou sendo o estado mais atingido. O que foi muito bom, é que o governo federal foi muito lento nas medidas que deviam ter sido feitas por ele, já que é competência do governo federal a responsabilidade da Costa, e a população, de forma geral, foi para o mar e abraçou a causa, e fez um trabalho muito proativo e espontâneo, com o que fez com que o impacto tivesse diminuído. O governo do estado, junto com os Bombeiros, Defesa Civil, os municípios, ajudou no que pôde. Por inexperiência, as pessoas iam recolhendo o óleo com a mão e colocava em sacos de lixo, e o sol rasgava os sacos, precisando fazer um retrabalho, e foi no momento crucial das pessoas decidindo onde passar o fim do ano, e tivemos uma ruptura de vendas muito grande no final do ano, o que nos deixou muito angustiados, pois não sabíamos se as manchas iam aumentar ou não, mas ainda bem que passaram, e depois de novembro tivemos uma grande procura para a Bahia, por conta de vários fatores. Consigo assegurar que a gente vai ter uma temporada 2019/2020 maior do que tivemos 2018/2019, fruto desse nosso trabalho. Falo isso, pois falo diariamente com as companhias aéreas, com algumas operadoras de turismo, com grandes cadeias de hotéis... Essa política de ICMS que o governador Rui Costa imprimiu em julho, de captação de novos vôos depois da crise da Avianca, que fomos muito afetados no primeiro semestre, a gente ainda tem passagens elevadas, mas se olhar São Paulo, como exemplo, a passagem mais barata para o Nordeste é Salvador. Não é o valor ideal, mas estamos buscando alternativas para diminuir isso e aumentar o fluxo. 

 

A Bahia vem investindo em participação com stands em outros estados para promover o Turismo da Bahia. Algum retorno efetivo já foi percebido? 

Duas coisas eu preciso pontuar: O fato de eu ter ido às zonas turísticas e visitando os municípios, é como se eu fosse na sua casa e você tivesse que retribuir minha visita. Então a Abav [Associação Brasileira de Agências de Viagens], que foi em São Paulo em setembro, foi a vez que mais municípios do estado se fizeram presentes, porque eu provoquei esses municípios. E eles se sentiram na obrigação de ir. Aumentamos o fluxo turístico por conta dessas relações que começaram a se construir, que parecem ser insignificantes num primeiro momento, mas que são construções de relacionamentos com agências de viagens, entre outros, que faz parte da cadeia produtiva, e que muitos municípios nunca o fizeram, talvez por acomodação, por falta de dinheiro, de oportunidade... Então tenho feito essa provocação diária. Tento estar em todos os lugares ao mesmo tempo, para mim fisicamente é complicado, mas acho que é muito positivo, pois tira as pessoas da zona de conforto. 

 

Foto: Priscila Melo / Bahia Noticias

 

A que pé andam as intervenções do Prodetur Baía de Todos-os-Santos e como elas vão alavancar o setor náutico no estado? Há alguma possibilidade de expansão do projeto ou iniciativa parecida para outras regiões do estado?

Uma das grandes bandeiras nossas é alavancar o setor náutico, o maior litoral do Brasil, a maior baía navegável do mundo, e eu que tenho viajado pelo Brasil e pelo mundo, começo a divulgar a Bahia, digo que infelizmente a mídia não consegue transmitir o que de fato é. Temos água a 26º e 27º, mas isso a gente só consegue vendo e estando, por isso as pessoas são obrigadas a vir para Bahia conhecer. E a gente que tem essa potencialidade absurda, ainda virgem, teremos no Prodetur agora, porque de fato está nascendo, os contratos foram todos licitados e assinados, demos a ordem de serviço para o Museu Vanderlei de Pinho, em Candeias, e, a qualquer momento, vamos começar as outras intervenções, com a Maria da Penha em Salvador, o Atracadouro e Restaurante do MAM, a revitalização da Marina de Itaparica, que terá um posto de combustível, teremos uma Marina em Salinas das Margaridas, uma Marina em Cacha-Prego, com isso você dá mais mobilidade ao setor náutico e mais segurança. São 13 intervenções na Baía de Todos-os-Santos como um todo. Isso tudo já foi licitado, estamos num processo final de começar todas as obras efetivamente. Em torno de seis a oito meses as primeiras obras serão entregues, então já teremos no verão de 2020 para 2021 essas obras apresentadas. Conseguiremos dar maior mobilidade e fluxo a Baía de Todos-os-Santos. No paralelo, que costumo dizer que é um turismo silencioso, que é a qualificação da mão de obra desses municípios. Não adianta o estado viabilizar um museu e um atracadouro, e não tiver um restaurante, uma pousada, um pequeno centro de convivência... As pessoas acabam não vindo. Estamos inserindo essa sociedade nisso, que é um trabalho que tudo passa pela educação, não é fácil de fazer, para que a gente esteja preparado para quando essas obras começarem a acontecer. O Prodetur será um novo viés que a gente não tem nem ideia de potencialidade para o turismo náutico na Baía de Todos-os-Santos.  

 

Após o anúncio do governador Rui Costa de que o Centro de Convenções será construído no Comércio, de que forma o empreendimento concorre ou disputará eventos com o novo Centro de Convenções de Salvador? É de fato um investimento prioritário para o Turismo baiano mais um Centro? 

Não vejo como disputa. Acho que cabe mais de um espaço sim. No nosso caso, a gente acredita que o Centro de Convenções funcionará melhor se ele estiver integrado dentro de um sistema, seja ele de hotéis, de centro comercial, o que for, a sugestão nossa é que seja no Comércio, pois é a região mais bonita da cidade, onde todos os investimentos do estado estão, como o VLT, a ponte para Itaparica, vide que lá é a região mais bonita da cidade onde não tem salinidade, a região atlântica da cidade tem um alto índice de salinidade, Salvador tem sal até no nome, e o nosso Centro de Convenções antigo foi muito atingido por conta dessa salinidade, e ele estará dentro de uma estrutura interligado com outras coisas. Já tive acesso ao que chamam de projeto conceitual, será um projeto junto com uma iniciativa privada, estamos nos trâmites finais para concluir esse projeto. Tenho certeza que, muito em breve, o governador estará anunciando a construção do centro de convenções que vai agregar, não só a capital, mas o estado como um todo. 

 

Após o martelo batido no leilão para a construção da ponte Salvador-Itaparica, o senhor acredita que para o turismo do estado valerá o tamanho do investimento? Quais as alterações práticas no turismo para a costa do dendê?

Tive a oportunidade de acompanhar o governador em São Paulo, e todas as entrevistas que ele deu na mídia era justamente com viés turístico. A ponte será um divisor de águas no encurtamento de distância do estado como um todo para com a capital. Desde a região Oeste, até a região Sul e do Baixo Sul. E essa região, que é a Costa do Dendê, que é belíssima, com um potencial enorme a ser explorado, é uma região muito virgem. Com esse novo modelo da ponte, isso se tornará ainda mais viável. Entendo que turismo é uma das grandes fontes de renda do mundo. Precisamos de ordenamento, infraestrutura, então temos feito essas provocações com os municípios diretamente atingidos com a ponte para que a ocupação, evidentemente respeite as questões ambientais, mas que estejam preparados para o que a ponte poderá ser. Existem vários empresários, não vou me antecipar ainda, que já estão nos procurando para fazer grandes empreendimentos turísticos nesta região, que será, com certeza, desenvolvimento para o estado como um todo. 

 

Foto: Priscila Melo / Bahia Noticias

 

Chegando o fim do primeiro ano de atuação do Governo Bolsonaro, em fevereiro aconteceu uma reunião com o ministro do Turismo Marcelo Álvaro Antônio para liberação de recursos e opções de linhas de financiamento do BNDES para o setor do turismo. O que de fato foi liberado até aqui e como está a relação com o governo federal?

O ministério teve um contingenciamento de 80%, então estamos passando por dificuldade. Até falei com o ministro para ver se conseguia liberar algo para a gente até o final do ano, mas ainda não liberou. Tenho grande interlocução com o ministro Marcelo, mas a gente carece ainda de recursos para o estado da Bahia como um todo. A nossa relação é positiva com o ministro, mas na forma prática ela ainda precisa ser melhor, mas estão também sofrendo contingenciamento de ordem federal, o presidente tem dito que o turismo é uma das plataformas dele, então tenho esperança que ano que vem a gente consiga compensar esse 2019.  

 

Carnaval está cada vez mais próximo e muito se fala do investimento feito por São Paulo para fazer o carnaval do sudeste crescer. Qual o impacto no nosso carnaval e o que podemos esperar para o festejo de 2020?

O tema já está definido, 70 anos do trio elétrico. O guarda-chuva maior é a secretaria de Cultura, mas também passa pelo turismo, é uma festa muito tradicional, não só na capital, mas no interior também, no qual fazemos muitos investimentos. Não acredito que a gente perca força, vejo como natural o modelo de carnaval que a gente vendeu para São Paulo, Brasília, Belo Horizonte, isso faz parte do jogo. Continuo achando, e tenho certeza, que Salvador continua sendo protagonista no cenário nacional. Fico feliz que nossos artistas estejam tendo a oportunidade de estar em outros lugares, pois se tocam lá, estão vendendo à Bahia. Acaba sendo uma grande chancela de propaganda para o estado. 

 

De que forma a possível chegada do aeroporto do Conde pode auxiliar a Costa dos Coqueiros?

O governador assinou um protocolo de intenções com um grupo espanhol, eles vão fazer uma cidade planejada, na ordem de 1,5 bi de euros. Isso é mais que uma ponte Salvador-Itaparica. Fora isso, temos um investimento grande na região de Baixios, e a ampliação e um novo parque aquático em Sauípe. Somente esses três projetos justificariam um aeroporto. Fora esse aeroporto, o governador já autorizou o estudo da duplicação da Estrada do Côco até Sergipe. Acho que esse aeroporto na região de Conde será super importante para esse modal da Costa dos Coqueiros. Destaco que também estamos trabalhando para Itacaré ter um aeródromo, que é uma carência na região, e também a desapropriação da área do novo aeroporto de Porto Seguro, com isso a gente consegue aumentar o fluxo de forma muito intensa. 

 

Em maio o Datafolha elegeu a Bahia o melhor estado turístico. A Chapada Diamantina e Porto Seguro foram destaque. O que o estado tem sido investido para essas regiões?

A Chapada é um caso a ser estudado. Sou muito fã daquela região. Fiz em setembro uma viagem com mais cinco secretários de estado para entender as demandas. Com a chegada do novo aeroporto de Vitória da Conquista, a gente criou um novo acesso à região da Chapada, que não somente é Lençóis. Estamos passando algumas dificuldades, que a Seinfra [Secretaria de Infraestrutura] está resolvendo. Não temos problemas de hotel em Lençóis, mas precisamos melhorar a telecomunicação e as estradas na região de Vale do Capão e Ituaçu. Estamos buscando uma parceria para termos um box da Chapada Diamantina como produto. 

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