Segunda, 02 de Dezembro de 2019 - 11:10

Márcio Marinho

por Rebeca Menezes / Lucas Arraz

Márcio Marinho
Foto: Paulo Victor Nadal/ Bahia Notícias

De volta ao comando do Republicanos na Bahia, o pastor e deputado federal baiano Márcio Marinho não descarta voltar para a base do PT no estado. O parlamentar comentou que na política nunca se pode dizer nunca, quando questionado sobre o assunto. “Na política não podemos dizer que nunca vai acontecer. Nesse momento estamos em campos opostos”, falou sobre uma aliança com o PT no estado.

 

O deputado ainda esquivou de uma possível volta de Tia Eron à política em 2020. “Essa pergunta tem que se direcionada a deputada”, falou. Para Marinho, a ex-deputada foi prejudicada por uma onda criada pelo presidente Jair Bolsonaro. “Pessoas com mandatos proativos, como Tia Eron, Aleluia e Imbassahy, perderam a eleição. A deputada Tia Eron é um excelente quadro para o partido. Só não posso definir por ela, se ela vai ser candidata”, justificou. 

 

Marinho ainda cobrou de Colbert Martins, prefeito de Feira de Santana, um maior diálogo. No município, o partido ameaça deixar a base da gestão e lançar candidatura própria. “Tudo tem que ter comunicação. Se o pai não se comunicar com o seu filho, o filho fica distante do pai. Se o marido ficar distante da esposa, vai ter problemas. Nessa distância muitas coisas acontecem. Tenho certeza que Colbert Martins está vendo essa distância que está estabelecida nos partidos que integram sua base. Mas ainda é tempo de fazer uma reaproximação”, ponderou o deputado sobre o prefeito.

 

Jair Bolsonaro representa o governo que a bancada da Bíblia esperava?

O governo Bolsonaro corresponde a um sentimento tanto dos católicos, como dos evangélicos. Não só os evangélicos, mas também os católicos. Bolsonaro não é evangélico, ele é católico, mas defende bandeiras como o fortalecimento dos costumes e da família. Ele é a favor do fortalecimento da instituição chamada família, que sempre acaba sendo desgastada por várias questões que nós respeitamos. 

 

Nos bastidores, o grupo do prefeito ACM Neto nutre expectativas de ter o Republicanos na base de apoio para Bruno Reis. O que o senhor acha do nome do vice-prefeito para sucessão da prefeitura em Salvador?

É evidente que o vice-prefeito Bruno Reis é um nome bom do ponto de vista de administração política. No meu ponto de vista, não temos nenhum problema. Seria um sucessor à altura do que o município precisa. No entanto, precisamos discutir com os partidos da base. Não só temos Bruno Reis na base do prefeito ACM Neto. Temos outros partidos que também têm nomes com experiência para se colocarem na discussão. A sucessão do próximo ano precisa ser discutida com os partidos e o Republicanos quer sentar na mesa para ter essa conversa. 

 

O senhor tem pretensões de disputar a prefeitura de Salvador no próximo ano?

Já fui candidato a vice de ACM Neto em 2008. Não fomos para o segundo turno, mas de certo modo, foi uma experiência muito positiva. Em 2012, eu saí candidato a prefeito. Fiquei em quarto lugar, quase atingindo os dois dígitos de votos válidos na cidade. Estou completando 20 anos participando da política. No entanto é pretensioso dizer que quero ser prefeito da cidade. Acho que as pessoas têm que alcançar esse patamar dentro de um acordo político para que possa ter possibilidade dessa indicação. Sozinho, ninguém ganha. O prefeito ACM Neto em 2016 não ganhou sozinho. Tudo é uma construção de partidos que integram a base do governo. 

 

O Republicanos está aberto a negociar apoio ou aglutinação no bloco de partidos formado por SD, MDB, PSC e PTB?

O nosso partido é grande. Vamos para a nossa quarta eleição municipal tendo três vereadore bem votados em Salvador. Temos o deputado federal João Roma. Temos dois deputados estaduais. Existe a força política Republicanos em Salvador. Discutimos no partido uma aliança que possibilite a vitória. Uma aliança perpassa nomes. Ela foca em projetos. Se o melhor projeto for do PSL, iremos com o PSL. Estamos de portas abertas para manter conversas. 

 

Após perder o mandato na Câmara dos Deputados e a secretaria de Políticas para as Mulheres, Tia Eron é candidata em 2020? Qual é o destino político da ex-deputada?

Essa pergunta tem que se direcionada a deputada. Tia Eron, como tantos outros deputados, foram prejudicados por uma onda chamada Jair Bolsonaro. Pessoas com mandatos proativos, como Tia Eron, Aleluia e Imbassahy, perderam a eleição. A deputada Tia Eron é um excelente quadro para o partido. Só não posso definir por ela, se ela vai ser candidata.

 

Como presidente do partido, o senhor já fez parte de governos do PT na Bahia. O senhor mantém conversas como ex-governador Jaques Wagner?

A coisa mais brilhante da democracia é fazer amizades. Amizades respeitosas. Existem momentos na vida pública que a política nos coloca em campos opostos. Opostos, mas não no campo dos desrespeito. Eu respeito o governador Jaques Wagner e o governador Rui Costa. Tenho excelente amizade com os parlamentares da base. Somos 39 em Brasília. Precisamos nos unir para defender os interesses do estado. A disputa eleitoral ficou no ano passado. Agora é dar as mãos e trabalhar para o crescimento da Bahia. O meu partido em Lauro de Freitas, por exemplo, irá apoiar a reeleição da petista Moema Gramacho. 

 

A aliança com o PT a nível estadual pode ser eventualmente retomada?

Na política não podemos dizer que nunca vai acontecer. Nesse momento estamos em campos opostos. 

 

O partido do senhor abriu mão de uma candidatura própria para a prefeitura de Feira de Santan para apoiar Zé Ronaldo em 2106. Qual é a avaliação que o senhor faz hoje dessa decisão e do governo de Colbert Martins?

O atual prefeito de Feira de Santana tem dificuldades de conversar com as lideranças políticas que compõe a sua base E isso é um dificultador. Todas as pessoas têm que conversar. Ninguém consegue sobreviver no ambiente político sem ter a tranquilidade de sentar com as pessoas e conversar. Nós apoiamos Zé Ronaldo por causa do seu perfil de cumprir os acordos políticos. No meu ponto de vista, queremos candidaturas do partido nas principais cidades do estado da bahia. Dito isso, Feira de Santana é uma dessas cidades.

 

Pela dificuldade de Colbert Martins de conversar, ele teria que melhorar as relações com os aliados para ganhar o apoio do Republicanos?

Tudo tem que ter comunicação. Se o pai não se comunicar com o seu filho, o filho fica distante do pai. Se o marido ficar distante da esposa, vai ter problemas. Nessa distância muitas coisas acontecem, Tenho certeza que Colbert Martins está vendo essa distância que está estabelecida nos partidos que integram sua base. Mas ainda é tempo de fazer uma reaproximação. 

 

Um pastor são-tomense da Universal foi preso na Costa do Marfim, acusado de ser o autor de mensagens que denunciariam bispos e pastores brasileiros de se apropriarem de dízimos recebidos pela igreja, além de "humilhar, insultar, esmagar e escravizar os (pastores) africanos". O senhor visitou a Assembleia Nacional de São Tomé e Príncipe em meio a revolta pela suposta falta de apoio que a Universal deu ao pastor e uma possível expulsão da igreja no país. Na oportunidade, disse a jornalistas que a igreja tinha o interesse "em resolver o mais rápido possível a questão". Qual é a solução para o imbróglio?

Eu viajei para São Tomé e Príncipe com meus recursos próprios. Paguei minha passagem. Não foi nada com dinheiro público. Dito isso, nós temos dentro da nossa ideologia e formação pastoral da Universal que nós não coadunamos com qualquer tipo de falha ou erro. Somos exemplo para a população. O que aconteceu com esse ex- pastor de São Tomé foi justamente um desvio de conduta. Teve esse desvio e terminou sendo preso em Costa do Marfim, ficou sob proteção da justiça. A igreja não tinha nenhum tipo de qualquer ação sobre a justiça. O pastor está solto. 

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