Segunda, 14 de Outubro de 2019 - 11:10

Alex Lima

por Ailma Teixeira / Lucas Arraz

Alex Lima
Foto: Paulo Victor Nadal / Bahia Notícias

Eleito vice-presidente da Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA) por um acordo que deveria selar a ida de Adolfo Menezes (PSD) para a presidência da casa em 2021 (saiba mais aqui), o deputado estadual Alex Lima (PSB) não descartou totalmente concorrer a reeleição ao lado do atual presidente Nelson Leal (PP). “Dependeria muito”, disse.

 

O parlamentar conversou com o Bahia Notícias  durante a interinidade dele no comando da AL-BA e colocou dúvida sobre a possível candidatura à reeleição ao lado de Leal, que quebraria o acordo de cavalheiros do governador Rui Costa. “Sinceramente não tenho como opinar nesse momento sem ter a clareza se isso vai acontecer ou existirá uma PEC para a volta da reeleição. Se o deputado Nelson Leal será candidato à reeleição e de que forma seria dada essa movimentação”, ponderou sobre o assunto. Essa é a primeira vez que Lima fala sobre a possibilidade de reeleição após crescerem as especulações de uma tentativa do atual presidente renovar o mandato (lembre aqui).

 

nquanto as eleições na AL-BA não chegam, na presidência interinamente da Casa durante passagem de Leal pela canonização da Santa Irmã Dulce dos Pobres, Lima também tratou de outros assuntos, como a crise instalada pelo anúncio de greve da Polícia Militar feito pelo deputado estadual Soldado Prisco (PSC). 

 

No âmbito partidário, o deputado declarou que não apoia a possibilidade inerente do presidente do Bahia, Guilherme Bellintani, ser candidato à prefeitura de Salvador pela sua legenda no próximo ano. Para Lima, o PSB já tem “duas grandes pratas da casa” - Lídice da Mata (PSB) e Silvio Humberto (PSB) -, então o presidente do Bahia não pode chegar “sentando na janela” do partido: “[Bellintani] tem que chegar como soldado e ajudar a construir o PSB como todos nós estamos construindo. Se Bellintani quer ser prefeito de Salvador pelo PSB, ele precisa ajudar na construção desse PSB”.

 

Como é para você assumir a presidência da Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA)? 

É uma honra com 36 anos ocupar pela terceira vez a função mais honrosa de presidir, mesmo que interinamente, a presidência de um poder tão importante como o Legislativo. É uma honra fazer parte desta Mesa Diretora que tem trazido inúmeros avanços para a casa, sob liderança do deputado Nelson Leal, que tem sido um presidente extremamente correto. Eu só tenho que agradecer a Deus. Nem nos meus maiores sonhos eu imaginei que iria sair de uma pequena cidade do interior da Bahia, de pouco mais de 30 mil habitantes, e me reeleger deputado estadual, chegando ao posto mais alto. Mesmo que de forma interina, é uma honra para mim. 

 

O senhor ainda espera contar com o apoio do governador e da sua base para ser um dia eleito presidente da AL-BA?

Já dizia o doutor Tancredo Neves que presidência é destino. Isso não está mais no meu horizonte. Eu não sou mais candidato. Fui pré-candidato na última eleição. Quem sabe um dia eu não possa sentar naquela cadeira de forma definitiva, que eu acredito ser o sonho de todo deputado que chega aquela Casa.

 

Você já ouviu nos corredores da Casa, na mesma frase, “Nelson Leal” e “reeleição”?

Seria muito cinismo da minha parte dizer que não. Já ouvi. A AL-BA votou no passado o final da reeleição, mas é um tema que ainda está nos corredores da casa. Não tem nada oficial e nada que tenha partido do deputado Nelson Leal. Acredito que é uma coisa muito embrionária. A eleição está ainda muito distante, só ocorrerá em fevereiro de 2021. Faz parte dos bastidores da política sempre ter semanas mais ferventes, mas já ouvi sim. 

 


Foto: Paulo Victor Nadal / Bahia Notícias

 

O senhor toparia ser novamente vice-presidente em uma tentativa de Nelson Leal de se reeleger?

Isso depende de uma série de coisas. É difícil falar de especulação. Dependeria muito. Sinceramente não tenho como opinar nesse momento sem ter a clareza se isso vai acontecer ou existirá uma PEC para a volta da reeleição. Se o deputado Nelson Leal será candidato à reeleição e de que forma seria dada essa movimentação.

 

Assim como o deputado Marcelo Nilo está hoje no Congresso Nacional, o senhor vislumbra ter esse plano de ir para a esfera federal na próxima eleição?

Tenho conversado muito com as lideranças que me apoiaram em 2018. Acredito que a Câmara Federal é um lugar onde temos muito mais possibilidades de exercer o mandato. Acredito que a constituição de 1988 reduziu muito a participação das assembleias estaduais. Ficamos espremidos entre o Congresso Nacional e as Câmaras Municipais. Tenho talvez o sonho de um dia chegar na Câmara Federal, mas eu sou jovem ainda e tenho tempo. Não sei se será algo para a próxima eleição. Estou focado no mandato no próximo e levar adiante os compromissos que firmei durante a campanha. 

 

Os deputados aprovaram em plenário o acordo de cargos e salários dos servidores da AL-BA, tecido por Angelo Coronel. Agora temos apurado que há uma articulação para a quebra do acordo por meio de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) do governador Rui Costa. O senhor e os seus colegas deputados erraram em aceitar esse acordo no passado?

O regime na assembleia é presidencialista. Essas questões administrativas, não tenho condição na interinidade tratar, pois não tenho conhecimento dos números. Não sei, de fato, o impacto que se tem na folha. Mas é também fato que o plano foi aprovado na legislatura passada. Inclusive eu também votei pelo plano de cargos e salários. É importante destacar que os servidores efetivos são o grande patrimônio da casa. Eles ficarão. Os deputados passam, mas os servidores efetivos ficarão. Então essa é uma questão muito técnica para opinar. Preciso de números para opinar de uma maneira mais firme. 

 

A presidência da Casa já avisou que pedirá suplementação ao governador e que as contas da AL-BA não fecham. Os números do déficit financeiros são de conhecimento do senhor e dos seus colegas? Quais são eles?

Repito. O regime é extremamente presidencialista. E não vem de Nelson Leal. A AL-BA sempre foi presidencialista e acho que sempre será. Não tenho acesso a esses números. Sabemos que a AL-BA tem um orçamento historicamente deficitário. Ao longo de todos os últimos presidentes, desde Marcelo Nilo, Angelo Coronel e agora Nelson Leal, a AL-BA tem um déficit que precisa ser suplementado. O tamanho dessa complementação eu não sei informar. 

 


Foto: Paulo Victor Nadal / Bahia Notícias

 

Em uma relação de altos e baixos, o senhor deixou o Podemos. O senhor voltaria para o partido comandado por Bacelar algum dia?

Na política a gente nunca deve fechar portas. Eu saí do Podemos com as portas abertas. Tenho profundo respeito pelo deputado Bacelar. Apresentei na Assembleia Legislativa, o título de cidadã baiana para a presidente nacional do Podemos, deputada Renata Abreu. Esse foi um partido que eu ajudei a construir aqui no estado. Fui secretário-geral. Fui militante político primeiro para só depois exercer o mandato. Acredito que político nunca deve dizer dessa água não beberei. 

 

O PSB, assim como o Podemos, tem integrantes que reclamam abertamente do tratamento que é dado pelo governador. Tendo passado pelas duas siglas, qual delas tem uma relação mais próxima com o governador Rui Costa hoje?

Os deputados Bacelar e Lídice da Mata sempre tiveram uma relação muito próxima do governador Rui Costa. O que eu digo é que no PSB, nós temos duas secretarias importantes na administração. Repito sempre, que mais do que espaços políticos no governo, a gente tem o respeito do governador. Toda a nossa bancada. Todos somos ajudados pelo governador Rui Costa e pela sua administração. Prova é que a votação de todos os deputados do PSB cresceu exponencialmente. Estamos entre os deputados mais votados. Acho que o PSB tem uma relação próxima com o governador. 


Como o senhor analisa a possibilidade de Guilherme Bellintani concorrer a prefeitura de Salvador pelo PSB?

Acredito que temos dois nomes no PSB para a eleição municipal. Temos o nome de Lídice da Mata, que lidera dentro da margem de erro a última pesquisa divulgada pelo Bahia Notícias. E temos o nome de um sujeito que tem uma história e uma identificação com a cidade muito grande que é do vereador Sílvio Humberto. Um negro, que tem uma militância no movimento. Que teve uma votação expressiva para deputado federal. Eu, particularmente, acho que já partimos com dois bons quadros prata da casa. O presidente do Bahia em nenhum momento ele se manifesta. Ele nunca procurou os deputados estaduais. Pelo menos nunca me procurou. Nunca procurou o vereador Silvio Humberto. Só se esse diálogo esteja sendo feito diretamente com a presidente do partido. Acho que não dá para chegar no vagão e já ir pela janela. Acho que tem que vir para colocar a mão na massa, discutir a cidade. Para apresentar uma alternativa para Salvador. Mas eu sou muito simpático as duas candidaturas prata da casa que temos. 

 

Bellintani se aproxima do partido ou a liderança do partido que vai até ele?

Isso que eu não sei. Não sei se existe algum diálogo dentro da Executiva do partido. Sabemos que ele tem uma relação muito próxima com o secretário do partido, Rodrigo Hita, mas acho que isso não é suficiente para viabilizar uma candidatura dentro de um partido tão grande como o PSB. Bellintani não pode chegar como general. Tem que chegar como soldado e ajudar a construir o PSB como todos nós estamos construindo. Se Bellintani quer ser prefeito de Salvador pelo PSB ele precisa ajudar na construção desse PSB. 

Histórico de Conteúdo