Segunda, 16 de Setembro de 2019 - 11:10

Paulo Câmara

por João Brandão / Lucas Arraz

Paulo Câmara
Foto: Priscila Melo / Bahia Notícias

O deputado estadual Paulo Câmara (PSDB), em entrevista ao Bahia Notícias, disse não achar o ex-presidente estadual da sigla e ex-deputado federal João Gualberto com identidade para ser candidato a prefeito de Salvador.

“Nome qualificado. Não tem muita identidade com nossa cidade. Foi prefeito de Mata de São João, muito bem avaliado. Mas defendo a identidade com a nossa cidade. Pessoas que têm legitimidade. Palavra mais adequada. Tem seu valor como empresário bem sucedido. Está viajando. Só retorna no final do ano”, ponderou.

O ex-presidente da Câmara Municipal de Salvador também questionou a legitimidade da atual presidente municipal da legenda na capital baiana. “Isso foi feito por João Gualberto. Isso é uma crítica. Como a de Conquista. Colocar lá pessoas completamente inexpressivas. Respeito. fez lá escondido. Paciência. Qual a legitimidade que você tem? Não conte comigo para esse projeto de trampolim, de aventura. Não vai ser partido oportunista. Porque se assim for, eu serei o primeiro a dizer”, afirmou.

O tucano, no entanto, não descartou apoiar Bruno Reis, atual vice-prefeito e possível candidato ao Executivo municipal, mas disse que fará todo esforço para ter candidatura própria do PSDB por causa da “sobrevivência partidária”.

“Eu vou defender até o último momento a candidatura do PSDB. Não há dúvidas disso. Até entendo, porque caso não tenha, não existe sobrevivência partidária. O partido que não tiver candidato, é capaz do PSDB sair de três vereadores para um. Vai morrendo. Vai diminuído cada vez mais. É questão de sobrevivência partidária. Bruno tem feito trabalho muito bonito para a cidade. O prefeito ACM Neto tem delegado a ele boa parte da agenda do dia a dia. Cara que já deputado estadual, duas vezes secretário. Tem todas as qualidades e prerrogativas para poder ser prefeito, como o PSDB tem bons nomes”, completou. 
Confira a entrevista completa:


O projeto de lei que regulamenta a prática dos esportes eletrônicos na Bahia foi aprovado na Assembleia e espera agora a sanção de Rui Costa. Além disso reconhece o jogador como atleta. O senhor acredita que os jogos eletrônicos podem avançar ainda mais e ser uma modalidade dos jogos olímpicos, por exemplo?
Isso é um vetor de crescimento enorme. Fazendo até um retrospecto aqui, quando comecei a trabalhar os jogos eletrônicos na Câmara Municipal em 2015, eu quis trazer a etapa do Mundial do CBLoL, fiz muito mais aquilo com a vontade de um assessor até sem conhecer o fato. Até brincava na Câmara: "O pessoal vai me esculhambar aqui no plenário. Vai dizer que vou trazer jogos eletrônicos". Brincadeira. Mas passei a estudar, trouxe especialista de fora, e ver os números que movimentam o esporte. Chegou a movimentar ano passado R$ 1,5 bilhão. É muito recurso. Somado a audiovisual dá muito mais. É um vetor de crescimento. Não há menor dúvida que daqui a seis, sete anos estará consolidado efetivamente no Brasil. Hoje as crianças já nascem com esse dom. Ferramenta institucional. Tem que incluir no calendário da cidade de Salvador, incluir na grade pedagógica. Temos vários talentos espalhados por nossa cidade. Temos jogadores de várzea de futebol, talentos na área de música. A gente precisa trabalhar aqui. Acredito muito no esporte.

O senhor propôs a vedação de nomeação, na administração pública direta e indireta os condenados por crimes previstos na lei Maria da Penha, mas depois pediu para retirar o projeto. Isso porque já tem outro projeto parecido em tramitação ou outro motivo?
Essa é a minha briga na Assembleia Legislativa. Não posso compreender como uma Casa daquela não tem um sistema informatizado. Sistema na Câmara que coloquei em 2013 que identifica a duplicidade de projetos. Na Assembleia ainda é feito de maneira manual. Deve ter na Assembleia 1043 projetos na CCJ e mais de 70% duplicados. Uma deputada deu entrada. Em respeito à ela pedi que retirasse. Se tivesse informatizado, certamente não faria. A maioria dos projetos, ou eles se completam ou as vezes uma ideia boa de São Paulo, do Nordeste, que você traz para sua cidade. A maioria dos projetos são que já deram certo e você adequa para sua cidade ou estado. Sempre fiz essa bandeira em defesa da mulher. A gente não consegue tirar todos os projetos duplicados.

O senhor foi presidente da Câmara de Salvador. Onde teve e tem mais produtividade, no Legislativo municipal ou na AL-BA?
A Câmara Municipal está no dia a dia da cidade. É mais operacional. Quando não é buraco é luz. Quando é táxi é Uber. Isso mexe no dia a dia do cidadão. A AL-BA está no meio do processo. Tem o Congresso que tem problemas de Brasília e Brasil. Câmara de Vereadores que está no município, onde tudo acontece. E a AL-BA ficou no meio. Então se você compara o dia a dia do cidadão, a Câmara de Vereadores tem mais produtividade, pois mexe diretamente. Não que a AL-BA tenha menos importância. Tem muito mais assuntos polêmicos de vereadores do que deputados. Deputados você faz projeto mais do Executivo. Projeto que se destaca – você pode até um ou outro – Câmara tem mais resposta mais rápida para a população.

Acha acredita que a Assembleia legislativa poderia ser mais produtiva? Como?
Primeiro é implementar uma cultura de trabalho. O presidente Nelson Leal vem com essa proposta agora, de colocar para votar projetos de deputado. A casa só se mobiliza quando há projeto do Executivo. Executivo você tem 60 deputados, depois esvazia. A gente não tem essa mesma mobilização de projetos de deputados. Meu discurso é repetitivo nas comissões. Foi essa cultura que implementei na Câmara de Salvador. [Leo] Prates deu continuidade e Geraldo Junior deu continuidade. Ninguém tira mais. É a nossa função. Sou legislador, não posso me furtar em ser marcador de audiência para secretário recebendo prefeito e vereadores, despachante. Minha função é legislar. "Ah, por que não tinha cultura de votar". Não, vamos acabar com essa cultura. Até o final do ano pelo menos dois projetos de deputados sejam votados.


O senhor defende candidatura própria do PSDB a prefeitura de Salvador.
Defendo. Até na reunião da última semana a Executiva se reuniu. Referendo que aconteceu na última reunião, de que o PSDB deve ter candidato nas principais cidades.

Quem seria esse nome dentro do partido? João Gualberto?
Nome qualificado. Não tem muita identidade com nossa cidade. Foi prefeito de Mata de São João, muito bem avaliado. Mas defendo a identidade com a nossa cidade. Pessoas que têm legitimidade. Palavra mais adequada. Tem seu valor como empresário bem sucedido. Está viajando. Só retorna no final do ano.

O senhor descartaria apoiar a candidatura do vice-prefeito Bruno Reis?
Não. Eu vou defender até o último momento a candidatura do PSDB. Não há dúvidas disso. Até entendo, porque caso não tenha, não existe sobrevivência partidária. O partido que não tiver candidato, é capaz do PSDB sair de três vereadores para um. Vai morrendo. Vai diminuído cada vez mais. É questão de sobrevivência partidária. Bruno tem feito trabalho muito bonito para a cidade. O prefeito ACM Neto tem delegado a ele boa parte da agenda do dia adia. Cara que já deputado estadual, duas vezes secretário. Tem todas as qualidades e prerrogativas para poder ser prefeito, como o PSDB tem bons nomes.

Imbassahy é secretário em São Paulo. Hoje, está longe do reduto eleitoral. Ele não tem mais pretensões políticas na Bahia?
Converso com ele quase que semanalmente. A função dele é tratar os assuntos de São Paulo. Não tem falado com ele sobre candidaturas futuras. Não sei qual desejo dele. Não posso dizer nem que sim nem que não com relação ao futuro dele.

O senhor iniciou o mandato sem críticas ao governo de Rui Costa. Nos últimos dias, no entanto, tem adotado uma postura de maior ataque à gestão estadual. O que mudou?
Não é questão de mudar. Sou uma pessoa muito técnica. Não faço palanque. Sempre procuro atuar em números, fatos, dados. Procuro pesquisar. O que aconteceu? O relatório do STN [Secretaria do Tesouro Nacional] e TCE. Já tem um mês. Fui conferir os dados. Confirmei todos os dados. Não fiz ataque grosseiro, nenhuma politicagem. Eu fui sempre falando que envergonha nosso estado. Meu papel é fazer a crítica e colocar posição de ajudar. Enquanto deputado, o que posso fazer para melhorar? Eu não meço meu mandato por discursos, número de projetos, para ser mandato qualitativo. Sempre procuro pontuar, debater e construir. A prática do negativismo não vai para lugar nenhum.

O senhor não será candidato a vereador na próxima eleição, mas teve votações expressivas em Salvador nas últimas eleições. Quem o senhor pretende apoiar? O presidente da Limpurb, Marcus Passos, é um nome que pode ser lançado com seu apoio?
Vou ter um candidato. Marcus é técnico de carreira. Gerente-geral do Banco Itaú. Meu amigo há 30 anos. Convidei ele a para a vida pública. Tomou gosto. É um técnico de carreira. Pessoa voltada para execução. Nunca me disse que queria ser candidato. Tenho pessoas que trabalho comigo que tem desejo. Votação minha você não transfere. Tem que mostrar e parecer viável. Tenho alguns coordenadores que me acompanham que têm desejo. Se a gente enxergar que março ou abril alguém se viabilizou, vamos botar na rua. 

O senhor já ameaçou deixar o PSDB caso o partido não mude e posições claras. O senhor acha o partido tem conseguido se renovar? E a ameaça está mantida? O senhor ainda pode deixar a sigla?
Desejo meu ano passado. Novembro de 2018. PSDB não teve postura, mostrou vacilante. As pessoas tinham vergonha de votar no PSDB. Sofri muito no partido. Formadores de opinião que me acompanham falavam: "Pô, Paulo. Só vou votar porque é você mesmo porque ele partido não vale nada". Quando amigo chega para falar isso, imagina quem não tem intimidade? Então esse era o sentimento. Ou o PSDB se reinventa, coloca sandália da humildade e vem com novas práticas ou então era partido fadado ao insucesso. Foi isso que disse ao governador João Doria. Ele disse que ia voltar a confiança e ter lado. A pessoa tem que ter lado na vida pública. O que acha o que pensa. O PSDB tem passado. Muito boa história para contar. Precisamos resgatar isso.

 

O que o senhor achou da decisão do PSDB de manter Aécio Neves no partido? Isso compromete a imagem da sigla?
Decisão da executiva nacional. Tem outros quadros que precisam ser avaliados, não só Aécio. A executiva sabe o que está fazendo.

O deputado federal Alexandre Frota é o mais novo tucano no ninho. O que achou da filiação dele?

Cara polêmico, mas tem autenticidade. Qualidade que ele tem. Fala o que pensa. Isso é bom. Eu acho que foi boa adesão. Ele não vacila o que ele fala. Sem diminuir ninguém. Olhando no olho. É uma qualidade.

O ex-deputado federal João Gualberto deixou a presidência do PSDB da Bahia, mas todo mundo diz que ele continua dando das cartas na sigla mesmo afastado. É verdade? O senhor acha que o partido está muito centralizado nele?
A executiva é ligada a Jutahy e Gualberto. Mas de maneira aberta. Adolphinho [Viana] está sendo muito equilibrado. Deve a Gualberto, Jutahy, mas está sendo equilibrado. Jovem. Até porque Gualberto, Jutahy e Imbassahy não estão mais na vida pública aqui na Bahia. Quem está tocando é Adolphinho.

Como o senhor avalia a presidência de Cristiane em Salvador?
Isso foi feito por João Gualberto. Como a de Conquista. Colocar lá pessoas inexpressivas. Qual a legitimidade que você tem? Não conte comigo para esse projeto de trampolim, de aventura. Não vai ser partido oportunista. Porque se assim for, eu serei o primeiro a dizer.

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