Segunda, 22 de Abril de 2019 - 11:10

Ana Paula Matos

por Rodrigo Daniel Silva / João Brandão

Ana Paula Matos
Foto: Paulo Victor Nadal / Bahia Notícias

A secretária das Prefeituras-bairro de Salvador, Ana Paula Matos, afirmou ao Bahia Notícias que não tem pretensão de disputar cargo eletivo em 2020. 

“Inclusive é algo que sido falado, de lideranças. Sou técnica, concursada da Petrobras, professora universitária há muitos anos. Sou administradora, advogada. Não faz parte dessa minha história técnica a carreira política. Hoje, agora, não faz parte dos meus planos. Levo isso com muito orgulho. Não tenho nenhuma pretensão. Descarto, sim, hoje”, afirmou.

Em 2018, Ana Paula apoiou João Roma (PRB) para deputado federal e Leo Prates (DEM) para estadual. No entanto, ela descartou apoio a algum candidato para a próxima eleição e negou o assédio de políticos para angariar seu apoio. 

“Ano passado apoiei João Roma, pois foi meu chefe, de reconhecimento e de respeito. Nas minhas horas vagas, eu tirei férias em setembro para apoiá-lo. Apoiei Leo Prates também que é meu colega desde o colégio”, contou.
Chefe de gabinete do vice-prefeito Bruno Reis, ela afirmou que o democrata é “meu candidato a qualquer coisa”.

“Eu conheço da vida inteira. Lembro que eu estava com ele na faculdade de Direito quando Neto convidou ele. Eu incentivei. Agora, se ACM Neto entender que Bruno Reis é o nosso candidato, ele é o nosso candidato. Se ACM neto entender que não é o momento, Bruno Reis não vai ser candidato”, apontou. Confira a entrevista completa:



Foi aprovada na reforma administrativa a mudança de status e a prefeitura-bairro passou a ser uma secretaria. O que muda com essa mudança?
Na prática tem dois aspectos: um é o aspecto do reconhecimento do nosso trabalho. Mostra que as prefeituras-bairro têm papel fundamental hoje na nossa cidade. Atendemos cerca de 7 milhões de pessoas. Na questão mais objetiva, facilita as interações com órgãos. Temos um papel muito grande de interlocução. Com esse status temos um empoderamento maior. Somos a pessoa que tem a capacidade de advogar pelo cidadão.

Amplia em relação a cargos? Independência a algum órgão?
Independência não tem como, pois somos ligados diretamente ao gabinete do prefeito. Então a gente tem um papel superimportante. Temos orçamento próprio, mas quem assina é o próprio chefe de gabinete do prefeito. Temos a criação de dois cargos. Cargo que é para gerente de zeladoria, que a gente tem equipe de engenheiros que atuam com as prefeituras-bairro. Na verdade a gente só está reorganizando. Deixa de ser um cargo na Secretaria de Gestão e passar a ser um cargo nosso. E estamos criando 10 cargos de coordenadores de unidade, que é espécie de gerente do SAC. A pessoa vai cuidar do atendimento, da demanda, do cidadão que chega querendo algo do INSS. Além disso, mais a criação do cargo de diretoria, que é alguém que vai coordenar esses atendimentos individuais.

Hoje, Salvador tem 10 prefeituras-bairros. Há intenção da prefeitura de criar novas sedes?
Em termo de sede, não temos intenção de ampliar. Essas prefeituras-bairro estão geograficamente organizadas. Seguem a nova Lei de Bairro. Mas o que a gente percebe é que mesmo você tendo 10 prefeituras-bairro, quando você compara com 163 bairros, se a gente criasse mais 30, seria o mesmo. As pessoas não teriam prefeitura-bairro no seu bairro. A gente criou um programa, que está fortalecendo, chamando prefeitura-bairro itinerante. A gente está levando para esses bairros o atendimento. 


Essa prefeitura-bairro itinerante visa contemplar os bairros que não são contemplados com a prefeitura-bairro, né?
Na verdade, todos são contemplados, mas não com sede. O cidadão tem atendimento que respeita suas características culturais. Quem é do Subúrbio tem uma característica, da Cidade Baixa tem outra. A gente começou com um caminhão grande, mas agora temos um caminhão pequeno e uma doblô. A gente monta mesmo, na escola, na associação, na igreja ou no meio da rua. O custo é muito baixo, mas a efetividade é muito alta.

Quais são as maiores demandas hoje no na prefeitura bairro? Há ampliação dos serviços?  
Estamos ampliando o tempo inteiro. Por exemplo, agora estamos com serviço novo que é recadastramento do Primeiro Passo e a inscrição do Pé Na Escola. Então a criança que estava sem a matrícula na escola conveniada, o pai vai lá, leva a documentação e identifica escolas pertos que a prefeitura contratou para a gente comprar essa vaga e garantir o estudo dessa criança. Normalmente o que as pessoas mais querem são serviços sociais. A gente tem dentro da estrutura da prefeitura, serviços sazonais. Qual é nosso papel? É identificar o que as pessoas precisam é garantir que a prefeitura chegue até essas pessoas. Se vai ser com um serviço que já existe ou um novo, vai determinar é a demanda. 

Vocês prestam serviços que são do governo federal e governo estadual. Há alguma dificuldade na relação?
Não! Normalmente essa relação é de técnico para técnico. Nesse caso o objetivo de todos os entes é o mesmo que é garantir melhoria para a população. É mais simples que esses órgãos nos cedam esses serviços. 

Na última edição Ouvindo o Nosso Bairro, 159 obras foram escolhidas pela população (primeiras colocadas). Destas, quantas já foram executadas? E quantas estão em andamento?
Todas foram executadas, com exceção de três obras que tiveram problema do local. Elas não poderiam ser executadas. Por exemplo, o mercado de São Miguel que foi toda requalificada. Tinha uma quadra. Entendeu que era melhor ter o mercado e fazer essa quadra logo próximo na Sete Portas. Não fiz o que exatamente eles queriam, mas atendi em conversa com a comunidade e conselheiros. Foram casos pontuais. Inclusive já estamos entregando 47% das segundas colocadas e 10% das terceiras. Nosso compromisso era fazer as primeiras, mas a medida que conseguimos nos organizar, fazemos as outras.

Vocês vão fazer até a terceira?
Em alguns casos. As terceiras de modo em geral fizemos iluminação e alguns equipamentos perto de escolas, de áreas que a prefeitura está arborizando. O compromisso era fazer a primeira, mas vamos avançar. Se pudermos fazer todas, faremos.



O prefeito ACM Neto (DEM) está prestes a terminar o mandato. A última edição do programa Ouvindo o Nosso Bairro ocorreu em 2017. Até o fim do mandato, haverá uma nova edição?
Foi aprovado um Projeto de Lei para institucionalizar o “Ouvindo Nosso Bairro”. Então deixa de ser interesse de cada prefeito e passa ser uma lei. Com isso, a consulta é feita a cada quatro anos. Deveria fazer a nova consulta com o novo prefeito, mas nosso prefeito é tão acelerado que é capaz de ele querer fazer hoje. A tendência que a gente acelere essas obras. Já temos feito 47% das segundas colocadas, e a tendência é fazer todas.

Em 2017, a senhora foi perguntada sobre a criação de um site para que o cidadão acompanhasse as obras realizadas, com prazos e valores. Este projeto ainda não saiu do papel. Por quê?
Junior Magalhães teve essa ideia com a gente. A gente criou um aplicativo. Esse aplicativo que eu gerencio todas as obras. Temos o site ouvindonossobairro.salvador.ba.gov.br. Tem a colocação de cada obra. 

Em 2016, o então prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, sugeriu ter eleição direta para definir os subprefeitos. O que a senhora acha desta medida? Poderia ser adotada em Salvador?
Acredito que ela não é necessária. Nós já temos eleição direta para os conselheiros. Nosso cargo gerente de prefeitura-bairro é um cargo comissionado, com papel mesmo de gestão. Exige formação, exige experiência. No nosso caso é muito de gestão. Você mesmo me perguntou como é a relação com governo estadual e federal. Nossa intenção é garantir a prestação de serviço. 

Os subprefeitos não são indicados de vereadores?
Não! São pessoas que têm a confiança do prefeito. Nenhum dos dez. Pode existir alguma afinidade com o pessoal. Se for indicação de um vereador, o prefeito não tem condições de administrar a cidade.


Nos bastidores, comenta-se que o prefeito ACM Neto deve lançar integrantes da prefeitura como candidatos a vereador. A senhora tem pretensão de ser candidata à vereadora em 2020?
Não tenho essa pretensão. Inclusive é algo que sido falado, de lideranças. Sou técnica, concursada da Petrobras, professora universitária há muitos anos. Sou administradora, advogada. Não faz parte dessa minha história técnica a carreira política. Hoje, agora, não faz parte dos meus planos. Levo isso com muito orgulho. Não tenho nenhuma pretensão. Descarto, sim, hoje.

A senhora tem sido assediada para apoiar candidatos nas eleições de 2020?
Não! 

Ninguém te pede apoio?
Não!

Mas na eleição de 2018 a senhora apoiou.
Ano passado apoiei João Roma, pois foi meu chefe, de reconhecimento e de respeito. Nas minhas horas vagas, eu tirei férias em setembro para apoiá-lo. Apoiei Leo Prates também que é meu colega desde o colégio.

A senhora é chefe de gabinete do vice-prefeito Bruno Reis. Ele é seu o candidato a sucessão de ACM Neto?
Eu ainda sou chefe de gabinete dele. Ele é meu candidato a qualquer coisa. Eu conheço da vida inteira. Lembro que eu estava com ele na faculdade de Direito quando Neto convidou ele. Eu incentivei. Agora, se ACM Neto entender que Bruno Reis é o nosso candidato, ele é o nosso candidato. Se ACM Neto entender que não é o momento, Bruno Reis não vai ser candidato.

Como chefe de gabinete de Bruno Reis, como está essa relação com Geraldo Junior?
A relação é ótima. Para você ter uma ideia, na Lavagem do Bonfim, Geraldo Junior foi tomar café da manhã na casa de Bruno Reis.

A senhora é concursada da Petrobras. Tem a pretensão de retornar um dia?
Tenho. Não sei quando depende de onde eu sou mais importante. Hoje eu entendo que ajudo mais aqui.

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