Segunda, 18 de Março de 2019 - 11:10

Diogo Medrado

por João Brandão / Jade Coelho

Diogo Medrado
Foto: Paulo Victor Nadal / Bahia Notícias

O superintendente da Bahiatursa, Diogo Medrado, atribui ao divulgação tardia da grade de atrações do governo do estado no Carnaval de Salvador de 2019 à agenda e à indecisão dos artistas. Ele disse ainda que a Bahiatursa já está planejando o Carnaval de 2020 para que os erros cometidos são sejam repetidos, a grade seja divulgada com antecedência e deste modo atrair um número maior de turistas para o estado. “A ideia é que logo após o São João, as grandes atrações a gente divulgue logo, até para facilitar a captação de novos turistas para o estado”, assegurou Medrado.

 

Um dos objetivos da Bahiatursa em 2020, segundo o superintendente, será o fortalecimento do circuito Osmar, no Campo Grande. Nesse sentido, o governo do estado já está traçando estratégias: “levar grandes atrações”. “Por conta dessa questão do Campo Grande a gente já vem conversando com eles pra poder já garantir essa presença maciça dos grandes artistas no Circuito Campo Grande”, explicou Diogo Medrado.

 

Quanto ao cachê pago aos artistas pelos shows, conforme Medrado, é feita uma análise de outros pagamentos, para que os valores não sejam discrepantes. “ A gente tem até o próprio cuidado pra olhar outras publicações para que não venha colocar valores acima para o governo do estado”, esclareceu. “Mas a gente estuda a possibilidade e proposta de cada artista, e a partir daí a gente faz a contra propostas dentro do orçamento disponibilizado para atender a demanda do Carnaval”, completou o superintendente.

 

A divulgação das atrações do Carnaval próximo da festa não prejudica?

Prejudica, mas a gente fica conversando com as atrações, arrumando o calendário junto com elas também. Fechando a agenda de cada um. Mas esse ano a gente já está bem adiantado, principalmente com as grandes atrações.

 

Já para o próximo Carnaval?

Sim, já para 2020. A ideia é que, logo após o São João, as grandes atrações a gente divulgue logo, até para facilitar a captação de novos turistas para o estado.

 

O que deu errado? Por que demorou tanto para divulgar neste ano?

Não digo que deu errado, foi mais uma mexida muito grande de agenda, algumas indefinições de 'quero tocar, não quero tocar' no Carnaval pipoca.

 

Teve artista se recusando a tocar?

Não se recusando, mas avaliando. Mas acabou que tocou. O principal foi mais essa solução de agenda pra ser viável.

 

Nossa repórter Jamile Amine observou que os shows do Pelourinho, no primeiro dia do Carnaval estavam vazios. Você também tiveram essa percepção?

Eu também percebi isso nos circuitos oficiais. Na quinta-feira, eu senti isso no Campo Grande e na própria Barra-Ondina. Mas logo depois na sexta-feira, achei que o Carnaval do Pelourinho veio se consagrando. Ele já é consolidado um Carnaval de família, de quem quer curtir de fato. Costumo dizer que o Carnaval do Pelourinho tem um pouquinho de quem é do interior, que quer curtir o Carnaval tradicional, com a fanfarra, com os mascarados.

 

Agora o que a gente percebeu também foi uma confusão entre a agenda da Secult com a Bahiatursa.

Sarajane foi um caso específico, como a gente até pontuou. Foi um erro interno na Bahiatursa mesmo. A gente programou ela pra um dia, mas aí a produção da gente não informou para a mesma. Então ela foi conduzida para terça-feira no Pelourinho. Acho que só foi esse mesmo o ruído de comunicação. Mas de resto a programação foi toda viabilizada, nessa parceria da Bahiatursa com a Secretaria de Cultura.

 

Como são definidos os valores dos cachês, já que, por exemplo, a gente observou que alguns artistas receberam um valor do governo e outro da prefeitura para cantar no período do Carnaval?

Não, a gente tem até o próprio cuidado pra olhar outras publicações para que não venha colocar valores acima para o governo do estado. Mas a gente estuda a possibilidade e a proposta de cada artista, e a partir daí faz a contra-proposta dentro do orçamento disponibilizado para atender a demanda do Carnaval.

 

Todo ano o Ministério Público recomenda a Lei Antibaixaria. Como o governo tem acompanhado isso?

A gente pede todo o repertório da atração, para que a gente não tenha nenhuma surpresa. Claro que na hora se o artista for tocar, a gente posterior ao evento chega até ele. Mas é um ponto principal que a gente observa. Quanto ao chamamento das bandas, das atrações não notórias, como Bell, Ivete, a gente também a gente pede a audição do CD, pra ver o tipo de música, o estilo que ela toca, a letra de cada música, de cada banda, pra gente ficar atento a isso. E é uma prioridade do governo.

 

Renato Fechine, que foi contratado pela Bahiatursa esse ano, é acusado de agredir a mulher. Como a Bahiatursa trata esse tipo de artista que tem acusações de violência?

 Eu vi por alto, sinceramente. Mas na conversa, quando a gente contratou ele, eu chamei ele e a gente conversou. Ele esclareceu que não foi o que foi destacado, e aí parece que ainda está correndo o processo, ainda não foi finalizado. A partir do momento que ele for considerado acusado a gente para de atender essa demanda dele.

 

Armadinho criticou o Carnaval de Salvador. Disse tinha que respeitar mais a cultura e tradição da Bahia, porque pessoas como Pepeu e Moraes Moreira não saíram. Como você enxerga esse critica?

A gente respeita e valoriza, valoriza muito, a questão dos artistas tradicionais. A gente teve Baby do Brasil, Paulinho Boca, o próprio Gerônimo, Luiz Caldas, os próprios irmãos Moreira, que também são valorizados através da Bahiagás. Numa parceria Bahiagás, Secretaria de Cultura e Bahiatursa. No caso isolado de Pepeu, a gente nunca foi provocado para isso, o caso de Morais Moreira é [diferente]. Até a última vez que conversei com ele, ele disse pessoalmente que não queria mais tocar no Carnaval. Então há uma opção dele e não nossa. Se formos procurados claro que as portão estarão abertas.

 

No balanço do Carnaval você disse que o Campo Grande precisava ser mais aprimorado, e que seria a proposta de que isso acontecesse nos próximos anos. Como o governo pretende fazer isso?

Levar grandes atrações e isso a gente vem fazendo a cada ano. Na abertura oficial do Campo Grande, na quinta-feira, a gente teve cinco atrações do governo do Estado: Léo Santana, Psirico, Dilsinho, É o Tchan e a Nata do Samba. Na sexta-feira a gente teve Sarajane, e no domingo, segunda e terça a gente incrementa com os artistas que ainda têm agenda disponível para isso. Voltando na primeira pergunta que você me fez, sobre a programação, por conta dessa questão do Campo Grande, a gente já vem conversando com eles pra poder já garantir essa presença maciça dos grandes artistas no Circuito Campo Grande.

 

O investimento direto da Bahiatursa ficou em torno de R$ 10 milhões, uma redução de 30% em relação ao ano passado. Foi uma redução significativa. Por que isso ocorreu? Ano que vem tem a intenção de continuar essa redução?

A gente tenta reduzir. A gente tem um problema no Carnaval que é a questão do privado, a gente não consegue viabilizar muito patrocínio privado porque a gente só tem um trio pra viabilizar como contrapartida de marca. Diferente do São João que a gente tem as praças do Pelourinho, o evento do Pelourinho de fato que nós realizamos, e o São João do Subúrbio que o governo do Estado faz também. Então esse ano a gente teve a parceria do ItMov, mas a ideia é sempre tentar melhorar o investimento do estado. Aplicar o recurso de forma mais coesa e que tenha uma rentabilidade maior, tanto de visibilidade quanto de retorno para a população.

 

Agora falando um pouquinho de São João, o que é que a Bahiatursa está preparando para este ano?

O São João já está praticamente todo pronto. Eu devo apresentar, junto com o governador, daqui a no máximo 15 ou 20 dias. Esse ano ele é mais especial porque ele bate junto com o feriado do Corpus Christi. Dia 20 é uma quinta-feira, é Corpus Christi, e o feriado de São João é 24, uma segunda-feira. Então a gente está lá só finalizando esse quebra-cabeça para não aumentar também o investimento do governo nessa festa, e logo em seguida, acho que em abril agora, já tá em processo mais burocrático, o chamamento, o edital. A gente vai lançar o edital para as cidades, basicamente seguindo o padrão dos anos anteriores, pra cada cidade fazer o cadastro para fazer o recurso.

 

E o São João de Salvador?

Em Salvador, a gente vai fazer no Pelourinho, a gente tem as três praças que são geridas pela Secretaria de Cultura, que durante o São João são emprestadas para a Bahiatursa. Tem ainda o Largo do Pelourinho e o Terreiro de Jesus. A gente vai fazer uma programação, a gente só está finalizando mais essa questão orçamentária, para adequar e não fugir muito do ano passado. E também o São João do Subúrbio que a gente faz dois dias, em Paripe, na praça João Martins, e o concurso de quadrilhas que a gente faz na praça da Revolução em Periperi, onde nós temos uma média de público de seis, sete mil pessoas por dia, a cada apresentação do concurso de quadrilha e a população abraçou.

 

A Bahiatursa vai liberar recursos para o São João de municípios com problemas de finanças?

Primeiro, para o município receber o recurso ele tem que estar com toda a sua documentação em dia. Então já parte daí que ele tem que estar legalizado, então essa é a primeira premissa para o município receber.

 

Quais são esses documentos?

Certidões, INSS, um monte de documentos que precisa. É um número bom de documentação. E eles precisam estar organizados e planejados para isso.

 

Como a Bahiatursa participa da discussão sobre a promoção do destino Bahia?

Olha, ano passado, em 2018, a Bahiatursa participou de mais de 60 eventos do mercado nacional e internacional. Esse ano, com a chegada do secretário Fausto [Franco], a gente conversou e, em até no máximo 15 dias, a Bahiatursa está transferindo para a Setur todo esse objeto de trabalho do mercado nacional e internacional. Então daqui a 15 dias, como eles tem relacionamento com companhia aérea, toda parte política do produto turismo, a gente, tanto eu quanto Fausto, conversou, entendemos que é melhor passar pra Setur para ficar mais alinhado.

 

Mas isso não seria um enfraquecimento da Bahiatursa?

Não não, a Bahiatursa faz toda a parte de eventos, Carnaval, São João, novos projetos que a gente tem pra lançar ainda neste ano, que devem ser lançado até abril, tanto para Salvador quanto para todo estado da Bahia.

 

Agora falando de política. Gostaria de saber como você observa essas constantes derrotas do seu pai? E se pretende se lançar em um cargo eletivo?

Não tenho pretensão nenhuma. Acho que o político da família é ele. Acho que a política mudou, as pessoas. Você tem jeito de fazer política e ele tá se atualizando aí. Eu costumo dizer, é uma cabeça de 70 anos de idade, não muda nada da noite para o dia, mas ele vem aprendendo e vai se dedicar agora ao seu programa de rádio que ele tem na rádio da gente, na Nova Salvador, e nas rádios de Valença também que ele faz participações. E acho que para 2022 é uma ideia, acho que a política está na veia dele, é uma cachaça, ele gosta muito, faz isso durante o ano inteiro, mas ele está entendendo que precisa mudar usando os métodos de fazer.

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