Segunda, 20 de Agosto de 2018 - 11:00

João Henrique

por Lucas Arraz

João Henrique
Foto: Rebeca Menezes/ Bahia Notícias

Candidato com a maior taxa de rejeição entre os nomes que disputam o governo do estado neste ano (veja aqui), João Henrique (PRTB) quer usar os 60 dias de campanha para tentar convencer o eleitor de que não foi um gestor ruim durante os oito anos que passou na prefeitura de Salvador. “Existe uma imagem minha na imprensa que não corresponde a pessoa que eu sou. Eu não me vejo nesse personagem de 'monstrossauro' que criaram”, comentou o candidato”. 

 

Apostando na aliança que seu partido, o PRTB, fez nacionalmente com o PSL de Jair Bolsonaro para alavancar sua candidatura, a hipótese de João Henrique é que a mídia tentar “grudar” imagens que não colam na sua testa. “Paul Joseph Goebbels, o assessor de Hitler, uma vez disse ‘minta, minta, minta e aquela mentira vira verdade'. É isso que alguns veículos da mídia tentam fazer hoje com Bolsonaro e tentaram fazer comigo nos últimos 16 anos. Mentir, mentir, mentir. Até que a mentira vira verdade”, explicou. 

 

Apesar da imagem negativa, ao Bahia Notícias, o candidato defendeu que possui experiência e herança política ganha do seu pai, o ex-governador João Durval, para vencer mais uma eleição: “O PT, muito menos o DEM, me queriam candidato ao governo com medo pelo candidato deles”. “Nas duas eleições de prefeito tive que derrubar, sem dinheiro, sem estrutura, sem apoio de governador, sem apoio de Presidente da República os candidatos deles. Derrotei com a força de Deus e do povo duas potências, que tinham o apoio de Jaques Wagner, Lula, César Borges e do senador ACM, que ainda vivo, fazia aquelas coisas que a gente sabia que ele fazia”, atacou João Henrique. 
 

Qual é o grande problema enfrentado pela Bahia e como o candidato pretende resolvê-lo?

 

Temos alguns grandes problemas no estado e eu fico preocupado em hierarquizá-los. Temos a economia paralisada que não é um problema estadual, mas nacional. A Bahia é o quarto maior estado em população do Brasil, com um interior pouco desenvolvido. Não temos investimentos econômicos na região, o que faz sofrermos muito com a seca e o desemprego. Em uma linha horizontal também tem o problema da saúde e da fila de regulação, que precisa ser informatizada o mais rápido possível. Devemos implementar a desospitalização urgentemente. As pessoas passam muito tempo na fila dentro dos hospitais esperando um atendimento, sem médico, quando poderia ocupar um leito que já deveria estar desocupado. 

 

Qual a diferença da sua candidatura para as demais?

 

A experiência de oito anos como vereador e prefeito de Salvador, como também a possibilidade de dar continuidade ao governo que meu pai, João Durval, fez. Meu pai respeitou e valorizou o funcionário público da Bahia. Não teve na história do estado até hoje um governador que tenha feito, em termos de valorização, salários e condições de trabalho, o que meu pai fez para o funcionalismo público. Outro aprendizado que meu pai deixou foi o combate à seca. João Durval inaugurou a Barragem da Pedra do Cavalo que abastece Salvador e impede que passemos por crises hídricas como as vistas no Rio de Janeiro e em São Paulo. Quero continuar esses dois trabalhos do meu pai e esse é o diferencial que tenho. 

 

 

Qual é o seu candidato à presidência da República? Por que escolheu apoiá-lo?

 

Jair Bolsonaro. As pessoas estão descrentes hoje dos poderes e da política e é por isso que precisamos de um programa de governo e de um gestor como Bolsonaro.  

 

O Bolsonaro já disse que não existiu ditadura no Brasil, que não há feminicídio e que não há salário desigual para mulheres. O senhor concorda com ele nesses pontos?

 

Eu concordo com alguns pontos e discordo de outros. Vamos ter 60 dias de campanha para falar sobre quais são eles, mas, no geral, o brasileiro precisa do Jair Bolsonaro. 

 

Mas sobre essas declarações que fazem o candidato ser considerado machista e homofóbico por alguns?
 
O que acredito que acontece é que estão querendo colocar na imagem de Bolsonaro, como fizeram comigo aqui na Bahia durante muito tempo, algumas gomas de mascar. Colar, como fizeram comigo, chicletes que não grudam. Eu fui vítima disso e Bolsonaro é vítima por estar na frente de pesquisas e ser uma grande ameaça a política tradicional. Muitas vezes as pessoas fazem uma noção do político a partir das versões que são repetidamente colocadas na imprensa de um modo geral. Paul Joseph Goebbels, o assessor de Hitler, uma vez disse “minta, minta, minta e aquela mentira vira verdade". É isso que alguns veículos da mídia tentam fazer hoje com Bolsonaro e tentaram fazer comigo nos últimos 16 anos. Mentir, mentir, mentir. Até que a mentira vira verdade. 


O prefeito ACM Neto disse em 2013 que o senhor deixou a prefeitura de Salvador com uma dívida de R$ 3,5 bilhões, deixando-a com dificuldades de honrar compromissos. Como acreditar que o senhor terá condições de manter a saúde financeira da Bahia?

 

Pela minha experiência. Fui o primeiro prefeito a administrar Salvador com a Lei de Responsabilidade Fiscal em vigor. Assumi a gestão sob o controle rígido da lei. As dívidas que deixei foram tão normais e administráveis que o prefeito ACM Neto está aí realizando algumas coisas pela cidade. Não foi inadministrável como ele disse. 

 

O senhor possui quatro processos abertos no Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) devido às contas rejeitadas nos anos de 2009 a 2012. O senhor não teme ser barrado pelo TSE? 

 

Meus dois advogados me garantiram o que eu já tinha intuído. Os quatro julgamentos foram anulados. A lista de inexigibilidade do TCM é um terrível erro e não sei que se o erro foi cometido por maldade ou por ignorância administrativa. Das duas uma. Muitos conselheiros do TCM são ex-políticos e outros fazem política, infelizmente. Fizeram política a vida toda, com raríssimas e honrosas exceções. Meus dois advogados me garantiram que hoje posso afirmar que sou ficha limpa. Os quatro julgamentos das minhas contas não existem no mundo jurídico. As quatro votações que a Câmara Municipal de Salvador fizeram para impedir não valem mais. Na época nem o PT, muito menos o DEM, me queriam candidato ao governo do estado com medo pelo candidato deles. Nas duas eleições de prefeito de Salvador eu tive que derrubar, sem dinheiro, sem estrutura, sem apoio de governador, sem apoio de Presidente da República, os candidatos deles. Os derrotei com a força de Deus e do povo. Derrubamos PT e DEM, duas potências da vida pública, que tinham o apoio de Jaques Wagner, Lula, César Borges e do senador ACM, que ainda vivo, fazia aquelas coisas que a gente sabia que ele fazia. Como enterrar vivo, se assim fosse necessário, os adversários políticos. Eu derrubei dois castelos castelos de ouro. Em 2012, para eu não disputar nada, eles tinham que tirar esse rapaz que veio de Feira de Santana destruir os castelos então quiseram me tornar inelegível.

 

O PRTB teve problemas para angariar alianças. Namorou com o PSC, com outros partidos menores e, por último, fechou com o PSL. Ainda assim o partido de Bolsonaro retirou a candidatura a vice e declarou abertamente que não vai pedir voto para o senhor. O que o candidato atribui essas negativas? Existe uma resistência da direita em torno do seu nome? 

 

Existe uma imagem minha na imprensa que não corresponde a pessoa que eu sou. O pessoal do PSL está com aquela imagem que a mídia construiu. Foram tantos adjetivos que usaram. Adjetivos que carregam tantas energias negativas, que eu prefiro não lembrar deles agora. Mas o PSL está com aquela imagem na cabeça. Nesses 60 dias de campanha eles irão me conhecer de verdade e não a imagem que fizeram de mim, via mídia, com seus proprietários políticos de órgãos de comunicação que querem João Henrique morto e enterrado a sete palmos do chão. Morto para que eu não derrube mais esse castelos de ouro. A convivência com a Dayane Pimentel (PSL) e essa turma de Feira de Santana, que eu não conheço pessoalmente, irá permitir que eles vejam que eu não sou esse "monstrossauro" que construíram e botaram o nome de João Henrique. Eu não me vejo nesse personagem de monstrossauro que criaram. 

 

 

A segurança pública é considerada o calcanhar de Aquiles da gestão Rui Costa. Recentemente, o Anuário da Segurança Pública mostrou novamente a Bahia como o estado brasileiro com mais mortes causadas por crimes violentos. Entre os problemas estão a atuação de quadrilhas de tráfico e o combate da SSP ao problema, que aumenta o número de mortes no estado. Como o candidato pretende lidar com o assunto? 

 

Com Segurança pública e violência você trabalha em causas e consequências. Colocar policial na rua é só atacar a consequência. Para lidar com o problema a curtíssimo prazo, vamos fazer uma proposta ao presidente Jair Bolsonaro. Em longo prazo, vamos propor combate à entrada de armas de fogo pelas fronteiras da América Latina. Hoje armas de fogo de última geração atravessam as fronteiras e entram no país. Armas que a polícia e o Exército não tem. Com a formação de exército que Bolsonaro e General Mourão tem, vamos fechar essa fronteiras. Essas armas não vão entrar na periferia de Salvador.

 

Como Bolsonaro, o senhor defende o armamento da população como forma de combater à violência?

 

Armamento não é uma prioridade. Acredito que primeiro, o que deve ocorrer, é o desarmamentos de bandidos por meio da política de fortalecimento das fronteiras. Depois, em um momento certo, podemos fazer um plebiscito para que as pessoas decidam democraticamente se elas querem ou não ter a posse da arma dentro de casa. Talvez queiram, mas não necessariamente o porte de arma com uso regular nas ruas. A posse dentro de casa por legítima defesa e o porte nas ruas são coisas diferentes. Podemos fazer plebiscitos para as duas coisa, mas a prioridade é cercar as fronteiras para que drogas e armas cheguem ao Brasil.

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