Segunda, 11 de Junho de 2018 - 11:00

João Gualberto

por João Brandão

João Gualberto
Foto: Paulo Victor Nadal / Bahia Notícias

O deputado federal João Gualberto (PSDB), que desistiu recentemente de disputar o governo da Bahia, atribuiu a desistência à Lei Eleitoral. Em entrevista ao Bahia Notícias, o tucano disse que o modelo atual favorece aqueles que têm mandato. “Não foi a pré-campanha que deu errado. O que deu errado foi a Lei Eleitoral, que favorece esses conchavos. Com essa coligação, os partidos têm que se juntar para eleger a maior quantidade de deputados. A coligação faz com que a sobra de votos de um partido vá para outro, o que não deveria ser permitido. Infelizmente mudamos a Lei Eleitoral, mas talvez mudamos para pior”, disse. Gualberto também avaliou o cenário nacional. Para ele, “temos um quadro muito anormal” por causa das pesquisas eleitorais apontarem a liderança do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro. De acordo com o parlamentar, o pré-candidato a presidente pelo PSL representa o “atraso mesmo”, e “seria muito ruim se ele ganhar”, mas disse a pior opção seria Lula. “Com corrupção não tem solução. Ele comanda um esquema de corrupção muito grande no Brasil, então claro que seria pior. Mas seriam duas coisas muito ruins para o Brasil, para o futuro dos jovens. Falando como cidadão”, disse. Confira a entrevista completa abaixo:


Foto: Paulo Victor Nadal / Bahia Notícias
 


Qual é a chapa dos sonhos do senhor para governador?
Desde que passei a não ser mais pré-candidato, quem compõe a cabeça de chapa de José Ronaldo, juntamente com Jutahy. [José Ronaldo] Vai decidir a chapa dos sonhos dele. Tem vários partidos envolvidos, o PSDB já foi contemplado com o nome de Jutahy, agora cabe a José Ronaldo decidir a chapa dele.
 
Por que o desejo de tentar a reeleição?
Na verdade, a política é complicada. Quando pensei em entrar foi quando fui prefeito. Nunca tinha me filiado a nenhum partido político. Fui reeleito. Fiz razoável trabalho em Mata de São João. Parei dois anos. Voltei a ser candidato em 2014. Fiquei analisando toda a situação no Brasil. Quando entrei na política eu imaginava que podia contribuir para a sociedade. Sempre achei que para mudar a sociedade tem que entrar na política. Hoje eu sinto que a política está muito difícil. O ambiente na Câmara dos Deputados é muito ruim, país divido. Deputados defendendo interesses próprios. O sentimento hoje é que estamos num momento complicado. E posso contribuir.


Chegaram a ter alguma conversa, nas épocas de negociações, para que o senhor assumisse o cargo de vice na chapa de José Ronaldo?
Não. Eu deixei muito claro que não aceitaria. Não houve proposta por saberem. Eu fui claro com todos.


Por que o senhor não quis ser vice na chapa de José Ronaldo? O senhor acredita que ele não vai ganhar? 
Não tenho medo na política, tanto que na eleição que fui prefeito, tinha 1% seis meses antes e ganhei a eleição. Quando fui candidato a deputado, decidi em abril. Fui pré-candidato ao governo. Seria uma eleição muito difícil. Quando Neto me chamou para ser candidato a vice, eu aceitei ser candidato, se ele fosse candidato. No caso de José Ronaldo, eu queria ser candidato [a governador]. Não é só porque você desiste de ser candidato que tem que ser vice do outro.
 


Foto: Paulo Victor Nadal / Bahia Notícias
 

O que achou da desistência do prefeito ACM Neto em disputar o governo da Bahia?
Super normal. Ele tem mandato de quatro anos e queria manter o mandato dele como prefeito. Ele ia receber critica de qualquer maneira. Se deixasse a prefeitura, iam falar que foi reeleito para o mandato de quatro anos e deixou em um ano e quatro meses.

 

Se o senhor tivesse na posição dele, o que faria?
Não seria candidato. Continuaria meu mandato. Fui eleito para quatro anos.

 

Existiu mesmo essa negociação de ser vice de ACM Neto, caso ele fosse candidato ao governo?
Na política tem o fato e versão. Ele entendeu que se fosse candidato seria a melhor chapa. Teve essa conversa, mas foi coisa do passado. Vamos falar do presente e futuro, que interessa mais.

 

A desistência dele causou debandada da base, como Claudio Cajado que foi para o PP. O senhor acha que foi um ponto negativo essa demora de anunciar que ele não seria candidato?
Infelizmente, na política brasileira, as pessoas querem ser governo. O PP querendo apoiar Ciro Gomes para continuar sendo governo. Esses que debandam acham que o outro lado vai ganhar, não debandam por ideologia. Muito complicado na política. Esses deputados que votaram com Temer estão recebendo milhões em convênios, pois acham que com isso têm força para ganhar eleição. Passam recurso através de convênios que a gente não fica sabendo para qual deputado foi esse recurso.

 
O que deu errado na sua pré-campanha ao governo?
Não foi a pré-campanha que deu errado. O que deu errado foi a Lei Eleitoral, que favorece esses conchavos. Com essa coligação, os partidos têm que se juntar para eleger a maior quantidade de deputados. A coligação faz com que a sobra de votos de um partido vá para outro, o que não deveria ser permitido. Infelizmente mudamos a Lei Eleitoral, mas talvez mudamos para pior. A lei é feita para beneficiar quem tem mandato. Vai ter muito pouca renovação no Congresso. Vai ter uma frustração da sociedade. As pessoas que estão no governo têm vergonha de declarar isso, [mas] têm tido muito recursos e cargos. Os deputados falam que não tem presidente melhor para deputados do que o atual governo. Lógico que eles têm vantagem. Falam em até R$ 160 milhões que o deputado está recebendo em recurso para aplicar município que apoia ele.

O senhor vai ajudar financeiramente a campanha de José Ronaldo?
Não tem por que ajudar a campanha. Nunca ajudei. No máximo financio a minha.

 

Qual sua avaliação da visita do ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin à Bahia na semana passada?
Falando para eleição para presidente, temos um quadro bastante complicado. Se não eleger um presidente com capacidade de gestão, sério, que tem segurança para investimento do Brasil, vamos passar por um momento muito ruim no Brasil. Temos alguns candidatos. O brasileiro parece estar muito confuso, para não dizer outra palavra. 87% não querem votar em ninguém envolvido em corrupção. Já 83% não querem votar em alguém inexperiente. Hoje quem está na frente das pesquisas é um condenado em segunda instância e um inexperiente que nunca fez nada na vida, que são Lula e Bolsonaro. Então mostra como a sociedade está. Desde 2013, quando começaram aqueles protestos de rua, que a sociedade não está gostando desse sistema político. E tem razão. Temos um quadro muito anormal. Geraldo é uma pessoa [que foi] quatro vezes governador de São Paulo, tem uma bagagem. Hoje qualquer coisa que o Ministério Público investigue fulano, coloca ele igual àquele que roubou um bilhão de reais. Espero que Geraldo consiga ir para o segundo turno. Ele vai crescer no Sudeste, em São Paulo.

 

O senhor acredita que o segundo turno vai ser Geraldo Alckmin mais um candidato do PT?
Eu acho. E é super normal.  A maior democracia do mundo tem dois partidos. Temos 34 partidos, não temos 34 ideologias. PSDB é uma, PT é outra. Tem um monte de partido que agrega o governo.


Foto: Paulo Victor Nadal / Bahia Notícias

 

O senhor acha que Bolsonaro é fogo de palha?
Eu espero que sim. Ele representa o atraso mesmo. Seria muito ruim se Bolsonaro ganhar.

 

O que seria pior para o senhor: Lula ou Bolsonaro?
Lula. Com corrupção não tem solução. Ele comanda um esquema de corrupção muito grande no Brasil, então claro que seria pior. Mas seriam duas coisas muito ruins para o Brasil, para o futuro dos jovens. Falando como cidadão.


Quem tem crescido nas pesquisas é Ciro Gomes (PDT). Tem alguma possibilidade de o PSDB se aliar com ele?
Ciro é um político tradicional igual aos outros. Ele flerta com PT e com o PP. PMDB, PP e PT formam o trio que teve mais envolvimento com corrupção. O primeiro deputado a ser condenado pelo STF foi um do PP. Como uma pessoa pode flertar com PT e PP? São opostos. Qual ideologia tem Ciro Gomes? É mais um oportunista. Eu mesmo sou contra o PSDB se envolver com PMDB, PT e PP. Se você começa errado desde a campanha, com as coligações... por exemplo: Ciro Gomes vai ter que manter os três ministérios que o PP tem hoje. Isso é muito ruim. Tira total credibilidade de Ciro Gomes, pois está flertando com todo mundo, de todos os extremos.


 
Alckmin esteve aqui na Bahia, mas ACM Neto não esteve presente. O senhor acha que tem certo descaso do prefeito com essas eleições?
Não é que não compareceu. Quem fez agenda de Alckmin fui eu. Ele vinha há 15 dias, mas foi cancelada. Agendamos para semana seguinte. Semana passada estive com Neto em Brasília. Ele me disse: ‘Poxa, uma pena. Estarei viajando. Tem como mudar?’. Tentei, mas não consegui. Se tem um errado nisso sou eu. Fiz a agenda e não consegui mudar.

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