Segunda, 25 de Março de 2013 - 12:23

João Gualberto

por David Mendes | Fotos: Francis Juliano

João Gualberto
Escolhido pelo PSDB como pré-candidato do partido ao governo da Bahia nas eleições de 2014, o dono da rede de supermercados Hiper Ideal e ex-prefeito de Mata de São João, João Gualberto, entrevistado da semana do Bahia Notícias, fez duras críticas ao governo petista no estado e defende que um gestor tem que governar todos os dias do ano. “O que falta na Bahia é gestão. Você não vê o governador se reunindo com os secretários e cobrando no dia-a-dia. Agora, nesse período da eleição, podemos citar o caso do metrô [de Salvador] como exemplo. Veja que em 2006, quando Jaques Wagner ganhou a eleição, o governo federal já era do PT e o prefeito, que ele ajudou a eleger em 2004, era João Henrique, e o metrô já estava aí. Ele [Jaques Wagner] não resolveu o metrô em 2005, em 2006 e em 2007. Quando chega agora, nas vésperas das eleições, quando o assunto é política e o PT tem candidato, aí ficam falando do metrô”, condenou. Para Gualberto, o que falta a atual administração estadual é “foco”. “O prefeito, o governador, o presidente têm que ter um foco: 'O que eu posso fazer para melhorar a vida das pessoas que eu prometi? '. Seja na educação, na saúde ou infraestrutura. Isso é que tem que ser feito”, disse. O empresário-político, que tem como uma de suas bandeiras principais a educação, fala da sua administração em Mata de São João durante os últimos oito anos, das suas atividades na iniciativa privada e ainda dá conselhos ao prefeito de Salvador, ACM Neto. “O papel do governo é fazer justiça fiscal e social e foi o que nós fizemos. Espero e tenho a certeza que é o que Neto quer fazer. É que ninguém gosta de pagar imposto, ainda mais quando não se observa os serviços. Qual o serviço que você vê em Salvador?”, questiona.
 

Bahia Notícias - Antes de partimos para o plano estadual, o senhor, que é pré-candidato ao governo da Bahia pelo PSDB, administrou Mata de São João nos últimos oito anos. Qual a avaliação que o senhor faz do período em que esteve à frente do Município?

João Gualberto - O Município de Mata de São João é um dos mais pobres da Região Metropolitana de Salvador. Em 2004, a receita foi de R$ 27 milhões/ano. Quem sabe o que é administrar um Município, sabe que esse valor é uma receita muito pequena. Então, você transformar um município, melhorar a educação, melhorar a saúde, com uma receita muito pequena, é lógico que necessita de um esforço muito grande. Entre as principais realizações está a Educação. Não é possível alguém pensar em governar, seja o Município, o Estado ou um país, sem priorizar a educação. E nós priorizamos a educação e os resultados estão aí. Nós temos o melhor Ideb [Índice de Desenvolvimento da Educação Básica] da RMS, à frente de São Francisco do Conde, Camaçari e Salvador. E nós tínhamos o pior da região, é bom enfatizar muito isso. Esgotamento Sanitário: fizemos uma obra dificílima, que é obrigação do Estado, e a Embasa deveria fazer, mas foi feita com recursos próprios do Município. Hoje, 60% do município tem sistema de esgotamento sanitário funcionando. Na saúde construímos um hospital e toda a rede de PSF [Programa de Saúde da Família]. Nós temos a atenção básica com 100% de atendimento. Mata de São João é um dos poucos municípios que têm cobertura 100% do Programa Saúde da Família. Na infraestrutura nós asfaltamos quase toda a cidade. Fizemos estradas, por exemplo, no litoral. Estradas feitas com recursos do Município. Quem conhece Praia do Forte viu como ela era em 2004 e como ela é hoje. Nós reorganizamos Praia do Forte e Imbassaí. Então, investimos em todas as áreas e deixamos o município pronto para cada vez mais crescer. Praia do Forte, Imbassaí e Sauípe são destinos turísticos consolidados, frutos do nosso trabalho nestes oito anos. 

BN - Nestes oito anos, qual foi a sua relação com o governo do Estado? Houve alguma ajuda?
 
JG - Quando um prefeito se candidata, eu não vejo nenhum dizendo, a não ser esse candidato que perdeu aqui em Salvador [Nelson Pelegrino], que quer ganhar a eleição contando com os governos estadual e federal. Esse não foi o meu lema. Eu queria ser prefeito, me candidatei e elaborei meu plano de governo contando com a receita do município. E foi com isso que contei. Eu não contei com o governo do Estado. Aliás quase todos os municípios que eu converso, a não ser nessa época pré-eleitoral que eles começam a reunir os prefeitos e oferecer isso e aquilo. O prefeito quando se candidata tem que dizer que tem condições de administrar. Não ficar depois dando desculpas de que depende do Estado. Eu me candidatei e administrei o município independentemente do Estado. Do governo federal conseguimos muito recursos com projetos, sem emenda parlamentar. 
 
BN - Quando o senhor fala de 'independência administrativa', exime o governo do Estado das responsabilidades?
 
JG - O governo tem por obrigação administrar o Estado e o município faz parte dele. Eu não estou dizendo que não vou contar com o governo para depois dar uma desculpa: ‘Eu não melhorei a educação do município por causa do governo Estado’. Não conto com isso. Eu vou contar com a receita do município. Mas, se o governo é omisso, não é por isso que não vou melhorar o meu município. Como é que eu posso contar com o governo, se as atribuições dele não estão sendo exercidas como deveriam? Segurança Pública, por exemplo, é uma atribuição do Estado, mas não está cumprindo com o seu dever. Educação do Ensino Médio também não. Não paga o transporte escolar do Ensino Médio. Nós tivemos um problema lá em Mata de São João com isso. Então, eu queria contar com o serviço próprio do Estado, mas eu não contei. O mínimo que o Estado deveria fazer é garantir as suas atribuições, mas nós não contamos com nada disso. Eu gostaria apenas que o Estado fizesse o seu papel. Não que me ajudasse, mas que exercesse o papel dele e cumprisse com o seu dever.
 
BN - Esta será a principal bandeira sua e do seu partido, o PSDB, para 2014?
 
JG - O que falta na Bahia é gestão. Você não vê o governador se reunindo com os secretários e os cobrando no dia-a-dia. Agora, nesse período da eleição, podemos citar o caso do metrô [de Salvador], como exemplo. Veja que em 2006, quando Jaques Wagner ganhou a eleição, o governo federal já era do PT e o prefeito, que ele ajudou a eleger em 2004, era João Henrique, e o metrô já estava aí. Ele [Jaques Wagner] não resolveu o metrô em 2005, em 2006 e em 2007. Em 2007, o PT estava aliado a João Henrique e não resolveu. Quando chega agora, nas vésperas das eleições, quando o assunto é política e o PT tem candidato, aí ficam falando do metrô. E é isso que tem que acabar. O baiano e o soteropolitano sofrem há muitos anos, mas só agora que falam disso. Agora vem o assunto da ponte [Salvador-Itaparica] também. Eu como prefeito e como político, e o PSDB também, achamos que você tem que governar todos os dias do ano, e não só em época de eleição. Por exemplo, o governo diz que se não quiserem resolver o problema do metrô, ele pegará os R$ 600 milhões e investirá em outro lugar. E por que não investe? Esses R$ 600 milhões estão no cofre, é isso? Por que então não melhora o sistema viário de Salvador? É um tipo de comportamento que eu não entendo como é que o governador chega às vésperas da eleição, ao invés de trabalhar de fato, fica fazendo política. Todo dia agora é essa história do metrô. O problema do metrô é desde que ele é governador, em 2007. O prefeito [João Henrique] e o presidente [Luiz Inácio Lula da Silva] eram alinhados e não resolveram o problema do metrô. Agora querem colocar que se o prefeito [ACM Neto] não quiser, o dinheiro será investido em outra coisa. Essa não é uma maneira correta de se fazer política. A maneira correta de fazer política é melhorando a vida das pessoas. O prefeito, o governador, o presidente têm que ter um foco: 'O que eu posso fazer para melhorar a vida das pessoas?'. Seja na educação, na saúde, infraestrutura. Isso é que tem que ser feito.
 

 
BN - Recentemente o secretário estadual do Planejamento, José Sérgio Gabrielli, disse que a oposição na Bahia está raquítica e o discurso está vazio. Agora vem a aprovação recorde da presidente Dilma. Qual é exatamente o centro da crítica da oposição, de um partido como o PSDB, por exemplo, ao governo Wagner?

JG - A educação, por exemplo. De 2009 para 2011, o Ideb caiu de 3,1 para 3. O que o governo vai deixar para as famílias baianas na educação? Piorou a educação? Piorou e muito. Em Mata de São João, os alunos saem da Rede Municipal, do ensino fundamental, com nota 4,5 no Ideb e vão para a Rede Estadual com 3 no Ideb. Além disso vão paras as escolas do Estado, em Mata de São João por exemplo, todas acabadas, sem reforma há muitos anos. Hoje se o aluno quiser se matricular no turno matutino, ele não tem condições. Aí ele tem que ir para o vespertino ou noturno porque não tem mais vagas. Então, na educação houve um abandono geral. Quando se fala de educação com o governador, ele fala do Topa [Todos pela Alfabetização]. O Topa é um projeto, e ele [o governador] e o secretário [estadual de Educação, Osvaldo Barreto] sabem muito bem disso, que se preocupa mais em matricular as pessoas. Matricula as pessoas e consegue alfabetizar 5% delas. Pode perguntar para o secretário se ele consegue alfabetizar mais de 5% das participantes. Então, falar em educação e colocar o Topa no meio, isso não é educação. Educação é pegar o aluno do ensino médio e colocá-lo na faculdade com condições, e é isso que não está acontecendo. A Segurança Pública é outro problema. É só pegar os números de 2007, quando o governador assumiu. No ano anterior, em 2006, era em torno de 26 homicídios por 100 mil. O Brasil estava em torno de 27 e a Bahia era um pouco melhor. Só que o Brasil continua 26/27 homicídios por 100 mil habitantes e a Bahia hoje chega a 37 mortes, segundo os últimos números que temos de 2010. Aí o governador fala que a violência está aumentando em todos os lugares. Mas não. A média nacional permanece nos mesmos índices. Em Pernambuco, que eram 55 mortes para cada 100 mil habitantes em 2007, hoje são 37 mortes. Então, a segurança pública pirou e muito. A seca, as pessoas falam desde quando eu era criança que existe a ‘indústria da seca’. Mas o que foi feito, de fato, pela seca na Bahia? Eu escutei um membro do governo falar que vai fazer a PPP [Parceria Público Privado] do metrô parecida com a da [Arena] Fonte Nova e que na Fonte Nova teve dinheiro do governo estadual, federal e das empresas. Mas pelo que tenho conhecimento, não entrou nenhum dinheiro do governo do Estado, mas sim empréstimos, ou seja, o governo está gerando uma dívida futura para os próximos governadores pagarem.

BN - O senhor tem ou responde a algum processo na sua passagem pela prefeitura de Mata de São João?
 
JG - Processo judicial zero, nenhum. Denúncia no Ministério Público teve uma só, o que é normal. Mas processo nenhum. Eu pensei que nem denúncia iria ter. 
 
BN - Então, o senhor está incluído nesse pequeno porcentual que passa ileso...
 
JG - Talvez, mas trabalhamos justamente para isso não acontecer.

BN - Qual é a função mais fácil: exercer uma função pública ou comandar uma empresa?
 
JG - Todas as duas são muito prazerosas. Na minha empresa tenho prazer. Supermercado é uma coisa muito boa e o resultado é imediato. Você faz uma promoção e no outro dia você já está vendo o resultado. Na política é mais a longo prazo. Você tem que planejar a médio e longo prazo. Mas esses últimos oito anos de governo foram muito prazerosos. Você assumir um município com o pior Ideb da Região Metropolitana e sair com o melhor da região, e depois você consegue fazer todas as escolas novas, os estudantes ficam felizes. Você constrói um hospital... Então, é muito prazeroso você ser político e mudar a vida das pessoas. O prazer e a alegria são muito grandes. Você não pode comparar uma coisa com outra, mas os dois trazem muito prazer para mim.

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