Sexta, 22 de Março de 2019 - 11:30

Resenha BN: 'Leaving Neverland' não prova que Michael Jackson era um pedófilo

por Deivide Souza

Resenha BN: 'Leaving Neverland' não prova que Michael Jackson era um pedófilo
Foto: Divulgação

O documentário “Leaving Neverland” (HBO) dirigido por Dan Reed, têm causado polêmica em todo o mundo.  O longa-metragem trás relatos “detalhados” dos abusos sexuais sofridos por Wade Robson e James Safechuck por Michael Jackson. Nos minutos iniciais da obra, Dan Reed se preocupa em romantizar as descrições das vítimas, estabelecendo uma relação intima entre o telespectador e os personagens, abordando memórias familiares, infância e o primeiro contato de Robson e Safechuck com Jackson. 


Em pouco mais de duas horas, Michael é pintado como um pedófilo, explorador sexual altamente calculista, mas o longa deixa de explorar outros aspectos importantes, como as possíveis marcas, sinais, mudanças comportamentais e traumas psíquicos deixados nas vítimas, e que indicasse aos seus pais os abusos sofridos. 


Os personagens não expressam pesar, muito pelo contraio, uma sensação perturbadora de que as vítimas gostavam da relação pedófilo x vítima emerge a todo o momento, James Safechuck chega a explanar “o gênio criativo me achou especial, como eu não iria gostar?”.


Entre pausas, silêncios e palavras bem ponderadas, Wade Robson e James Safechuck narram como os abusos aconteciam, segundo eles, em todos os cantos do rancho em Neverland, muitas vezes “sob” o olhar dos familiares, experiências sexuais descritas por Safechuck, como “perigosas, mas muito excitantes.”, prática “doentia, mas que parecia uma relação entre namorados.” What?


James Safechuck relata também que aceitava joias em troca das fantasias sexuais de Michael Jackson (lol, crianças não gostam de brinquedos?), objetos estes guardados por ele até hoje em um porta joias. O ápice é quando a narrativa descreve que Jackson utilizava brigas maritais dos pais de James para causar uma espécie de “alienação ao sexo feminino”, e quando sugere que Michael mudava de parceiro a cada 12 meses, mesmo sob as alegações das vítimas que diziam que teriam sido abusadas por anos.


O documentário foi construído de forma minuciosa, de modo a levantar dúvidas a quem assiste. Relatos incompletos, que se se entrelaçam a descrições desconexas e fora de contexto. O telespectador precisa pensar rápido, e é forçado a tirar conclusões e a sentenciar Michael Jackson com base no conteúdo da obra. A impressão que fica é de que “uma mentira mil vezes contada, torna-se verdade”. A única certeza que nós, expectadores desse massacre público ao Michael, chamado “Leaving Neverland”, temos, são as provas documentais com quase 300 páginas, relativas aos processos de abuso sexual de crianças lançados contra Michael em 1994 e 2004, episódios em que Jackson foi vítima de tentativas de extorsão, e os relatos testemunhais de quem convivia e o conhecia intimamente. As investigações duraram 10 anos, e teve a assistência do Departamento Federal de Investigação (FBI). Após assistir o longa, fica claro que um orçamento elevado e boas técnicas de edição, podem fazer até algo falso parecer verdade. 

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