Quinta, 07 de Junho de 2018 - 10:30

‘Oito Mulheres e um segredo’ traz roteiro coerente, mas poucas surpresas

por Rafaela Souza e Pascoal de Oliveira

‘Oito Mulheres e um segredo’ traz roteiro coerente, mas poucas surpresas
Foto: Divulgação

Um dos mais aguardados do semestre, o filme “Oito Mulheres e Um Segredo”  estreia nesta quinta-feira (7) prometendo risos e momentos de tensão em quem se propôs a descobrir o segredo escondido pelas 8 mestras na arte do roubo. Seguindo o ritmo do trailer divulgado, os primeiros cinco minutos do filme entregam logo de cara o tom escolhido para embalar grande parte do filme: um humor sutil que consegue divertir o público mesmo com a seriedade que os diálogos sugerem. 

 

No começo, as artimanhas de Debbie Ocean (Sandra Bullock) despertam espanto e admiração por parte de quem a vê confiante nas telas. Nesse momento, independente do caráter de quem assiste, o filme causa a torcida para que o grande crime dê certo. Em sua maioria, as personagens são seguras de si, calculistas e extremamente articuladas, fato que as ajuda a manter a pose até mesmo para roubar um fútil utensílio de loja. Se em “Onze Homens e Um Segredo” a marra dos homens convence os espectadores de que eles são os donos do pedaço, os saltos altos, vestidos caros e olhares penetrantes são apenas acessórios para a expertise das moças do elenco. 

 

O filme conta a história de Debbie, irmã do personagem de Danny (George Clooney) na trilogia “Onze homens e um Segredo”. Durante a sua prisão, a personagem arquitetou um roubo para colocar em prática assim que recebesse liberdade condicional. Após a saída da cadeia, a ladra decide juntar um verdadeiro time de mulheres para realizar um roubo no Met Gala, um dos maiores eventos do mundo, em Nova York. 

 

A equipe feminina é formada por Lou (Cate Blanchett), Rose (Helena Bonham Carter), Nine Ball (Rihanna), Tammy (Sarah Paulson), Constance (Awkwafina) e Amita (Mindy Kaling). O alvo das bandidas é o colar que será usado pela celebridade Daphne Kluger (Anne Hathaway) no desfile. Se tudo der certo, em algumas semanas cada uma das oito mulheres terá US$ 16,5 milhões na conta bancária.

 

Neste aspecto, a trama pareceu um pouco apressada no início para revelar todas as participantes que iriam compor o time das mulheres, o que poderia ter sido mais aprofundado. Apesar disso, duas personagens foram mais desenvolvidas como Debbie, Daphne e Lou. Apesar do elenco majoritariamente feminino, a direção não é feita por uma mulher. O roteiro é assinado pelo diretor Gary Ross (Quero Ser Grande) e Olivia Milch (produção da Netflix Dude - A vida é assim). 

 

No que se refere às atuações, quando um artista se dispõe a sair da sua seara para se aventurar em outra linguagem artística, é comum que o público compare, nem que minimamente, as suas performances. Ver Rihanna no “casting dos sonhos” está longe de ser decepcionante, mas é evidente até para olhares desatentos que o caminho percorrido pela nativa de Barbados não ultrapassou as barreiras do seu espaço confortável de “bad girl”. 

 

Já Cate Blanchett com seu típico ar de soberania e Sarah Paulson com seu semblante assustado também foi algo que não foi tão surpreendente para quem as acompanha. Por outro lado, Anne Hathaway aponta para um norte diferente e mostra uma face que destoa da que se costuma ver em seus outros trabalhos. A atriz de “O Diabo Veste Prada” interpreta uma celebridade que exacerba superficialidade, stress, síndromes de diva e uma esperteza mascarada.

 

Dakota Fanning, Anna Wintour, Heidi Klum e Kim Kardashian são algumas das participações discretas do longa que mostram que investir pouco não parece ter sido uma preocupação para a produção. Pôde-se notar essa “mão pesada” no setor financeiro na escolha dos figurinos trajados pelas protagonistas. Porém, não há sensação de briga por atenção e as roupas não “usam” as personagens, mas sim o contrário. 

 

É difícil garantir que o filme tenha se aproveitado das fortes discussões sobre representatividade nos últimos anos para vender a obra ou para conscientizar o público. Contudo, o elenco composto por mulheres brancas, uma negra, uma indiana e outra asiática levanta o questionamento. No fim, o filme teve um roteiro coerente, mesmo com algumas previsibilidades, e conseguiu manter uma unidade até o seu desfecho.

 

Spoilers não fazem parte de nenhuma review de respeito, mas não há como finalizar esse modesto parecer sem adiantar que “Oito Mulheres e Um Segredo” é um filme para torcer pelos vilões da história sem nenhum remorso.

 

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