Mulheres brasileiras são responsáveis por 50% dos filmes exibidos em festival de Paris
Kátia Adler | Foto: Divulgação

A organização da 21ª edição Festival du Cinéma Brésilien de Paris teve a grata surpresa ao constatar que, dos 23 filmes brasileiros, 50% das produções foram dirigidas por mulheres. O evento aconteceu entre os dias 9 e 16 de abril no cinema D'Arlequin, em Paris e exibiu ficções e documentários. O filme Deslembro, de Flavia Castro, ganhou o prêmio de melhor filme, através do voto popular. O filme conta a história de uma adolescente que volta ao Brasil após a anistia ser decretada no fim dos anos 70.

 

A noite de abertura contou com a presença de Sonia Rodrigues, filha do dramaturgo Nelson Rodrigues, que foi às lágrimas ao comentar que a história de O Beijo no Asfalto, obra escrita por seu pai nos anos 60 e adaptada para o cinema pelo diretor estreante Murilo Benício, continue tão atual. No festival, foi exibido o filme Marighella, de Wagner Moura, e teve os bilhetes esgotados no segundo dia do festival.

 

 

"Quando começo a fazer a programação, tento fazer um panorama do cinema brasileiro atual. A programação é o resultado das preocupações políticas dos diretores e uma escolha minha também. Quando se faz uma curadoria de 23 filmes, não se pode esquecer a nossa história", afirma Katia Adler, presidente e curadora do Festival Du Cinéma Brésilien de Paris. A curadora ainda diz que o “Brasil está num momento diferente, não o festival".

 

 

Essa é a primeira vez nos 20 anos de festival que 50% da programação são de filmes realizados por mulheres. "Fui escolhendo e de repente vi que tinham muitas diretoras. Contei os filmes e a metade tinham sido rodados por mulheres. Na reta final, entraram mais dois filmes produzidos por homens, se não fosse isso, as mulheres teriam sido maioria. Mas acho que o fato de ter 50% já é excelente. O importante do festival é o filme, e vou sempre escolher os filmes que tocam o público."

 

A conquista também é reflexo da demanda das associações do setor de audiovisual junto a Agência Nacional de Cinema (Ancine) que anunciou cotas para mulheres, negros e indígenas para os editais de produção de cinema brasileiro em 2018. Para Katia Adler, é importante as cotas e os editais para mulheres. “Acho positivo que tenhamos mais olhares de mulheres no cinema", afirma Katia, que vê os incentivos à cultura, ou a falta deles, refletirem diretamente em seu trabalho.

 

 

Além das diretoras, a programação destacou personagens femininas nos documentários Clementina, de Ana Rieper, My Name is Now - Elza Soares, de Elizabete Martins Campos, A Torre das Donzelas, de Suzanna Lira, Marcia Haydée, de Daniella Kallmann e no ficcionais Deslembro, Elis, de Hugo Prata, e Temporada, de André Novais de Oliveira (disponível na Netflix).

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