Sábado, 26 de Setembro de 2015 - 00:00

Para vencedor de prêmio brasileiro nos EUA, política cultural da Bahia não vive boa fase

por Ailma Teixeira

Para vencedor de prêmio brasileiro nos EUA, política cultural da Bahia não vive boa fase
Casal recebe prêmio de melhor curta-metragem | Foto: Divulgação / LABRFF
Para Matheus Vianna, cineasta baiano vencedor do 8º Los Angeles Brazilian Film Festival (LABRFF), por falta de espaço, o cinema local não vive sua melhor fase. “O calendário da cultura não está passando por um bom momento. Repasses atrasados e editais interrompidos não estão favorecendo”, lamenta. Vianna está em Los Angeles, onde participou do festival com o curta-metragem “Alegoria da Dor” na disputa da categoria ‘Best Short Film’. Apesar de não mostrar entusiasmo com o panorama do cinema no Estado, Vianna acredita que tem chances de fazer boas carreiras em importantes festivais e articulações com distribuidoras.  Com o fim das filmagens do longa “Xorume”, previsto para estrear em 2016, e “O Mar Que Mora Em Mim”, que foi contemplado pelo Programa de Apoio ao Desenvolvimento do Audiovisual Brasileiro, o cineasta conta com dois longas em fase de produção. Ele ainda acrescenta que há uma leva de produtos entre longas e séries para cinema, televisão e web na Bahia que serão realizados através das linhas de financiamento do Programa Brasil de Todas as Telas do Ministério da Cultura.

 

Formado em Cinema e Vídeo, o baiano, de 29 anos, descobriu que queria fazer cinema aos sete anos de idade quando visitou um set de filmagens pela primeira vez. No ensino médio, fez algumas “experimentações audiovisuais e teatrais”, mas só enveredou na direção de filmes quando ingressou na faculdade. De lá para cá, já produziu 11 curtas e um longa-metragem. Entre eles, o “Corte Seco”, premiado como Melhor Montagem no Vitória Cine Vídeo e “Fora Corja”, vencedor do Prêmio Alexandre Robatto no Festival dos 5 Minutos. O currículo de Vianna conta ainda com “O Flautista” e “O Tricolor Voltou”, filme sobre o Esporte Clube Bahia. Sua maior parceira de trabalho é Naia Prata, sua esposa, atriz, palhaça e protagonista de “Alegoria da Dor”. “É uma parceria do dia-a-dia. Uma troca criativa que surge dentro de casa e transborda para fora”. Naia, que assina o argumento e roteiro do curta junto com Vianna, é presença fixa na maior parte dos projetos do marido.





Vianna no set de filmagens de "Alegoria da Dor" | Foto: Divulgação

Produzido de forma independente pela produtora Cavalo de Cão, a qual Vianna é sócio, “Alegoria da Dor” é um filme de processo. “Toda criação se deu de maneira coletiva. Eu e Naia tínhamos o argumento, o conceito e uma escaleta”, define. O filme teve ainda colaborações de outros três amigos, que Vianna afirma terem participado diretamente do fluxo criativo. “O resultado é um mosaico de experiências pessoais compartilhadas entre amigos”. A inspiração, no entanto, não veio de vivências, mas sim de memórias. “Minhas criações partem sempre de uma imagem. Dessa vez não foi diferente. Certo dia, caminhando na orla, me veio a imagem de uma palhaça triste cortando cabelo em um cemitério. A partir dessa imagem, eu e Naia partimos para a construção do argumento”, explica. Mas foi quando se depararam com imagens dos avós de Naia, que ela não chegou a conhecer, que nasceu “Alegoria da Dor”. “No filme, acompanhamos várias Naias – neta, mãe, filha, atriz e palhaça – em um encontro com seus avós”, resumiu. Com apenas uma exibição pública, no festival, em Los Angeles, o filme tem seu trailer disponibilizado no Vimeo. Apesar de pouco assistido, a dupla aprova a recepção do público. “O silêncio que preenche a sala no fim do filme é como um gol para nós. É saber que conseguimos compartilhar nossas angústias com o público, que, em seguida, através dos aplausos, convertem a catarse para um lugar mais leve”, ressalta. O casal volta ao Brasil na próxima sexta-feira (25) para se dedicar a produção de “Xorume” e “O Mar Que Mora Em Mim”, os dois novos filmes.

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