Sábado, 14 de Setembro de 2019 - 05:01

Stallone à moda baiana

por Biaggio Talento

Stallone à moda baiana
Foto: Acervo pessoal

Stallone Cobra chegou aos chamados “canais de streaming”, aqueles que se acessa via internet. E o que isso tem a ver? Nada, mas, como diria um conhecido, “a propósito de...” devo dizer que vivenciei duas histórias reais nos tempos da Sucursal do Estadão em que o brutamontes ítalo-americano, pode-se dizer, foi o “protagonista” involuntário. Recuemos a agosto de 1986, quando o filme Stallone Cobra estreou no antigo Cine Glauber Rocha. Um motorista policial, certamente fora do expediente (ou não), vibrava na sessão vespertina assistindo os métodos violentos usados pelo personagem no trato com os meliantes. Aplaudiu de pé a cena em que o policial queimou um bandido vivo. Ocorre que, na mesma sessão, um grupo de universitários reagia de forma contrária ao motorista, vaiando Stallone. Foi o bastante para o início de um bate-boca acalorado e o fã de Cobra, honrando os métodos do ídolo, sacou seu trêsoitão e mandou bala, enquanto dizia, com o mesmo jeitão de Stallone: “vocês só entendem mesmo é essa linguagem”. Resultado: dois feridos sem gravidade e o valentão preso.

 

Dois anos depois, me mandaram contar a história de outro fã do ator. Um marceneiro morador de Lauro de Freitas que ficou hipnotizado com as façanhas de Rambo, o marine invencível, capaz de dar umas palmadas na bunda do Super-Homem, caso fosse preciso. A única homenagem que ocorreu ao fã, foi batizar o filho com o nome de Rambo, mas aí começaram seus problemas, pois os zelosos funcionários do cartório se recusaram, alegando que o garoto poderia sofrer bullying na escola. Não surtiu efeito o argumento do pai segundo o qual colocaria Rambinho numa academia de lutas, justamente para reagir como o personagem real a eventuais chacotas.. O marceneiro procurou políticos, cartórios de outras comarcas e não conseguiu o registro. Vencido pelas circunstâncias, aceitou que Rambo fosse o segundo nome no registro do garoto. Assim, ficou Fulano Rambo. É improvável que Stallone tenha tomado conhecimento dessas histórias da vida real baiana, bem mais interessantes que suas ficções no cinema. Mas, certamente, os dois fãs do ator devem estar se deliciando com o retorno de Cobra nos canais de streaming.

Histórico de Conteúdo