Sábado, 04 de Agosto de 2018 - 05:17

Itapuã e Outros Nós

por Otto Freitas

Itapuã e Outros Nós
Foto: Fábio Bouzas

Itapuã

Itapuã
é pedra que ronca
osso de baleia
que todo dia ia dar na praia,
depois da maré cheia.
É canção de Caymmi,
sangue na veia do pescador
que puxa a rede do mar.
 
 
Itapuã
é baba de Biriba,
feijoada de Amelia,
mingau de Amor,
água de flor,
porongo de Mimiro,
peixe na folha em brasa,
sob a terra e saber de Deraldo.
 
 
Itapuã
É caju no chão, coco no pé,
namorar sem medo,
na areia branca do Abaeté.
É poema de Vinícius,
paz, calma, preguiça,
boemia de vento e maresia,
banho de mar, tarde e noite.
 

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Banheira de girassóis
 
Banho quente todo dia,
entre bolhas imaginárias.
A cada verso a vida
escorre entre os dedos.
Eram todos fetos. 
Mergulho na banheira,
até o outro lado do mundo
que não é Japão.
Saio quase morto,
no meio dos girassóis,
para renascer depois,
em Shangri-lá ou Serinhaém,
tanto faz,
nunca fui lá nem cá.
 
    

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Outro nós
 
Você já não tem mais sentido.
Pra quê enganar o sinal?
Não tem mais papo, nem tato,
nem sapo pra engolir.
 
Você já não tem mais sentido,
nem seta, nem meta,
e segue na contramão,
sem senso de direção.
 
Você já não tem mais sentido,
nem norte, nem sorte.
Perdeu todos os cadernos
e a letra da canção.
 
Você já não tem mais sentido,
é horizonte perdido sem sóis.
Quem dera eu pudesse ter ido,
para atar-me a outro nós.
 
 
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Você só sabe dizer não
 
Você só sabe dizer não,
se queixa até do vento
que bate no tempo,
e só espera temporal.
 
Você não quer nem saber,
é não e pronto, nada de sim,
sem culpa, nem pranto.
É do seu jeito e fim.
 
Mas tire as mãos das cadeiras,
você está sem eira nem beira,
perdida nesse breu infeliz,
cheia de nãos até o nariz. 

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