‘É um momento de renascimento’: Lelo Filho celebra temporada de 30 anos de ‘A Bofetada’
Cerca de dez meses após um incêndio, que inutilizou equipamentos e destruiu o cenário de “A Bofetada”, durante uma temporada no Teatro Sesc Casa do Comércio, a Companhia Baiana de Patifaria volta àquele palco com a mesma montagem, em edição comemorativa pelos 30 anos desde a estreia, em 1988. A peça estreou no último fim de semana e segue em cartaz aos sábados e domingos, até 25 de fevereiro. “Eu acho que é um momento de renascimento. Na arte, essas coisas que acontecem às vezes nos impulsionam, na verdade. O artista tem essa tendência e talvez seja um dom, não sei. É como se fosse a história da Fênix que renasce das cinzas”, comentou Lelo Filho, fundador da companhia de teatro, que se disse aliviado por finalmente saber que o prejuízo gerado pelas chamas está perto de ser sanado. “É muito emocionante para mim voltar aqui, porque vem toda a lembrança, vem todo o filme. Mas o teatro foi recuperado de uma forma... O palco está muito bonito, as novas cortinas que são anti fogo, toda a produção que eles fizeram ali agora já vem com um acréscimo de segurança infinitamente maior, então é realmente uma renovação e eu acho que a peça volta mais renovada do que nunca”, acrescentou. Em entrevista ao Bahia Notícias, o ator revelou ainda novidades sobre esta nova temporada, que contará com uma “invasão” das “Noviças Rebeldes”, além de atualizações no texto. Lelo falou ainda do caráter político - mas não partidário - de “A Bofetada”, destacando sua preocupação com a possibilidade do avanço da censura no país, sobretudo quando balizada por jovens.

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Quinta, 07 de Dezembro de 2017 - 11:00

Curador da ‘Queermuseu’ diz que democracia está ameaçada: ‘A gente já vive outro Brasil’

por Lucas Arraz / Jamile Amine

Curador da ‘Queermuseu’ diz que democracia está ameaçada: ‘A gente já vive outro Brasil’
De passagem por Salvador para participar do Simpósio Internacional Arte na Educação Básica, que aconteceu no início desta semana, na Escola de Dança da Universidade Federal da Bahia, Gaudêncio Fidelis, curador da “Queermuseu”, viu sua rotina mudar drasticamente após a exposição ser acusada de incitar pedofilia e zoofilia. Ao Bahia Notícias, ele contou que soube do fechamento da mostra por mensagem de WhatsApp de um amigo, após as denúncias do MBL, e revelou que já deu mais de 150 entrevistas sobre o tema. “Eu li o texto e fiquei absolutamente em choque. Inclusive eu li duas vezes para ver se realmente o que eu estava lendo era verdade, mas eu não tive mais que cinco minutos para me recuperar da profunda tristeza que se abateu sobre mim, porque imediatamente recebi inúmeras ligações, que nunca mais pararam, da imprensa me procurando para colaborar nesse esclarecimento”, lembra. Gaudêncio, que foi convocado para comparecer à CPI dos Maus Tratos, no Senado, por meio de condução coercitiva, avalia que as reações da extrema direita e de “setores obscurantistas”, não significam simplesmente o fechamento de uma exposição, “mas um processo que já se iniciava de maneira muito forte, que é a criminalização da produção artística e dos artistas”. Ele, que é doutor em História da Arte, pela Universidade do Estado de Nova York, acredita que as investidas contra a “Queermuseu” se configuram em censura, por construir uma situação para que as pessoas se sintam constrangidas e não tenham acesso ao conhecimento através da arte. Apesar de afirmar que no momento é preciso estar alerta para compreender e combater a “engenharia de forças obscurantistas”, o processo de censura em si, as ameaças contra a liberdade de expressão e a democracia, além do crescimento do fundamentalismo, Gaudêncio consegue enxergar também um contraponto mais otimista. “A gente não pode celebrar a tragédia, eu tenho dito isso também, mas eu acho que é o momento que a gente tem que olhar as coisas em sua perspectiva. O debate se reabriu a partir do fechamento da exposição, ele não será fechado. Eu tenho sido em grande parte protagonista desse processo, infelizmente ou felizmente, até porque o Santander se recusou a falar sobre o assunto. Mas eu acho que é uma discussão de uma parcela muito considerável da população brasileira e que não será interrompida”, avalia. Confira a entrevista completa.

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Existe ‘espírito de censura’ parecido com o da ditadura, diz pesquisadora da Tropicália
Há 50 anos e alguns dias Caetano Veloso e Gilberto Gil deram início a uma revolução no seio da cultura brasileira quando apresentaram as músicas “Alegria, Alegria” e “Domingo no Parque” no Festival de Música Popular, em 21 de outubro de 1967. Os cantores misturaram o berimbau das massas com a estrangeira guitarra elétrica americana e bugaram quem ouvia as apresentações. Este foi o pontapé inicial do movimento que mais tarde seria conhecido pela alcunha de Tropicália, personificado pelo disco-manifesto “Tropicália ou Panis et Circencis”. Caetano e Gil não inventaram a mistura, mas bagunçaram um Brasil dicotomizado com um som que era erudito e popular, político, mas não proselitista. Rejeitado, mas reflexo do brasileiro miscigenado. Estudar os impactos da Tropicália na formação cultural do Brasil é o objeto de estudo de Ana de Oliveira. Com seu livro-objeto “Tropicália ou Panis et Circencis”, a pesquisadora referência no assunto analisa o que o movimento musical semeou e não poupa importância para tal relação. “Não é possível compreender o que é ser brasileiro sem passar pelo Tropicalismo”, defende a pesquisadora, que resolveu relançar seu livro no cinquentenário do movimento e em um Brasil tão parecido quanto o de 1967. “Existe esse espírito de censura às artes hoje no Brasil”, conta. “Não sei se precisamos de um novo Tropicalismo, mas o Brasil está muito parecido com o que rejeitou ‘É proibido proibir’ sem ao menos escutar a canção”, completou Ana de Oliveira em entrevista que explorou a importância da Tropicália para a formação cultural do Brasil, como também suas relações com o momento que vive o funk, estilo marginalizado como um dia o movimento tropicalista foi. 

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‘Salvador vai ter um equipamento único no país’, diz arquiteto sobre requalificação do TCA
Em maio de 2016, a capital baiana reabriu as portas da Nova Concha Acústica, em um momento histórico que marcou a conclusão da primeira etapa das obras de requalificação do Teatro Castro Alves. Naquele momento, baianos e turistas puderam conferir o resultado do projeto realizado pelo Estudio América, escritório de arquitetura paulista vencedor do concurso público voltado para este fim . Em entrevista ao Bahia Notícias, o arquiteto Lucas Fehr, sócio da empresa, falou sobre os desafios do trabalho no TCA e em equipamentos culturais, em geral projetos que usualmente requerem esforços de profissionais de diversas áreas. “Nós tivemos cerca de 20 projetos complementares, só para a gente ter uma ideia. Só o projeto de arquitetura a gente tem mais de 500 pranchas. Então é uma equipe já potente pra fazer isso, tanto na fase do projeto, quanto na fase de obra, que precisa ter uma equipe acompanhando”, lembrou o profissional, que contou com especialistas de áreas como acústica, iluminação e cenografia, para tratar das especificidades da obra. Lucas lembrou que um dos principais desafios do projeto foi respeitar a complexidade do espaço multiuso. “Você tem que ter um cuidado acústico muito grande. Por exemplo, agora vai reformar a Sala do Coro e ela fica aberta pro mesmo espaço que a Concha. Então você tem que estar na Concha Acústica ouvindo Novos Baianos, Ivete Sangalo, e lá dentro ter um silêncio pra uma peça de outra característica”, pontuou. Lucas Fehr falou ainda sobre a próxima etapa das obras, agora previstas para a Sala do Coro, que segundo ele, terá seu acesso invertido e dará espaço para soluções diferentes da tradicional configuração palco e plateia. Sobre o acompanhamento destas obras, que será feito por meio de uma consultoria contratada sem licitação, ele lamentou o fato de não ser feito pela própria equipe do Estudio America, desmentindo a versão da Secult, que atribuiu ao próprio escritório de arquitetura a indicação do profissional que tocará o trabalho. Confira a entrevista completa:

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Quinta, 07 de Setembro de 2017 - 11:00

Aposta para 2018, Àttøøxxá quer ser o 'pagode do agora'

por Lucas Arraz

Aposta para 2018, Àttøøxxá quer ser o 'pagode do agora'
O Àttøøxxá é um grupo de pagode diferente. Por vezes chamados de “o novo BaianaSystem”, por outras chamados de “pagode do futuro”, o grupo tem um objetivo claro: não quer só tocar nos paredões da Bahia, quer ganhar o mundo. O grupo formado por Raoni Knalha, Osmar Gomes, Wallace Carvalho e Rafa Dias surgiu de uma inquietação criativa. Eles não querem só fazer sucesso, a banda quer ser “mainstream”. As referências são Psirico e o produtor musical norte americano Skrillex. Se são realmente o “pagode do futuro”, como dizem, eles ainda não sabem. O Àttøøxxá quer ser o "pagode do agora". Querem fazer letras que respeitem homens e mulheres, mas façam todo mundo dançar ao som da Bahia. O grupo é uma das apostas para o verão de 2018 com a regravação de “Elas Gostam” com o Psirico e parcerias com nomes como Ed City.

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'Ainda tenho a expectativa de viver uma grande história de amor', diz Zezé Motta aos 73 anos
Em busca de um repertório especial, a atriz e cantora carioca Zezé Motta fez um mergulho profundo na vida e obra da intérprete Elizeth Cardoso para montar “Divina Saudade”, espetáculo que circula pelo país - e até exterior - há mais de 15 anos, com o qual passou por Salvador em meados de julho. Em entrevista ao Bahia Notícias, a artista contou as motivações para estudar o universo da homenageada, com quem revelou ter profunda identificação. “Tomei um susto com as coincidências. Ela torcia pelo mesmo time que eu… Flamengoooooo! (gargalhada). Ela tinha o mesmo signo que eu: Câncer! Pra você ter uma ideia, ela usava o mesmo sabonete que eu uso até hoje, há 20 anos. Mas eu não posso falar o nome, senão meu empresário me mata! (risos)”, disse a muito bem humorada Zezé Motta. A artista, que prefere ser classificada como “cantriz” - a soma da cantora com a atriz -, destacou ainda mais uma característica em comum com Elizeth: ser “muito namoradeira”. Aos 73 anos, ela conta que continua “piscando os olhos pros meninos” e que ainda tem expectativa de viver uma grande história de amor. Ainda dentro deste tema, seguindo a regra de “contar o milagre sem revelar o santo”, a carioca contou que uma de suas grandes paixões, mas com quem nunca se casou, foi um baiano. “Todo mundo sabe aí na Bahia! Pode pôr só isso na sua entrevista, que os baianos sabem. Os baianos são um perigo, né não, minha amiga? Não sei como é que vocês dão conta!”, disse ela, sem revelar a identidade do amado, mas dando algumas dicas. Durante a entrevista, Zezé explicou ainda como funciona seu processo de concentração para subir ao palco, local considerado por ela como “templo sagrado”; falou sobre sua carreira e também a respeito de política, sobretudo sobre o posicionamento do prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, com a classe artística, após tirar verba para a realização do Carnaval. “E essa coisa do Carnaval, eu concordaria se tivesse a absoluta certeza de que cada tostão que estivesse economizando com o Carnaval iria para os hospitais, para educação, para a cultura, mas a gente não tem essa garantia. Eu quero ver na hora de prestar contas. E por que tirar do Carnaval que é um patrimônio do Brasil e que dá lucro para o país?”, disse ela, revelando estar decepcionada pela “traição” de Crivella.

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Quinta, 06 de Julho de 2017 - 11:00

Bel Borba: ‘Os caras não sabem o valor dos artistas que nós temos na Bahia’

por Jamile Amine

Bel Borba: ‘Os caras não sabem o valor dos artistas que nós temos na Bahia’
Com mais de 40 anos de carreira consolidada no Brasil, o artista plástico baiano Bel Borba tem trabalhado intensamente fora do país. De passagem pela Europa, desde novembro de 2016, ele esteve na Alemanha, onde faz itinerância com a exposição “Os Filhos do Brasil”; na Espanha, com a mostra em bronze “Regênesis”; e hoje integra um grupo de artistas multiétnico que se prepara para uma residência em Veneza, na Itália. Em entrevista ao Bahia Notícias, Bel Borba detalhou os trabalhos que tem desenvolvido no exterior e falou sobre as diferenças culturais do público e do mercado na Europa e no Brasil, destacando a importância da arte como atrativo do turismo. “Eu acho que na administração pública não se coloca ainda na ponta do lápis o que o investimento em arte pode gerar”, comentou o baiano. “Eu não estou dizendo que os administradores sejam obtusos, mas eu não vi ainda nenhum administrador público que dissesse: vamos investir em arte, para que seja um atrativo de peso para engordar o nosso repertório para oferecer ao turista. Eu conheço russos, gente do mundo inteiro que vão à Bahia por causa de Jorge Amado”, acrescentou Bel Borba, ressaltando a necessidade não apenas de comprar as obras, mas também de fazer a manutenção. Ele comentou também sobre o abandono do espaço dedicado a Mario Cravo Jr. no Parque Metropolitano de Pituaçu e destacou a relevância do artista, a quem considera o maior e mais importante da Bahia. “Às vezes a gente sente a impressão de que os caras não sabem o valor dos artistas que nós temos aí na Bahia”, disse Bel Borba, ressaltando ainda que “toda homenagem que se fizer a Mario hoje é pouca, porque ele merece muito mais”.

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Quinta, 15 de Junho de 2017 - 11:00

Na final do Face Awards Brasil, Nina Codorna conquista público drag; conheça

por Nereida Albernaz

Na final do Face Awards Brasil, Nina Codorna conquista público drag; conheça
Uma das cinco finalistas do concurso Face Awards Brasil é a drag queen baiana Nina Codorna. Adepta do estilo kitsch, a drag encarnada por Marcos Borges ganhou repercussão nacional com apenas um ano e meio de vida. O concurso sediado em diversos países dará à vencedora o prêmio de R$ 20 mil e uma viagem com estadia de 14 dias para Los Angeles, nos Estados Unidos. O baiano, que admite “não ser maquiador”, já é reconhecido pela arte criada no próprio rosto. O cenário da arte drag queen tem mudado no cenário nacional. Artistas com Pabllo Vittar e Gloria Groove, por exemplo, circulam frequentemente em programas da TV, peças publicitárias e grandes casas de show, o que para Nina ajuda na “representatividade” drag. Apesar da baiana ainda “não ter muita visibilidade”, ela alcançou rapidamente espaço na mídia e ganhou fãs no público drag, o que o surpreendeu.

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‘Esse será o ano da rampa de decolagem’, diz maestro Carlos Prazeres sobre Osba
Encarando há seis anos o desafio de conduzir a Orquestra Sinfônica da Bahia (Osba), o maestro Carlos Prazeres, nascido no Rio de Janeiro, contou detalhes sobre a trajetória que o conduziu à atual fase profissional. Em entrevista ao Bahia Notícias, ele revelou diversos convites para reger importantes orquestras no Brasil e no mundo, e falou ainda sobre os planos para a Osba, que recentemente passou por um processo de publicização. “Esses três meses que a Osba vai passar agora são meses de absoluta transição”, explicou Prazeres, pedindo paciência ao público, para que os músicos e gestores possam “arrumar a casa”. “No segundo semestre a gente sabe que finalmente vai ter uma orquestra pronta para fazer uma linda programação”, garantiu o maestro. Ao comentar o período difícil pelo qual a Osba passou no último ano, Prazeres destacou e agradeceu o apoio de artistas da música popular, como Luiz Caldas, Saulo, Daniela Mercury, Djavan e Paralamas do Sucesso. Carlos Prazeres revelou ainda que, além do prosseguimento dos eventos tradicionais que já fazem parte da agenda da orquestra, a Osba contará com duas novas séries, em homenagem a Mãe Menininha do Gantois e Myriam Fraga. “A gente fez questão de colocar o nome de mulheres, isso foi realmente proposital. A gente sabe que a Osba quer ser uma orquestra que está em voga com o pensamento crítico atual”, explicou.

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'Tiro no pé a TV Globo ter tirado programa do ar', diz Domingos Meirelles sobre Linha Direta
A geração que cresceu assistindo ao programa Linha Direta, da Rede Globo, não esquece do suspense que passava com as simulações de crimes não resolvidos. Parte do clima era causado pela narração do seu apresentador, na época o jornalista Domingos Meirelles. "Aquele programa foi muito mal entendido pela crítica e pelo mundo acadêmico", desabafou Meirelles, em entrevista ao Bahia Notícias na véspera do Dia do Jornalista, comemorado em 7 de abril. Uma das críticas era o uso da dramaturgia para contar histórias reais, ao que o jornalista rebateu com a segurança de 50 anos de experiência na imprensa brasileira. "Foi um tiro no pé a TV Globo ter tirado esse programa do ar. (...) Acho que tirou um pouco diante da campanha que foi feita pela Folha de S.Paulo contra o programa. Críticos, professores, até, não conheciam o programa, não sabiam a mecânica, como a coisa funcionava", protestou o jornalista. Ao longo dos 30 minutos de conversa, Domingos Meirelles, hoje presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e apresentador do Repórter Record Investigação, critica o modo como é feito o jornalismo digital e defende a cobertura da imprensa em casos de repercussão, como a Operação Lava Jato.

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