Silva fala de inspirações baianas e diz que vive 'melhor fase' com música mais brasileira
O capixaba Lúcio Silva de Souza, mais conhecido como Silva, lançou o seu quinto álbum, intitulado "Brasileiro", este ano. O disco ganhou destaque por trazer ritmos mais nacionais em suas músicas, diferente dos trabalhos anteriores do cantor, que sempre gostou de explorar os sintetizadores. Além disso, Silva revela que o produto traz "reflexões políticas e sobre ser brasileiro".  “Estou achando lindo ser brasileiro, eu já passei dessa idade de ficar pensando: ‘quero fazer tudo o que está saindo no mundo, o que tem em Nova York’. Eu já fui um pouco assim e hoje eu já me ligo com as coisas que são importantes. Eu tenho muitas inspirações das músicas da Bahia, acho que  João Gilberto é o meu cantor predileto, Caetano, Gil, Gal. Eu moro em Vitoria-ES e sempre sofri muita influência do que vem da Bahia”, disse Silva ao Bahia Notícias. O músico apresenta nesta sexta-feira (28) a sua nova turnê, que recebe o mesmo nome do seu último disco. O show acontece na Sala Principal do Teatro Castro Alves, às 21h. “Eu acho que o show vai ser muito lindo, até porque vai ser no Castro Alves, um teatro que eu amo e é lendário. Já toquei lá com a Gal Costa, em 2015, e lembro que eu fiquei arrepiado com o teatro lotado. Eu acho que vai ser uma experiência muito emocionante para mim”. De acordo com Silva, "Brasileiro" reflete muito o momento que ele está vivendo. “Eu acho que pessoalmente eu estou na minha melhor fase, estou gostando muito de fazer o que eu faço, e estou me dedicando bastante. [...] Agora eu tenho mais foco, me cuido melhor, então está sendo a turnê mais prazerosa que eu fiz até agora e pela receptividade do público, que está vindo de um jeito muito caloroso”. 

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Quinta, 16 de Agosto de 2018 - 11:00

‘Vamos continuar resistindo’, diz Luedji Luna sobre dificuldades da mulher negra na música

por Lara Teixeira / Rafaela Souza

‘Vamos continuar resistindo’, diz Luedji Luna sobre dificuldades da mulher negra na música
Misturando diversos ritmos africanos e brasileiros nas suas composições, a cantora baiana Luedji Luna, 31, se tornou um dos nomes promissores da nova geração de cantoras do cenário musical alternativo no país. Ela que nasceu no bairro do Cabula, mas passou grande parte da sua infância e adolescência em Brotas, revelou, em entrevista ao Bahia Notícias, que a sua relação com a música começou de uma forma muito lúdica quando ainda era criança. “Cantar era minha brincadeira predileta, mas eu só tomei consciência com 17 anos, quando eu fiz a minha primeira música. Na adolescência eu comecei a escrever e a minha relação começou com a escrita, até mais do que com o canto, ou a música, e com 17 anos essa escrita foi se configurando em canções que eu tenho desde então”, relata a artista. Além disso, a influência musical foi algo que estava presente no convívio familiar, através do seu pai Cal Ribeiro, que era cantor e compositor.  Luedji é adepta do candomblé e falou sobre os desafios e dificuldades que encontra  no meio musical por ser uma mulher negra, que traz em suas músicas ritmos africanos e religiosos. “As dificuldades de estar nesse mundo que é racista e machista são algo que já está imposto desde que eu nasci, mas que a gente segue vivendo apesar da resistência da sociedade e do mundo em aceitar as nossas expressões, sejam religiosas ou artísticas”, argumenta. No entanto, Luedji admite que graças aos movimentos sociais anteriores a ela e outras mulheres negras importantes, os desafios de agora são outros. “Com certeza, foi mais difícil para Elza Soares do que para mim, mas ela continua sendo Elza Soares e eu continuo sendo Luedji Luna e vamos continuar fazendo o que sempre fizemos, resistindo e existindo apesar dos pesares”, completa. Morando em São Paulo desde o ano passado, Luedji retorna à capital baiana para lançar a turnê do seu primeiro disco  “Um corpo no Mundo”, na sala principal do Teatro Castro Alves, nesta sexta-feira (17). A turnê, que começa em Salvador, vai percorrer por mais cinco capitais brasileiras, entre elas Aracaju, Maceió, Belo Horizonte São Paulo e Rio de Janeiro. 

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'Me encantaria ir contra o sistema e estar com a rebelião', diz inspetora de 'La Casa de Papel'
Fenômeno de audiência, já não é novidade que a série espanhola “La Casa de Papel” ganhará uma terceira temporada na Netflix. O que nem todos sabem é que a atração chegou a ser boicotada em seu país de origem em represália à atriz Itziar Ituño, intérprete da inspetora Raquel Murillo. Em conversa com o Bahia Notícias, a artista, que nasceu no País Basco – comunidade autônoma situada no norte da Espanha – falou sobre o incidente. “Gente mais próxima quiçá à ditadura Franquista, mais simpatizante de Franco e dessa linha política, é a que armou todo esse boicote, que tentou acabar com a série e [fazer com] que as pessoas não vissem o primeiro capítulo”, explicou Ituño, destacando que “ao final conseguiram precisamente todo o contrário”, porque muitos decidiram ver a série justamente para se opor aos "haters". A artista disse ainda ter ficado surpresa com o sucesso de “La Casa de Papel” no Brasil e na América Latina, levantando também suas conjecturas para explicar este fenômeno. “A ideia de base é muito boa, e em países que estão passando por um momento ruim, que politicamente a coisa está convulsionada socialmente também, creio que uma história assim atrai. E os personagens, além do mais, são muito humanos, não são estereótipos, são gente normal, então é mais fácil identificar-se com eles”, disse Itziar Ituño, que confirmou sua participação na próxima temporada da série, apesar de não saber ainda de que forma a história irá se desenrolar. Afeita aos desafios, a atriz revelou ainda que gostaria de ver uma virada de sua personagem, passando de policial ao mundo do crime. “Me encantaria ir contra o sistema e estar com a rebelião, claro que sim! (risos)”, afirmou, sublinhando, no entanto, o pesar de eventualmente ter seus antigos companheiros como adversários. Na entrevista, Ituño falou ainda sobre engajamento político, poder, feminismo, e também sua outra faceta artística: a música. Ela lidera o grupo de rock basco Ingot, e contou que lhe “encantaria” fazer uma turnê no Brasil, onde esteve no ano passado, durante um festival de cinema. “Qualquer dia desse aparecemos por aí”, disse a artista, revelando “morrer de vontade” também de conhecer a Bahia. 

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Ao completar 60 anos, Trio Nordestino 'ganha o mundo' e realiza sonho de fundadores
Criado com a bênção de Luiz Gonzaga, por Lindú (voz e sanfona), Coroné (zabumba) e Cobrinha (triângulo), em 1958, na cidade de Salvador – mais especialmente no Pelourinho –, o Trio Nordestino celebra este ano suas seis décadas de tradição. O grupo, que hoje está sua quinta formação, carrega no sangue o DNA do autêntico forró, com Luiz Mário no triângulo e voz (filho de Lindú); Beto Sousa (afilhado de Lindú) na sanfona; e Jonas Santana, na zabumba. Em entrevista ao Bahia Notícias, os músicos contaram um pouco sobre a trajetória, partindo das ruas do Centro Histórico da capital baiana, passando pelo Rio de Janeiro e chegando ao reconhecimento internacional. “Pra você ver, o ano passado acho que a melhor coisa que aconteceu durante a vida do Trio Nordestino toda, fora as outras coisas maravilhosas, foi a indicação ao Grammy Latino. Já imaginou, um grupo que saiu daqui, três garotos saíram da Bahia, amarrando a cachorrinha, pra correr atrás de um sonho e eles conseguirem depois de 60 anos ser reconhecidos pelo maior prêmio da música internacional?”, lembrou Beto Sousa. Apesar do sucesso no exterior, com passagens pela Europa, Estados Unidos e até Japão, o grupo ainda crê que falta espaço para o gênero musical. “Eu não digo no Brasil todo, digo a mídia em si. O problema da mídia é o modismo, mas a gente não esquenta com esse negócio de modismo, porque aquele que faz sucesso hoje, daqui a uns três meses ninguém lembra”, defende Beto, que diz não ter nada contra os sertanejos – gênero que hoje ocupa grande parte da programação nas festas juninas –, mas acredita que o São João deve respeitar as tradições nordestinas, com forró como principal  estrela. "E as pessoas têm mania de dizer que o sertanejo cresce porque eles são unidos, mas é porque tem sim o investimento. O que acontece é a falta de investimento dentro do forró, porque se pegar um empresário desse que investe forte aí você vai ver que qualquer estilo estoura", avalia. O grupo falou ainda sobre as homenagens recebidas este ano e os planos de lançar um novo disco em homenagem à MPB e aos artistas nordestinos e também o primeiro DVD oficial do Trio Nordestino.

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Quinta, 17 de Maio de 2018 - 11:00

'Falta de expectativa e perspectiva de mudança', diz Lenine sobre 'Em Trânsito'

por Lara Teixeira

'Falta de expectativa e perspectiva de mudança', diz Lenine sobre 'Em Trânsito'
O cantor pernambucano Lenine escolheu a Concha Acústica em Salvador para apresentar e estrear o seu mais novo projeto, “Em Trânsito”. O show acontece neste sábado (19), às 19h, e marca o lançamento do 13ª disco do cantor, gravado durante uma apresentação ao vivo na casa de show carioca Imperator. O artista contou ao Bahia Notícias que percebeu uma diferença muito grande desse novo projeto com relação ao seu último trabalho, "Carbono”. “O foco do 'Em Trânsito' é justamente o núcleo familiar, que está comigo há anos adaptando meus discos para o universo do show. É Pantico Rocha, é Junior Tostoi, é Guila e Bruno Giorgi que também é diretor artístico do projeto todo. Então esse foco é que é bacana porque realça também esse som de banda que eu consegui com esses meus parceiros de som. Então talvez o 'Em trânsito' seja para mim a conquista mais de banda sonora que eu já talvez tenha conseguido realizar”. Além disso, Lenine falou sobre suas parcerias, sobre a mensagem que algumas das suas letras querem passar e sobre sua relação com os fãs da capital baiana. “Salvador tem uma peculiaridade sim. Eu tenho um público aí, que eu não sei se você tem noção. Olhe cara, é uma coisa muito afetiva, muito carinhosa”.

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Quinta, 12 de Abril de 2018 - 11:00

Apoiada pelo Natura Musical, jovem baiana Josyara imprime seu sotaque em novo CD

por Jamile Amine

Apoiada pelo Natura Musical, jovem baiana Josyara imprime seu sotaque em novo CD
Aos 26 anos de idade e com mais de uma década de estrada, a cantora e compositora baiana Josyara se prepara para gravar um disco de inéditas. O CD, que foi contemplado pelo edital Natura Musical, sairá no segundo semestre de 2018 e contará com shows de lançamento em Salvador e São Paulo. Nascida em Juazeiro, a jovem “malina” e “curiosa” teve o primeiro e intenso contato com a música aos dez anos, após encontrar o violão do avô em cima de um guarda-roupa. “Peguei o instrumento para ficar brincando, fingindo que estava tocando, e tal, aquela coisa. Mas, na verdade, eu destruí o violão, pintei todo de branco, foi um contato muito assim de impacto profundo”, lembra a artista, em entrevista ao Bahia Notícias. Do quarto para os barzinhos da cidade foi um pulo, sob tutela de uma amiga da mãe, que se propôs a ensiná-la a tocar, cantar e interpretar.  Aos 14, ela sentiu a necessidade de se expressar de forma autoral. “Eu falava: ‘não, eu quero cantar o que eu estou querendo dizer, com minhas palavras’. E aí veio essa leva de músicas e eu fui escrevendo, anotando…”, conta a cantora, que em 2012, quando ainda usava o nome artístico Josy Lélis, lançou o álbum “Uni Versos”, vencedor do Prêmio Sesc de Música. Agora, em processo de pré-produção do próximo disco, ela pretende firmar uma nova fase, mais madura, na qual assume não só o nome de batismo, Josyara, como também as rédeas de sua própria carreira. “[o novo trabalho] Tem essa mão mais na massa, né, de atuar com a direção mais firme de escolhas e tudo. E, sem dúvida, também a execução de violão. Eu me sinto mais segura tocando, porque, querendo ou não, esse disco já é bem antigo, já vai fazer seis anos”, diz ela, comparando os dois projetos. Ao que parece, a virada já começou. Em março deste ano ela, que começou nos barzinhos, subiu a um dos mais importantes palcos do país - o da sala principal do Teatro Castro Alves -, ao lado de nomes como Larissa Luz e BaianaSystem, para homenagear Ederaldo Gentil. Apesar dos encantos com a proximidade do sucesso, Josyara demonstra ter os pés no chão e plena consciência de suas origens: as margens do São Francisco, entre Juazeiro e Petrolina. Mesmo assim, ela prefere não ser enquadrada. “Eu sei muito de onde eu venho. E como minha mãe fala, como eu falo em casa, como eu cresci. Então, isso está em mim, não tem como negar”, diz ela. “Eu não sou música regional, mas está em mim a música pelo sotaque, pelo jeito de conduzir a melodia. Mas, ao mesmo tempo, eu gosto desse frescor, eu gosto da coisa eletrônica, desse digital”, avalia Josyara, que, em resumo, diz que faz MPB experimental com frescor e vontade de conhecer coisas novas.

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Neojiba quer oferecer 'outros caminhos' para jovens e levar acessibilidade a comunidades
O Neojiba irá realizar a segunda edição do Projeto de iniciação musical em São Tomé de Paripe e Alto do Tororó. Com bons resultados em 2017, envolvendo música e educação, o projeto não é voltado apenas para as crianças e adolescentes. Em entrevista ao Bahia Notícias, Marcos Rangel, maestro coordenador do Neojiba e Olgair Marques, coordenadora de Desenvolvimento Social, contaram de que forma o projeto é realizado, o que ele oferece para as comunidade e como a música, a educação e a formação social podem estar conectadas em um só lugar. "Fornecer outros caminhos é uma questão da acessibilidade. Era a primeira vez que a comunidade saía na televisão sem estar ligada à criminalidade. Conhecer esse outro mundo, conhecer que existe o teatro, que é público, que tem apresentações que eles podem participar, conhecer outros locais...", defendeu Olgair. A preocupação em acompanhar as famílias dos integrantes também é prioridade do projeto e, através de palestras e oficinas com temas como empoderamento feminino e igualdade de gênero a população, essas comunidades têm mais acesso a informação, entendendo seus direitos e conseguindo transmitir isso aos seus filhos.

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Quinta, 22 de Fevereiro de 2018 - 11:00

Bahia 'retoma processo histórico' ao ter Revolta dos Búzios como tema do Carnaval

por Jamile Amine / Lara Teixeira

Bahia 'retoma processo histórico' ao ter Revolta dos Búzios como tema do Carnaval
Esse ano o governo do Estado anunciou como tema do Carnaval do Pelourinho a celebração dos 220 anos da Revolta dos Búzios, um dos acontecimentos mais importantes da história da Bahia. Em entrevista ao Bahia Notícias, Carlos Eduardo Carvalho de Santana, diretor de Educação do Malê Debalê, explica por que a inconfidência baiana tem menos espaço nas discussões sobre a história do Brasil e as diferenças entre o movimento com outras inconfidências que ocorreram no país, como a Mineira e a Carioca. "O que há de diferente na Inconfidência Mineira é que talvez o grande grosso da se dá com a Elite. Tiradentes vai ser uma espécie de um indivíduo representante da classe popular, ele é o mais pobre digamos assim, então foi muito fácil você escolher um ícone, nós vamos ter um herói. Na inconfidência baiana você tem algumas diferenciações. [...] Diferentemente da Inconfidência Mineira, em que você tinha grandes lideranças, grandes senhores de Engenho, escravocratas e um ícone, aqui não, aqui será ao contrário. A maior parte são populares. Era uma revolta que iria enaltecer o povo e, se você enaltece a classe mais baixa, você está mudando o sentido da pirâmide. É muito mais fácil você escolher um ícone e transformar em um mártir do que transformar uma massa em líderes. Tanto que na Revolta de Búzios 11 escravos serão presos, todos os senhores serão absolvidos", detalha. Carlos cita ainda que, mesmo após da independência do Brasil, não se alcançou os objetivos buscados pelos inconfidentes baianos. "É um processo extremamente brutal nesse sentido, o que nos faz fazer uma reflexão de que, assim que o Brasil se torna independente, anos depois, não significa necessariamente a liberdade. Você termina se separando de Portugal, mas a escravidão continua e, quando chega o processo da libertação da escravidão, você ainda tem as demandas que não foram resolvidas desde Búzios. A República só vem depois. É como se houvesse uma tentativa de que esses ideais não fossem postos em prática da forma como foi foram pensados, como se houvesse uma especie de controle", aponta. Mesmo assim, o educador defende a importância de se tratar sobre o assunto durante o Carnaval. "Hoje você vai estar dizendo ao mundo que a Bahia está fazendo uma retomada de um processo histórico e as pessoas vão ter que estudar para saber que processo histórico é esse".

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‘É um momento de renascimento’: Lelo Filho celebra temporada de 30 anos de ‘A Bofetada’
Cerca de dez meses após um incêndio, que inutilizou equipamentos e destruiu o cenário de “A Bofetada”, durante uma temporada no Teatro Sesc Casa do Comércio, a Companhia Baiana de Patifaria volta àquele palco com a mesma montagem, em edição comemorativa pelos 30 anos desde a estreia, em 1988. A peça estreou no último fim de semana e segue em cartaz aos sábados e domingos, até 25 de fevereiro. “Eu acho que é um momento de renascimento. Na arte, essas coisas que acontecem às vezes nos impulsionam, na verdade. O artista tem essa tendência e talvez seja um dom, não sei. É como se fosse a história da Fênix que renasce das cinzas”, comentou Lelo Filho, fundador da companhia de teatro, que se disse aliviado por finalmente saber que o prejuízo gerado pelas chamas está perto de ser sanado. “É muito emocionante para mim voltar aqui, porque vem toda a lembrança, vem todo o filme. Mas o teatro foi recuperado de uma forma... O palco está muito bonito, as novas cortinas que são anti fogo, toda a produção que eles fizeram ali agora já vem com um acréscimo de segurança infinitamente maior, então é realmente uma renovação e eu acho que a peça volta mais renovada do que nunca”, acrescentou. Em entrevista ao Bahia Notícias, o ator revelou ainda novidades sobre esta nova temporada, que contará com uma “invasão” das “Noviças Rebeldes”, além de atualizações no texto. Lelo falou ainda do caráter político - mas não partidário - de “A Bofetada”, destacando sua preocupação com a possibilidade do avanço da censura no país, sobretudo quando balizada por jovens.

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Quinta, 07 de Dezembro de 2017 - 11:00

Curador da ‘Queermuseu’ diz que democracia está ameaçada: ‘A gente já vive outro Brasil’

por Lucas Arraz / Jamile Amine

Curador da ‘Queermuseu’ diz que democracia está ameaçada: ‘A gente já vive outro Brasil’
De passagem por Salvador para participar do Simpósio Internacional Arte na Educação Básica, que aconteceu no início desta semana, na Escola de Dança da Universidade Federal da Bahia, Gaudêncio Fidelis, curador da “Queermuseu”, viu sua rotina mudar drasticamente após a exposição ser acusada de incitar pedofilia e zoofilia. Ao Bahia Notícias, ele contou que soube do fechamento da mostra por mensagem de WhatsApp de um amigo, após as denúncias do MBL, e revelou que já deu mais de 150 entrevistas sobre o tema. “Eu li o texto e fiquei absolutamente em choque. Inclusive eu li duas vezes para ver se realmente o que eu estava lendo era verdade, mas eu não tive mais que cinco minutos para me recuperar da profunda tristeza que se abateu sobre mim, porque imediatamente recebi inúmeras ligações, que nunca mais pararam, da imprensa me procurando para colaborar nesse esclarecimento”, lembra. Gaudêncio, que foi convocado para comparecer à CPI dos Maus Tratos, no Senado, por meio de condução coercitiva, avalia que as reações da extrema direita e de “setores obscurantistas”, não significam simplesmente o fechamento de uma exposição, “mas um processo que já se iniciava de maneira muito forte, que é a criminalização da produção artística e dos artistas”. Ele, que é doutor em História da Arte, pela Universidade do Estado de Nova York, acredita que as investidas contra a “Queermuseu” se configuram em censura, por construir uma situação para que as pessoas se sintam constrangidas e não tenham acesso ao conhecimento através da arte. Apesar de afirmar que no momento é preciso estar alerta para compreender e combater a “engenharia de forças obscurantistas”, o processo de censura em si, as ameaças contra a liberdade de expressão e a democracia, além do crescimento do fundamentalismo, Gaudêncio consegue enxergar também um contraponto mais otimista. “A gente não pode celebrar a tragédia, eu tenho dito isso também, mas eu acho que é o momento que a gente tem que olhar as coisas em sua perspectiva. O debate se reabriu a partir do fechamento da exposição, ele não será fechado. Eu tenho sido em grande parte protagonista desse processo, infelizmente ou felizmente, até porque o Santander se recusou a falar sobre o assunto. Mas eu acho que é uma discussão de uma parcela muito considerável da população brasileira e que não será interrompida”, avalia. Confira a entrevista completa.

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