Mais introspectivo, Teago Oliveira lança primeiro disco solo com idealismo e melancolia
Foto: Divulgação

No mesmo ano em que o Maglore  grupo do qual faz parte  celebra dez anos de trajetória, o cantor e compositor baiano Teago Oliveira dá seu primeiro salto individual. O artista, que vive em São Paulo, lançou, na madrugada desta terça-feira (17), o disco solo “Boa Sorte”.  O show de lançamento acontece em Salvador, sua terra natal, no dia 3 de outubro na Sala do Coro do Teatro Castro Alves. 


Em tom melancólico, o músico canta visões de mundo e sentimentos muito pessoais, como a saudade da Bahia, a admiração por Belchior, lembranças familiares e a preocupação com o futuro do país e do mundo neste período de crise. “Foi uma questão de sonoridade e ao mesmo tempo uma necessidade urgente de conversar sobre coisas do nosso mundo. Não que isso não tenha sido feito na Maglore, o último disco fala muito sobre sociedade, do indivíduo, e esse meu disco é um pouquinho mais introspectivo nesse assunto”, disse o artista, em entrevista ao Bahia Notícias. “O som da Maglore é um som que a gente construiu e que a gente enxerga várias possibilidades para os próximos trabalhos, mas ele tem uma assinatura. Então no meu disco eu queria arrumar uma outra assinatura, criar um outro universo musical”, explicou.


Contemplado pelo edital Natura Musical, o disco conta com 11 faixas inéditas, a maioria composições do próprio Teago e algumas parcerias com amigos como Luiz Gabriel Lopes e Marceleza Castilho. Este último assina sozinho a autoria de uma das canções e é também o responsável pelo que veio a ser o nome do álbum. “Foi de uma conversa que eu tive com Marceleza. Ele mora na França e perguntou qual era o título do disco. Eu falei ‘ainda não tenho’, e ele falou ‘boa sorte’, e aí eu falei ‘é um bom título!’ (risos). Porque a gente estava conversando sobre esse tempo maluco que a gente vive hoje em dia, e até conversando com amigos depois eu falei: ‘é, acho que pra gente o Brasil nesse momento precisa mais de sorte do que qualquer coisa’”, lembrou o artista.


Na entrevista, Teago Oliveira falou também sobre o desejo do voo solo e o trabalho de composição, que levou anos; contou sobre o processo das gravações, que aconteceram de forma muito intimista, em Belo Horizonte, com apenas duas pessoas no estúdio; e ainda sobre o primeiro clipe, do single “Corações em Fúria (Meu querido Belchior)”, que foi gravado em apenas 6 horas, em Salvador. O cantor comentou ainda sobre os recentes casos de censura nas artes e a importância das políticas de incentivo, destacando o papel da cultura no fomento à economia e na geração de renda, além de apontar os problemas e mitos criados em cima de iniciativas como a Lei Rouanet.

 

Confira o álbum completo:

 

Esse ano o Maglore celebrou seus dez anos. Foi esse marco que despertou em você o desejo de encarar seu primeiro disco solo agora ou você teve outras motivações?
Já tem um tempo que eu tento fazer esse disco, que eu venho criando coisas novas que não necessariamente entram nos discos da Maglore. A Maglore tem uma forma criativa que é muito coletiva, então a gente sempre pensou na banda com um som, com uma estética que a gente criou ao longo dos anos. E eu tinha rascunhos de músicas de, digamos assim, outros caminhos musicais, sabe, que sempre tive vontade de fazer e nunca tinha recurso pra isso e nem tempo necessário. E aí aconteceu que no ano passado eu acabei sendo contemplado com o edital da Natura e eu decidi tocar pra frente. Como 2019 seria o ano que a gente iria comemorar os 10 anos de banda, eu preferi tocar pra frente o meu disco solo e a gente pensar no disco da Maglore em 2020. Até porque tem músicas que Luquinhas, o baixista, já está fazendo pro disco da Maglore, tem outras que eu já estou fazendo, a gente ainda nem reuniu pra criar coisas juntos. E ele também vai lançar um disco solo antes do da Maglore. É um tempo que a gente está produzindo bastante.

 

Então, as canções desse seu disco novo são composições antigas ou foram criadas ao longo dos anos? O primeiro single eu vi que foi o último a ser composto...
É, o primeiro single foi uma música que acabou surgindo em julho, letra e melodia. Mas a introdução dela eu tenho desde o primeiro disco da Maglore. Eu nunca conseguia completar essa música, dar seguimento à introdução que eu tinha criado. Então, meio que eu utilizei uma introdução que eu tinha há muito tempo. 

 

Algumas músicas são bem antigas. Tem uma música no meu disco que se chama “Metafísica”, eu fiz na época do “Veroz”, do primeiro disco da Maglore. Tem outras músicas que eu fiz em parceria com outros amigos. Tem uma que chama “Bora”, que é a música que abre o disco, que fiz em parceria com Luiz Gabriel Lopes, um músico amigo meu. É de 2016. Então, muitas músicas têm um tempo bem longo, já outras eu criei esse ano e no final do ano passado.


Quantas faixas tem o disco? Todas são autorais ou tem alguma regravação?
Tem 11 faixas. Eu não estou regravando ninguém. Estou lançando algumas músicas inéditas com os meus amigos, que é Marceleza Castilho, que é o compositor de “Avenida Sete”, uma música do nosso segundo disco. Tem uma música em parceria com ele e tem uma que é dele, o resto é tudo meu.

 

Você falou do som e da criação coletiva no Maglore. Além dessa questão, você tinha também mensagens diferentes que queria exprimir individualmente?
Eu acho que foi uma questão de sonoridade e ao mesmo tempo uma necessidade urgente de conversar sobre coisas do nosso mundo. Não que isso não tenha sido feito na Maglore, o último disco fala muito sobre sociedade, do indivíduo, e esse meu disco é um pouquinho mais introspectivo nesse assunto. Os questionamentos não são completamente diferentes, mas têm um sentido diferente, a abordagem é um pouco diferente. Mas o som é muito… Sei lá, a questão do som pra mim era uma necessidade artística sim, porque o som da Maglore é um som que a gente construiu e que a gente enxerga várias possibilidades para os próximos trabalhos, mas ele tem uma assinatura. Então no meu disco eu queria arrumar uma outra assinatura, criar um outro universo musical.

 


Capa de 'Boa Sorte' é assinada por Azevedo Lobo
 


De onde vem o título “Boa Sorte” do álbum?
Esse título foi de uma conversa que eu tive com Marceleza. Ele mora na França e perguntou qual era o título do disco. Eu falei ‘ainda não tenho’, e ele falou ‘boa sorte’, e aí eu falei ‘é um bom título!’ (risos). Porque a gente estava conversando sobre esse tempo maluco que a gente vive hoje em dia. E até conversando com amigos depois, eu falei: ‘é, acho que pra gente o Brasil nesse momento precisa mais de sorte do que qualquer coisa’. Foi mais ou menos nessa que eu entrei no nome do disco.


Como foi o processo de gravação do disco? Foi em São Paulo mesmo?
Ele sai em todas as plataformas nesta terça, dia 17. Eu fui gravar em Belo Horizonte, porque o Leonardo Marques   que é o cara que produziu os dois últimos discos da Maglore, junto com o Rafael Ramos, que é da Deck  é um grande amigo de longa data. Ele tem um estúdio em Belo Horizonte e eu sempre quis gravar naquele estúdio. Ele usa muita coisa antiga pra gravação e a gente tem essa coisa em comum, de gostar de sons mais antigos também, de microfones e tal. Basicamente eu gravei esse disco sozinho lá com ele. Ou ele apertava o botão do “rec” e eu gravava os instrumentos, ou eu ia correndo, apertava o botão do “rec” e ele gravava. Eram duas pessoas no estúdio. E em algumas músicas eu chamei alguns amigos, na verdade ele chamou alguns conhecidos de Belo Horizonte. Tem praticamente quatro faixas em que o Felipe Continentino, que é um músico de jazz muito renomado lá em Belo Horizonte, toca bateria; para as cordas, violino e violoncelo, eu chamei Rodrigo Garcia e Tiago Melo, que são músicos que tocam em vários projetos lá em Belo Horizonte; e no single que foi lançado a gente chamou o Elton Lima pra bateria, foi apenas uma música que ele fez. Mas essas pessoas fizeram partes bem específicas, assim, não foi uma banda. O disco foi gravado praticamente por mim e por Leo. Depois eu mixei esse disco em São Paulo, no estúdio Canoa, com Gui Jesus, do selo Risco. Ele faz bastante coisa aqui em São Paulo, é um cara bem talentoso, que eu gosto bastante. E aí ficou aquela coisa de ‘poxa, eu quero gravar alguma coisa em Salvador’. Por superstição mesmo eu gosto de ter alguma coisa em Salvador. E aí eu gravei uma base ou outra, e o clipe eu gravei em Salvador, lá no Coaty.

 


Teago ao lado de Leonardo Marques, produtor do disco "Boa Sorte" | Foto: Reprodução / Instagram

 

Sobre o primeiro single “Corações em Fúria (Meu Querido Belchior)”, em homenagem a Belchior, eu ouvi, vi o clipe, e ficou uma pergunta. Essa música é otimista, pessimista ou nenhum dos dois?
Eu acho que ela é uma música idealista, ao mesmo tempo que ela é também realista. Tem uma certa melancolia, de fato, tem essa coisa da melancolia dos tempos, mas também tem esperança. Têm momentos ali da infância, mas ela é também o recorte de muita coisa que acontece hoje pro bem e pro mal. Ela é uma música que acho que reflete de forma lírica, bem poética. Não tem nenhuma mensagem direta a alguém ou a alguma situação, não é uma música ativista, apesar do clipe ser bastante, a música não tem explicitamente um ativismo, apesar dele estar lá também. Não é uma música sobre política, apesar do conteúdo ter a política entre si, né. Música, arte em geral, é uma forma de fazer política de uma certa forma. Não política partidária, pelo amor de Deus!  


A música tem algumas palavras fortes, você ouve barulho de tiros, o som de uma marcha, ou vê no clipe a bota suja de sangue, as pessoas vendadas, uniforme escolar, abelhas mortas. Acho que estamos tão impregnados dessas questões políticas, que tudo isso remete à situação que a gente vive hoje no Brasil…

Sim, ainda mais essa música, que foi a última do disco, porque ela foi feita em julho, e eu acho que de certa forma eu estava embebido de muito noticiário quando eu escrevi, então tem sim vários elementos ali.


E com relação a Belchior?
Na verdade essa música era uma homenagem a Belchior. O título dela era uma homenagem a Belchior. Porque essa música tem trechos de letras que correspondem a uma completa referência à obra de Belchior. Tem a parte que eu falo “um cantor amigo meu”, e, na verdade, ali é da “Divina Comédia Humana”, quando ele fala “um analista amigo meu”. Então, tem algumas brincadeiras desse tipo. Tem “Corações em Fúria”, “Coração Selvagem”. Então, a música inteira é como se fosse uma carta pro Belchior dos anos 1970, aquele Belchior que fez o “Alucinação”, que é um grande artista, que eu admiro bastante. Tem um projeto aqui em São Paulo que é uma homenagem a ele que reúne vários músicos, enfim, a gente se reúne, toca, e Belchior sempre foi uma inspiração, sempre foi um cara que eu acho que estava muito à frente do seu tempo. Não teve até um reconhecimento tão grande, como eu acho que ele merecia, mas isso aí são outros quinhentos, né, a vida é assim mesmo.

 

E o clipe, como foi o processo de gravação no Coaty. Você sentou com a equipe para definir ou você já tinha alguma coisa em sua cabeça?
Eu chamei Victor Marinho pra fazer esse clipe. Victor é um amigo meu, é um cara que é diretor de fotografia, já fez direção de fotografia pra clipe de Anitta, Ludmilla, já fez peça publicitária pra Mercedes, enfim, é um camarada muito jovem, muito talentoso, muito engraçado. A vida dele é muito engraçada, ele morava aqui na Paulista [Avenida Paulista] e abandonou tudo pra viver no mato. Ele mora no Capão e não tem nem mais o equipamento, mas ele veio fazer um trabalho em Salvador, na prefeitura, na época que eu estava aí. Eu vim pro aniversário do meu pai, e quando cheguei fui conversar com ele. Eu falei: “bicho, vamos fazer um clipe, preciso de você pra fazer um clipe!”. E aí ele falou: “vamo!”. Eu já tinha mandado a música pra ele e ele disse que só ia fazer se fosse dessa música, aí eu disse: “ótimo, porque é ela mesmo que a gente vai fazer”. E aí a gente fez um brainstorm do roteiro, mas a gente tinha pouco tempo pra gravar. Eu falei com uns amigos, eles se reuniram no elenco, e quando chegou lá, foi numa sexta-feira, ele começou a filmar. Eu não tinha tanta ideia de como o clipe ia ficar e eu acredito que nem ele, mas ele tinha uma ideia base, porque a luz ia mudando, a gente tinha pouco tempo pra gravar e ele ia improvisando bastante. Porque esse clipe foi gravado em seis horas, eu tinha que viajar pra São Paulo. Então, foi bem rápido, mas ele foi meio que costurando e construindo o ambiente do clipe. Tem várias referências, ele pode falar melhor do que eu, mas ele queria passar uma mensagem esperançosa, apesar do clipe ser um pouco pesado. Mas no final ele tem uma certa esperança.

 

Veja o clipe da música em homenagem a Belchior:

 

Tem o show de estreia em outubro na Sala do Coro, disco, clipe, isso tudo estava previsto no edital? Tem algo mais previsto?
Não, eu acho que vai ter mais um clipe agora pra ser lançado, junto com o disco. O show vai ser no dia 3 [de outubro] na Sala do Coro, em Salvador. E em São Paulo vai ser no dia 18, no Ibirapuera. Eu tenho na verdade na banda dois caras que me acompanham, com baixo e programações, eu não quis fazer uma banda pra esse projeto, por conta da Maglore já ser uma banda, e é isso. Em alguns momentos eu vou estar sozinho no palco e em outros eu vou estar acompanhado desses dois camaradas, músicos.

 

Para contextualizar. Seu disco foi viabilizado a partir de um edital, o Natura Musical, e hoje a gente tem visto o governo esvaziando políticas públicas voltadas para a produção cultural. Como você vê essa questão?
É um assunto polêmico e bem delicado. Se criou um mito no Brasil, principalmente sobre a Lei Rouanet - o meu projeto não foi pela Lei Rouanet - de que ela tira o dinheiro do povo e dá pro artista. Eu acho que ficou evidente que existiram abusos. Houve projetos que foram aprovados e que obviamente, tanto a opinião pública, quanto os próprios críticos, sabem que houve abusos. Mas a Lei Rouanet foi criada nos anos 1990 e já se comprovou, existe estudo de impacto, que um projeto aprovado pela Lei Rouanet devidamente cumprido, ele gera emprego, renda e fomenta a economia local. O que acontece hoje em dia, que a gente vive uma polarização tão grande, que a opinião pública foi tomada por um sentimento completamente distorcido do que é esse projeto. 

 

Então, as pessoas tem a ideia de que o artista, o músico, ou as companhias de teatro, de cultura, são vagabundos sustentados pelo governo. Isso não é verdade, por exemplo, eu fui contemplado por esse projeto, que não é o edital da Lei Rouanet, que na verdade é patrocinado pela Natura, o dinheiro é da Natura, a isenção fiscal para a Natura, como existe isenção em várias outras áreas, obviamente, e meu projeto foi aprovado. E ai eu consegui fazer com que mais de 100 pessoas trabalhassem, eu realizei um disco, vou realizar dois shows, fiz dois videoclipes e não coloquei nenhum centavo no bolso. As contas são devidamente prestadas, as pessoas podem entrar no site e ver. Eu acho isso muito bonito pra cultura, pra mim foi muito importante realizar um disco, clipes, shows, fazer esse trabalho, um monte de gente trabalhou, recebeu, enfim. 

 

Mas eu acho que nem todo pensamento “politiquento” dura pra sempre, agora, realmente correções precisam ser feitas na lei, enfim, eu realmente concordo que não está 100% correto, apesar de que eu acho que é e tem sido importante ao longo dos anos. 

 

Mas a gente vive uma política de austeridade tão grande, que aí se associa, junto com um pensamento distorcido da realidade que a gente tem hoje em dia, e aí as pessoas atacam esse tipo de coisa. Eu falo com o maior orgulho, eu não devo nada a ninguém em relação a isso. Acho muito importante o Natura Musical, inclusive, ele revela muitos artista hoje novos no Brasil, acho um programa muito importante.

 

Muitos baianos foram contemplados e ficaram conhecidos nacionalmente por esse programa…
Isso, muita gente! É que as pessoas têm uma versão um pouco distorcida da coisa. Cultura gera economia. As pessoas têm a ideia de que a cultura é apenas um sustentáculo do estado, mas já é provado o contrário. O impacto financeiro que você tem de um projeto desse é de um retorno econômico, inclusive para o estado, o estado arrecada depois, não perde nada, na real.


O pessoal do cinema tem se mobilizado por causa das questões na Ancine, agora na Bienal do Livro também houve mobilização. Ao ver essas reações políticas você tem sentido medo da censura?
Eu acho que isso faz parte do momento que a gente vive. O nosso governo não é um governo único no mundo, a gente vê o extremismo de direita acontecendo nos Estados Unidos, agora recentemente na Gran Bretanha, onde recentemente aconteceu do primeiro ministro ser nomeado e ele já perdeu a maioria do próprio parlamento, porque as pessoas estão vendo pra onde está indo esse autoritarismo todo. 

 

E o que acontece, por exemplo, hoje no Brasil, o país só tem o apoio dos Estados Unidos porque a gente sabe que muita coisa teve influência na eleição daqui. O mundo todo vê o Brasil hoje como ruim. Meus amigos todos que moram na França, na Alemanha, falam que a imagem do Brasil está decadente, deprimente. As pessoas falavam do Brasil de uma forma muito mais respeitosa do que como está sendo falado hoje.

 

Essa tentativa de censura eu acredito que é por conta de uma transformação social. A sociedade vem se transformando, vem evoluindo, então têm forças conservadoras que ficaram lá durante muito tempo e se sentem no direito de afogar essa evolução. Eu acho que você não indo para extremismos, você usando a liberdade pra criticar e fazer o que você quiser, acho que tudo bem. A partir do momento que você tenta censurar, por exemplo, a medida do prefeito Crivella de tirar o livro, muito embora eu respeite a religião e a posição dele de cristão, eu conhecendo o mínimo de lei que eu conheço, eu já sei que é inconstitucional. Você não pode ir a uma bienal fiscalizar livro. Ele usou isso como uma manobra eleitoreira, porque ele sabe que menores não estavam comprando livros pornográficos ali, até porque os livros não eram pornográficos, eles tinham uma temática LGBT, uma temática muito mais de informar. E ele acabou causando um efeito contrário. Na internet, o Brasil inteiro expôs a imagem que ele queria proibir. Então, ele tentando proibir uma imagem de uma revista americana, que é da Marvel, transformou isso em uma escala nacional e internacional também. Acabou ficando feia a imagem dele, teve até um pessoal fazendo meme, colocando a imagem dos dois rapazes se beijando em um monte de buracos no Rio de Janeiro e dizendo “Crivella, aqui uma imagem imprópria, vem resolver!”. 

 

O Brasil vive hoje e o mundo também vive, os Estados Unidos é muito parecido. O Brasil pega as doenças sociais dos americanos muito facilmente. Mas isso é manobra eleitoreira, existe uma parcela enorme da população que é conservadora e que quer ser representada por esse tipo de atitude. Então ele sabe que ele deve cada vez mais pra isso, porque o eleitorado dele tem um limite e ele quer alcançar o limite do eleitorado. A gente entende isso, mas assim, eu tenho fé que no Brasil as coisas não vão descambar para um autoritarismo não, muito embora a gente tenha visto o contrário acontecer, eu acho que com o tempo as coisas vão se assentar.

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