Protagonista de ‘Central do Brasil’ participa de bate-papo em Salvador
Foto: Divulgação

Descoberto aos 11 anos enquanto trabalhava como engraxate no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, o ator Vinícius de Oliveira, protagonista de “Central do Brasil”, desembarca em Salvador para um bate-papo após a exibição do filme, durante o XIV Panorama Internacional Coisa de Cinema, no dia 21 de novembro, às 18h30. “A vida deu uma guinada, eu morava numa comunidade do Rio de Janeiro, no Complexo da Maré, eu tinha pouca perspectiva de ascender na vida, porque a gente sabe como é nosso país, extremante elitista e que dá pouca oportunidade para a galera das periferias. Com essa oportunidade que eu tive, do Walter [Salles] me encontrar no aeroporto Santos Dumont e me chamar para fazer o filme, que eu consegui me encontrar, estar no lugar onde me sinto bem, que é no meio artístico”, contou o ator, que agora participa das comemorações dos 20 anos de lançamento de “Central do Brasil”.  


Premiado no Festival de Berlim (melhor filme e melhor atriz) e no Globo de Ouro (melhor filme estrangeiro e melhor atriz de drama), o longa foi indicado ao Oscar nas categorias Melhor Filme Estrangeiro e Melhor Atriz. 


O que mudou na sua vida a partir do filme?
A vida deu uma guinada, eu morava numa comunidade do Rio de Janeiro, no Complexo da Maré, eu tinha pouca perspectiva de ascender na vida, porque a gente sabe como é nosso país, extremante elitista e que dá pouca oportunidade para a galera das periferias. Com essa oportunidade que eu tive, do Walter me encontrar no aeroporto Santos Dumont e me chamar para fazer o filme, que eu consegui me encontrar, estar no lugar onde me sinto bem, que é no meio artístico, o meio cultural, produzindo arte e tendo, por enquanto, a minha liberdade de expressão. Espero que ela não seja cerceada pelo que vem por aí, pelo possível governo que possa vir por aí. Então é nesse lugar que o filme me deu a oportunidade de estar, de poder me comunicar com as pessoas, me comunicar com a grande massa, com o público, fazendo cinema e séries de TV, que é o que eu gosto de fazer, como ator e como diretor. A direção é um outro caminho que eu estou seguindo, já tenho três curtas e estou desenvolvendo outros trabalhos para poder dirigir. Então Central mudou minha vida nesse sentido, e, claro, me deu uma percepção de mundo mais apurada, mais crítica, para entender esse universo doido que a gente vive. 


Você já tinha pensado em ser ator antes de ser testado para Central do Brasil?
Quando moleque, eu queria ser jogador de futebol. Acho que esse é um sonho latente em 70%, 80% dos jovens do país. Nunca tinha pensado em ser ator, artista, trabalhar na área cultural.

 

Ainda lembra como reagiu quando a equipe do filme resolveu lhe testar para assumir o protagonista mirim?
Reagi com alegria, uma alegria espontânea do momento… De ter uma oportunidade, de estar trabalhando numa coisa nova, mas eu não fiquei em extrema euforia, porque eu não estava entendendo direito o que estava acontecendo, o que significaria fazer um filme que se tornou tão importante. Foi uma alegria muito íntima, muito minha, sem ser tão para fora. 

 


Vinicius atuou ao lado de Fernanda Montenegro em "Central do Brasil" | Foto: Divulgação


Acha que o filme permanece atual?
Acho que sim, mais do que nunca. O Walter pensou num filme, onde o Brasil estava voltando de um momento terrível, que foi a era Collor, o Brasil destruído, acabado, as pessoas sem um rumo, sem saber para onde ir, todo mundo desesperado, carente de alguma figura, sei lá, estadista ou paterna, que pudesse olhar para a gente e nos desse um caminho. Eu acho que a gente está nesse momento agora, o Brasil passa por uma situação dificílima politicamente falando, a gente de fato não está entendendo, quer dizer, a gente está entendendo o que está acontecendo, mas é tudo tão louco que é difícil de acreditar. O filme fala disso, da busca de uma figura importante para a gente ter, para a gente seguir, abraçar e se juntar. É o caso do Josué que vai em busca do pai, é o caso da Dora que foi abandonada pelo pai e sente isso muito forte na pele. Então eu acho um filme super atual, de grande importância para ser visto novamente. De alguma forma, ele tem esse fator emotivo que pega muitas pessoas, que faz com que as pessoas reflitam sobre suas vidas, suas histórias.

 

Quais são os trabalhos que está realizando atualmente? E os planos para os próximos anos?
Acabei de lançar um longa chamado “Vende-se essa Moto”. Primeiro foi no Rio de Janeiro, mas a gente vai lançando de pouquinho em pouquinho, cidade por cidade, porque é um filme super independente. Tem direção do Marcus Vinicius Faustini, foi produzido pela K Vídeo, com dinheiro deles, sem apoio nenhum, sem patrocínio nenhum, mas uma história bonita. Estou no ar com a terceira temporada da série Magnífica 70, que está passando na HBO, estreou dia 14. Fiz a série sobre Popó, irmãos Freitas, no início do ano, para o canal Space, que deve lançar ano que vem. Acabei de fazer dois longas, um no Rio outro em São Paulo; vou fazer uma série na Netflix, chamada Sintonia, que tem direção geral do Kondzilla, e produção da Los Bragas; vou fazer a segunda e terceira temporada da série Unidade Básica, que é da Universal Channel, com produção da Gullane. Tem um projeto pessoal também rolando, de série, mas ainda não posso dar maiores detalhes.

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